Bonfire Heart

12 To My House...


Notas iniciais
Oi gente!!! Bletts pediu para eu pedir desculpas pela demora, mas achamos que o que rola nesse cap irá compensar kkkkk Beijos e não deixem de comentar!!!

Sua cabeça girava, a visão era embaçada e ela sentia-se tonta. Jeremy? Ali? Então tinha razão, ele andava livre pela cidade. Sempre quis se encontrar com o irmão e perguntar o porque daquilo tudo, mas agora que estava com ele não podia mexer um músculo.
Ele ainda a segurava pelo antebraço, e Elena tentou sair dali usando o máximo de força que podia, para longe daquelas mãos que já fizeram tanto estrago. O incêndio, a droga no restaurante... Talvez nem houvesse sido ele, mas que outra pessoa o faria? Puxou seus braços mas não se soltou um centímetro, seus músculos recusando a se mover.
– Jer...
– Elena — ele sorriu, mostrando a carreira de dentes brancos perfeitamente alinhados. Perguntou-se quando foi que ele tirara o aparelho.
Analisou o rosto do irmão, esquecendo-se do choque anterior. Ele era bonito. Sem o aparelho, a aparência de cansado que todos sabiam ter sido causada pelas drogas, as roupas largas e escuras. Jeremy Gilbert era um novo homem. Agora os dentes não tinham manchas e o cabelo era alinhado. As roupas eram normais e a blusa branca combinava bem com a jaqueta jeans.
Sentiu-se livre ao concluir o pensamento. Mas não porque tentara outra escapada, mas porque ele a soltara. Porque ele a soltou?
– Porquê?
As sobrancelhas do irmão se uniram. Ele estava confuso?
– Por que o quê?
Elena correu os dedos pelo cabelo chocolate e suspirou. Não sabia o que responder. Referia-se ao incêndio, à droga ou ao fato dele estar simplesmente aqui, tão perto dela, conversando, como se nada tivesse acontecido?
– Há quanto tempo está aqui?
Jeremy respirou fundo, parecendo decidir se contava ou não. Ou só estava refazendo as contas de dias para mentir.
– Duas semanas.
Elena se espantou. Ele admitira que estava aqui no dia do incêndio. Admitira estar em NY por tempo suficiente para acompanhar desde onde tudo começou. Ele não deveria tentar esconder? Se inocentar?
– Duas semanas?!
– Okaay — o irmão alongou a palavra e estendeu a mão em direção às mesas — precisamos conversar.
Elena então notou que estavam até agora onde ela o encontrou, no meio da fila do restaurante, onde algumas pessoas os olhavam com raiva e desconforto por estarem atrapalhando a circulação. A morena andou até as mesas, fazendo menção de sentar em uma perto da janela quando ele agarrou seu braço.
– Aqui, não.
Indicou mesas mais ao fundo e um arrepio tomou Elena. Sentia um frio subindo a base da sua coluna e andou na frente dele, apertando as mãos para que ele não a visse tremer. No fundo. Onde haviam poucas pessoas de testemunha e não havia vidro para que pudesse ser vista por pessoas de fora. Ele ia confessar.
Ao chegar nas mesas do fundo, parou. Esperou para que Jeremy lhe dissesse onde sentar, deixando-o ditar as regras. E também não queria tocar nele de novo. A mão do irmão indicou uma no canto, perto da parede. Elena sentou no banco, tentando ficar em uma posição em que pudesse ser vista do saguão. Sem muito sucesso. Havia plantas na frente, decorando o corredor.
– Está com fome?
– Não.
Mentiu. Estava faminta, mas não iria comer com ele.
– Quer pedir alguma coisa?
– Porque está em NY? — o cortou.
Jeremy pareceu ter levado um soco com a pergunta direta. Ergueu a mão e coçou a nuca, um ato comum desde a infância por nervosismo. Assassinos não deviam ser frios e calculistas?
– Vim de avião duas semanas atrás. Papai que deu o dinheiro, então ele sabe.
Elena ficou confusa. Sim, eles sabiam. Falara com sua mãe no telefone uns dias atrás e ela estava preocupada com o filho, que devia estar visitando a irmã mais velha. Mas não estava. A confusão era pelo verdadeiro motivo da "visita".
– Mentiu para mamãe que ia ficar na minha casa. Onde esteve de verdade?
– Ah, você sabe — pegou um guardanapo entre os dedos e brincou com ele, dobrando-o — Ela deve ter ligado para você, mas não para mim. O que significa que você mentiu para ela também. O que disse como desculpa? Que eu estava tomando banho? Ela cai muito nessa.
Elena piscou duas vezes seguidas. Não esperava que a conversa tomasse esse rumo.
– O que quer dizer?
– Eu saía para comprar drogas, Elena. Meus amigos me davam cobertura, porque dividíamos. Mas os idiotas nunca queriam sair de casa. Talvez mamãe desconfiasse que eu sempre estava no banho quando ela ligava, mas nunca disse nada. O que disse para ela?
– Jer... — ergueu as mãos e agarrou os próprios cabelos. — Me diga que não está em NY por causa do tráfico.
– Não, Elena — ele riu. Soltou o guardanapo de lado e juntou as mãos na frente do corpo. — Quer um café? Eu quero um café.
– Não, Jer. Por favor. Apenas vamos acabar logo com isso.
Arrependeu-se no instante em que parou de falar. Céus, se ele a queria morta, poderia entender aquilo como um convite para realmente acabar com aquilo. Jeremy sorriu. Mas era um sorriso sincero.
– Sabe, você não mudou muita coisa, maninha.
Apesar de Elena ser a mais velha, ele a chamava de maninha por ser a mais baixa, desde que passou por ela em altura aos sete anos. Quando ainda era uma criança inocente sem aqueles problemas que arrumou depois. A chamar assim era nostálgico.
– Seja sincero. Porque veio? — arriscou de novo.
Jeremy encolheu os ombros e mexeu de modo nervoso em um botão da jaqueta jeans. Ergueu os olhos para encara-la e Elena achou que ele tivesse medo de dizer que não a queria viva. E talvez com razão, parecia uma coisa difícil de dizer em voz alta.
– Desculpe por ter contado aos nossos pais sobre a... a sua situação.
– O quê? — Jeremy riu, apoiando os cotovelos na mesa e escondendo o rosto. Isso queria dizer que não? — Lena, eu já lhe perdoei por isso. Você fez certo e posso ver isso agora. Obrigado.
Sua mão deslizou pela mesa e acariciou a dela em agradecimento. Se fosse antes teria se afastado. Mas agora estava muito confusa para saber o que fazer. Estava sendo cínico? Por fim se afastou.
– O motivo de eu vir aqui, é por... por... uma garota.
Elena ergueu as sobrancelhas. Uma garota? O quê?
– O quê?
– O nome dela é Anna. Mamãe nunca iria deixar eu interromper a reabilitação por mais que insistisse estar bem. Então disse que vinha por você.
Elena esfregou o rosto com as mãos. Uma garota? Mas e as duas semanas? O incêndio... não foi Jeremy? Encarou o irmão e suspirou. Parecia sincero.
– Quero seu telefone. — ele a encarou confuso, encarando a mão que esticara — o telefone, Jeremy.
Então tateou o bolso da calça e puxou o celular, entregando-o. Elena observou a tela, onde ele e uma garota de cabelo negro se abraçavam. Ela continha um sorriso, parecendo tímida. Porém ambos felizes.
– É a Anna?
Ele assentiu e a morena suspirou. Okay, parecia uma história mais real agora. Pensou em ligar para o próprio celular, apenas para ter o número. Passou muito tempo desconfiando do irmão, que agora era hábito pensar que se apenas pedisse, ele iria lhe dar o número errado e sumir de novo. Estava confusa, mas digitou o próprio número no celular dele e, ao invés de ligar, o salvou nos contatos, confiando que ele iria ligar para ela.
– Não suma — disse antes de levantar, assumindo a postura de irmã mais velha. — Vou ligar para mamãe e contar sobre Anna. Sem detalhes, prometo. Ela vai gostar de saber novidades.
Jeremy se levantou também.
– Estamos bem? — ela assentiu.
– Estamos bem — confirmou.
*-*
Elena caminhou por entre as mesas do Starbucks com confiança. Parou atrás do moreno, cobrindo seus olhos azuis com ambas as mãos. Sentiu seus cílios roçarem suas palmas em uma sensação agradável. Sorriu se inclinando até que seus lábios chegassem em seu ouvido.
– Adivinha quem é?
– Hum — Damon murmurou, também sorrindo — Espero que a mulher maravilhosa com quem marquei um café hoje.
Elena mordeu os lábios.
– Essa mulher com quem vai se encontrar... como ela é?
– Perfeita, resumindo. Lindos olhos chocolates, combinando com o cabelo liso.
– Uh, que engraçado. Também marquei um café com alguém — sorriu deixando as mãos caírem e deu a volta na mesa, ficando de pé ao lado do banco — E essa pessoa também tem lindos olhos.
– Sério? Que coincidência. Você gosta dessa pessoa? Porque eu gosto muito da mulher que vai sentar nessa mesa.
Elena sorriu e sentou na frente dele, o rubor cobrindo suas faces. Então congelou no lugar. Sério que estavam flertando? Elena fungou e olhou para a mesa.
– Já pediu? — amaldiçoou-se por dentro. Não tinha algo mais inteligente para falar? Com certeza poderia achar algo menos constrangedor.
– Não. Estava esperando você.
Notou que a voz dele estava mais suave agora, sem carregar o tom sedutor que continha antes.
– Vou querer café com canela.
– Leite?
Sim!
– Não. Obrigada.
Dieta estúpida.
Damon ergueu os olhos do cardápio e a encarou por um momento, os olhos estreitos. Mas não disse nada. Então fez o pedido. Dois cafés com canela, e era só.
– Então, como vai o trabalho? — a morena perguntou sorrindo Arrependeu-se depois. Devia ser um saco ficar cansado e com sono em um trabalho que te exige bem estar físico após ser questionado por ficar acordado no hospital durante a noite por ela.
– Vai bem. Algo novo em sua vida desde ontem?
Elena mordeu o lado interno das bochechas.
– Damon, se eu lhe contar uma coisa, promete não me chamar de louca?
Ele ergueu as sobrancelhas e se apoiou na mesa com os braços.
– O que você fez?
– Eu... Suspeito que meu irmão tenha posto fogo no restaurante.
– Porque acha isso?
– Ele está em NY há tempo suficiente para ter feito isso. Mentiu para nossos pais que vinha me visitar mas eu só o vi ontem. E também acho que ele me drogou. Não sei como, mas não posso pensar em mais ninguém.
– Elena, já procurou a polícia?
– Não. Deixe-me terminar. O vi ontem e falei com ele. Parecia sincero ao dizer que estava aqui por uma garota.
– Então...?
– Então não sei o que fazer — resmungou, enrolando o cabelo em um dedo. Baixou o olhar quando sentiu seu toque em sua mão, seu polegar fazia carícias suaves.

Damon inclinou a cabeça para frente.
– Não quero que se descuide por um segundo. Mas acho que devia dar um tempo. Agora que o encontrou, espere para ver o que ele fará.
Elena assentiu e o garçom trouxe os cafés. O moreno estendeu a mão para pegar o açúcar e acabou derrubando o saleiro.
– Merda — xingou baixo, tentando reunir o sal com a mão.
– Voce vai ter alguns aninhos de azar, Damon...
Sorriu, mas sentia falta da mão dele na sua. Então sentiu algo deslizar por entre seus dedos e fez careta, observando os grãos brancos que se acumulavam sobre sua pele.
– O sal é pra jogar por sobre o ombro, amor. Não na pessoa da frente — ironizou, chacoalhando a mão.
– Me chamou de amor?
Elena ergueu os olhos para seu sorriso de lado e balançou a cabeça, esfregando a face que adquirira um tom rosado.
– Não. Eu disse... chamei de... — vasculhou na memória por alguma palavra parecida, mas nenhuma parecia boa o suficiente. Suspirou e esfregou novamente a face, tendo os pulsos segurados e abaixados.
– Você fica linda quando tem vergonha. Então não esconda o rosto com as mãos.
– Só fico linda com vergonha? — sorriu de leve.
– Você é linda sempre.
Então ele puxou seus pulsos para perto e inclinou-se, beijando cada mão. Elena sentiu algo revirar em seu interior, agora reconhecendo as famosas borboletas no estômago. Era frio, mas era bom. Forçou a mente atrás de uma resposta, mas tudo o que fez foi ficar ali, sorrindo.
– Ah! Damon? Lembra que disse ontem que precisávamos conversar? — puxou as mãos para si e as apoiou na mesa.
– Sim, você ligou por que fez algo errado. O que foi?
Elena fechou os olhos, suspirando.
– Já disse que poderia ter sido erro seu.
– E eu já respondi. Se tivesse sido, você não teria ligado.
– Certo — rolou os olhos. — Precisamos conversar.
– Achei que só ia ouvir isso depois de um mês de namoro... — brincou, observando divertido enquanto ela esfregava o rosto novamente. — Ok. Sobre o que é a conversa?
Elena suspirou, mexendo os dedos nervosamente. Não queria contar agora que forçava a comida para fora e sobre a dieta da modelo da Victoria's Secret, mas se não o fizesse, Stefan contaria. Bem, podia esperar só um pouquinho para contar, talvez. Quer dizer, contaria depois que perdesse os quilos necessários para voltar a usar três números menores do que agora. Não era justo com ele, esconder dessa forma. Mas era preciso.
– Tenho outro suspeito do incêndio no restaurante.
Damon ergueu as sobrancelhas e bebeu um gole do café, sendo imitado pela morena.
– Quem?
Elena se inclinou na mesa como se fosse compartilhar um segredo.
– Você.
Damon riu, jogando a cabeça para trás.
– Quais provas você tem?
– Você é bombeiro. Se as coisas não pegarem fogo você perde o emprego — sorriu.
– Oh, bem pensado.
Talvez Damon estivesse realmente fazendo bem à ela. Ao invés de se sentir tonta com a menção do acontecido, agora estava brincando sobre ele.
– E além disso, normalmente os vilões são lindos.
Não podia acreditar. Estava flertando com ele de novo?
– Você só errou uma parte da teoria.
Elena prendeu a respiração. O tom de voz sedutor estava presente de novo. Sabia que o que quer que ele dissesse, era algo que a faria corar.
– Qual parte? — perguntou, odiando ter tremido a voz.
Damon se inclinou e somente então a morena percebeu que ainda estava na mesma posição de antes, quase deitada sobre a mesa. Podia sentir a respiração dele em seu rosto, lenta e ritmada. Tão ao contrário da dela, que antes mesmo de ele ter falado alguma coisa já estava curta e acelerada.
– Não incendiei o restaurante pelo meu emprego. O fiz para salvar e conhecer a moça que trabalhava lá.
– Está se referindo à Bonnie? — brincou.
– Essa mesma — ele riu da cara irritada que ela fez. — Eu nem conheço Bonnie.
– Também não me conhecia.
– Touché.
Elena sorriu. Ele era perfeito.
– Não me disse o que fez de errado.
– Hum?
– "Precisamos conversar", lembra? A frase problemática que acaba com muita gente... Não ia me dizer isso para depois brincar sobre a sua teoria. O que foi, Elena?
A morena se afastou, voltando a se escorar no estofado creme do banco.
– Stefan... Me disse para ir ao psicólogo — bem, não era mentira.
– Quando ele disse isso?
– Depois de você dizer que agora faço parte da sua vida — sorriu.
– Querendo ou não — concordou. — Porque ele sugeriu um psicólogo?
– Para ver se fui afetada psicologicamente pela droga — mentiu.
– Parece sensato. Porque precisamos conversar sobre isso?
– Não quero ir.
Infelizmente, já havia mentido. Não podia explicar por que não queria ir. Não estava doente. Estava gorda. Ia parar com isso quando a dieta fizesse efeito e não pudesse mais segurar nenhum pedaço de pele entre os dedos.
– É para seu bem. Só para ver se aconteceu alguma coisa. Você entra, responde as perguntas, faz uns testes e vai embora. Quer que eu vá com você?
– Não.
Ele ergueu uma sobrancelha. Elena teve vontade de se bater. Resposta curta e rápida era, normalmente, mentira. No caso dela, um jeito de cobrir uma.
– Não precisa. Não quero lhe incomodar. São só perguntas.
Damon assentiu, a encarando por um longo tempo antes de levar a xícara aos lábios. Porque ela estava agindo tão estranho?
*-*
Elena virou o papel amassado entre os dedos. Estava apoiada no balcão da cozinha, segurando o celular na outra mão.
– O que é isso? — a loira chegou abrindo a geladeira e tirando uma caixa de leite.
A morena nunca imaginou que sentiria tanta falta de algo sem graça como leite. Caroline se aproximou e leu por sobre o ombro da amiga.
– Está procurando nutricionista e psicóloga?
– Não, Stefan quem me disse para ver uma delas.
Carol serviu meio copo de leite antes de devolver a caixa à geladeira.
– Estava pensando em quê?
– Na psicóloga.
– Não, não você. Stefan. Porque ele quer que você vá na psicóloga?
– Para ver se fui afetada pela droga — mentiu de novo, sentindo-se péssima.
– Ainda acha que é Jeremy? Tipo, mesmo depois daquela conversa?
– Não. Ele parecia sincero.
A loira pegou um pacote de biscoitos com chocolate e mergulhou no copo de leite.
– Isso é tortura! Estou sofrendo na minha própria casa... — reclamou.
– Pode desistir do veganismo, sério. Era só algo a mais para acelerar o processo — deu de ombros estendendo o copo.
– Não, estou bem assim — afirmou.
Na verdade não estava, mas se acelerava seu emagrecimento, era sido mesmo que ia fazer.
– Vai se encontrar com Damon hoje?
– Amanhã, jantar.
– Vocês tomaram café juntos pela manhã. Não se desgrudam mais?
– Vá cuidar da sua desculpa para ligar para o Klaus e me deixe em paz — murmurou saindo da cozinha.
– Posso dizer que você está se sentindo ameaçada pelo irmão?
– Não!
Elena entrou no quarto e fechou a porta. Discou o número da psicóloga e um homem atendeu.
– Eu quero marcar hora com a Rebecka...
– Ela não aceita pacientes novos. Pode ser com o Elijah?
Oh, bem. Não podia ser de todo mal...
– Sim, pode. Meu nome é Elena Gilbert.
– Ah, sim. Gilbert. Stefan pediu para o avisar quando você ligasse.
Controlador filho da puta. Desligou o celular após marcar a consulta para amanhã à tarde. Então se livrou das roupas e entrou embaixo da água quente do chuveiro, a fumaça que subia era tão sedutora... Sentia a pressão das gotas se encontrarem com sua pele e passarem através, relaxando os músculos.
Fechou os olhos e jogou a cabeça para trás. Agarrou pedaços de pele ao redor da cintura e mordeu o interior das bochechas. Então repetiu para si mesma ficar calma. Óbvio que não perderia o peso necessário em uma semana, mas podia tentar acelerar... Saiu do banho e se inclinou no sanitário, dessa vez sem hesitar ao deslizar o dedo até a garganta. Sentiu o café da tarde voltar sem muito esforço adicional e prometeu a si mesma que não iria comer até o dia seguinte.
*-*
– Não... — resmungou, balançando a cabeça contra o encosto do carro.
– Elena?
– Não quero que acabe — observou o seu prédio e percebeu que não queria subir. — Nosso encontro não pode ter durado só isso...
– Poderia ter durado mais se tivesse aceitado o jantar depois do cinema-sem-pipoca.
– Obrigada, mas já tinha comido, estou sem fome — mentiu.
A verdade era que não ingeria nada há mais de vinte e quatro horas.
– Não me traía com o elevador — Damon soltou de repente.
– O quê?
Virou-se para ele no banco do motorista e ele riu. Claro que ela não se lembrava. Estava tão alta aquele dia que não lembrava nem de terem saído do restaurante.
– Você disse que eu não precisava ter ciúmes de você com o elevador, porque gostava mais de mim.
A morena ergueu a mão e esfregou o rosto, em uma falha tentativa de diminuir o rubor. Damon segurou seu pulso e o puxou para baixo, deslizando a mão até entrelaçar seus dedos.
– Não esconda o rosto, linda.
– Ah — foi a resposta que saiu por seus lábios. — Não quero que a noite acabe — admitiu em um sussurro após alguns segundos de silêncio.
– Não precisa acabar...
Damon se inclinou no banco e segurou uma mecha do cabelo castanho, o ajeitando atrás de sua orelha. Os dedos longos roçaram sua face em uma carícia lenta, descompassando a respiração da morena.
– Damon?
– Sim?
– Não...
Empurrou levemente seu braço com a mão livre, afastando-o. Tentou soltar os dedos dos dele, sem sucesso.
– Elena?
– Não posso...
Ele a deixou ir, observando quando se encolheu contra o banco, cobrindo o rosto com as mãos. Soluços baixos sacudiram seu corpo. Tudo aquilo já estava na mente de Elena. Já havia acontecido, sem ser Damon. E a morena tinha trauma daquela situação.

– O que você não pode?
– Foi a mesma coisa com Matt... — choramingou, relembrando as dolorosas memórias de sua traição — primeiro você me elogia, aí nos beijamos no carro. Mais três encontros e acabamos na cama. Aí ficamos noivos na manhã seguinte e você me trai com a primeira loira que aparecer.
Fora por causa de Matt que Elena fechara seu coração, não querendo que ele sofresse mais estragos. Insistira tanto tempo que Damon era só mais um amigo, e acabara preferindo não ver que aquilo ia além. E agora que sentia-se assim de novo, sabia que era só questão de tempo para voltar à tristeza do abandono. Porque Matt lhe provara que homens não são confiáveis e que todos eles eram e sempre seriam iguais.
– O quê? — perguntou chocado.
Elena se virou para ele e abriu alguns dedos, tentando enxergar através deles.
– Foi o que Matt fez. E um dia você também vai fazer — cobriu novamente os olhos.
– Elena, olha pra mim...
O moreno segurou seus ombros e foi afastado com brutalidade, suspirou.
– Esse Matt — começou — é um idiota por trocar uma mulher como você.
Os olhos castanhos foram destampados e agora prestavam atenção nele.
– Eu juro que se soubesse antes teria batido nele no dia em que fomos ao cinema. Lembra disso? — ela assentiu. Sem saber o que fazer, sussurrou — Do que tem medo?
– De estar me iludindo e você pegar meu coração para si e deixá-lo com cicatrizes depois... Tenho medo de que vá. De que vá embora e nunca mais volte.
– Eu não vou embora. Vou ficar bem aqui, com você.
– Promete? — fungou, sentindo rastros quentes lhe descer o rosto.
– Prometo — tocou seu rosto, afastando as suas mãos trêmulas e secando algumas lágrimas. — Vou ficar para sempre, ou até você me mandar embora.
Elena riu, sentindo-se mais leve.
– Para sempre é muito tempo, Damon.
– Ao seu lado vale a pena...
A morena sorriu, abaixando a cabeça para esconder o rubor.
– Então não vai me deixar?
– Nope.
– Nem me trocar por outra mulher?
Negou com a cabeça.
– Posso confiar em você?
– Pode.
Elena sorriu, inclinando-se no banco.
– Desculpe... Devo estar parecendo uma adolescente com esse trauma estúpido. Vou parar com o drama.
– Não se desculpe... Sei como é. Você fica com medo de que aconteça de novo.
As sobrancelhas da morena se juntaram. Damon já havia sido traído? A pergunta sumiu de sua mente ao sentir a carícia leve em seu rosto novamente. Círculos suaves pediam permissão enquanto iam descendo por seu pescoço e voltando à face pelo mesmo caminho. Mas o que estava fazendo? Se privando de ter Damon por causa de Matt? Aquilo lhe pareceu, de repente, errado. Se falasse com Caroline, ela lhe diria que era pra seguir em frente porque nem todo homem é igual e ela acharia alguém que a tratasse do jeito que merecesse. Bem, talvez tenha achado.
Elena se inclinou, segurando a mão dele contra seu rosto.
– Eu quero que me beije — pediu antes que perdesse a coragem.
– Não precisamos, Elena... Vou entender se quiser dar um tempo.
– Já demos muito tempo. Eu quero — retrucou. — Se não me beijar agora vou odiar você para sempre...
Damon riu, segurando seu rosto com ambas as mãos.
– Tem certeza de que seu celular não vai tocar de novo? — brincou.
Então a puxou lentamente para si enquanto se inclinava. Ela mergulhou em seus olhos azuis e sentiu a fragrância que ele exalava. Couro e menta, e alguma coisa a mais que Elena não identificou. Soltou suas mãos e envolveu-o pelo pescoço com elas.
Fechou os olhos, sentindo seu interior revirar pouco antes de sentir suas respirações se misturarem e sua cabeça girar. Seus lábios se encontraram de modo suave e permaneceram assim por um tempo.
Elena não se afastou, então Damon mordiscou seu lábio superior, puxando-o para si. As unhas da morena arranharam de leve sua nuca antes de deslizarem para seus cabelos, puxando-o para mais perto.
Seu lábio superior fora solto e sentiu-o capturar o seu inferior entre os dentes, afastando-se devagar e deixando que escorregasse.
Sentiu-se tonta novamente quando ele se afastou. Abriu os olhos e notou a própria respiração descompassada.
– Vou te levar para casa — anunciou de repente, girando a ignição do carro.
– Mas já me trouxe para casa...
Damon riu da sua expressão confusa.
– Para a minha casa, linda.
Deu-lhe um selinho antes de começar a dirigir.

Notas finais
E aí, o que vocês acharam???