Bonfire Heart
20 Trust
Notas iniciais
Oi gente!! Obrigada pelos comentários, viu? Eu revisei o capítulo meio"por cima", se houver algum erro me visem por favor!!! Espero que vocês gostem!
– Bom dia — desejou e olhou ao redor.
Algumas cartas do baralho ainda estavam no chão, e o filme estava pausado em uma cena qualquer perto do fim. Corou ao lembrar da noite anterior. Sentou-se na cama e virou para Damon.– Eu sinto muito por ontem Ele soltou o ar em um riso fraco pelo nariz e sorriu de lado.– Eu estava pensando exatamente nisso agora. Elena o encarou curiosa.– E chegou à qual conclusão?– Que estou, por um lado, aliviado.– Não entendo — negou com cabeça.– Se você está com TPM é um bom sinal, considerando que não nos protegermos quando dormimos juntos.– Você está dizendo que o meu ataque de ontem é bom porque significa que não estou grávida?– Havia grandes possibilidades de estar. Então, se não está, é bom. Elena sentiu-se atingida por suas palavras mais do que deveria. Não que quisesse ter um filho agora, mas toda essa conversa era uma indireta de que ele não queria filhos? Pior, talvez ele não quisesse ter filhos com ela. Será que ele gostaria de ter com Charlotte? Havia algo de errado consigo? Quase como se lesse seus pensamentos Damon a puxou para seus braços de novo.– Não que ter filhos com você fosse uma má ideia. Só acho que agora não é uma boa hora para isso. Ela suspirou e deixou-se ser abraçada enquanto relaxava. Realmente não parecia uma boa hora. O restaurante, seu irmão, o problema com dinheiro, Caroline, a investigação do incêndio Teria que resolver tudo isso antes de começar a planejar sobre o assunto. Não só por causa do assunto, mas para sua vida normal começar novamente. Elena não foi a única a se perder em pensamentos. Damon franziu o cenho. As mudanças súbitas de humor não eram recentes para ser apenas tpm, e ela não parecia ter perfil de bipolaridade. Não sabia como interpretar a situação, ou se realmente deveria a interpretar. Por quanto tempo mais conseguiria viver com as crises de humor de Elena? O suficiente até que tivessem filhos? O estômago dela emitiu um barulho um pouco constrangedor, chamando-o de volta à realidade. Ela corou e ele sugeriu, afastando os pensamentos: — Café da manhã? *-* Bonnie andou pelo longo corredor do prédio de Elena estalando os dedos ao lado do corpo conforme o ritmo da música que ouvia. Perguntava-se se estava tudo bem com a amiga, que não atendia suas ligações. A Porem, ao mesmo tempo que se preocupava também sentia mágoa e raiva. E se ela estivesse bem? Custava ligar de volta? Estava a ignorando? Deixando que resolvesse tudo sozinha? Bem, não ia mais. Estava cansada de supervisionar o andamento do restaurante e não ter nada em troca — nem que fosse um obrigado. Agora estavam sem dinheiro, e Bonnie não ia lidar com isso sozinha. Tirou um dos fones de ouvido e bateu duas vezes na porta, como já havia feito algumas outras vezes naquela semana. E obteve a resposta de sempre: silêncio. Tentou mais uma vez e não obteve nenhum progresso. Não ia ser ignorada de novo. Ergueu o braço e bateu na porta com tanta força que parecia estar atingindo a madeira com socos. – Elena? É melhor que abra essa porta antes que eu — Parou subitamente, a porta sendo destrancada e puxada para trás.– Sim? Antes que você? Não respondeu. Ficou ali, com o punho erguido, observando o irmão da morena. Estava com o cabelo molhado e vestia apenas uma calça de moletom, como se tivesse saído do banho as pressas. Talvez fosse isso mesmo que tivesse acontecido. Por causa de uma louca que batia na porta e gritava ameaças incompletas à irmã que ele tinha. Jeremy a examinou de perto.– Você é a Bonnie, não é? — ela assentiu, baixando a mão. — Puxa, você mudou.– Hã, você também. E era verdade. Não parecia mais o menino que era quando ela, Elena e Caroline estudavam juntas. Ele crescera e melhorara muito. E com isso ela queria dizer fisicamente, uma vez que era o único aspecto dele que estava vendo.– Achei ter reconhecido sua voz, embora um pouco mais alta de quando falamos ao telefone. O que a leva a gritar no corredor? Forçou seus olhos a desgrudarem dos músculos definidos de sua barriga até seus olhos, limpando a garganta e torcendo para que ele não tivesse percebido nada.– Sua irmã está? – Estava ontem. Por quê? — encostou-se ao batente da porta. Somente então percebendo que Bonnie estava parada no corredor. — Que educação a minha. Quer entrar? — afastou-se um pouco e gesticulou para dentro.– Acha que sua irmã vai demorar para voltar? — perguntou desejando que ele dissesse sim; então poderia dar qualquer desculpa e ir embora, não tendo que passar muito mais tempo ali, mesmo que não soubesse o porque de não gostar da ideia de ficar muito tempo com Jeremy em um ambiente fechado. Entretanto, se ele dissesse não também poderia ser divertido; ela entraria e eles fariam algo juntos, como ver tv, enquanto conversavam sobre a vida um do outro.– Acho, sim. A não ser que tenhamos uma boa ideia para desgruda-la do namorado. Bonnie riu. Pronto: agora só faltava dar o recado, virar as costas e ir embora.
– Pode pedir para ela me ligar? Precisamos decidir algumas coisas.– Ah, a falta de dinheiro do restaurante. Elena deixou um cheque em algum lugar e disse que por enquanto não precisava pedir emprestado pra ninguém. Vou procurar pra você. A morena ficou parada diante da porta por um instante, encarando o ponto por onde ele tinha desaparecido. Deveria entrar? Era só ter ido embora Hesitante, deu um passo para dentro da casa. Havia giz de cera e folhas de papel perto de uma almofada, como se tivessem deitado no chão para desenhar, e um notebook estava jogado em cima de um colchão com cobertas mal arrumadas no chão. A tela mostrava alguma cena pausada de, provavelmente, um filme. Talvez ele não tivesse saído do banho às pressas. E sim, tivesse tido preguiça de colocar alguma roupa decente e secar o cabelo.– Estava em cima do balcão. Virou-se e pegou o pedaço de papel.– Obrigada.– Não por isso — deu de ombros em descaso. Mordeu o lábio inferior.– O que está assistindo? — perguntou de repente, sem se conter.– Hum — Jeremy levou a mão à nuca, surpreso com a pergunta. — Não sei. Sinceramente, foi a Carol que baixou a maioria. Só escolhi aleatoriamente.– Se quer continuar andando, não a chame de Carol na frente dela — brincou, finalmente achando algo que quebrasse a tensão formada. Ele riu. — É o meu computador. Não deveria ter os filmes dela. Posso chamá-la como eu quiser.– Boa sorte com isso. Um silêncio constrangedor reinou novamente por um tempo.– Quer assistir comigo? Deveria? Sorriu e assentiu levemente, retirando o outro fone de ouvido e guardando o celular. Poderia ser uma tarde agradável. *-* Enquanto esfregava um prato por mais tempo do que deveria, Elena se perdia em pensamentos. As últimas semanas vieram em flashes por sua mente, cada uma carregando uma emoção diferente. A que mais durou e foi repetida em detalhes foi o acontecimento da noite anterior. Que atitude ridícula fora aquela? Blefe faz parte do jogo, não devia trazer tanta raiva por causa de meia dúzia de bombons perdidos — que não era realmente perdidos; eles iam acabar dividindo todos de qualquer jeito, independente de quem ganhasse. A única explicação lógica seria a TPM, se isso não fosse contra o fato de que seus hormônios deviam estar sob controle do anticoncepcional. A não ser que o medicamento estivesse vencido. Uniu as sobrancelhas. Largou o prato e afastou-se da pia secando as mãos no jeans e andando até a bolsa. Procurou pelos bolsos e retirou uma cartela de remédios. Analisou-a com atenção. Assustou-se quando dois braços a cercaram na altura da cintura, quase deixando cair o que segurava.– Você deixou a pia aberta Não posso deixar você sozinha por um minuto? Disse para não lavar a louça. Ela suspirou e virou em seus braços. – Damon, eu venho tomando diariamente pílulas do dia seguinte. Ele a encarou por um momento, sem saber se ela falava sério. Então riu de leve, mesmo sem achar graça.– Certo. Por quê? Elena franziu os lábios. Nunca comprara outro remédio que não fosse o anticoncepcional. Em geral, não gostava de farmácias, então tentava passar o mínimo de tempo possível dentro de uma. Nem sabia da existência do outro medicamento em sua bolsa.– Eu não sei.– Devo me preocupar com isso?– Um pouquinho? — não era uma pergunta, mas saiu em tom de uma. Antigamente tomava medicamento para regular seus hormônios, como diversas mulheres fazem hoje em dia. Mas agora estava tomando mais hormônios por dia do que havia tomado por diversos meses consecutivos. O que explicava muito de seu comportamento. Mas isso a levaria aonde? Deveria se preocupar?– Podemos ligar para Stefan? Só para certificar de que vou ficar bem? *-* Elena "melhorava" dia após dia. Seus chamados ataques de humor diminuíram drasticamente conforme se cuidava melhor. Seu relacionamento com Damon também havia melhorado muito. Quase nunca se desentendiam, e quando brigavam um dos dois dava o primeiro beijo que acabava na cama. Ou na banheira, no sofá, no banco de trás do carro Não que eles pudessem reclamar. Foram ao cinema mais algumas vezes até já terem visto todos os filmes em cartaz. Damon usou essa desculpa quando decidiu levá-la para outra cidade uma vez, em um "jantar comum", disse ele. Mas acabou dando início a um namoro oficial com direito à alianças, vinho e rosas. Haviam subido em uma árvore e dado um jeito de sentar em seus galhos para ver as estrelas, uma vez que as folhas eram poucas por causa do outono. Elena estava tão concentrada na tranquilidade daquele momento quase surreal que não percebera quando ele tirara a caixinha do bolso da jaqueta de couro. Não sentia necessidade de oficializar nada, sabia que ele era dela e que ela era dele, mas mesmo assim queria deixar aquele relacionamento perfeito. Queria que ela se sentisse tão bem quanto ele se sentia em sua presença. E só havia uma coisa que ele ainda no havia feito em todo o tempo que estavam juntos para tornar aquilo completo: pedi-la em namoro. E foi o que ele fez. O brilho nos olhos dela ao aceitar a proposta se comparava ao das estrelas que observavam. Seu sorriso se alargou enquanto ela se jogava sobre ele, derrubando ambos no chão. Beijou-o tentando transmitir toda a paixão que sentia antes de receber a fina aliança em seu dedo. Sentiu-se uma adolescente de novo, mas não ligou por expressar seus sentimentos com ações. E, naquela noite, mais uma vez se uniram em um só. Obviamente seu relacionamento não era apenas físico. Assim como suas vidas não eram mais inteiramente juntos. Elena deixara de se sentir tão dependente do namorado — e como adorava poder chamá-lo assim — para poder voltar a viver um pouco como era antes. Caroline quase quebrou suas costelas em um abraço ao ver a aliança, e Bonnie a parabenizou antes de voltar a jogar videogame com Jeremy. Apesar de tudo o que fizera e do quanto se afastara, elas estavam lá, como sempre estiveram e como ela sabia que sempre estariam. Não poderia adorá-las mais do que já o fazia, poderia? Seu irmão forçou uma voz de autoridade e ameaçou Damon com aquele discurso de irmão mais velho, caso ele quebrasse seu coração. Elena riu e o provocou, lembrando sua diferença de idade e de quem havia nascido primeiro. Os quatro acabaram a noite com pizza, onde Elena não pode deixar de notar a proximidade que havia crescido entre Bon é Jer. Não sabia como ele era com Anna, mas já que ele havia fugido da clínica de reabilitação e mentido para seus pais antes de se esconder em Nova York por causa dela, suspeitava que estava melhor com a sua amiga. Caroline saira em um encontro uma semana antes, e nunca mais falara no assunto. Ainda saía para "trabalhar" com Klaus vez ou outra, mas com menos frequência de antes. Desde que a loira parara de falar nele e começara a evitar perguntas sobre o assunto, Elena desconfiava de que talvez o encontro não tenha ido tão bem. Sentia-se mal pela amiga, mas não falaria nada se ela não quisesse. Sua vida melhorara de repente, e até o assunto do restaurante parecia fácil. Elena e Bonnie conseguiram um emprego de meio período cada uma,tendo agora mais dinheiro para pagar a construção. Passaram a acreditar que tudo ia dar certo e que o restaurante ficaria pronto em breve.– Damon? — chamou quando estavam deitados no sofá, assistindo à TV.– Hum? O sofá da casa dele era estreito para duas pessoas deitadas, mas eles sempre tentavam caber no espaço para ver filmes. Às vezes ela ficava por trás e o abraçava pela cintura, enlaçando suas pernas e repousando a cabeça em seu ombro. Outras vezes, como agora, ele envolvia seu corpo com um braço enquanto apoiava a cabeça no outro, tentando enxergar por cima dela. Esse era o roteiro dos domingos em que se viam. Ele ajeitou uma mecha chocolate atrás de sua orelha. E ela percebeu que estava demorando a responder.– Amo você. — sussurrou. Quando ele não disse nada Elena fez um esforço para virar o corpo e o encarar. Ele a fitou de volta, um sorriso brincando no canto de seus lábios.– Também amo você — beijou-lhe carinhosamente a testa, aconchegando-a melhor ao seu corpo. Tudo estava perfeito, e naquele momento, não importava o que dissessem, Elena sentisse a mulher mais feliz do mundo. *-* A morena parara de detestar o despertador. Agora, dava boas vindas ao toque que a lembrava de abrir os olhos para um novo dia. Praticava meia hora de yoga, tomava banho, vestia um pijama confortável de novo e depois preparava o café.
Fez careta para a xícara com cinco colheres de açúcar de Care, que tomava a bebida tão adocicada que o açúcar sempre ficava acumulado no fundo quando ela acabava — para tristeza de quem lavasse a louça -, e se retirou com sua xícara de café, deixando a amiga e o irmão na cozinha. Voltou para o quarto e se atirou na cama. Segunda feira, oito da manhã. Nublado, frio e com previsão de chuva. Era perfeito para ficar em casa, deitada entre as cobertas Afundou no travesseiro, a caneca de café entre suas mãos, aquecendo-as com seu calor. Suspirou ao ouvir seu celular vibrar. Estendeu a mão e analisou a indicação de nova mensagem; o remetente era um número privado. Ela continha uma simples frase: 'Você confia no seu namorado?' Ergueu as sobrancelhas. Então deletou. Trote, engano ou piada de mau gosto; não ia se incomodar com isso. Bebeu mais um pouco do seu café e puxou as cobertas para mais perto. Seu celular vibrou de novo. Nova mensagem de número privado. 'Já recebeu o correio hoje?' Em seguida veio anexada uma foto. Damon não parecia saber que estava sendo fotografado no momento. Não era engano. Alguém estava brincando com ela. Alguém perigoso. E ela não tinha dúvidas de que esse alguém sabia sobre sua vida. Talvez estivesse a vigiando desde o incêndio. Um arrepio desceu sua coluna com o pensamento. Pôs a xícara na cabeceira e saltou da cama com o celular na mão, ignorando o frio. Correu para fora do apartamento e cruzou o corredor na mesma velocidade. Sem paciência, decidiu ir pelas escadas até o saguão. Pouco se importando por estar vestida de pijama seguiu até a caixinha de cartas. Procurou o número do seu apartamento. Havia um envelope grande comparado aos outros; mais pesado também. Não tinha endereço de remetente. Nervosa, abriu um pedaço do pacote, mas parou de repente. E se fosse uma bomba? Gentil, e praticamente sem força alguma, apertou o pacote. Não parecia ter nada dentro além de papéis. Terminou de rasgar a abertura com cuidado e devagar. Dentro, havia uma série de fotos impressas. A primeira era a mesma foto de Damon que estava anexada em seu celular. A próxima dava mais detalhes de onde ele estava, revelando estar na praça de alimentação de um shopping. A terceira mostrava que ele estava acompanhado. Elena estreitou os olhos, tentando ver quem era. A franja loira encobria seu rosto, e o ângulo não era muito bom. Tremendo, passou a foto e viu a próxima, de repente não conseguindo respirar e nem desviar os olhos.'Confia'?
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