Notas iniciais
Oi people, tudo bem com vocês? A Bletts pediu para eu dizer que ela sente muito pela demora (: LEIAM AS NOTAS FINAIS!!!

Elena entrou no restaurante apressada com Damon atrás de si. Avistou o irmão sentado sozinho em uma mesa e andou até ele.

– Jer?

O caçula apenas ergueu a cabeça e assentiu, voltando a olhar para baixo. Seus dedos brincavam com um copo quase vazio e a morena o retirou de suas mãos. Ergueu o copo até o rosto e o cheirou, sentindo seu nariz queimar por dentro.

– O que raios é isso?

O irmão pegou o copo de volta e o virou, bebendo o restante.

– Não sou mais de menor, irmãzinha.

– Não quer dizer que pode ficar bêbado com qualquer coisa.

– Você não entende — Jer bateu uma mão na mesa, claramente transtornado.

Elena o encarou por um momento. Então, devagar, sentou no lugar a sua frente.

– Me explica — pediu. Ele suspirou.

– Anna brigou comigo.

– Por quê?

– Porque ela gosta de complicar minha vida — esbravejou. Então encarou as próprias mãos. — Não tem um por quê.

– Ah, Jer...

Os pés de Elena esbarraram em alguma coisa. Ela olhou por baixo da mesa e viu duas malas de mão.

– Anna me expulsou da casa dela.

A morena sentiu certa pena do irmão. Uma garçonete passou por eles e Jeremy a chamou, indicando o copo vazio. Elena negou com a cabeça.

– Traga um café forte sem açúcar, por favor.

– Ah, Elena...

– Sem essa. Não vou levar você assim pra casa.

– Vai me levar pra sua casa? — sua voz era confusa e triste.

– Não era lá que você devia estar desde o início?

Elena sorriu e procurou por Damon. Ele estava ainda perto da porta de entrada, escorado em uma parede. Acenou para que viesse junto à ela, mas ele recusou com um movimento de cabeça. Era um momento entre irmãos e não queria atrapalhar. Elena insistiu e ele revirou os olhos, descruzando os braços e andando até a mesa.

– Jer, esse é o Damon — disse assim que o moreno sentou ao seu lado.

O caçula apenas o cumprimentou com a cabeça. O café chegou e Jeremy o recusou, empurrando a xícara para a irmã.

– Eu não pedi isso.

– Eu pedi — empurrou a xícara de volta.

– Então beba.

– Pedi pra você, Jer.

Seu celular vibrou e Elena xingou baixinho. Caroline havia enviado mais de vinte fotos por mensagem. Damon cutucou seu braço e ela ergueu o olhar do celular para o encarar. Inclinou-se para ela, como quem vai contar um segredo.

– Pode não parecer muito, mas acho que ele bebeu mais do que pode aguentar.

– Ele está bêbado?

– Eu não diria isso. Mas também não diria que está sóbrio.

– Jeremy, o quanto bebeu?

– Não contei — murmurou.

Elena suspirou, correndo os dedos pelo cabelo.

– Tá. Termina o café. Vou te levar pra casa.

*-*

– Sinto muito, Damon — a morena murmurou enquanto seu sapato deslizava no pedal do freio. Estacionou o carro na frente do prédio e o encarou. — Era pra ter sido de outra forma.

– Tudo bem, Lena. Cuide do seu irmão — Damon olhou para o banco de trás, onde Jeremy estava deitado. Teve certeza de que ele dormia antes de sussurrar: — Acha que faz bem em o levar para sua casa? Há pouco você achava que ele era suspeito de incendiar seu restaurante.

– Mas você mesmo disse que eu devia lhe dar uma chance.

– Isso foi antes de saber que ia o levar para casa.

Elena sorriu e ergueu a mão para acariciar o rosto do moreno.

– Vai ficar tudo bem.

– Se cuida, então. Em dobro.

Ela riu e ele desceu do carro, parando ao lado da porta e inclinando o corpo pra dentro de novo.

– Te pego amanhã, às oito. Temos um encontro triplo.

– Triplo?

– Meu irmão e Lexi vão também. Espero que consiga ficar até o fim.

– Devo vestir algo especial?

– Provavelmente. Mas não o faça. Ia ser divertido ver a cara de Jenna se você aparecesse de jeans.

Sem que estivesse esperando, Elena sentiu os lábios dele capturarem os seus. Acabou tão rápido quanto começou.

– Boa noite, linda.

Elena não respondeu. Ficou apenas o encarando enquanto ele fechava a porta do seu carro e andava até o prédio. Somente então acelerou o carro e saiu dali. Pequenas gotas de chuva começavam a cair, mas sua quantidade ia aumentando depressa.

Seu celular vibrou no bolso e Elena o pegou com dificuldade. Caroline exigia uma resposta e a morena lembrou de que nem havia visto todas as fotos ainda. Segurou o celular perto do volante, para que pudesse vê-las enquanto dirigia. Acabou respondendo que ficou em dúvida entre três e de resposta teve "Qual delas?".

Bufou e enviou as três fotos para Damon, pedindo uma opinião masculina. A resposta veio um minuto depois.

"Espero que já esteja em casa. Não gostarei muito de saber que está me mandando mensagens enquanto dirige na chuva. A blusa verde e o jeans escuro me chamaram a atenção. É o que vai vestir amanhã?"

Elena riu, virando uma rua à esquerda. Então ligou para seu celular e foi atendida no segundo toque.

– Admita: não sabe viver sem mim — ele provocou sorrindo.

– Não seja tão convencido. Só preciso que me explique porque o conjunto da blusa verde — brincou.

– Só? Hum, então o resto pode ser dispensado?

– Exato.

– Incluindo beijos?

– Tá, retiro o que eu disse.

– Acho que o decote da blusa verde é aceitável... — Elena agradeceu que as fotos do conjunto não continham a loira vestindo-os.

– Não é pra mim. Uma amiga minha tem uma espécie de encontro amanhã.

– Uma amiga, hum?

– É uma amiga mesmo, juro.

– Ok, mas minha opinião não muda. Gosto da blusa verde.

– Obrigada...

Os faróis do carro iluminaram alguma coisa branca na estrada e Elena franziu os olhos, tentando enxergar através da chuva. Quando aquilo se mexeu, a morena virou o volante para o lado, o carro deslizando pelo asfalto molhado. Deixou o celular cair no chão para segurar a direção de modo mais firme. Quando conseguiu parar o carro estava quase fora da pista. Uma bola de pêlos claros se afastava do carro e Elena observou em silêncio até que o gato desaparecesse de sua vista.

– Elena? — a voz de Damon vinha de algum lugar do carro.

A morena olhou para o irmão no banco de trás, ainda dormindo. E só então inclinou o corpo para baixo, tateando em baixo do banco atrás do celular. Sua respiração estava entrecortada por conta do susto, e assim que achou o celular e o trouxe para perto do rosto soube que Damon podia ouvi-la.respirando.

– Estou bem. Tinha um gato na estrada...

– Estava dirigindo?

– Vai me dizer que nunca falou ao celular enquanto dirigia?

A linha fico muda por um momento e Elena pensou que a ligação havia caído, até ouvir um suspiro.

– Tudo bem. Esqueça.

– Já esquecido.

*-*

Elena subiu as escadas do prédio com o irmão atrás dela, ambos em silêncio. Jeremy trazia suas malas e ela girava a chave da casa no indicador, vez ou outra apertando o chaveiro. Andou o largo corredor e parou na frente da porta. Antes que pudesse por a chave certa na fechadura, sentiu sua mão ser agarrada pela dele. A chave acabou caindo no chão. Encarou-o assustada, pensando no fato de que só estavam os dois no corredor. Talvez se gritasse Caroline a ouvisse.

– Quero agradecer por tudo o que está fazendo por mim.

Seu cérebro demorou a processar a frase dita e, quando o fez, Elena o encarou confusa.

– Ah — murmurou, sem saber o que dizer.

Jeremy sorriu e se abaixou, pegando a chave no chão e a estendendo. A morena a pegou e abriu a porta, as mãos tremendo. Ele tinha que parar de agir assim, assustando-a. E toda vez que o fazia, trazia de volta suas suspeitas sobre ele. Achava que ele iria fazer algo no corredor, mas ele apenas agradeceu. Talvez sua mente estivesse brincando consigo mesma.

A loira estava sentada no sofá, os braços apoiados no encosto. Seus olhos estavam fechados e a respiração tranquila.

– Oh, Car. O que houve com o café?

Andou até a amiga após fechar a porta e a sacudiu gentilmente.

– Hum — recebeu um resmungo como resposta. Suspirou e sorriu.

– Tenho uma fonte confiável e masculina que escolheu o conjunto da blusa verde e calça jeans.

– Sem ofensa — murmurou de novo, suspirando em seguida — mas acho que não quero a opinião do seu irmão. Além de não me parecer muito parecido com Klaus, ele é bem mais novo.

– É a opinião do Damon.

– Ah... — ficou em silêncio por um momento e parecia que havia dormido de novo. — Bem, isso muda um pouco as coisas. Obrigada. Então, eu escolhi a opção de me entupir de café.

– Não parece indo muito bem...

– Hum... Ele vem me buscar em umas quatro horas... Digo oi ou olá? — sua voz arrastada fez a morena sorrir. Mesmo dormindo ela conseguia pensar nisso. — Na verdade eu queria dizer bom dia. Mas vai ser madrugada, então...

– Diga o que vier à sua mente na hora.

– E correr o risco de dizer oilá? Nem pensar — resmungou e ajeitou o rosto sobre o braço.

Elena riu baixinho e se levantou do lado da amiga, olhando para o irmão que observava tudo da porta.

– Lembra da Caroline?

– A Barbie? Lembro. Acho que tenho uma jaqueta ou duas que ela fez.

A morena sorriu, assentando com a cabeça.

– Vou deixar que durma no meu quarto.

– E você?

– Vou acordar a Car e dormir no sofá. Mas antes vou fazer o café dela, para que ela não durma em cima da cafeteira.

– Não posso deixar que durma no sofá...

Ela suspirou, esfregando a nuca.

– Olha, a situação já é bem difícil, você está meio bêbado e eu estou cansada demais para arrumar algo confortável no chão. Então, por favor, apenas siga até a última porta à esquerda e durma?

Jeremy a encarou por um momento antes de se mexer. Abraçou-a e seguiu até onde ela indicou. Elena esperou até que o irmão saísse de seu campo de visão para ir em direção a cozinha.

*-*

Um som ao longe começou a ficar alto e irritante. Damon grunhiu e afundou ainda mais a cabeça no travesseiro, tentando ignorar aquilo que queria arrancá-lo de seus sonhos. O toque de celular parou por um momento, permitindo que o moreno voltasse a ter cinco anos de idade e corresse pela casa na manhã de natal. Abriu a porta do quarto dos pais e subiu na cama entre eles, sacudindo gentilmente a mãe. A ruiva se moveu, suspirando. Então abriu os olhos e sorriu para o filho.

Damon jogou-se em seus braços e desejou-lhe feliz natal. Sentia-se tão seguro ali como nunca se sentiria em qualquer outro lugar na vida. Os braços de Victoria se estreitaram ao redor do filho, que inspirou o aroma do perfume dela que ele nunca esqueceria. Somente então abriu os olhos de novo e percebeu que estava abraçando o travesseiro e o celular voltara a tocar.

Resmungou um xingamento e atendeu.

– Eu sei que horas são — Stefan se adiantou. — Mas de quem foi a ideia de um encontro triplo?

– Me acordou para perguntar isso? Vai pra puta que pariu, Stef.

O irmão riu.

– Olha, não que eu não queira ver sua namorada de novo, mas Lexi experimentou cinco lojas de vestidos para hoje e eu tive que dar opinião para cada um que ela vestia.

– Ah, a doce vingança de ter me acordado cedo... Não, espera. Não estamos quites. Não me importa se estiver de smoking, eu vou lhe dar um soco.

– Perdão, perdi alguma coisa? Está com Elena, não está?

Damon fechou os olhos e suspirou ao som da risada maliciosa.

– Não é da sua conta. São quatro da manhã e eu gostaria de dormir.

– Ah, só mais uma coisa... Sinto muito ter mandado Elena ao psicólogo. Ela contou o motivo?

– Sim, contou. Porque sente muito? Era para o bem dela que fosse ver se havia danos causados pela droga, não era?

Damon estranhou que Stefan demorou para responder e sentou na cama.

– Irmãozinho?

– Damon, sinto muito. Não foi por isso.

– Onde está tentando chegar?

– Elena tinha distúrbio alimentício, não sei desde quando.

– O quê? Não... Tanto tempo naquele hospital está o deixando louco.

– Ela comeu a comida do hospital e botou para fora no banheiro.

– Viu ela fazer isso? — tentou uma última vez, querendo que fosse mentira.

– Vi o suficiente.

Damon notou que prendia a respiração e expirou. Desligou o telefone sem falar nada ao irmão e jogou o travesseiro na parede. Porque Elena faria isso? E porque não contou nada? Pior ainda, porque mentiu?

Não satisfeito, estendeu o braço até a cômoda e jogou as coisas no chão, tendo certeza de que o abajur havia quebrado e o relógio digital não funcionaria mais. Correu os dedos pelo cabelo e respirou fundo, procurando entender de onde vinha tanta raiva. Um, a mulher que gostava mais do que deveria tinha problemas com comida. Fazia sentido. Agora tinha explicação para seu ato súbito de recusar pizza e trocar essa refeição por salada. Explicação idiota, mas ainda assim era uma explicação.

Dois, ela mentira para ele. Damon nunca havia mentido para ela, mesmo que soubesse que pudesse a magoar respondendo suas perguntas, principalmente sobre antigos relacionamentos. Ainda assim, sempre fora sincero. O mínimo que esperava era o mesmo em troca.

Três, ela não confiava nele o bastante para compartilhar seus problemas. Tudo bem que não haviam assumido nada ainda para que ele cobrasse isso dela, mas terem saído todos os dias devia ter significado algo para ela tanto quanto significou para ele...

Mentira era de certa forma uma traição e ato de total falta de confiança. Será que tudo o que ele queria era demais? Sinceridade, fidelidade e confiança. Era pedir muito?

Queria ajudar Elena, tanto quanto estava irritado com ela ao mesmo tempo. Confuso, não sabia se quando a visse devia gritar com ela ou a abraçar, dizendo que tudo ia focar bem e iam resolver aquilo. Talvez fizesse as duas coisas.

Mesmo com os pensamentos agitados, sentia o efeito das quatro e meia da manhã cair sobre si. Adormeceu sem ter decidido o que faria quando acordasse.

Notas finais
Oi pessoas, então. Vocês querem Klaroline? Responda no review okay? Beijos (: