Bonfire Heart

10 Those Blue Eyes


Notas iniciais
Oi gente (: A Bletts escreveu esse cap com muito amor, então queremos comments u_u Gostaríamos de agradecer à Demi Somerhalder pela lindíssima recomendação, obrigada flor!!! > LEIAM AS NOTAS FINAIS POR FAVOR!!

– Você tem certeza?
– Não quero acreditar nisso, mas poderia ter sido ele, Car.
Elena e Caroline estavam sentadas no sofá da sala. O filme que passava na TV estava no intervalo.
– O que você fez de tão ruim para ele?
Elena suspirou.
– Quando descobri sobre as drogas eu dei duas semanas para que ele contasse para nossos pais.
– E ele não contou — a loira deduziu.
– Não. Então eu o fiz. Até aí não teve problema, deram várias chances para ele e tiveram diversas conversas. Mas chegou ao ponto que pensaram que, talvez, o reformatório fosse a melhor opção.
– E acha que ele lhe culpa por causa disso?
– Tenho certeza que sim. Ele que disse.
– Deve ter sido triste...
– Foi. No início. Sinto dizer isso, mas me acostumei sem ele. Preferia viver sozinha do que sob sua raiva.
– Tem razão. E quem sabe o que ele seria capaz de fazer?
– Ainda não quero acreditar nisso. É só uma teoria, e eu espero que esteja errada.
Observaram em silêncio uma propaganda de margarina.
– Não esqueça do seu encontro com Damon essa noite.
– Acho impossível esquecer isso — brincou.
A conversa por telefone fora breve pela manhã. E não duvidava que ele ouvira as risadas das amigas, mesmo que a voz de Bonnie viesse de seu celular no outro lado da mesa.
Duas horas depois Elena se encontrava em frente ao espelho, já de banho tomado. Ajeita a roupa uma última vez e faz careta.
– Tenho mesmo que vestir salto?
– Quer arrasar? — a loira sorri, parando ao seu lado.
Elena suspira, pondo as mãos na cintura. Analisa a roupa em bege e preto, ficando tão absorta na ação que se assusta ao sentir as mãos de Caroline sobre as suas, apertando sua cintura.
– Você engordou, Lena.
– O quê?
– É sério. Tenho certeza de que sua cintura era mais fina — puxa a etiqueta da blusa para fora. — E está usando manequim seis números maior.
– Seis?!
– Quando usa lingerie fica alguma coisa saltando para fora?
– Car!
– Que foi? Se tem alguma coisa que der para apalpar, é porque tem gordura mal localizada.
Elena tateou a barriga discretamente.
– Mas eu faço ioga.
– Não é o bastante.
A morena ergueu a própria blusa, girando seu corpo em frente ao espelho.
– Deve ter sido aquela pizza que comeu com Damon. E o Mcdonalds: aquele pão cheio de conservantes gordurosos.
– Ai, Car. O que vou fazer?
– Já fiz design para as modelos da Victoria's Secret. Se quiser posso lhe dar uma de suas dietas.
– Seria bom, obrigada.
– Vou escrever para você. Talvez seria bom você entrar para o veganismo, também.
– Entrar onde?
– Vegetarianismo estrito. Excluiremos de sua dieta animais e seus derivados. Ovos, leite, queijo, mel...
– Acha mesmo necessário?
– Quer perder essa coisa extra em pouco tempo? Eu acho.
A morena da um gemido de desgosto ao ver a folha em que Caroline escrevia. Tudo o que ela poderia comer se resumiu em três linhas: frutas, vegetais e grãos.
– Sem pão também, tá? Tem muito carboidrato.
Outro gemido escapou de seus lábios. Se não morresse de fome, morreria na tortura de não poder comer.
*-*
No final do dia, nada importava. O irmão e a dieta recém adquirida deixaram de ocupar um espaço em sua mente para dar lugar a um par de olhos azuis. Os quais se focavam na estrada a sua frente. A chuva trazia um som agradável para ambos, seu ritmo constante servindo como música para o momento.
– Damon? — chamou manhosa.
– Sim?
– Aonde vamos?
– Ciumenta, vingativa e curiosa.
Ele sorria. Mas Elena estava tão cansada que nem revidou a provocação.
– Me conta...
– Se eu contar não vai mais ser segredo.
– Droga, Damon. Você é muito chato.
– Não seja tão reclamona. Estamos quase chegando.
Virou o volante e fez uma curva para a direita. Estacionou em uma vaga na frente de um prédio com três andares.
– Não é perigoso estacionar aqui? Quero dizer, olhe que horas são.
Ele não respondeu. Desceu do carro e deu a volta, abrindo a porta para a morena. Quando ela estava de pé fechou a porta e a puxou para perto, roçando seus lábios em seu ouvido.
– Fiquei surpreso quando me ligou pela manhã.
Elena mordeu os lábios. Não ligaria, mas Caroline lhe pediu e Bonnie deu apoio. Mas não estaria ali se não fossem elas. E estava gostando muito de estar ali.
– Queria te ver novamente.
– Eu também.
Seu sussurro parecia quente, escorrendo por dentro do corpo dela e derretendo toda e qualquer linha de raciocínio que poderia ter no momento. Como se já não bastasse seu coração querer sair para fora do seu corpo.
Damon se afastou e estendeu um braço, em perfeito cavalheirismo. Elena enganchou o seu no dele, gostando daquela proximidade. Antes estava com medo da rua vazia e escura, agora sentia-se segura. Confiava sua vida ao homem ao seu lado. Ele já a salvara antes.
– Vamos em um lugar que aposto você não frequentar. Também não sei se gosta, mas estou disposto a arriscar.
Elena ergueu os olhos. Poucos metros a frente havia uma fila, que parecia não ter fim. Uma boate? Torceu o nariz. Ao não pararem na fila e continuarem andando pensou que estava enganada. Mas pararam na porta dupla forrada de veludo. O moreno cumprimentou o segurança com um pequeno aperto de mãos e ele os deixou passar, tendo que lidar com pessoas na fila que reclamavam.
As luzes coloridas tingiam pequenas partes das pessoas que dançavam. Tirando as luzes baixas e circulares do bar ao canto, eram a única iluminação. Uma banda tocava em um palco que parecia improvisado, abrigando um baterista, dois guitarristas e o cantor, que gritava no microfone. Elena sentia as batidas sacudirem seus ossos, quase a obrigando a se mexer. Um copo vermelho de plástico deslizou até seus pés, deixando um rastro com cheiro forte. Foi empurrada algumas vezes e Damon a rodeou pela cintura, puxando-a para andar.
Algo deslizou por seu corpo e ela olhou para trás, procurando a mão que havia a tocado. Tinha nojo daquele lugar. Achou uma mulher semi nua dançando em outro palco, um pouco mais elevado do que o da banda. Outra mulher, não vestindo muito mais, carregava uma bandeja de copos com líquidos coloridos por entre a multidão. Estava prestes a pedir para irem embora quando Damon afastou parte da parede, que Elena notou ser uma cortina negra. Desceram uma escada e a música fora diminuindo. Era um espaço melhor iluminado que continha diversas pessoas reunidas em grupos ao redor de grandes objetos.
O mais próximo era uma mesa de Poker, onde um cara com raiva jogou todas as fichas da sua frente antes de se levantar e sair irritado. Dava para notar que perdera uma boa quantia em dinheiro. Mais a frente havia uma roleta de apostas com cores vermelho e verde. Damon só parou quando estava perto de uma mesa de sinuca quase vazia, onde apenas duas bolas faltavam, além da branca.
Damon a trouxe para mais perto e pararam para observar o jogo. Uma mulher se inclinava na mesa com um corset de couro na cor roxa.
Elena suspirou. Porque estavam ali? Para assistir dois homens jogando bilhar? Como se lesse seus pensamentos, o moreno se inclinou.
– Espero que queira jogar.
– Jogar — repetiu, rindo.
– Qual a graça?
– Achei que ia me ensinar Poker.
– Não posso lhe ensinar aqui, pessoas querem usar as mesas para testar a sorte. Ou jogamos junto ou ficamos longe. Além disso... Prefiro deixar para outro dia.
O homem loiro saiu praguejando palavrões. O outro comemorou, pegando dinheiro acumulado na ponta da mesa. A mulher de roxo o cercou nos braços e eles saíram andando.
– Pronta? — Damon andou até a mesa e começou a arrumá-la.
– Porque ele perdeu? Ainda tem bolas na mesa.
– Não se pode encaçapar a preta.
Elena se aproximou, pegando um taco do chão
– Aquela mulher era algo do moreno?
– Não.
– Mas eles saíram abraçados. Pareciam íntimos.
Damon jogou a cabeça para trás e riu, divertindo-se.
– Entenda. O cara ganhou muita coisa naquela aposta.
– A mulher era um prêmio?
– Não. Ela era motivação. Quem joga por dinheiro é solitário. E ela precisa desse dinheiro. Fica ao lado de quem pode pagar mais.
– Quer dizer que ela é prostituta? — perguntou horrorizada.
– Não faça essa cara, Elena. Sim, ela é.
O ciúmes lhe queimou por dentro. Damon frequentava esse tipo de lugar? Rangiu os dentes, torcendo para que ele fosse ruim de jogo. Não que o quisesse ver perdendo dinheiro. As apostas pareciam ser sempre acima de duzentos dólares. Mas não queria nenhuma mulher o seguindo porque ele ganhou um jogo. Principalmente aquele tipo de mulher. Sim, tinha verdadeiro nojo daquele lugar.
– Você começa.
Elena suspirou, posicionando-se atrás da mesa e mirando a bola branca. O som que as bolas se dispersando fizeram era agradável. Damon se posicionou e encaçapou duas.
– Não acredito!! Você tá roubando.
– Eu disse que era bom em jogos, princesa.
Sorriu, se preparando para jogar de novo. Elena observou o que estava mais longe da branca.
– Aposto na azul.
Ele parou o que fazia, deixando de se concentrar. Ergue os olhos e a observa, procurando vestígios de brincadeiras. Mas ela falara sério. Sorri sacana.
– Aposta o que na azul?
– O que quiser. Você vai errar.
Damon sorri, inclinando-se para a direita. Então muda de posição, ficando no lugar contrário à onde estava antes. Ensaia duas vezes com o taco para na terceira a bola sair rolando. Bateu na borda de madeira duas vezes antes de empurrar a amarela, que bateu na azul e ambas caíram na entrada do meio.
– Caramba...
Elena cruzou os braços e Damon lhe atirou um beijinho.
– Cansei desse jogo. Quero jogar outra coisa.
– Como desejar — largou o taco de qualquer jeito sobre a mesa.
Ambos andaram ao redor do local.
– Quero que me ensine Poker — admitiu, o fazendo rir.
– Ninguém vai desocupar uma dessas mesas para que eu lhe ensine, Elena. Se nos sentarmos em uma dessas, vamos ter que apostar.
– Então aposte — ele a encarou, primeiro sem entender. Depois, a achando louca. — Eu quero lhe ver jogar.
– Vamos jogar juntos um dia desses, tá?
– Porque não hoje?
Damon suspirou, correndo os dedos por entre os fios negros.
– Eu vim para ficar com você. Não vou jogar sem você e não deixarei que jogue sem saber das regras.
Elena parou de andar, o obrigando a fazer o mesmo.
– Eu quero.
– Elena, se ficar ao meu lado sem jogar, vão pensar que trabalha aqui — ergueu as sobrancelhas e com um movimento de cabeça indicou uma mulher vestida como a que estava perto do bilhar. — E não quero isso. Além do mais, detesto dividir.
– Acha que me pareço com uma vadia? — agitou as próprias roupas.
– Óbvio que não. Só iria agir como uma.
Elena o encarou por um tempo e retirou a blusa feita de renda bege que usava por cima, jogando para ele. Puxou o vestido preto de alcinhas um pouco para baixo e ajeitou a saia para que parecesse curta. Agradeceu à Caroline mentalmente por ter escolhido saltos que eram realmente altos.
– Quero ver você jogar.
– Nem vestida assim chega perto — sorriu irônico. — Já disse que não é pela roupa. É pela atitude.
Elena detestava ser contrariada. Se queria o ver jogar, ela ia o ver jogar. Ameaçou subir o vestido e as mãos de Damon prenderam seus pulsos, a puxando para perto.
– O que deu em você?
– Eu quero ver você jogar.
– Olhe como está se comportando. Nem parece a Elena que conheço.
Elena parou por um instante, analisando a situação. Ele tinha razão. Porque agira assim?
– Quero ir embora... — pediu baixinho, começando a se envergonhar.
Cruzou os braços, tentando esconder o corpo. Ele assentiu e lhe entregou a blusa de renda. Enquanto ela a vestia, puxou seu vestido um pouco mais para baixo, a abraçando em seguida para andarem. Afastou a cortina que se fundia visualmente com a parede e passaram apressados pelo local com luzes coloridas e música alta. Mesmo quando já estavam lá fora, Elena sentia as batidas de bateria chegarem aos seus ossos.
Entrou no carro e se encolheu.
– Quer comer alguma coisa?
– Pizza seria bom — sorriu meiga. Então balançou a cabeça, lembrando de Caroline — Pensando melhor, ouvi dizerem que a três quadras de onde moro tem um restaurante com uma ótima salada caesar.
Odiou dizer isso. Odiou essa maldita dieta.
Damon a encarou de sobrancelhas erguidas, mas não disse nada. Girou a chave na ignição e o carro deslizou pela rua.
*-*
Elena sentia seu corpo ser sacudido levemente.
– Acorda, Elena...
Sorriu levemente, ajeitando-se em uma posição mais confortável. Mas aquela sensação de ser empurrada era incômoda e ficava cada vez mais insistente. Abriu os olhos de modo lento e encarou orbes azuis.
– Damon... — murmurou sorrindo.
– Chegamos — desviou os olhos para a janela do carro. Sim, ali estava. Seu prédio estava lhe esperando. — Quer que eu lhe ajude a subir?
– Não precisa. O elevador me ama — ele franziu o cenho.
– Está falando sério? — riu sem achar graça.
– Sim... A escada sempre me faz cansar, e o elevador, não. E é beeem mais rápido.
Damon retira o cinto e se aproxima do banco do passageiro, onde Elena ria sozinha.
– Céus — pressiona a palma da mão em seu rosto. — Você está queimando.
– Huum. — para de rir e o segura pelos ombros. — Que bom que sabe. Agora me ajude. É seu trabalho.
– O quê?
– Você é bombeiro. Se estou queimando, você tem que me ajudar.
– Elena, você está ardendo em febre. Deve estar delirando.
Elena o encarou.
– Eu saberia se estivesse delirante.
Damon bufou, chegando mais perto e afastando seus cabelos do pescoço para não ficar tão abafado.
– Devo lhe levar para o hospital?
– Porquê? Não gosta de mim? Não quer ficar comigo?
– Elena... — abriu e fechou a boca algumas vezes, então desistiu de falar alguma coisa.
A morena retirou o próprio cinto. Abraçou-o pelo pescoço e levou seus lábios à sua face.
– Obrigada por cuidar de mim. Mas o elevador está me esperando.
– Não posso deixar que saia do carro nesse estado. Vai desabar na calçada.
Elena riu.
– Não precisa inventar desculpas. Sei que tem ciúmes do elevador porque falei bem dele. Mas eu gosto bem mais de você.
Damon tocou-lhe novamente o rosto. Parecia ainda mais quente. Gotas de suor começaram a se acumular sobre sua pele.
– Estou com frio.
Damon ligou o carro, mas não o moveu um centímetro. Ligou o ar condicionado e pegou o celular.
– Qual a parte de eu estar com frio você não entendeu?
Elena estendeu a mão para ligar o ar quente e Damon a segurou.
– Nem ouse.
Elena se jogou no banco e cruzou os braços. O elevador jamais a trataria assim. Viu Damon dar oi para um tal de Stefan, mas isso era ridículo. Só estavam ele e ela ali no carro. Balançou a cabeça negativamente, se encolhendo de frio. Ele pedia conselhos para um retângulo de plástico em seu ouvido. E depois ela que estava delirando. Idiota.
Mas, pensando bem, talvez ele não soubesse que não era lúcido. Tadinho, precisava de sua ajuda. Mas como poderia o ajudar se as bolinhas coloridas diante de seus olhos eram mais interessantes? Lembrou de uma bola azul e uma amarela se chocando e caindo. Caindo e caindo. Sentiu seu corpo desabar e Damon a segurou antes que batesse a cabeça no volante. Em seguida as bolinhas não estavam mais ali. Não havia mais nada. Nem Damon e nem ela mesma.

*-*
A mente de Elena estava vazia. Registrava apenas alguns detalhes como o cheiro de cloro e um lençol que cobria seu corpo. Tudo em completo silêncio. O cheiro a deixava enjoada.
Suspirou e algo agarrou seu braço. Sentiu algo perfurar a pele no interior de seu cotovelo, e então o sangue corria mais devagar. Doía, e ela quis arrancar aquilo dali, mas não conseguia se mexer. Não era mais dona do próprio corpo. Seus ouvidos captaram um som mínimo de conversa. Às vozes masculinas eram familiares. Abriu lentamente os olhos e a luz a cegou. Era tão iluminado. Tão branco. Tão surreal. Talvez estivesse no céu.
O cheiro ficou mais intenso. A luz diminuiu e Elena observou a agulha que tirava seu sangue. Os sons ainda pareciam longe, embora o homem de branco ao seu lado movesse os lábios. Como poderia falar ali e sua voz ressoar a distância?
– Exame de rotina. Quero ver se ela melhorou.
Então a agulha foi retirada. Deram dois tapinhas com o dedos no local e ele se afastou. Alguém falou alguma coisa, provavelmente uma pergunta.
– Não sabemos ainda a substância e nem a quantidade que ingeriu. Mas ela foi drogada e vamos descobrir com o que.
Drogada? Elena moveu a cabeça e sentiu a tontura lhe envolver. Um formigamento quente e agradável lhe percorria o corpo.
– Stefan? Ela abriu os olhos.
Algo entrou em seu campo de visão, contrastando com o branco. Fios negros emolduravam os olhos azuis. Aqueles olhos azuis. Observam-na de cima de um jeito intenso e preocupado. Eles poderiam estar vendo sua alma.
Os olhos azuis...
Eram a única coisa que restava. E então não era mais e a escuridão consumiu todos os seus sentidos.

Notas finais
P.S: Nada nessa dieta é real, essa dieta não é feita por nenhuma modelo e tudo o mais (: Esperamos que tenham gostado do cap!!