Bonfire Heart
4 Date?
Notas iniciais
Oi pessoal, tudo bem?
Bom, a Bletts pediu para pedir desculpa pela demora, mas ela estava atarefada e só conseguiu postar agora *-*
Esperamos que vocês gostem >.
Elena apoiou as mãos no chão, na pequena distância entre seus pés. Concentrou todo o seu peso nas palmas pressionadas contra o piso frio e, com calma, ergueu os pés com a pernas esticadas até que suas coxas encontrassem o antebraço. Inspira. Ergueu ainda mais as coxas até que seus joelhos passassem por cima dos ombros e cruzou os tornozelos. Expira. Soltou a mão direita e a ergueu para o lado, sentindo todos os músculos da esquerda se tencionarem e tremerem pelo esforço duplo. Inspira.
O som de seu celular soou estridente pelo quarto e os sons calmos da praia foram substituídos pela voz de Rihanna.Expira.Ergueu-se de modo rápido e andou ainda trêmula e cambaleante até a cama. Pegou o celular e deslizou o dedo pelo botão verde sem ver quem era.– Alô? — sua voz saindo em um sopro, devido ao esforço anterior.– Elena? É a Car.– Que Car? — forçou uma voz confusa e reprimiu um sorriso.– Caroline Forbes — pôde ouvir a irritação transbordar de suas palavras.– Ah! Barbie!! — Exclamou, desta vez sem reprimir a felicidade. — Sinto saudades, Car.– Por favor, Elena. Ninguém mais me chama assim.– De Car? — fez-se de desentendida e riu ao ouvir a amiga bufar. — Tudo bem, desculpe. Quanto tempo...Somente após falar a última frase que pensara em todo o tempo que não se viam. Eram melhores amigas no colégio, e agora mal se falavam. O que as fizeram se afastar tanto?– O que estava fazendo?– Ioga.– Aquela coisa dolorida para pessoas sem ossos que você tentou me convencer a fazer uma vez? Francamente, Elena. Que mal gosto.– Só diz isso porque não consegue fazer — devolveu a provocação e não obteve resposta. Quando ouviu a voz da amiga de novo era um assunto diferente.– Vim tirar umas férias em NY e queria saber se poderia ficar em sua casa umas duas semanas...– Ah, claro. O tempo que precisar. Mas Paris está em um tempo tão ruim assim para que Caroline Forbes não possa pagar um hotel? — provocou observando a movimentação pela janela do quarto.– Não seja besta. Apenas acho que mereço mais do que um hotel cinco estrelas. Mas como não da para ter aí onde você mora, me contentarei com sua casa mesmo.Elena revirou os olhos, esquecera o quanto gostava de Caroline e seu humor para todas as horas. Talvez seus sonhos as tivessem afastado. Enquanto Elena sonhava com o restaurante, a loira sonhava em ser estilista na França. Quando acabaram o ensino médio, cada uma foi para um lado e apenas se falavam por mensagens, que aos poucos perderam frequência.– Então... Passe-me o endereço que já estou no aeroporto.– Já está aqui? — porque ainda se surpreendia, ela não sabia. Caroline seria sempre Caroline.Após dar o endereço à amiga, foi para a cozinha e colocou água para esquentar e fazer o café. Abriu a geladeira, examinando o que havia dentro e retirou ovos e queijo. Iria fazer o omelete que costumava preparar nas segundas pela manhã no restaurante, para aqueles que não tinham tempo de ter café em casa.Precisou se apoiar na bancada ao lembrar o que acontecera. Normalmente tentava esquecer, mas não dava muito certo. Estava tão afetada com o fato ocorrido que não falara com ninguém. Nem com Bonnie. Respirou fundo, achando sua reação ridícula. Quebrou um ovo e ouviu o chiar baixinho quando ele deslizou pela panela baixa.Suas mãos tremiam, e preferia acreditar que fora pela ioga. Derramou a água fervente no pó de café e observou o líquido escuro escorrer pelo bule. Era uma cor tão escura quanto os cabelos negros de Damon.Balançou a cabeça ferozmente, como se pudesse evitar o assunto assim. Mas a imagem continuou ali, tomando forma. E logo ganhara olhos azuis e os traços fortes lhe emolduraram o rosto.Jogou os temperos na panela com raiva. Seus olhos foram a primeira coisa que pensara pela manhã, antes mesmo de abrir os olhos.– Não seja ridícula, Elena — balbuciou para si mesma.Olhou novamente o café e lembrou-se da cena desastrosa no Starbucks, onde acidentalmente derrubara o café em seu braço. E os acontecimentos seguintes fluíram por sua memória.Seus lábios se separaram em choque ao vê-lo sair do provador com a blusa que escolhera. Era branca desta vez, mas igualmente justa.– Você está lindo... — disse quando ele estava perto o suficiente dela para ouvi-la. Pôde vê-lo sorrir de canto e corar levemente. Talvez nem percebesse a nova colorização se não o observasse atentamente.Com a blusa manchada pendurada no braço, Damon foi seguido por Elena até o caixa. Uma mulher com cabelos curtos e pretos se inclinou sobre o balcão para retirar a etiqueta que pendia na gola, esbarrando em seu pescoço e peito no processo. Algo quente se espalhou por Elena até as pontas dos dedos, que fez uma careta. Trincou os dentes, sem saber exatamente porquê fizera aquilo. Não gostou nenhum pouco do assanharemos da vendedora.– Tudo bem?– Ah, sim. – Tem certeza?– Foi só... Cólica — repreendeu-se internamente por dar uma desculpa tão idiota. – Desta vez estava falando sobre pagar a camisa.
– Ah! — sentiu o rosto esquentar e esfregou as mãos no rosto, tentando diminuir a temperatura.– Sinto muito que esteja com dores, mas foi um acidente. Não precisa pagar.– Eu quero. Após pagar, Damon segurou a porta para que ela passasse na frente. Riu ao olhar a nota da compra.– O que foi? — ele virou a mão até que Elena conseguisse ler. Havia o nome Rose e um número abaixo. — Ela escreveu o telefone na nota? Ela não pode fazer isso.– Porque não, Elena?A pergunta a pegou de surpresa. Não havia um porquê. Damon apenas perguntara por não entender a atitude da morena. Não tinha qualquer intenção de ligar. E como prova, jogou a nota na lixeira mais próxima a qual passaram, enviando doses de alívio pelo corpo de Elena.Ignorou a pergunta e tentou esquecer o assunto. Concordava que sua reação fora ilógica.Continuaram caminhando até uma esquina, onde Damon disse que precisava ir trabalhar.– Sinto muito pela sua torta. Você a pagou e não comeu — lembrou-se da torta fria de chocolate que ele havia pedido. Imaginou se os talheres ainda estariam lá, embalados.– Não sinta por isso, Elena — ele parecia acariciar seu nome, o que a fez soltar um suspiro. — Sua companhia vale bem mais que a torta.A intenção não era deixar o sorriso escapar, mas sentiu-o espalhando-se por seus lábios.– Nos vemos por aí — era uma afirmação mas soou como uma pergunta.– Por aí? — ele riu. — Porque não marcamos algo?– Ah, claro — assentiu enquanto falava. Ele tirou o celular do bolso frontal da calça e estendeu.– Me dê seu número que eu lhe ligo depois.Hesitou por um momento, não querendo parecer tão atirada quanto a mulher da loja. Mas eram apenas amigos. Certo?– Não será um encontro? — só percebeu que falara alto demais quando ele riu baixinho.– Não, Elena.Suspirou, recusando-se a corar enquanto salvava seu número nos contatos e lhe devolvia o aparelho.– Te ligo mais tarde.Despediram-se com um beijo no rosto e ele saiu andando.O som do interfone a fez voltar para a realidade.– Carol.– Pode entrar — destrancou a porta e a deixou aberta, voltando para terminar de arrumar a mesa do café.– Óbvio que eu posso entrar. Vai deixar a melhor amiga na rua?Sorriu e virou-se para a loira que fechava a porta. Vestia um conjunto básico de blusa branca e saia rosa, mas eram os detalhes de Caroline que sempre faziam diferença. Desta vez eram rendas e pastilhas.– Você está linda.– Eu sei. Não esperava nada menos do que isso — piscou um olho e Elena revirou os olhos. — Você está linda também. Ou ficaria, sem essa roupa de ginástica.– Você está na minha casa. Posso lhe fazer morrer de fome! — ameaçou brincando. — Já tomou café?– Como se barrinha de cereal de avião contasse como café da manhã.Sentaram-se e comeram em silêncio por um momento, até Caroline o quebrar elogiando a comida. A morena agradeceu e baixou os olhos.– Eu vi a notícia pelo celular. Sinto muito pelo restaurante, Elena.– Tudo bem — não, não estava tudo bem. E ambas sabiam disso. Mas a xícara de café na mesa a sua frente começou a girar.– Sério, eu sinto muito — as unhas bem feitas em rosa claro acariciaram a parte de cima de seu pulso enquanto ela segurava sua mão por cima da mesa.– Já disse que está tudo bem — sua voz era tão fria e ácida que fez Caroline recuar, como se tivesse recebido um tapa.Fechou os olhos para não encarar a xícara que dava voltas na frente de seus olhos. Não entendia porque as pessoas insistiam em dizer sinto muito, quando estava claro que não queria conversar. Pensou por um momento em levantar-se dali e correr para o quarto, bater a porta e jogar-se nos travesseiros.Ao invés disso, respirou fundo algumas vezes até que a xícara parecesse estável. Caroline permanecia imóvel, dando tempo à amiga.– Desculpe. É só que...Não completou a frase. O resto do café seguiu sob um silêncio constrangedor.– Então, como vai indo a vida?Elena desviou os olhos da revista em seu colo para a amiga. Ela agarrava uma de suas almofadas de coração. Não pôde evitar um sorriso ao lembrar dos acontecimentos de ontem.– Ah, eu vi isso!! É um sorriso. Tem um homem no meio, não tem? Ele é bonito?– Como vai a sua vida? — forçou uma mudança de assunto. — Algum homem no meio?– O nome dele é Tyler e estamos muito bem, obrigada. Agora comece a falar.– Falar o quê? — murmurou, virando a página e fingindo interesse em uma trança de cabelo.A loira arrancou a revista de suas mãos e a jogou longe.– Você nem está realmente lendo isto. Me de atenção.Suspirou e virou o corpo no sofá.– Ele é um cara que salvou minha vida no restaurante. Esbarrei nele ontem no Starbucks e...– Esbarrou? Diz que caiu — ao ver o olhar da amiga Caroline riu. — Se você tivesse caído ele podia te segurar.– Somos amigos.Elena estreitou os lábios em uma linha fina.– Seei- alongou a palavra com um sorriso brincalhão.– Enfim, eu dei meu telefone e ele disse que ia ligar.– Um encontro? Ele gosta de você. Caso encerrado.– Não é um encontro. São dois amigos saindo para se divertir.– Seei.Elena revirou os olhos.– E ele já ligou? – Não — deu de ombros.– E você não está nem um pouco incomodada que ele disse que ia ligar e não o fez.Os ombros da morena se moveram de novo.– Sabe, acho que esse cara pode fazer bem à você. Talvez ele possa remendar o rasgo que Matt fez em seu coração.– Somos amigos — repetiu sem querer tocar no assunto Matt.– Já entendi isso, Miss Amizade. Só acho que uma companhia masculina não pode ser de todo o mal.O celular vibrou na mesa e Caroline o pegou antes da amiga. Esticou o braço após ver a tela.– Número desconhecido. Pra você...Um sorriso perverso brincava sob o gloss com glitter de seus lábios.– Oi? – Elena?– Damon... — reconheceria a voz mesmo se ficasse anos sem escuta-la. Pelo telefone parecia ainda mais baixa.Caroline se aproximou para ouvir melhor.– Sinto muito não ligar ontem... E eu queria ter lhe oferecido uma carona. Mas eu tive que trabalhar. Vou ficar devendo.– Vou cobrar — brincou.– Se você puder, posso pagar minha dívida amanhã — Elena pôde ouvi-lo sorrir. — O cinema tem novos filmes em cartaz na sexta. O que acha?Caroline moveu os lábios, mas ela não identificou o que a loira queria dizer.– Perfeito. Eu pago a pipoca.– Comprarei seu ingresso — soou como uma promessa.– Escolha o filme.– Preferência? – Terror não.Damon soltou um riso baixo.– Ok... Amanhã à noite? – Sem problemas...– Me passe o endereço depois que eu te pego ás sete.– Estarei esperando...– Até, Elena.– Beijos.Ao desligar, Elena se virou para a amiga.– O que disse antes?– Cinema... Noite... Sexta feira... "beijos"...Caroline moveu os lábios de novo, mais devagar. Elena grunhiu ao entender que ela soletrava a palavra encontro.
Notas finais
E então? Gostaram do ressurgimento da Carol? Comentem pessoal!!
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