Bonfire Heart
30 Pillow fight
Damon ainda estava meio sonolento quando pequenas pressões em seu pescoço o puxavam da inconsciência. Os leves beijos que eram distribuídos pela região vinham acompanhados de palavras que ele só foi registrar em seu cérebro depois de alguns segundos.
– Bom dia…
Ele continuou de olhos fechados, mas sorriu lentamente.
– Você vai me acordar todos os dias assim? Porque eu posso ficar mal acostumado.
Ele abriu os olhos e a observou rir. Então ela estendeu o braço para a cômoda e trouxe para perto uma caneca de café.
– Achei que gostasse de xícaras — ele comentou, agradecendo a bebida.
Ia beber um gole, mas o olhar dela o parou. A fitou de volta, confuso.
– Você sabe que gosto de xícaras?
– Óbvio. Você até tem uma coleção na prateleira da cozin…
Ela sorriu e ele parou de falar. Como poderia saber disso se não se lembrava? Buscou na memória algo referente a xícaras ou Elena, mas nenhuma imagem aparecia. Aparentemente, ele só sabia da informação, como saber que Elena gostava que brincassem com seus cabelos mas sem lembrar de quando aprendeu isso ou de quando o fez pela primeira vez.
– Se lembra da prateleira?
– Não… Conte-me outra coisa sobre você — pediu, fitando-a.
Elena pensou por um momento. — Você tem um livro em francês na estante da sala.
– Sim, Rick havia comprado por engano para Jenna, quis me "mostrar" a capa e acabou "esquecendo" aqui. — explicou, esperando que ela continuasse a falar.
– Eu quis aprender francês.
– Por que francês, Elena? — ele sorriu: — Posso te ensinar italiano, se quiser. — Ela riu e ele se sentiu idiota por sugerir tal ideia. Então acrescentou rapidamente: — Ou talvez não. Quem trocaria francês por italiano?
– Eu troquei. — ela sorriu, afastando alguns fios de cabelo dos próprios olhos. — Eu ri porque nos já tivemos essa conversa. E tu ser un ottimo professore, Salvatore. — forçou o sotaque e ele riu baixinho.
– Sei — corrigiu. — Tu sei.
– Então você não é um professor tão bom assim — provocou.
– Você que não é boa aluna. Seis meses e já conseguiu esquecer a conjugação de verbos? — negou com a cabeça, fingindo estar decepcionado.
– Talvez eu precise de umas aulas de reforço para me lembrar — sugeriu se inclinando para frente.
Damon riu e apoiou a mão livre em seu pescoço, inclinando-se também e iniciando um beijo carinhoso. Mas cada um estava mantendo uma mão ocupada ao segurar a caneca de café e Elena se afastou em seguida — apenas para largar as canecas na cabeceira e o beijar de novo.
*-*
Caroline bebeu um gole de seu café extremamente açucarado enquanto olhava a vista que tinha da janela de sua 'sala de criações', como dizia a placa ao lado da porta de entrada.
Pilhas e pilhas de papéis desenhados e coloridos estavam espalhados por ali, em cima de qualquer coisa com superfície lisa que pudesse ser usada como apoio: as mesas, algumas cadeiras largas, o chão, e até o sofá. Portanto a loira estava de pé, observando o sol que, aos poucos, ia descendo no horizonte. Estava frustrada.
Um desfile estava sendo programado por sua secretaria e ela nem conseguia escolher as peças e conjuntos que iriam vestir os modelos escolhidos. Um deles havia vindo de algum lugar da Michael Kors, o que significava que a Forbes estava crescendo ainda mais. Mas como poderia melhorar se ela não achava as roupas perfeitas? Não, o problema não eram as roupas.
– O problema é Elena — concluiu em voz alta.
– Não acha que está levando isso longe demais por algo tão bobo? — Kol perguntou cauteloso, organizando algumas pilhas de papel.
A loira se virou na direção dele, de repente furiosa não só por dentro, mas demonstrando por fora também.
– Não! Ela roubou o que era meu.
– Ela não tinha como saber. E, tecnicamente, não era seu.
Uma xícara voou pela sala e Kol se jogou para a direita, tentando evitar que fosse acertado por vidro ou líquido quente. Recuperou o equilíbrio e sorriu, virando-se sem falar nada e saindo da sala. Não poderia brigar com Care, por mais que achasse que ela estava ficando louca. Aquele sentimento crescia e a corroia por dentro, um dia após o outro. E ele não podia falar nada — estava sendo pago para ficar por perto caso ela precisasse dele. Valia a pena jogar aquilo fora?
Talvez, mas ele não iria pensar naquilo agora. Já tinha feito sua parte naquele mês: escondera os relatórios do hospital dizendo que Damon havia recebido alta. Care era controladora, mas não precisava saber que Elena já não passava as noites no hospital — ele havia simpatizado com a morena. Ela teria paz por mais um tempo. Era inocente, afinal. Vítima do ciúmes amargo da loira. Talvez fosse por isso que a estilista botasse tanto açúcar no café: era amarga por dentro. Em tanta quantidade que nem ela mesma poderia aguentar.
*-*
Elena andou nas pontas dos pés pelo corredor de modo lento. Agarrou o travesseiro que segurava com ambas as mãos enquanto olhava por todos os lados. Nada escondido ao lado da estante, nem atrás de portas abertas ou embaixo do sofá — espere, que idiota pensar que ele estaria embaixo do sofá; demoraria muito tempo para sair dali e levantar. Tinha que ser algum lugar mais fácil. Olhou ao redor, tendo a sensação de estar sendo observada. Mas de onde?
Algo fofo bateu em seu ombro e ela se virou, revidando com o travesseiro.
– De onde você veio? — questionou e Damon riu, desviando da mesa de vidro que tinha na sala.
– Se eu contar, como poderei me esconder lá outra vez?
Acertaram-se algumas vezes antes de um dos travesseiros rasgar e a espuma cair de dentro.
– Damon, eu sinto muito — desculpou-se tentando juntar o conteúdo e colocar dentro da fronha.
– Eu também sinto. Agora você não tem com o que se defender — sorriu provocando-a e acertou o travesseiro nela com o mínimo de força possível, já que ela não estava esperando essa reação dele.
Divertiu-se com a surpresa que ela demonstrava no rosto e ameaçou jogar o travesseiros outra vez. Ela finalmente reagiu, correndo alguns passos e agarrando uma almofada.
– Não acha isso muito pequeno?
Ela encarou a almofada. Certamente ela não iria reduzir o impacto do travesseiro. Então teve outra ideia. Subiu no sofá e atirou a almofada, não querendo chegar perto. Damon ergueu a mão, parando o objeto que caiu no chão. A encarou debochado.
– É o melhor que sabe fazer?
Elena agarrou todas as almofadas e jogou-as nele antes de correr. Damon desviou delas no chão e alcançou a morena antes que chegassem no quarto. Segurou-a pelo braço e, desequilibrando-se, ambos caíram no chão, em cima da espuma que era do travesseiro.
Os dedos de Damon percorreram o caminho da barriga de Elena e ela riu, sentindo cócegas.
Admita a derrota — Ela se debateu, tentando respirar. Então ele parou. — Espere um pouco. Nós já fizemos uma guerra de travesseiros antes.
Ela sorriu, e esperou enquanto ele pensava.
– Eu lembro disso!! Foi um fim de semana em que choveu o tempo todo e resolvemos não sair de casa. — ele riu e a encarou. Lembranças voavam em sua mente como se estivessem presas atrás de uma porta que ele acabara de abrir. O Starbucks, os encontros, os bons momentos, o incêndio… mas estava tudo ali, para que ele pudesse lembrar quando quisesse — Eu lembro, Elena! — sorriu exaltado. E então amoroso. Elena Gilbert. A mulher com quem ele queria, não: precisava ter um futuro juntos. Como pôde a esquecer?
Elena assentiu contente, mas não sabia o que dizer. Então deixou que seu corpo falasse mais alto que suas palavras e o puxou para um beijo. E desta vez Damon se deixou levar, porque ele lembrava, sim, de Elena. E era a mulher mais incrível que ele conhecera na vida.
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