Bonfire Heart

5 Cinema And Pizza


Notas iniciais
Oi povo!!! Gostaram da nova capa?

Parte do cabelo castanho fora puxado para trás e Elena gemeu baixinho com dor.
– Car... Precisa de tanto?
– Você vai sair com um homem bonito e legal no qual está interessada. É óbvio que sim.
Mais uma mecha fora enrolada em baby liss e Caroline o arrumou para frente. Elena já desistira de dizer que eram amigos. Manteve-se calada e Damon veio em sua mente. Perguntou-se o que ele estaria fazendo agora.
– Qual vestido pretende usar?
– Vestido?
As sobrancelhas de Caroline se uniram em irritação enquanto outro cacho era formado.
– Sim, vestido. Espero que escolha dourado, porque ia ficar ótimo em contraste com sua pele.
– Não vou usar vestido...
Sua nuca ardeu em contato com o ferro e Elena pensou que tinha sido de propósito. Caroline respirou fundo para se acalmar e jogou mais uma mecha que Elena enrolou no dedo como distração.
– Como vai o deixar com gosto de quero mais se ele não se interessar nem pela primeira produção?
– Não vou usar vestido.
Ao ouvir a voz insistente e decidida, a loira parou para pensar em um lado bom de tudo aquilo. Sorriu enquanto os pensamentos positivos fluiam.
– Só com esse cabelo você já está linda. Na próxima vez você usa um decote e só no próximo mostramos suas pernas. Assim ele sempre vai ter algo novo para olhar. Bem pensado, amiga.
Os olhos de Elena giraram e ela balançou a cabeça em desaprovação, parando logo em seguida ao sentir o ferro lhe queimar o pescoço.
– Não se mexa, Elena.
A morena grunhiu e apertou as mãos na cadeira, descontando sua dor quando sentiu novamente a ardência na nuca.
– Eu nem me mexi!!
Uma hora depois Caroline sacudiu os cabelos da amiga na frente do espelho.
– Esses cachos ficaram ótimos em você. Deixe-me fazer a maquiagem e prometo que vai exalar sensualidade.
Elena ignorou a amiga e pegou o estojo rosa de suas mãos. Passou rímel e um batom rosado, apenas para dar uma cor diferente.
– Assim você me magoa, Elena. Os elogios que ganho na mídia são por causa do estilo de matar. Não de make básica para ficar em casa.
– Não é um encontro — esbravejou. Perdera a conta de quantas vezes repetira isso. — Não quero maquiagem de festa para ir ao cinema.
– Tem razão. Tem razão. Vamos matar com a maquiagem no próximo encontro. Bem pensado. Quer vestido tomara que caia ou de alcinhas?
– Achei qué já tínhamos combinado isso.
– Porque achei que você ia fazer uma maquiagem decente.
Elena retirou uma blusa vermelha do guarda roupa e recebeu um olhar de desgosto.
– Você não vai vestir isso, vai? Não posso deixar que saia assim.
– Vamos fazer um trato? Quando for um encontro de verdade estarei em suas mãos. Cabelo, maquiagem, roupas e sapatos.
A loira estendeu o indicador e o apoiou no queixo.
– Acessórios?
– Também — a resposta saiu por entre os dentes, mas era verdadeira.
Caroline sorriu e juntou as mãos.
– Me deixe apenas passar glitter nos seus olhos? Você não pôs cor nenhuma...
A morena gemeu e sentiu leves pressões em seus olhos fechados. Pôde sentir o excesso cair em seus cílios, deixando a visão pelo olho semi aberto colorida com círculos azuis, laranja e verde. Talvez rosa.
Quando Caroline virou as costas, esfregou os dedos nas pálpebras e voltou-se para a blusa vermelha novamente.
– Me diga que não vai usar jeans.
– É um filme. Não festa a gala.
Enfiou os jeans pelas pernas e passou a blusa pela cabeça. O roupão em que estava enrolada fora dobrado e devolvido ao banheiro.
– Já deu o endereço para ele?
– Não... — experimentou brincos de rubi na frente das orelhas e ao constatar que combinavam com a cor da blusa os colocou.
– E como espera que ele passe aqui e lhe pegue?
A morena desviou os olhos para o celular em cima da cama e o pegou, vendo que havia uma mensagem. Ouviu Caroline rir atrás de si.
– Deve ser ele cobrando o endereço.
A mensagem piscou antes de abrir, com o nome de Damon na parte superior.
– Ele diz que vai ficar preso no trabalho e não vai poder me buscar.
– Sério? — as sobrancelhas loiras e bem feitas se erguiam em surpresa. Aproximou-se e leu por sobre o ombro da amiga, apontando algo no fim da mensagem — Pede para o encontrar no cinema do shopping.
– Como vou até lá? — lembrou que ainda não tinha buscado seu carro na frente do restaurante. E até o shopping eram alguns quilômetros que não queria ir andando. Uma chave dourada se chocou contra seu ombro.
– Se arranhar meu bebê, eu arranho sua cara.
Meia hora depois Elena já estava na fila da pipoca. Manteve o celular fora da bolsa. Ora no bolso do casaco e ora em sua mão, caso ele ligasse. Por um momento, um sentimento de angústia tomou-lhe o corpo. E se ele tivesse desistido de sair com ela? Aquela mensagem era só um jeito de atrasar o fora que levaria.
Olhou ao redor, tentando ver seu rosto entre as pessoas que passavam. Algo agarrou seu ombro e ela se virou com um sorriso que logo desapareceu.
Matt.
Suspirou. Devia saber que não era quem esperava. A mão que lhe virou era brusca e rude. Duvidava que Damon não fosse gentil.
Um sorriso brilhou na sua frente e se afastou com nojo de sua mão.
– Sinto sua falta, Leninha.
Seus olhos o miraram como se apenas isso bastasse para o transformar em pedra, como se fosse a Medusa.
– Não me olhe assim, eu penso em você todas as noites.
– Duvido — desafiou. Ao olhar os olhos sob a franja loira, soube que ele admitia em silêncio estar mentindo. Embora nunca o falasse em voz alta.
– O que faz sozinha em um cinema?
– Não estou sozinha — rebateu fechando as mãos em punhos. Não queria mais ver seus sorrisos falsos ou ouvir aquelas palavras doces transbordando mentiras.
– Não vejo seu acompanhante — disse achando graça. — Ele tem um nome?
– Sou Damon — Elena sentiu um braço envolver seus ombros. Ao ouvir a voz arrastada, seu corpo relaxou.
– Jura? Namorando, Elena? — provocou.
– Nós... — pensou por um momento em como completar a frase. Se dissesse que eram amigos, Matt não a deixaria em paz. Mas se confirmasse estarem namorando Damon poderia não gostar. — estamos juntos.
De fato, estavam. Não do jeito que ela queria passar a Matt, mas eles estavam juntos, lado a lado numa fila para comprar pipoca.
Damon sentiu o leve tremor sacudir de leve o corpo ao qual abraçava. Sentia-a estar apreensiva e desconfortável. A puxou para mais perto e sorriu.
– Estamos namorando — confirmou. Sentiu dois olhares confusos em sua direção, mas Elena desviou a atenção para Matt em seguida. — E... quem é você?
A fila andou e deram dois passos para frente,
– Ah, não tiveram ainda a conversa sobre ex... — sorriu debochado — Não que ela tenha muitos nomes para lembrar.
Elena desviou os olhos para a fila a sua frente. Sentia a bile lhe subir a garganta. Tudo que sentia por Matt era desgosto puro.
– Vamos combinar que ela não escolhe muito bem com quem se relaciona — Matt gesticulou para Damon e sorriu.
A fila andou mais dois passos.
– Tem razão. Ela namorou você.
Elena riu, mais de nervosismo do que por ter achado graça, e eles logo foram atendidos por uma mulher com blusa listrada de vermelho e branco e um chapéu com as mesmas cores.
Pediram um pacote grande de pipoca com manteiga e dois refrigerantes. Damon retirou a carteira do bolso de trás da calça e Elena segurou sua mão.
– O que pensa que está fazendo?
– Pagando?
– Já pagou os ingressos. Deixe que eu pago a pipoca.
– Dividindo a conta? Que meigo.
Damon se postou entre Elena e Matt, ficando de costas para ele e o ignorando.
– Deixe-me pagar...
Retirou um bolo de notas da bolsa e pegou uma nota de vinte dólares.
– Eu pago. E isso não está em discussão — antes que pudesse estender o dinheiro, sua mão fora agarrada. — Sério? Vamos brigar na fila da pipoca?
Não obteve resposta. A mulher no balcão já estava impaciente e Damon não fazia nada além de a encarar. Puxou o braço e viu Matt sorrindo ao lado deles. Talvez querendo mais um motivo para se meter.
– Tudo bem, vou ao banheiro — declarou derrotada e sentiu sua mão livre. Jogou o dinheiro na bolsa e saiu dali.
Apenas entrou para lavar o rosto. Juntou as mãos em concha abaixo da água corrente e jogou para cima. Quando abriu os olhos se observou no espelho mal limpado. Não entendia o que Matt fazia ali. Achava que havia se mudado para algum lugar longe.
Jogou água nos braços e respirou fundo para se acalmar. Saiu do banheiro e avistou Damon perto da porta de um filme de comédia. Quando ela chegou ao seu lado pegou a pipoca de suas mãos e ele deu os ingressos para o homem que cuidava da entrada.
Estava escuro e Elena tropeçou algumas vezes. Sentaram no fundo do cinema e, antes mesmo do filme começar, as mãos de ambos já estavam engorduradas com manteiga.
*-*
– Música?
– Indie.
Damon arqueou as sobrancelhas.
– Você não faz o estilo de quem gosta de indie.
Elena sorriu e cortou mais um pedaço de pizza. Sua noite não podia melhorar.
– Desculpe não poder lhe pegar hoje, mas tive que trabalhar a mais para substituir um colega que está no hospital.
– Hospital?
Damon assentiu, observando a gordura da comida acumular no prato.
– Queimaduras. Meu irmão disse que vai melhorar em duas semanas.
– Seu irmão parece legal.
– Ele é — riu fraquinho -, na medida do possível.
Elena o observou por um momento. Ao se lembrar de Stefan não pôde deixar de os comparar. Não haviam muitas semelhanças. Quase nenhuma.
– São irmãos de sangue?
– Acharia que não, mas sempre nos disseram que sim.
Mordeu as bochechas por dentro.
– Posso fazer uma pergunta... pessoal? — quando ele assentiu, respirou fundo — Stefan disse que tinha motivos para ter virado médico e se dedicar a salvar vidas. É o mesmo motivo que o seu?
– Sim...
Elena o encarou, esperando que ele continuasse mas ele não o fez. Damon sentiu a sirene soar dentro de sua mente e esfregou uma mão na testa, para mandá-la embora. As coisas a sua volta se desfaziam e ele estava no carro novamente, ao lado de Stefan.

Focou sua atenção nos olhos cor de avelã que o encaravam e agarrou-se a eles para não se perder da realidade.
– Eu tinha doze anos quando sofremos um acidente — podia quase sentir as carícias de sua mãe de novo. — Alguma coisa bateu em nós, mas eu não lembro o quê. Os bombeiros foram chamados e a ambulância não tinha chegado. Talvez se estivessem lá antes... — engasgou e encarou Elena. — Talvez se estivessem lá para prestar socorro, minha mãe estivesse viva.
– Oh, Damon... — Sem saber o que fazer, estende a mão sobre a mesa e segura a dele.
– Meu pai sobreviveu, mas nunca mais foi o mesmo. Não lembro de ter o visto sorrir por alguns anos. Eu mesmo demorei para o fazer.
– Sinto muito ouvir isso.
– Faz tempo... Não sinta.
Elena recebeu um sorriso triste e usou a mostarda para fazer uma carinha sorrindo na pizza de Damon.
Ele riu e acrescentou uma língua amarela. Em seguida pôs um pingo no indicador e o esfregou no nariz de Elena.
– Muito maduro, Damon — ironizou pegando guardanapos.
*-*
– Quem era o loiro?
O assunto fora puxado quando já saíram do carro de Damon, em frente ao shopping, para ir até onde Elena havia estacionado o de Caroline.
– Ah, Matt? Ex namorado, mas causa problema até hoje — franziu os lábios e ao o ouvir rir suavizou a expressão.
– Sei como é. Se importa se eu perguntar porque terminaram?
– Ele... Nós... Eu fui burra.
– Porquê? — sua voz era curiosa.
– Era nosso aniversário de um mês de namoro. Ele disse que ia ficar até tarde no trabalho — o nó em sua garganta parecia crescer a cada palavra. — Então eu fui até a casa dele fazer uma surpresa para quando voltasse.
– Elena... Você está pálida.
– Da sala pude ouvir a loira em seu quarto. Não contente, eu abri a porta. Eu fui burra em abrir a porta — a frase saiu entre soluços e somente então percebera que chorava.
– Não, claro que não. — puxou Elena para si e a envolveu em um abraço — Ele foi burro, Elena. Por fazer isso com você e perder uma mulher incrível na vida dele.
Ele sentiu as lágrimas molharem sua camiseta. Pessoas só choravam quando o sentimento era demais. Queria poder pegar parte de sua dor, mas tudo o que pôde fazer foi acariciar seus cabelos.
– Nunca mais quero a ouvir dizer que foi sua culpa. Ok?
Elena assentiu. Fungou e sentiu algo puxar seu rosto para cima.
– Não... — forçou-se a ficar na curvatura de seu pescoço. — Não quero que me veja assim. — imaginou-se com o nariz vermelho e escorrendo, os olhos inchados e a boca tremendo. Era uma imagem humilhante a se passar.
Prometeu que seria a última vez que choraria por causa de Matt. Bonnie tinha razão, e ele não merecia suas lágrimas. Damon esperou que ela se acalmasse.
– Você é linda, Elena. — sentiu-a sorrir e se afastar. Um rubor leve tomava parte de suas bochechas. Sorriu torto e acariciou seus braços, uma vez que suas mãos já estavam ali.
– Obrigada. Por tudo — aproximou-se e beijou-lhe a face. — Esqueci de dizer: Sua mãe está em um lugar melhor, cuidando de você.
A risada rouca pairou no ar ao redor deles.
– Foi minha culpa. Se não tivesse reclamado, eles nunca teriam virado para trás é tentado me animar.
– Nunca mais quero o ouvir dizer que é sua culpa. Tá? — repetiu a frase usada por ele antes. Ele riu fraquinho e ambos sorriram.
– Esqueci de dizer: Seu cabelo está lindo.
...
Elena jogou a bolsa no sofá quando chegou e uma loira sorridente veio saltitando de um dos quartos.
– Como foi?
– Foi bom... — sorriu de leve lhe atirando a chave do carro. — Muito bom...
Caroline bateu palminhas e riu.
– Vocês se beijaram?
– Não!! — rolou os olhos, a frase 'somos amigos' na ponta da língua. A engoliu e logo voltou a sorrir. — Conheci um lado dele que nem imaginava. Sabe, eu tenho um pijama igual a esse que está usando.
Apontou para o top e shorts rosa com corações em branco no corpo da amiga.
– Não tem mais.
– Uma estilista roubando roupas?
Elena balançou a cabeça fingindo decepção, andou até o quarto e retirou os sapatos. Ao se virar, um corpo esguio estava encostado na soleira da porta.
A loira a encarou e cruzou os braços, claramente chateada. Retomou o assunto.
– Não aconteceu nada do que eu ache bom?
Elena riu da amiga e se jogou na cama.
– Ele elogiou meu cabelo.
Caroline jogou as mãos para cima, comemorando.
– Eu sabia!! S-a-b-i-a. Já vamos escolher agora seu decote para a próxima. Prefere coração ou em 'v'?
Observou a amiga sair e continuar falando sobre o assunto até seu quarto, onde a ouviu abrir as portas do armário.
Sentiu algo vibrar em seu bolso e pegou o celular. Não precisou olhar de quem era.
O Boa noite era composto de palavras simples, mas lhe significaram o mundo naquela noite.
Conhecer Damon e seu passado fora bom. Ele confiava nela. Assim como ela confiou nele. Sentiu o sorriso se espalhar por seu rosto enquanto respondia.
Pensou em contar para Caroline, mas decidiu que aquele seria o segredo deles. O segredo dela. Talvez gostasse dele mais do que devia mas sentia-se bem, então valia a pena.
Abraçou o celular junto ao corpo e suspirou.
Você é linda, Elena.
Então dormiu, sem ao menos trocar de roupa.

Notas finais
E aí, gostaram? Não esqueçam de comentar!!!