Bonfire Heart

13 Here With Me


– Damon — Elena suspirou. Os beijos em seu pescoço vinham acompanhados de leves mordidas enquanto adentraram o apartamento. Damon fechou a porta atrás de si com o pé, sem ousar retirar suas mãos da morena.

Seus dedos trilharam sua coluna até a cintura e então subiram de novo, passando pela parte de trás de seu pescoço e enrolando-se em seus cabelos. A outra mão lhe segurava o quadril conforme a guiava para trás, desviando de uma mesa de centro. Elena puxou seus fios negros para cima e seus beijos subiram através de seu pescoço para encontrar seus lábios. Seus lábios eram quentes e se moviam com precisão, como se ele soubesse exatamente o que fazer. Durante o beijo, toda a paixão que sentiam um pelo outro era liberada em uma alta quantidade que era quase palpável no ar ao redor do casal.

Damon acariciava a língua dela com a sua, a mão que lhe segurava a cintura subiu até a barra da blusa vermelha que ela usava e a afastou, deslizando seus dedos pela área de pele recém descoberta.

Com o toque, Elena gemeu em seus lábios, puxando-o para mais perto. Sentiu-se ser escorada em uma parede e impulsionou o corpo para cima, entrelaçando suas pernas ao corpo do moreno. As mãos delicadas desceram de seus cabelos e arranharam seus ombros, arrancando-lhe um grunhido de aprovação. Deslizou as unhas pelo caminho até a barra da camiseta dele e fez o mesmo, infiltrando-se por baixo do tecido negro e acariciando-lhe o local antes de o arranhar novamente.

– Elena... — murmurou, arrastando os lábios até seu ombro e o mordendo de leve. — Não faça.

– Fazer o quê? Isso?

Arranhou o local de novo e riu, logo tendo suas mãos puxadas e presas na parede, ao lado de sua cabeça.

– Não faça — repetiu a encarando.

A morena encolheu-se sob o olhar recebido.

– Mas gostou quando arranhei seus ombros — argumentou confusa.

Damon suspirou e soltou suas mãos, apenas para segurar suas pernas e as retirar de sua cintura, deixando que seus pés encontrassem o chão.

Ela encarou-o confusa enquanto teve suas mãos seguradas novamente e arrastadas até a barra da camiseta preta.

– Tire.

As sobrancelhas chocolates se ergueram. Damon a soltou e esperou, sem nunca quebrar o contato visual. Os dedos que pairavam no ar seguraram o tecido de algodão. Ao observá-lo e receber um consentimento pelos seus olhos, puxou aquela peça para cima e a deslizou pelos braços recém levantados. Mirou a peça em um sofá, mas não viu se acertou. Seus olhos varreram o corpo em sua frente, decorando o entorno de cada músculo. Era óbvio que seriam definidos, uma vez que seu emprego exigia isso.

Desceu ainda mais o olhar até parar em uma mancha na pele abaixo do abdômen. Era avermelhada e parecia recente.

– Damon?

– Queimadura — esclareceu.

Ela ergueu a mão e tocou gentilmente a pele sensível, sentindo o músculo contrair.

– Dói muito?

Ele riu, aproximando-se.

– Só não arranhe.

A morena assentiu e seus lábios voltaram a se encontrar. Damon mordeu seu lábio inferior antes de ser afastado.

– Como conseguiu isso? — perguntou ainda curiosa. — Digo, na barriga...?

Riu de novo, jogando a cabeça para trás. Então encontrou seus olhos e acariciou-lhe o rosto.

– Brinco com fogo todo dia, linda — disse divertido — às vezes acabo queimado.

– Mas...

– Acontece...

Elena balançou a cabeça antes de atirar-se em seus braços, enterrando o rosto na curvatura de seu pescoço.

– Sabe o que eu acho?

– Hum?

– Foi porque você derramou o sal ontem, no nosso café.

– Ah, foi? Vale a pena se eu puder ter você.

Ela sorriu, acariciando seu rosto.

– Você me faz sentir como se eu fosse uma mulher muito especial...

– Porque você é e deve ser tratada assim.

– Você é perfeito — disse sem pensar. Esfregou a face ao sentir o rubor, que só ganhou mais tonalidade ao ver que ele riu.

– Agradeço o elogio, linda.

Segurou seus pulsos e os puxou para si, beijando a ponta de seu nariz.

– Você também é perfeita.

O coração de Elena acelerou quando sentiu sua blusa deslizar um pouco para cima. Segurou as mãos que a puxavam e o encarou com medo. E se ele percebesse que estava gorda e não a quisesse mais?

– Tudo bem?

Por outro lado, não queria deixar de ter esse momento por estúpidos três números de manequim.

– Sim, tudo bem...

Assentiu e prendeu a respiração quando sua blusa já estava fora de seu corpo. Sentiu o olhar azul lhe percorrer e um alívio substituiu o receio ao não ver nenhum sinal de desaprovação.

Damon a puxou para si e lhe deu um selinho antes de ser afastado de novo. Elena deixou a cabeça tombar para baixo. Livrou-se do cinto preto mais rápido do que imaginou que faria e o deixou cair no chão. Sem erguer o rosto, o encarou por sob os cílios. Ele tinha um sorriso de lado brincando em seus lábios, observando-a atentamente.

Então olhou novamente para baixo, sentido mais confiança. Ergueu as mãos até o botão da calça jeans que ele usava e esbarrou os dedos no tecido, sem nunca conseguir abrir o que queria. Juntou as sobrancelhas e tentou com mais pressa, seus dedos deslizando pela barra da peça sem nunca encontrar uma abertura por onde o botão pudesse passar.

– Elena?

A voz masculina parecia distante enquanto o cômodo rodava ao seu redor. Suas pernas não aguentaram seu peso e o que sentiu em seguida fora o chão antes que Damon pudesse a segurar. O moreno ajoelhou-se ao seu lado e segurou seu rosto, tentando ver seus olhos. As íris chocolates fixavam-no sem nada ver.

– Elena! — a sacudiu pelos ombros com um pouco mais de força do que o necessário.

– Hum?

– Tudo bem?

– Aham... — respondeu vagamente.

Damon expirou o ar de seus pulmões e ergueu a mão, em seguida a fechando em punho sem saber o que fazer. Por fim acertou tapas leves em sua face e a morena piscou confusa, o encontrando com a expressão preocupada.

– Sente-se bem?

– Não — murmurou.

Ergue a mão até a cabeça, tentando fazer com que parasse de girar. Damon segurou seus braços e tentou a içar para cima, mas recebeu uma negação em resposta.

– Se me puxar, vou cair.

– Tontura? — ela assentiu — Quer ir ao médico?

– Para seu irmão pedir mil exames? Não, obrigada.

– Os resultados desses exames mostram se você está bem ou o que precisa melhorar.

– Estou só com fome — admitiu.

– Devia. Não come nada há quanto tempo?

– Quatro ou cinco horas.

A mentira fluiu facilmente por seus lábios, não gostando disso. Não gostando do fato de que estivesse há mais de um dia sem comer e mentiu para Damon. Detestou que a mentira saira tão clara e fácil como se não fosse nada demais em retorcer a verdade. E pior ainda, odiou-se por mentir para o homem pelo qual nutria um sentimento profundo.

Damon a observou atentamente antes de assentir e se levantar.

– Fique no chão — pediu, com receio de que se ela se levantasse poderia cair em cima de alguma coisa e se machucar.

Procurou pacotes de coisas comestíveis nos armários da cozinha e separou um já aberto de massa espaguete. Retirou de dentro da geladeira uma embalagem de plástico contendo molho pronto e ouviu alguém rir na soleira da porta.

– Pedi para que ficasse no chão — resmungou.

– Sabe o quão chato é ficar no chão?

– Ao menos sente-se. — a morena puxou uma cadeira e ajoelhou-se nela, sentando por cima das próprias pernas. — Do que estava rindo?

– Uh, curiosidade mata, sabia? — sorriu, o observando erguer o olhar da panela. — Você ficou com uma cara muito fofa enquanto procurava a massa. Vou começar a esconder suas coisas só para que as procure — provocou, erguendo o dedo indicador aos lábios.

– Nem ouse — ameaçou sorrindo, ligando o fogo e deixando a panela para andar até a morena.

– Quero pedir uma coisa.

– O que quiser.

Apoiou os braços no encosto de madeira e se inclinou.

– Me beija de novo?

Damon sorriu e juntou seus lábios.

*-*

Elena se moveu entre os lençóis, afastando-os. Esticou os braços para cima e sorriu, o cheiro de Damon estava impregnado ao seu redor. Suspirou e estendeu a mão, os dedos deslizando sobre um lençol frio.

– Hum, Damon?

Abriu os olhos e olhou ao redor. O quarto parecia intocado.

Sentou-se na cama antes de levantar descalça, andando até a porta mais próxima. Saiu pelo corredor, o piso frio enviando pequenos arrepios pela sua coluna. Observou a sala com mais atenção, as chaves da casa estavam na mesa de centro. O que significava que ele não havia saído. Então voltou para o quarto e seguiu até a porta escura do banheiro. Antes que pudesse tocar na maçaneta, Damon abre-a, parando na soleira. Sorriu, erguendo a toalha extra para secar os cabelos mal arrumados.

– Bom dia... — inclinou-se e as mãos da morena se ergueram, o barrando.

– Preciso escovar os dentes.

– Ah, Elena... — Puxou seu corpo para si.

– Não. Eu preciso — pos uma das mãos sobre a boca, temendo que pudesse ter mal hálito.

– Eu só quero um beijo...

– Escovar os dentes.

Damon suspirou, a soltando. Recebeu um sorriso em resposta, parecendo estranho por estar coberto com a mão. Riu baixinho, andando até a cama e jogando a toalha. Elena ainda o observou por mais um momento antes de entrar no banheiro.

*-*

– Não aconteceu nada demais, Car...

Elena suspirou, ajeitando-se na cadeira. Após almoçar com Damon, lembrou-se da consulta marcada no psicológico de tarde. Teve que insistir para que viesse sozinha, e agora estava sentada na poltrona vermelha da sala de espera bem decorada.

– E porque não? Você passou a noite fora...

– Eu sei, mas vimos filmes... E ele cozinhou o jantar. Estava muito bom.

– Não me interessa as habilidades culinárias dele. Passaram a noite vendo filme? Que brega... Me admira que não seja mais virgem.

Elena uniu as sobrancelhas e olhou para o chão de madeira, cutucando o a borda do tapete com a ponta do sapato. A única pessoa com quem tinha ido para a cama era Matt.

– Ah, desculpa, Elena...

– Tudo bem... Então, como foi sua noite? — perguntou, querendo manter a conversa com a loira, mas ao mesmo tempo sem querer permanecer no assunto.

– Liguei para o Klaus...

Elena ficou muda, esperando uma risada e o complemento de que era mentira. Mas isso não veio.

– Oh. Você falou sério. E aí?

– Disse que estava interessada em como era a rotina de um policial. Ele perguntou o porque e eu disse que precisava provar uma teoria para uma amiga... — suspirou.

– E o que ele disse?

– Senhorita Gilbert?

– Ah, droga. Tenho que ir. Te ligo depois...

Ergueu-se e andou até um homem que lhe sorrira. Estendeu a mão para a porta em um convite e Elena entrou.

– Fique a vontade... — indicou cadeiras em frente a uma mesa e sentou-se em uma do outro lado.

A morena olhou ao redor, desconfortável. Ele apenas estava sentado ali, a encarando. Encomodada com o silêncio, disse:

– Pensei que me faria deitar em um divã e me pediria para lhe contar minha vida...

O homem riu, juntando as mãos.

– Isso seria falta de privacidade e educação. Você veio por um motivo, conte-me o que quiser contar...

Elena esfregou um dos pulsos. Não era nada como imaginava que seria. Seus olhos pousaram em uma plaquinha metálica na mesa.

– Elijah Mikaelson?

– Sim...

– Mikaelson... — murmurou.

– Qual o problema?

– Nenhum — mas Caroline adoraria saber disso.

Elijah voltou a ficar em silêncio. O único som naquela sala era dos ponteiros do relógio se movendo e isso, Elena pensou, era entediante e ao mesmo tempo a irritava profundamente.

– Stefan pediu para que eu viesse. — ele assentiu, incentivando-a a continuar. — Ele sabe que eu... Hã. Estou tentando perder peso.

– Nada de anormal nisso — disse a observando — exceto que você não parece ter peso extra a perder.

Ela suspirou, esfregando um dos olhos.

– Eu botei para fora o almoço naquele dia — admitiu, sem saber porque contava aquilo a ele — e essa semana devo ter ficado trinta horas sem comer... — suspirou, sentindo-se melhor. Embora contara isso para um estranho, sentia-se melhor por compartilhar com alguém.

– Posso saber porque?

– Para acelerar o emagrecimento. A dieta não parecia dar conta...

– Que dieta?

– Uma das modelos da Victoria's Secret.

Observa-a por um instante, antes de segurar o próprio queixo.

– O que a faz pensar que precisa dessa dieta? Porque se acha gorda?

– Eu... Há blusas que não me cabem mais. E visto três números maiores do que antes.

– Defina antes.

– Anos atrás...

Elijah sorriu de leve, apoiando o rosto na mão.

– Você não vai usar as mesmas roupas para sempre, Elena.

– Mas o número...

– Qual é o seu número?

Elena parou confusa, observando a expressão de Elijah.

– Eu não lembro.

– Então como sabe que usa roupas maiores?

– Uma amiga me disse. Ela fez meu vestido do baile de escola, então ela lembra.

– Estava satisfeita com o que via no espelho antes de saber seu número?

A morena esfregou a nuca, enrolando mechas de cabelo no dedo.

– Bem, sim...

– Você não é o número escrito na etiqueta, Elena.

Talvez não importasse muito, realmente... Lembrou-se de como Damon a encarou quando retirou sua blusa. Não havia desaprovação ou nada que indicasse que estava descontente com seu corpo. Encarou Elijah novamente. Talvez ele ficasse em silêncio para que as pessoas pudessem ter monólogos internos.

– Como conto isso para o meu... hã — o que eles eram?

– Contar o que, exatamente?

– Sobre o que fiz.

Elena encolheu os ombros, arrependida. Arrependida de botar para fora, de mentir, da dieta... Sentia-se envergonhada.

– Só você pode saber isso, Elena.

*-*

Elena saiu do prédio e andou até um parque ali perto, sentando-se em um banco de madeira. Pegou o celular na bolsa e discou o número de Damon sem precisar olhar os contatos.

– Já acabou. Pode vir me buscar?

– Por curiosidade, no seu celular estou como Damon, somente, ou como motorista?

– Ah, desculpe. Achei que como me trouxe até aqui podia me buscar também, para fazermos alguma coisa. Engano meu.

– Estava brincando, Elena. Chego em dez minutos. Como foi o exame?

Lembrou-se de ter dito sobre precisar ver se tinha danos neurológicos causados pela droga e a mentira lhe apertou o coração.

– Hum, preciso falar sobre isso com você, depois.

– Foi tão ruim assim? Me diga que está bem.

– Não, estou ótima. Só que precisamos conversar.

– De novo essa frase?

Uma voz feminina surgiu ao fundo da ligação e a morena estreitou os olhos.

– Quem está aí? — não queria, mas o ciúmes tingiu sua voz ao falar.

– Hum?

– Tem uma mulher com você, não tem?

– Sim.

A resposta simples e sem complemento fez seu coração bater mais rápido, estava perdendo-o para outra? Ao menos ele fora sincero e não a enganara como Matt. Mas iria doer muito mais que a traição do loiro, pois realmente amava Damon,

– Vim visitar Alaric. Recebeu alta do hospital esta manhã. Jenna e ele querem lhe conhecer. Na verdade, estão planejando um encontro duplo para nós.

– Ah — sentia-se uma idiota. Como pode desconfiar de Damon? Ele confirmava todas as suas teorias de porque era perfeito.

– Estou indo...

– Não, tudo bem. Fique com Aláric. Te vejo amanhã? — Damon gargalhou e a morena tinha certeza que havia jogado a cabeça para trás. — Qual a graça?

– Alaric foi professor substituto de história por alguns anos. Sempre que escrevia no quadro seu nome as pessoas o chamavam de Aláric. Você não tem desculpa para isso, eu já havia dito o nome dele certo.

– Peça desculpas à Alaric por mim, então — revirou os olhos, mas sorria.

– Porque não pede você mesma? Eles estão marcando o encontro agora mesmo, sem nem nos consultar. Estão até com o calendário na mão.

A morena riu, observando uma garotinha brincar de bolhas de sabão.

– Para que tanta pressa?

– Hum... — agora ele parecia constrangido, mas sua voz denunciava o sorriso que tinha quando respondeu — Faz tempo que não saio com ninguém. Querem conhecer você mais ainda por isso.

– Hoje a noite, não — ouviu uma voz que deduziu ser de Jenna — Vai parecer que estamos muito ansiosos para vê-la.

Elena riu baixinho.

– Eles sabem que está no telefone comigo e estou ouvindo, não sabem?

– Nem ouviram o telefone tocar. Quer que eu lhe busque? Alaric melhorou e está sentado no sofá com ataduras nos braços. Não precisa de mim.

– O que houve?

– Queimaduras. Já lhe disse, acontece. Onde você está?

– Não precisa vir. Me avise para quando fomos convocados no jantar. Quero passar na Bonnie e ver como vai o restaurante. Além disso, desde o acidente que meu carro está enfeitando a frente daquilo.

– Tá. Falo com você depois. Se cuida.

– Beijos.

Damon sorriu, inclinando a cabeça para baixo.

– Beijo, Elena.

– "Beijo, Elena" — Alaric riu, quando desligou, tentando imitar sua voz.

– Cale a maldita boca, Ric. Achei que não estavam ouvindo.

– Não estávamos. Só temos uma pergunta. Quer convidar Stefan e Lexi?

– Façam o que quiserem — apertou a ponte do nariz entre os dedos. Iria ser uma longa tarde.

*-*

Elena andou até o restaurante, já podendo ver parte das paredes de fora construídas. Bonnie ainda estava lá e sorriu ao ver a amiga.

– Lamento lhe receber com más notícias, mas o dinheiro que temos dará para menos do que esperávamos.

– Ah, queria não ter comprado aquelas coisas novas de cozinha. As geladeiras foram caras.

– Não tinha como você saber — acariciou seu braço, tentando reconfortá-la.

– Ao menos teremos alguma coisa?

– Quando acabarmos, talvez caberá umas vinte mesas.

– Só vinte? — agarrou o próprio cabelo. Nunca iriam conseguir pagar as despesas atendendo vinte mesas a cada meia hora, considerando que cada pessoa levasse esse tempo para comer.

– As pessoas nos conheciam, podemos aumentar um pouco os preços. Eles vão entender.

– Ah, Bon Bon...

A tristeza em Elera era tão visível que nem a corrigiu para não chamá-lá assim.

– Vai ficar tudo bem, Lena. Você vai ver. Como vai a estilista?

Elena riu de leve.

– Jogando-se em cima do policial.

– Ela não tem jeito...

Viraram-se novamente na calçada, observando o que já fora construído até então. Conversaram mais um pouco e Elena passou o peso de seu corpo para a outra perna, pela sexta vez.

– Bem... Vou voltar para casa descansar um pouco.

– Até, Elena.

Acenou e procurou a chave na bolsa, entrando no carro em seguida. Quando chegou no prédio viu que o carro de Caroline estava na sua vaga, então estacionou ao lado, torcendo para que o homem que pagava aquela vaga não tivesse voltado de viagem ainda. Entrou no elevador e lembrou-se do que Damon dissera. Recusava-se a acreditar que havia dito para não ter ciúmes, porque gostava mais dele. Preocupou-se por um momento. O que mais teria dito? Negou com a cabeça e entrou no apartamento, de repente sentindo falta do dele. Droga de tontura.

– Elena, que bom que chegou.

Caroline veio do quarto até a sala, meio correndo, meio tropeçando. Ergueu as mãos e mostrou alguns cabides com vestidos.

– Qual acha que Klaus vai gostar mais?

– Espera, ele deixou que o acompanhasse para "provar sua teoria"?!

A loira sorriu, assentindo.

– Deixou. Amanhã terei um dia agitado. Óbvio que ele deixou bem claro que se for perigoso vai me deixar no carro, mas quem liga de ficar de fora? Passarei a maior parte do tempo com ele...

– Car? Respira.

Elena riu e sentou-se em um sofá, jogando as chaves do carro na mesa de centro.

– A única coisa ruim será conseguir dormir cedo. Ele vem me buscar às cinco da manhã.

– Porque tão cedo?

– Não sei. Acho que é o turno dele. Ainda estou dividida entre tomar calmantes antes de dormir ou nem chegar perto da cama e me entupir de café. Mas e aí? Qual vestido?

– Você vai passar o dia com um policial e vai de vestido? E se tiver que correr?

– Bem pensado! — a loira jogou os cabides em uma poltrona e saiu correndo em direção ao quarto.

Elena riu da amiga, pegando o celular na própria bolsa. Havia dado dois toques curtos e seguidos, indicando uma mensagem. Damon perguntava se podiam se ver a noite. Sorriu, não faltava muito para escurecer.

Respondeu que sim, adicionando uma carinha piscando e enviou. Caroline voltou logo depois com várias blusas e algumas calças.

– Céus, Car. Tem uma loja inteira no seu closet?

– Fica quieta e me ajuda. Qual ele gostaria mais?

Enquanto a loira analisava as blusas, vendo suas combinações, o celular de Elena tocou ao seu lado.

– Oi, Dam.

– Elena?

– Jeremy? — perguntou confusa.

– É, hum... Pode vir me buscar? Estou naquele restaurante onde nos encontramos.

– Aconteceu alguma coisa?

– Podemos falar depois?

– Ah. Claro. Estou indo...

– Onde vai? — a loira a encarou curiosa.

– Sinto muito. Vou buscar meu irmão. Consegue escolher a roupa sozinha?

– Claro que não, ou não teria nem pedido sua ajuda.

– Tá — passou as mãos pelos cabelos. Como conciliaria Damon, Caroline e Jer na mesma noite? — Faça as combinações que achar melhor e me mande uma foto.

– E se demorar para responder?

– Não vou. Meu celular vai estar na minha mão o tempo todo. Prometo.

– Ok, mas não gosto disso.

Elena a abraçou e pegou a chave do carro na mesinha, saindo pelo corredor e optando pela escada. Ligou para Damon, que atendeu no terceiro toque.

– Preciso buscar meu irmão...

– Quer cancelar?

– Não... Se importa de me dizer onde está? Quero que vá junto.