Bonfire Heart

15 Somethings To Talk About


Notas iniciais
Oi people! Aqui estou com mais um capítulo! Espero que gostem e não esqueçam de comentar *-*

Elena se mexeu no sofá. Mais uma vez. Tentou achar uma posição confortável sobre as molas que pouco se mexiam e falhou miseravelmente. Se ao menos suas costas não doessem tanto... Sentou-se e sentiu suas articulações estalarem conforme se mexia. Praguejou baixo e se levantou. Havia feixes de sol entrando pelas frestas na cortina, então supôs que Caroline já havia saído há muito tempo. Encarou as partículas de poeira que dançavam na fraca luz solar enquanto decidia se voltava a dormir ou preparava o café. Um pensamento lhe ocorreu ao pensar na bebida cafeinada. Se Caroline bebera café para não dormir, porque não dormira na cama dela, no quarto de hóspedes? Praguejou de novo.

Sabendo que não conseguiria descansar naquele sofá, encaminhou-se até a cozinha. A cafeteira estava vazia em cima da pia, indicando que a loira havia consumido tudo para manter-se acordada. Sorriu de leve e foi até a geladeira. Procurou seu suco de laranja, agora comprado em caixinhas, e parou com a mão acima de uma embalagem marrom. Seus olhos analisaram a caixa em um retângulo comprido antes de a pegar, decidindo fazer os ovos fritos. Ao invés do suco, permitiu-se fazer algo que não faria há alguns dias atrás. Retirou o leite da geladeira e o serviu em um copo.

Quebrou alguns ovos na frigideira e deu-lhes as costas, bebendo o líquido branco sem parar para respirar. Nunca gostara muito de leite, mas depois de tanto tempo, tinha gosto da mais pura bebida.

Suspirou, querendo que a noite chegasse logo. Assim poderia ver Damon mais rápido. Olhou através da janela, os pássaros formando um 'v' no céu. Como se encarando-os pudesse fazer o tempo correr mais depressa.

Ouviu um chiado baixo e retirou os ovos, pondo-os em um prato. Então quebrou mais dois ovos para Jeremy. Seria um longo dia de espera.

*-*

Caroline saiu do carro antes mesmo que Klaus o desligasse. Esperou que ele também descesse e o acompanhou até a entrada de um prédio. Sorriu quando ele segurou a porta para que passasse, mas não obteve resposta ao seu gesto. Subiram três andares de elevador, em silêncio. A loira, até agora, não havia se incomodado que ele fosse um homem de poucas palavras, mas estava ficando constrangedor. Começou a perguntar se o problema era ela estar ali, prestes a ver sua rotina de trabalho. Mas se fosse isso, porque ele deixou que viesse? Talvez o problema fosse apenas ela...

O acompanhou por um longo corredor de salas com paredes de vidro, cada uma contendo no mínimo uma pessoa concentrada em algo que parecia pedir total foco e atenção, mas que não era nem um pouco interessante. Por fim, pararam em frente à uma sala vazia e ele empurrou a porta.

Ao entrarem, a loira o observou ligar alguns aparelhos, entre eles um computador. Klaus caminhou até o centro da sala, que continha uma pequena réplica do restaurante de Elena em uma maquete, cercado por vidro. Caroline estava tão incomodada com o silêncio que quase chegava a ser uma dor física. Obrigou-se a abrir a boca e deixou sair a primeira frase que lhe veio a mente.

– Achei que íamos andar por aí de viatura, como um policial de verdade. Ação e tudo mais, sabe?

– Policial de verdade? — ele riu. — Bem, eu sou policial investigativo e vivo entre esses vidros sem um pingo de privacidade, obrigando meu cérebro a criar conexões e achar soluções em menos tempo do que pessoas normais. Mas se quer ação, posso pedir que Connor lhe leve junto.

– Ah, não. Obrigada. Só tive a impressão errada.

Klaus apoiou-se com uma mão na mesa e a encarou.

– Não sei exatamente que teoria tem que provar à sua amiga... — disse sugestivo.

Caroline esfregou os pulsos e respirou fundo. Ah, sim. A teoria. Olhou ao redor da sala.

– Bem, eu... nós estávamos...

– Mentira — foi cortada. Piscou duas vezes seguidas, ele nem se moveu do lugar.

– O quê?

– O que vai dizer. Não importa. É mentira.

A loira o encarou sem ação, observando sua postura relaxada. Como ele poderia saber? Ele se virou e observou a maquete, parecendo a estudar e decorar. Embora já tivesse o feito muitas vezes.

– Não devia mentir para um policial. Muito menos um que observa detalhes todo dia, como o seu tronco subindo ao respirar mais fundo, instintivamente buscando calma, ao mesmo tempo que esfrega uma parte do corpo... E então gagueja ao falar, tremendo o canto dos lábios

Ela ergueu as mãos e tocou os próprios lábios, tocando suas extremidades. Fizera isso? Tremera ao mentir? Sentiu o olhar dele cair sobre si e o encarou.

– Mas já que vai mentir, tente não olhar ao redor, buscando uma saída. Encare a pessoa nos olhos como se não tivesse medo de que sua pupila pudesse lhe denunciar. Afinal, você não teria nada a esconder...

Deu dois tapinhas na caixa de vidro e foi em direção ao computador.

– Se for tentar mentir de novo, pense duas vezes e fique calada, senhorita Forbes. Porém, quero que me diga a verdade até o fim do dia...

Caroline suspirou, deixando ambas as mãos caírem ao lado de seu corpo. Droga, não falara com ele por mais de cinco minutos e já estragara tudo.

Uma batida na porta fez a loira pular no lugar que estava, enquanto Klaus não moveu um músculo. Ela virou-se e observou uma morena na porta.

– Klaus, eu achei uma coisa interessante nas imagens das câmeras do prédio no outro lado da rua.

Somente então ele se virou e assentiu. Seguiu para fora da sala, fazendo um gesto para que Caroline fosse junto consigo.

– O que estamos fazendo, exatamente? Procurando o quê?

Klaus a encarou enquanto andavam, claramente sem intenção de responder, mas a resposta veio de qualquer forma, em voz feminina.

– Estamos tentando descobrir o culpado de um incêndio criminoso. Não tínhamos pistas biológicas tipo impressões digitais, pegadas ou um fio de cabelo... mas agora acho que vi algo útil que valha a pena ser explorado... É o caso 583. Mas gosto de chamar de "Sim, oit'rês". Porque é mais simples.

– April — Klaus a segurou pelo braço e parou de andar. — Ela não trabalha aqui. Isso é confidencial... Todos e qualquer detalhes são.

April encarou a loira, então olhou para o homem de novo.

– Como ela entrou aqui?

– Estou ajudando a senhorita Forbes com algo...

Caroline não sabia se o fitava com surpresa ou confusão. Mas estava feliz de que pudesse estar ali. Talvez ele não estivesse tão bravo a respeito da mentira, já que não a mandou embora. Embora houvesse a condição de ter que contar a verdade. O que diria? Que queria o conhecer melhor? Ou que tinha uma queda por ele desde que bateu na porta de Elena? Mal notou que eles haviam voltado a caminhar até que tiveram que parar de novo, desta vez em frente à um grande computador.

Reconheceu o restaurante da amiga nas imagens. April deu zoom na porta e soltou a gravação, o dedo pairando em um botão. Klaus puxou uma cadeira e sentou-se ao contrário, com uma perna de cada lado do encosto e os braços apoiados no mesmo. Caroline perdeu um tempo o observando prestar atenção. A respiração era calma e compassada, o olhar atento. Seus olhos se estreitaram.

– Espera, volta.

Ela uniu as sobrancelhas. Voltar o que? April já havia passado as imagens? Olhou novamente para a tela e alguém vestido de branco era mostrado na gravação em câmera lenta. Em nenhum momento era possível ver seu rosto.

– April, tente conseguir a lista de todos os cozinheiros que trabalhavam lá.

– Isso é um cozinheiro? — Caroline apontou para a tela, sem acreditar.

– Eu sei, a imagem está borrada... — April disse em tom de desculpas, como se fosse sua culpa a qualidade da câmera comprada pelo prédio. Então saiu da sala.

– Isso é um cozinheiro? — repetiu em descrença. Então riu — vocês tem muita imaginação.

Klaus sorriu, sem desgrudar os olhos da imagem congelada na tela.

– É, mas estamos chegando à algum lugar, sweetheart.

*-*

Caroline encarou com tédio todos os papéis impressos espalhados pela mesa de vidro. Sentia-se uma criança novamente, incapaz de ler e entender uma única palavra. Mas Klaus parecia entender cada detalhe, juntando algumas e separando outras. Então as encarava por um tempo, os braços cruzados, para então começar tudo de novo. Olhou pela janela e já podia ver o sol no horizonte, saindo por trás das casas devagar, como se estivesse com vergonha. Ou preguiça. Pensar nessa possibilidade fez Caroline bocejar.

– Pode ver que horas são?

– Hum — murmurou, estendo as mãos para o telefone na mesa. O mais perto era o dele, mas estava com muito sono pra pensar se ele se importaria com isso. — São... — congelou. A foto na tela de bloqueio o mostrava abraçado a uma loira em uma sala de estar. Ambos seguravam um copo do que supôs ser champanhe. Quase podia ouvir cada rachadura que fora feita em seu coração.

– Sweetheart?

– Vinte para as sete.

Largou o celular na mesa, querendo ter o jogado longe, mas não sabia como ele reagiria a um celular tão quebrado quanto estava sua alma. Cruzou os braços, não se permitindo derreter pelo apelido que deslizara por seu sotaque.

April entrou pela porta, segurando desajeitada as três xícaras de café. Caroline se levantou e a ajudou a levar uma até a mesa. Aceitou de bom agrado a cafeína que seu corpo precisava repor. Tudo o que ingeriu durante a noite havia sumido em seu organismo, seus últimos resquícios indo embora na última vez que foi ao banheiro.

April sentou-se ao seu lado com um sorriso, inclinando a cabeça para frente.

– Você sabe meu nome, mas eu não sei o seu... Entretanto, sei que seu sobrenome é Forbes. O meu é Young.

– Caroline — disse de sobrancelhas erguidas. — Meu nome é Caroline.

April puxou a cadeira mais para o lado, encostando seu ombro no da loira.

– Eu notei como olha para ele...

Caroline tossiu, parando de beber o café no meio de um gole. Encarou Klaus para ter certeza de que ele não tinha escutado. Infelizmente, seus olhos se encontraram e ela esperava que era porque havia quase se afogado.

April cutucou seu braço, exigindo uma resposta. Caroline a encarou sem saber o que fazer, notando que ela não sabia ser discreta.

– Não importa, ele tem namorada — sussurrou, olhando pelo canto do olho. Ele voltou a estar concentrado nos papéis.

– Tem? Não sendo amiga sua, qual o problema?

A loira franziu o cenho, observando-a erguer a xícara para dar o primeiro gole. E pela primeira vez, Caroline a viu fazer careta.

– Esqueci o açúcar — murmurou antes de sair da sala.

A loira xingou a garota internamente. Havia o risco de Klaus ter escutado e aquela louca ainda a deixava sozinha com ele? Olhou ao redor, cogitando a ideia de perguntar onde ficava o banheiro para sumir até que April voltasse, mas seus pensamentos foram cortados.

– Nem tente. Ela vai dar um jeito de sumir de novo. Poupe-lhe o trabalho...

Ele virou o rosto e a encarou.

– Seus olhos estavam olhando ao redor. De novo. Procurando uma saída — respondeu a pergunta muda estampada em sua face. — Sim, eu ouvi.

Caroline sentiu suas bochechas adquirirem um novo tom, mais quente. Céus, o que fazia agora?

– Perdão, ela fica alterada quando bebe café — explicou trazendo a própria xícara para perto antes de a levar aos lábios.

Lábios que pareciam tão convidativos.

Caroline levantou e largou a xícara na mesa. Diminuiu a distância entre eles e o segurou pelos ombros. E só notou o que havia feito depois que seus lábios se encontraram. Não sabia de onde tirou coragem para fazer isso, mas não se arrependeu. Embora ele não se moveu para corresponder, também não se afastou.

Antes de impor alguma distância, mordeu seu lábio inferior. Quando o encarou, ele tinha os olhos fechados. Sorriu sozinha e esperou por mais alguma reação.

– Por que fez isso?

– Caso tenha escutado certo e interpretado errado, o cara que namora uma loira que não é amiga minha é você.

– Eu ouvi, sweetheart...

– Então...?

– Não faça de novo.

O sorriso que tinha até então se desmanchou. Suas mãos deixaram os ombros dele e ela se afastou com passos incertos para trás. Seu coração terminou de se quebrar, mas ela já sabia disso desde que viu a foto.

Uniu as sobrancelhas. Então porque ele fechou os olhos?

Abaixou a cabeça para que ele não visse seu sorriso. Agarrou seu café e sentou-se na cadeira, olhando a janela.

– O nome dela é Rebecka — o ouviu dizer enquanto circulava uma imagem com caneta vermelha. — Irmã mais nova — ergueu a cabeça -, só para deixar claro.

O sorriso dela aumentou.

*-*

Elena desceu as escadas do apartamento, não sem antes passar algumas instruções para Jeremy. Caroline havia chegado e jogou-se na cama sem contar um detalhe, o que significava que a loira estava realmente cansada. Depois daquilo, a morena arrumou um colchão no chão da sala para o irmão. E finalmente chegou as seis horas e tinha cinquenta minutos para se arrumar.

Andou até Damon e sorriu. Como sempre, os lábios dele encontraram as costas de sua mão. Mas apesar do gesto romântico e a temperatura aquecida de sua pele, era um beijo frio como se sua mente estivesse distante. Como se não estivesse pensando naquilo.

E não estava. Tudo o que Damon queria fazer era perguntar as frases que rondaram sua mente desde o telefonema do irmão. Mas não podia fazer isso agora, antes do jantar. Arruinaria a noite de Jenna e isso seria um inferno para todos os seis, sendo Alaric quem mais ia sofrer naquela noite, e então iria contar tudo para ele no outro dia, culpando-o.

Ergueu os olhos para fitar os dela e sorriu de canto.

– Obrigado por usar jeans... — ironizou.

– Não achei que falava sério — alisou o vestido que usava como se isso pudesse diminuir a culpa que sentia no momento.

Damon não respondeu com uma provocação ou "tudo bem, Elena" antes de abrir a porta do passageiro, fazendo ela sentir-se mais e mais confusa. Entrou no carro estranhando o clima que aquilo estava tendo.

– Aconteceu alguma coisa? — perguntou suavemente quando ele ligou o carro.

Damon negou com a cabeça, e ela soube que era mentira. Havia algo muito errado ali. Abriu a boca para perguntar, mas ele percebeu e adiantou:

– Nós vamos jantar naquele encontro, e tudo vai ser perfeito. Então conversaremos com eles e, quando viermos embora, aí vamos conversar.

Sua voz era fria e fez Elena se encolher e engolir em seco. Imaginou o que poderia ter acontecido para fazer Damon mudar de romântico à contido em tão pouco tempo. Nunca o vira se comportar assim antes, e isso a assustava.

*-*

O jantar ocorria tranquilamente. Jenna era muito gentil e parecia tímida. Mas, assim que começaram a conversar, Elena percebeu que era uma mulher do qual todos gostariam de manter uma amizade. Lexi brincava com quase tudo e deixava o clima tão leve que a morena sentiu-se entre amigos de infância. Ela combinava com Stefan, e concluiu isso sem precisar de muito tempo ao lado dela.

Alaric, por outro lado, demonstrou ter uma mistura de algo que ela não sabia definir. Havia horas que ele brincava como se fosse criança de novo, provocando os amigos. Depois falou algo com Elena, parecendo paternal. E então virou-se para Jenna e transformou-se no marido perfeito. Demorou para acostumar-se com isso. Quando chegou, ele fora o primeiro a lhe cumprimentar, abraçando sua cintura, erguendo-a do chão e rodando algumas vezes. Damon o ameaçou brincando, mandando que a soltasse. E até então ele parecia o mesmo cara de sempre. Perguntou-se quantas vezes ele disfarçou com sorrisos algo que estava errado e ela nem percebeu.

– Elena, aceita uma taça de vinho?

Ergueu a cabeça do prato e encarou Lexi. Aceitou mesmo que não fosse sua bebida preferida. Mas se todos iam beber, porque ela faria diferente? Inclinou-se para o lado, os lábios quase tocando a orelha de Damon.

– Vai beber e dirigir? — O moreno a encarou confuso. — Não é conta lei e tal? Pior do que falar ao celular na chuva?

– Eu posso, você não — brincou e tocou seu nariz sorrindo, mas ela sabia que não era real. Se estivessem sozinhos ele não reagiria assim.

Três horas depois, Elena abraçava Jenna, ouvindo que deveriam sair mais vezes. Então se afastou com Damon, cada passo até o carro parecendo deixar para trás a tranquilidade que sentia. Embora tivesse curiosidade, também tinha medo.

Não ousou dizer uma palavra, e o moreno só parou o carro algumas ruas depois. Sem se importar em estacionar, girou a ignição no meio da rua, os faróis se apagando. A única luz vinha de lâmpadas de jardim nas casas ao redor. Elena engoliu em seco observando-o respirar fundo, os dedos sumindo entre as mechas negras de seu cabelo. Virou-se para ela no banco, a voz controlada.

– Tem algo que queira me contar?

Notas finais
Beijos ;3