Bonfire Heart
7 Talk That Talk
Notas iniciais
Oi lindos!!! Espero que gostem do cap (:
Elena acordou no sofá, com Caroline ao seu lado. A tela da TV mostrava o menu do último filme que viram ontem. Bella e Edward decoravam a parte da esquerda, ao lado da opção de iniciar filme. Lembrou-se de discutirem ontem sobre quem era melhor, mas os argumentos se tornaram provocações e deixaram o assunto de lado antes de caírem no sono. Levantou-se com cuidado e praguejou mentalmente por ter pipoca espalhada no sofá. Observou o relógio e seus olhos se abriram o máximo que podiam após focalizarem os números e dar-lhes significado. Tinha vinte minutos.
Correu até o quarto e se livrou das roupas no caminho. Jogou-se embaixo do chuveiro e lavou os cabelos em tempo recorde. Enrolou a toalha ao redor do corpo e saiu ainda pingando. Abriu as portas do armário e observou as roupas por um momento. Enfiou a saia pelas pernas e jogou uma blusa cropped pela cabeça.– Não combinamos que eu iria lhe arrumar, diva?A voz irritada não a fez parar, e ela também não a encarou.– Você estava dormindo.– Não é desculpa. E isso não combina. A primeira regra dessa blusa é não usar a saia tão justa como a blusa.– Porque não?– O look já usa coisas curtas e você ainda usa colado? Com todo respeito, parece uma vadia para o café da manhã. Aprovaria total para noite. Mas não agora.– O que sugere? — perguntou em um suspiro.– Uma saia mais larguinha.A loira mexeu no armário da amiga e retirou uma saia de cintura alta preta até o meio da coxa.– Vai ficar legal com a blusa rosa claro se colocar um sapato da mesma cor — sugeriu enquanto a morena trocava as peças.Elena pôs uma sapatilha de cor parecida e foi para a sala, jogando o celular na bolsa.– Sei que disse para mostrar as pernas só no terceiro encontro, mas admito que ficou bom. Principalmente para o almoço depois.– Não sei se vai ter almoço. O combinado era café às oito.As sobrancelhas loiras de Caroline se uniram.– Você devia estar lá às oito? Elena, é oito e dez...A morena agarrou a chave do carro de Caroline e correu para a porta.– Viu o que fez?– Ao menos está gata!! — gritou antes que a amiga fechasse a porta.Enquanto dirigia não conseguia pensar em outra coisa que não fosse seu atraso. Sim, era bom ter uma amiga como Caroline e sentia-se agradecida pelo que ela fez de manhã. Mas imaginou Damon esperando na mesa cor de creme, desistindo ao ser vencido pelo cansaço e indo embora.Ao estacionar, saltou do carro e andou apressada. Passou pela porta dupla e varreu o local com os olhos. Um suspiro de alívio escapou por seus lábios quando o viu sentado em uma mesa na janela. Exatamente como na primeira vez.Estava de costas e Elena andou devagar até ele, cobrindo seus olhos com ambas as mãos. Damon assustou-se de início e ela se inclinou para frente.– Adivinha quem é... — sussurrou na base de seu ouvido, resistindo ao impulso de morder o lóbulo.– Eu não faço a menor ideia — brincou, sentindo os cabelos chocolates roçarem seus ombros.– Vou dar uma dica — sorriu e ele cruzou os braços. Poderia ficar ali o dia inteiro, sentindo o aroma que ela exalava. — Sou meiga, doce e vou ficar profundamente magoada se errar.– Victoria? — provocou.Elena automaticamente congelou. Não sabia dizer se ele falava sério e estava se encontrando com outra mulher. Pior: se ele tinha namorada e enganou-se de voz ou nome. De qualquer modo, não era da conta de Elena. Não deviam satisfações um para o outro. Então porque sentia como se houvessem apertado seu coração em uma mão fechada?Damon estranhou o comportamento que sua postura adotou e livrou-se de suas mãos, gentilmente. Segurou seus braços abaixo de seu pescoço e tombou a cabeça para trás afim de encará-lá.– Elena? Tudo bem?– Ah, sim — forçou um sorriso, mas soube pela cara dele que não foi convincente. — Desculpe o atraso, perdi a hora.– Você não brincou quando disse que ficaria magoada — sorriu de leve, achando um pouco de graça.– Hum... — murmurou.Perdia a linha de raciocínio só por encarar seus olhos azuis como gelo. Suas mãos ainda a segurando e acariciando seus pulsos também tinham parcela de culpa em embaçar seus pensamentos. Ainda sentia o coração apertar, mas porquê? Se ele ao menos parasse de a encarar com tanta intensidade...– Victoria é o nome de minha mãe — explicou.Sentiu o cotação bater mais devagar e o ar entrar mais facilmente por seus pulmões. Lembrou-se o porque da sensação e sorriu. Afinal, não faria sentido ele ter namorada e perder seu tempo com ela. Ainda sentia carícias em seus pulsos e os sentia quase dormente. Seu corpo estava anestesiado. Ainda estava debruçada sobre o banco, os braços envolvendo seu pescoço e o rosto pairando sobre o dele. Não queria sair, mas Damon fez sinal para que se sentasse em sua frente.– Pedi café com leite e chantilly para você. Lembro que era o que estava tomando.– Boa memória — riu de leve.– Obrigado, Gilbert — fez uma reverência e sorriu.Notou um prato de torradas no meio da mesa. Foi empurrado em sua direção por dois dedos longos, em um convite mudo para que pegasse. Sorriu e puxou uma para cima, mordendo um pedaço. Ele a imitou.
– O que fez ontem a noite?– Maratona de filmes com uma amiga. Ver Titanic de novo foi quase tortura.Damon riu e a morena se deixou envolver pela risada baixa e arrastada que parecia envolver seu corpo como um manto.– Podemos trocar mensagens na próxima vez — propôs baixinho, como se compartilhassem um segredo.– Eu adoraria — e era verdade. — O que você fez ontem a noite?Forçou a voz a sair sem curiosidade. Damon soltou uma risada q saiu pelo nariz.– Hora extra.– Ah...Sentiu-se culpada por ter tido uma noite divertida em casa e estava reclamando dela enquanto ele tinha trabalhado sabe-se lá até que horas.– Você está linda.Era a segunda vez que ele lhe falava isso. Na primeira parecia mais um jeito de distraí-la de seu choro. Mas agora sentiu uma sensação morna lhe aquecer o coração em um misto de alegria e um pouco de vergonha. Abaixou a cabeça, deixando que seu cabelo caísse em um fino véu de chocolate entre eles, tentando disfarçar o rubor. Ergue as mãos e esfrega o rosto, tendo ambos pulsos segurados. Observa as mãos pálidas se abaixarem e ergue o olhar para os olhos de um oceano profundo. Lhe hipnotizavam e convidavam a nadar neles. Elena o faria mesmo correndo risco de se afogar.– Não que eu não goste quando esfrega o rosto... É um gesto até fofo. Mas não precisa ter vergonha. Você é linda e merece todos os elogios do mundo.Um sorriso tímido surgiu nos lábios da morena. Entreabre-os, tentando falar alguma coisa, mas as palavras ficam presas na garganta. Sente uma carícia em movimentos circulares e baixa o olhar novamente. Damon acariciava-lhe os pulsos, trazendo de volta a sensação gostosa de anestesia. Era como se só existisse os dois. Ambos sozinhos no mundo, sem ninguém ao redor. Naquele momento ele era dela, e ela era dele.Damon seguiu o olhar dela e olhou para suas mãos, como se recém as notasse ali. Afasta-se um pouco rápido demais e deixa que as costas encontrem o estofado cor de creme.– Então... Como é ser bombeiro?Elena puxara a pergunta de algum lugar em sua mente. Não estava muito concentrada naquilo agora. Tentava não transparecer a inquietação que lhe deixara quando se afastou. Perguntava-se o porque de agir assim.– Depende... Cansa muito, mas vale a pena. Não pelo salário, mas tenho razões sentimentais para salvar pessoas.– Sua mãe é a razão — Concluiu sem pensar. Não percebera ter falado em voz alta até ver um raio de tristeza lhe ultrapassar o rosto. — Ah, Damon... Sinto muito...– Tudo bem, Elena — Damon assentiu para reforçar a ideia.– O que você fez depois de... Bem... — fez um gesto com a mão e ele sorriu triste.– Entrei em depressão. Depois de um tempo me envolvi com pessoas erradas. E fiz coisas erradas.Elena ficou tensa. — Coisas erradas?– Tipo rachas, drogas, álcool... Nada grave, mas eu chutara minha vida aos quatorze.– E Stefan?– Seguiu a vida. Estudou, entrou para uma boa faculdade, se formou em medicina, casou-se e teve cinco filhos.Elena se engasgau com seu café e tossiu algumas vezes, levando uma mão à boca.– Cinco filhos?! Quantos anos Stefan tem?– Estava brincando... — Damon riu. — Até a parte de se formar em medicina é verdade... Ele namora uma mulher chamada Lexi. Mas desconfio que é fachada e meu irmão é gay — brincou, sorrindo ao conseguir risadas da morena.– Hum, obviamente você não vive mais aquela vida. E depois?– Você está enganada. Nunca disse ter saído daquela vida — inclinou-se por cima da mesa e seu olhar fez com que um arrepio lhe subisse a coluna. — Na verdade me afundei nela e agora sou chefe da máfia...Voltou a se recostar na cadeira, observando a reação que causara sem tirar a expressão do rosto. De início Elena não se mexera. Ficou em dúvida, ponderando se aquilo era verdade. Ele falara com tanta seriedade que Elena se afundou no banco.– Respire, Elena — lembra-a divertido. — Quando Stefan descobriu a razão de eu voltar tarde para casa quis brincar de irmão mais velho. Nunca havia recebido um sermão antes e ele estava tão irritado que pensei que iria me bater — sorri para a morena, que tinha os olhos grudados nele, ouvindo com atenção.– Stefan lhe convenceu? — perguntou curiosa.– O argumento de que nossa mãe odiaria me ver vivendo daquele jeito me venceu. Se eu posso chamar aquilo de viver.– Então voltou para a escola? — tentou adivinhar. Assentiu em resposta.– Foi difícil me afastar daquilo. Era viciante. A adrenalina, principalmente — fez uma pausa e sorriu. — Aí conheci uma garota...Elena fechou a cara e esfregou os olhos com as costas das mãos para que ele não visse. Seu sorriso fora sincero e nostálgico ao lembrar dela. A morena não gostara disso e apertou mais o copo do Starbucks na mão, usando uma força exagerada. Damon encarou a cena confuso.– Se conheceram na escola?– Conheci Charlotte na Bourbon Street. Dois meses depois a pedi em namoro.Elena fungou e fingiu desinteresse enquanto a pergunta saía de seus lábios.– Ainda estão juntos?– Ficamos um bom tempo namorando. Mas não. Terminamos um ano depois.A morena sorriu, disfarçando ao beber o resto do café. Embora tratasse o assunto com indiferença, a curiosidade lhe corroía por dentro.– E depois?– Conheci Andie.Os olhos castanhos se estreitaram. Não sabia quem era, mas já não gostava dela. Damon observa suas reações em silêncio, em parte desfrutando daquilo. Provocou:– Foi um relacionamento curto, mas intenso.– Que bom para você... — não era a intenção, mas sua voz saiu fria e carregada de desgosto. — Espera. Foi?– Foi bom. Terminamos quando comecei a trabalhar. Não tenho mais tempo para isso.Aquela última confissão ameaçou quebrar-lhe o coração. Respirou fundo e esfregou os pulsos. Doía ouvir aquilo, agora sabendo o que sentia. Admitia para si mesma que gostava de Damon e que talvez quisesse tentar algo a mais... E saber que não podia lhe destruía por dentro. Talvez ele ainda sentisse algo por Andie, e Elena sentiu ciúmes com o pensamento.– Elena? — chamou divertido.– Estou bem... — murmurou olhando para o prato vazio, onde antes estavam as torradas. — Acho que acabamos o café. Te vejo outro dia?Não esperou resposta e se levantou, deixando algumas notas de dinheiro na mesa. Jogou a bolsa pelo ombro e saiu apressada. Somente lá fora notou que ele a seguia. Rolou os olhos e ignorou sua presença. Quando estava perto do carro sentiu algo lhe segurar. Damon a vira para si e analisa sua expressão com cuidado.– Foi algo que eu disse?– Foi — elevou a voz, irritada. Arrependeu-se imediatamente e estalou a língua. — Quero dizer não. Não foi. Estou em um dia ruim.– Elena... — aproxima-se mais um pouco e sobe as mãos de seus ombros para o rosto, acariciando o local. — Perdão. Não achei que ia ficar mal por isso.– Eu só... — interrompe-se, sem saber como completar.– Gosto de você. E não quero que fique brava comigo e nem que se afaste. Desculpe...Seu coração bateu mais rápido ao ouvir tais palavras. Ele gostava dela, afinal. Sem confiar na própria voz, assente e ele sorri.– Quer dar uma volta?Jogou a cabeça para trás, indicando a direção de um parque. Segurou uma mão de Elena entre as suas enquanto caminhavam. Não sabia porque fizera isso, gostava de a provocar. Entretanto não podia simplesmente aceitar que fosse embora. Gostava de Elena e não a queria longe. Talvez gostasse mais do que pretendia, mas isso era algo que nunca admitiria em voz alta.– E você? Algum namorado?*-*Elena se jogou no sofá e soltou um suspiro ao se livrar dos sapatos. Aninhou-se entre as almofadas e fechou os olhos, permitindo-se relaxar.– Está de volta? — A loira saiu da cozinha com uma bacia de massa para bolo. — Achei que iam almoçar...– Ele teve que ir trabalhar — murmurou.– O que houve? Como foi o café?A empolgação de Caroline, pela primeira vez, não fora tão contagiante quanto costumava ser. Elena sabia que se fosse deitar em sua cama poderia ficar ali para sempre. Sem interrupções, ou comida. Ou Damon.– Ele ainda gosta da ex.– O quê? — a loira sentou no sofá ao lado da amiga e largou a bacia na mesa de centro. — O que lhe faz pensar assim?– Ele disse que o relacionamento foi intenso e só terminaram porque não tem mais tempo para isso.– Ele disse isso? Que tipo de idiota fala isso para a mulher com a qual está saindo?– O tipo de homem que não tem tempo pra isso e tem certeza de que é amizade — resmungou.– Estou convencida de que é desculpa. A verdade é que ele levou um chute e não quer ter orgulho ferido — sorriu de leve ao ver que conseguira risadas. — Isso não quer dizer que goste da ex. Talvez tenha passado tanto tempo que ele até esqueceu.
– De qualquer forma não temos chance.– Elena! Vai desistir assim?!– O que quer que eu faça?– Pegue o celular, marque um encontro e o faça querer ter tempo pra você.Elena suspirou. Não sabia exatamente o que fazer nem se queria fazer. Damon fora bem claro. Não queria tentar algo se sabia que no fim não iria ganhar nada.– Vou tomar banho... — comentou e pegou os sapatos do chão. Ao passar pelo quarto os jogou perto da porta. Podia arrumar mais tarde, não podia? Sentiu a frieza dos azulejos capturar seus pés descalços enquanto despia-se lentamente. Ligou a água quente, embora fosse verão, e deixou a pressão contínua lhe relaxar. Ali era seu refúgio. A água que deslizava pelo seu quarto lavava também suas preocupações, e a fumaça que subia embaralhou seus pensamentos. Um par de olhos azuis tomou sua mente e ela sorriu. Porque estava chateada com aqueles olhos? Não sabia responder.Juntou um pouco de espuma nas mãos e a espalhou pelo próprio corpo, sentindo a textura agradável e o cheiro delicioso de mel, avelãs e algo a mais.Os olhos azuis foram acrescentados de um sorriso torto. Ah, o sorriso torto. E também tinha os cabelos negros... Subitamente, lembrou da sua chateação. Tudo aquilo nunca seria seu. Nunca poderia ter Damon. Saiu do banho irritada. Vestiu shorts e blusa de seda, perfeitos para ficar em casa. Seguiu até a cozinha e Caroline derramava a massa de bolo em uma fôrma. Abriu a geladeira e tirou a jarra de chá gelado, servindo em um copo.– Damon vem lhe buscar às sete.Elena se engasgou e tossiu algumas vezes.– Damon o quê?– Eu mandei uma mensagem do seu celular — a morena viu um objeto ser jogado em sua direção e o pegou no ar com certa dificuldade. Observou seu celular em silêncio.– Não tinha o direito — rosnou.– Se segurar o copo com um pouco mais de força vai o quebrar em sua mão — comentou divertida, pegando o copo em suas mãos — Graças à mim você tem um encontro. Esperava mais gratidão.– Não será um encontro — correu as mãos pelo cabelo, de repente sentindo-se cansada. Muito cansada.– Achei que já tivéssemos passado essa fase de negação.– Não, Car. Você o convidou para um encontro e nem...– Não o convidei. — interrompeu a amiga e sorriu — Só mandei a mensagem dizendo que adorou o dia. Ele respondeu que talvez pudessem sair para jantar e que lhe pegaria às sete. Deixei para você a tarefa de dizer sim e dar o endereço.Dito isso, Caroline saiu da cozinha. Como Elena explicaria que aquilo nunca seria um encontro? Jogou o resto do chá na pia e observou o líquido escorrer. Pensando melhor, a loira podia ter razão. Talvez ele não gostasse mais de Andie. Procurou o nome de Damon nos contatos e hesitou ao achar. Mas se não fosse naquela hora não seria nunca. Chamou algumas vezes e uma voz arrastada e baixa atendeu.– Estarei pronta às sete.
Notas finais
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