Bonfire Heart

29 I know you lied


Notas iniciais
Eu peço desculpas... O capitulo anterior realmente pareceu confuso. Eu tentei explicar a situação de novo, em forma de pensamentos e diálogos. Espero que tenha ficado mais claro. Caso ainda esteja confuso, eu explico melhor nas respostas dos comentários, pode ser? ':3 Boa leitura!

Elena acordou sorrindo na manhã seguinte. Era um sorriso forçado, mas ainda assim um sorriso. Dizem que quando você sorri para a vida, ela sorri de volta para você. Então ela resolveu tentar.

Acordou mais cedo do que o normal e não fez yoga, ou correu como fazia de vez em quando. Ao invés disso, atirou-se no chuveiro de água quente e aproveitou a pressão que ele fazia, além da textura agradável que tinha a espuma do sabonete. O aroma doce acalmava os seus sentidos e a temperatura da água era tão quente que sua pele reclamava, mas seus músculos relaxaram. Quando saiu, estava com a pele avermelhada, mas valeu cada segundo. Sentia-se nova.

Não tomava um banho relaxante há muito tempo. Nos últimos meses seus banhos eram mais como uma tarefa a ser feita; algo necessário para sua higiene. Ela sempre ficava tão ansiosa para terminar logo e ver Damon que esquecia de retirar um pouco do condicionador vez ou outra. Agora ela tinha todo o tempo do mundo. Quase não se via o sol nascendo atrás das casas no horizonte quando ela foi até a cozinha e fez torradas.

À luz alaranjada dos primeiros raios de sol da manhã que entravam pela janela, Elena começou a sentir a nostalgia e a tristeza de quando fazia torradas com Damon para o café. Então jogou as torradas em um pote para o caso de Jeremy as querer quando acordasse e decidiu que iria fazer panquecas.

Exceto que, quando pegou os ovos, lembrou do dia em que não conseguia abrir o pacote de farinha e Damon tentou lhe ajudar, mas a embalagem acabou sendo rasgada. O conteúdo caiu no chão e dentro da fresta que havia entre suas botas e a calça jeans em seus tornozelos. Em vingança, Elena lhe jogara a primeira coisa que encontrou às cegas no balcão: a caixa de ovo. Meia dúzia de gemas escorriam de seus ombros e seu cabelo e ele não hesitou nem por um momento antes de decidir que iria a abraçar com aquela roupa mesmo. Elena correu da cozinha, mas ele era mais rápido e a abraçou no corredor, antes que chegasse ao banheiro para se trancar. Agora, além de ter as calças e o interior das botas enfeitados de farinha, também estava suja de claras e gemas. Tentou afastá-lo e não conseguiu. Não porque ele era mais forte, mas porque suas mãos não obedeceram seus comandos e acabaram fazendo o contrário de empurrar. Puxou-o para perto e acabou beijando-o. Mais alguns passos e o corredor se transformara em banheiro. E como ambos precisavam de um banho, o resto da para imaginar…

Pensou em não fazer as panquecas, mas isso era ridículo. Se fosse parar de cozinhar cada receita que já tentara fazer com — ou para — Damon iria morrer de fome. Fez e comeu as panquecas — com o máximo de mel que seu estômago podia aguentar. Parecia errado ingerir toda aquela quantidade de glicose, mas seu corpo clamava por açúcar para preencher e sobrepor a tristeza. Então sentia-se feliz pelo açucar extra.

Satisfeita, saiu de casa para ir trabalhar. O restaurante estava progredindo tanto que nem parecia que o incêndio havia acontecido. O dinheiro foi problema apenas no início. Depois de se restabelecerem, as vendas continuaram subindo e Bonnie até havia sugerido que abrissem outro em outro local da cidade. Não que Elena visse os clientes e a movimentação com frequência, uma vez que praticamente morava no hospital. Mas sabia pelo valor que entrava em sua conta bancária que tudo estava indo bem nos negócios. Bonnie fora muito compreensiva com ela, e era de longe sua melhor amiga. A morena até se sentia culpada por toda a responsabilidade que jogara na amiga, mas ela fazia questão de dizer à Elena que ela não precisava se sentir assim — ela começou o restaurante e fez com que ele virasse o que era hoje. Então ela merecia folgas.

Mas agora as férias acabaram e Elena iria compensar seu tempo ausente. Ao entrar no local, varreu o chão e passou pano para limpar os vidros das janelas. Depois disso ajeitou as toalhas de mesas e pôs os guardanapos no lugar. Somente então fora para a cozinha e não parou de trabalhar — com exceção aos intervalos — até as oito da noite, porque Bonnie a mandara embora.

– Está aqui há doze horas, Lena. Não é saudável. Vá para casa.

– Na verdade, não fazem doze ainda… — provou um molho da panela.

Bonnie retirou a colher de sua mão e a empurrou da frente do fogão, puxando e desfazendo o lacinho do avental.

– Não me importa. Quero que vá para casa.

Mas ela não queria ir para casa. Precisava se ocupar com alguma coisa ao invés de se encolher na cama e comer sorvete enquanto via filmes tristes para justificar suas lágrimas. Aquela não seria a reação que teria. Então foi ao shopping. Visitou todas as lojas que vendiam roupas e em três horas saiu de lá com dificuldades para carregar as sacolas.

Era quase meia noite quando Elena entrou em casa e achou que poderia desmaiar de cansaço. Jogou as sacolas para perto do armário, mas estava mais concentrada em tirar os sapatos dos seus pés doloridos, então não viu quando uma delas se abriu e o seu conteúdo se espalhou pelo tapete. Tomou outro banho quente e rápido e se jogou na cama com o pijama que encontrou em cima da cama. Só quando acordasse na manhã seguinte iria perceber que era uma das camisetas de Damon, as quais ela usava de pijama quando dormia em casa nos últimos meses.

*-*

– Eu não entendo… Ás vezes eu tinha que a mandar para casa e hoje ela não veio? — Stefan encarou o irmão, perplexo. — principalmente agora que você está acordado?

Damon fechou os olhos, sentindo-se um idiota.

– Eu terminei com ela.

Stefan não respondeu nada por um tempo e o mais velho começou a se preocupar com o silêncio. Então abriu os olhos e o encarou.

– Pode repetir isso?

– Não… — suspirou, esfregando o rosto com as mãos, em frustração. — Eu a magoei, e não gosto de ficar relembrando isso. Pode, por favor, voltar a me dar analgésicos?

– Você se lembrou dela? — perguntou esperançoso e confuso.

– Não. Os analgésicos, Stefan — pediu impaciente.

– Por que fez isso, então?

– Porque eu... — mordeu o lábio inferior. — Eu acho que estava a traindo.

Stefan riu. — É, tá…

– Falo sério. E eu não suportaria me casar com ela sabendo que fui infiel.

– Aí está o problema: você não sabe se foi. E eu duvido muito que fosse.

– Porque eu teria um anel de noivado em uma caixa fechada se já tinha uma noiva? Isso significaria dois noivados…

– Vai ver você errou o tamanho do anel e teve que arrumar…

Damon negou com a cabeça, cruzando os braços. — Eu não erraria o tamanho. Agora me de os analgésicos, Stefan.

– Para que você os quer?!

– Porque eles me deixam com sono... não tenho conseguido fechar os olhos por mais de uma hora seguida. E quando eu ganhar alta hoje a noite você não vai poder me dar remédios… o mínimo que deve fazer é me deixar dormir agora.

Stefan bufou e saiu do quarto. Sozinho, Damon olhou ao redor. Relembrou o dia anterior e reviveu as memórias de uma Elena sem reação com as mãos sobre os lábios. Forçou sua mente a se lembrar de detalhes importantes, e percebeu que ela não usava aliança naquele momento…

Confuso, encarou as próprias mãos. Talvez o irmão tivesse razão… droga, o que havia feito? Devia ter esperado se lembrar dela antes de decidir terminar. Estava tudo acontecendo meio rápido… E no momento, tudo o que podia fazer era se deitar na cama e fechar os olhos, lembrando de Elena de pé na frente da sua cama, com os gestos cautelosos e incertos, mas com o sorriso feliz e os olhos amorosos. Seria o homem mais feliz do mundo se pudesse dizer que era sua esposa. Mas não sabia se essa ainda era uma opção válida.

*-*

– O pedido de casamento foi um erro — disse Damon ao encará-la nos olhos uma última vez antes que ela acordasse.

Elena ficou deitada na cama, fitando o teto. Aquela frase não parava de se repetir em sua mente há três dias, desde que ele a pronunciara. Chegava a se infiltrar em seus sonhos, e era perturbador. A incomodava e ela não sabia o porque, o que chegava a ser desconfortável em um nível físico.

Ainda observando o vazio de um ponto qualquer em seu quarto, Elena sentia que a resposta estava ali, ela apenas não conseguia ver.

Mais algum tempo se passou. Quando finalmente entendeu o motivo, se levantou com pressa. Vestiu apenas uma calça jeans e não se importou em trocar a camiseta. Dez minutos — e vários semáforos vermelhos em que ela passara com alta velocidade — depois, a morena estava no hospital. Pediu o nome na recepção e a resposta foi negativa.

– Damon Salvatore recebeu alta ontem pela manhã. F

icou parada ao lado do balcão de informações, pensando para onde ele teria ido. Para a própria casa? Muito provável, mas e se ele não estivesse lá? Bem, ela nunca ia saber se não tentasse…

Elena dirigiu sem paciência pelas ruas, tendo como destino o apartamento de Damon. Cada minuto se estendia como séculos de agonia enquanto ela pensava no que ele disse. Não, esqueça isso. O mais importante era como ele iria reagia com a visita dela. Ele só precisava a ouvir, porque tudo o que ela precisava era falar. E pensando nisso, todo o resto do caminho ela fez no automático. Não se lembrava de ter entrado no prédio ou no elevador, mas quando se deu conta de onde estava: já tinha batido três vezes na porta. E quando Damon a abriu, ela aprendeu a respiração.

– Elena? O que faz aqui?

– Posso entrar?

Ele deu um passo para trás, cedendo o espaço. Ela andou alguns metros até a sala e parou, sem sentar em lugar algum mesmo quando ele fez sinal para o sofá. Depois cruzou os braços, confuso, e ambos permaneceram em pé.

– Porque veio aqui?

– Você disse que lembrou de tudo. E que o pedido de casamento foi um erro.

Damon uniu as sobrancelhas, então assentiu. — Não entendo onde quer chegar.

– Não? Bem, você nunca chegou a me pedir em casamento.

– O quê?! — ele riu. — Tudo bem, se quer encarar dessa forma…

– Eu não escolhi mentir para mim mesma dizendo que você não propôs o noivado para encarar melhor uma rejeição. Foi você que mentiu quando disse que lembrava.

– Elena, como eu iria mentir sobre isso se você é minha noiva? — ele forçou um sorriso irônico, agindo como se ela estivesse louca. Mas ele era quem estava ficando com dor de cabeça devido aquela conversa.

– Em teoria. Você tinha o anel e eu descobri. Na verdade eu meio que pressionei você à contar… — ele não expressava emoções agora. Aquela explicação não fazia sentido para ele. — E você não chegou a fazer o pedido oficial porque Caroline resolveu estragar tudo.

– Caroline?

– Está vendo? Você não lembra — sorriu triunfante por alguns segundos e ele franziu o nariz.

– Você deve estar dormindo muito pouco ultimamente — disse antes de sorrir arrogante, se virar e começar a andar.

Elena segurou o braço dele antes que pudesse ir muito mais longe. — Não pode continuar fingindo se eu sei a verdade. — andou até a frente dele e o segurou pelos ombros, encarando seus olhos. Antes ela achava que só o que necessitava fazer era falar com ele, mas agora ela sentia o quanto queria uma explicação. — Porque disse que lembrava?

Ele abriu a boca para responder algo que pudesse a mandar embora, mas a fechou em seguida e inclinou a cabeça para a direita.

– Espere, eu nunca lhe dei o anel?

Elena negou e Damon riu. Então o anel não era para uma amante, afinal. Sempre pertencera a Elena.

– Porque está rindo?

Ele escolheu não responder a pergunta ao abraçá-la e erguer os pés dela do chão. Então deu várias voltas ao redor de si mesmo no meio da sala antes de a colocar no chão. Elena não entendia, mas sorriu entre os braços dele como se não quisesse mais sair. E ele percebeu que não queria soltar.

Seus olhos se encontraram e eles perderam a noção do tempo, não contando há quanto tempo estavam ali. E nem precisavam. Quando perceberam, estavam compartilhando o mesmo ar; e o corpo de Damon reagiu ao dela sem hesitar. Inclinou-se e uniu seus lábios em algo que parecia um leve roçar. Era exatamente do que ele sentia falta sem que sua mente lembrasse, embora ela lhe parecesse muito familiar. O suave toque se transformou em pequenos beijos antes de evoluir para algo mais faminto.

As mãos de Elena subiram para seu pescoço e se arrastaram para seus cabelos, tentando acalmar a saudade que sentia dos fios negros. As de Damon seguiram o caminho que já conheciam para a sua cintura, infiltrando-se por baixo da camiseta dela — ou dele, dependendo do ponto se vista; mas era Elena quem a vestia — e acariciando a pele do local. Trilhou de leve um caminho até a coluna dela, mas parou de repente ao ficar perturbado quando prendeu o lábio inferior dela entre seus dentes, provocando um gemido fraco. Seu corpo demonstrava que sabia exatamente o que fazer e como ela gostaria de receber os toques. Mas ele queria lembrar desses detalhes e de como os aprendeu. Do contrário, estaria agindo quase que por instinto, e não era isso que lhe parecia certo. Então a afastou.

– O que foi? — acariciou seus cabelos, procurando os olhos azuis que se recusavam a olhar para os dela.

– Não posso fazer isso… Não sem lembrar de você. Não é justo. — ergueu uma mão e afastou o cabelo dela do rosto. Elena mordeu o interior da bochecha.

Então deu de ombros — Ok.

Ele a encarou — Ok?! Só isso?

– É. Se você não se sente confortável, não posso fazer nada. Mas isso não quer dizer que vai se livrar de mim.

Damon sorriu debochado — não pretendia fazer isso.

Elena sorriu — ótimo. Você ainda tem bom senso.

Então eles arrumaram o quarto e se deitaram na cama dele com um balde de pipocas e uma caixa com chocolates sortidos.