Notas iniciais
Oi gente, ontem eu postei mas havia erros então a Bletts apagou o capítulo, o corrigiu e agora iremos postar de novo!!!

Damon passou pelas portas duplas e o ar gelado lhe acariciou o corpo, recebendo-o no local com o máximo de coisas brancas possíveis. Embora algumas pessoas passassem por ali, o lugar gritava solidão. Parou no balcão e recebeu um cartão de identificação com seu sobrenome, seguido da palavra visitante, o qual pôs na camiseta. No terceiro andar, bateu na porta e entrou em seguida.

– Se sente melhor, Alaric?

– Jenna surtou. Acho que vou ficar no hospital por uns tempos.

O moreno riu e se aproximou mais do amigo.

– Falava das queimaduras.

– Arde, dói... Mas recebo de vez em quando remédio para dor. Não tem o mesmo efeito que o álcool, mas serve.

– Você precisa de psicólogo...

– Loira de olhos verdes, por favor.

– Vou contar para Jenna — ameaçou brincando.

– Mato você.

O silêncio pairou no local por um momento.

– Como vai indo? Soube que por minha causa fez hora extra. Divertindo-se? — sorriu ao ver o amigo bufar.

– Estou adorando fazer hora extra...

– Ótimo. Peça ao seu irmão para não me dar alta tão cedo e não deixe a porta bater em você quando sair.

– Você é um idiota — revirou os olhos e deixou o corpo cair na poltrona ao lado da cama.

– O que fez ontem?

– Hora extra.

– Depois disso.

Um sorriso surgiu aos poucos em sua face. Lembrou-se dos olhos avelãs que brilhavam como diamantes e do quanto seu sorriso era contagiante e lindo quando falava de algo alegre.

– Saí com uma garota...

– Um encontro, Damon? — sorriu malicioso. — Quero saber de tudo, menos dos detalhes sórdidos.

– Somos amigos. E você é pior que velhinha fofoqueira.

Duas batidas na porta anunciaram Stefan que entrou no quarto com um copo de água e cartela para comprimidos.

– Stef, sabia que seu irmão saiu com uma mulher ontem e não ia falar nada?

Damon jogou as mãos para cima.

– Falei que é mais mulher que a Jenna.

– Um encontro Damon? Diz que não é a Andie.

– Não foi um encontro.

– Mas foi com a Andie, então? — Stefan sorriu e cruzou os braços.

– Não! — correu a mão entre os cabelos e suspirou. — É a Elena...

As sobrancelhas de Stefan se uniram.

– A garota do restaurante? — Damon assentiu e ele riu.

– Quem é Elena? — Alaric perguntou confuso. — Que restaurante?

– Não importa. Quero saber porque o Stefan está rindo.

– Ele a salvou de um incêndio no restaurante.

– Esquece o que eu disse sobre não ter alta. Quero ir trabalhar o quanto antes. Com que frequência restaurantes pegam fogo?

Damon olhou o amigo na cama com o cenho franzido.

– Você é mesmo fiel à Jenna?

– Claro que sou. Mas olhar não tira pedaço.

– Temos que gravar isso e mandar para sua namorada.

– Não têm, não. — virou-se na cama e encarou Damon. — Como ela é?

– Morena, olhos castanhos e com um sorriso encantador.

– Tem certeza que não era a Andie?

Damon sentiu vontade de jogar o amigo pela janela. Estavam no terceiro andar e talvez isso resolvesse seu problema. Mas Stefan estava entre os dois, trocando os curativos.

– Já viu seu QI? Poderia estar fazendo cirurgias.

– Não enche.

– Fale mais dessa Elena — Ric sorriu.

Os lábios de Damon se firmaram em uma linha fina. Ela era diferente de todas as outras que conheceu. Seu jeito de agir era diferente de algum modo, e ele achava o gesto de esfregar o rosto quando estava com vergonha algo até bonito. Ela era o tipo de mulher com a qual ele gostaria de conviver sempre que pudesse. Era única em muitos sentidos e isso apenas o fez gostar ainda mais dela.

Mesmo com tantos pensamentos em mente, só três palavras saíram de sua boca.

– Ela é legal.

– O quê? Só isso?

Deu de ombros.

– Sério? — Ric rolou os olhos e balançou as mãos em frustração. — Achei que ia seguir em frente. Jenna iria adorar um encontro duplo.

– Tenho certeza de que seu lado feminino também ia — retrucou.

– Ahá! — Stefan apontou para o irmão e sorriu malicioso. — Admitiu que era um encontro.

– Eu o quê?

– E já era hora, porque tá perto do seu aniversário.

– O que isso tem...?

– Está beirando a casa dos trinta, irmão — apoiou uma mão em seu ombro. — Vai ganhar rugas e linhas de expressão.

– Se juntar dinheiro desde já pode pagar uma plástica. Mas Stefan tem razão. A Elena é sua última chance.

– Tenho 27. Não estou na casa dos trinta.

– Falta pouco.

– Vocês ficam rindo, mas ainda acho que seu relacionamento com a Lexi é fachada.

– Eu amo a Lexi.

– Fachada — repetiu.

– Também desconfio, Stefan. Sinto muito, mas acha que uma enfermeira pode me atender?

– Jenna realmente não sabe o namorado que tem.

*-*

– Want you to make me feel...

A voz de Elena preenchia a cozinha enquanto fazia o almoço. Os fones de ouvido preto sumiam ao se misturar com seu cabelo.

– Like i'm the only girl in the world...

Seu celular era abrigado pelo bolso dos shorts jeans. A blusa de alcinhas branca contrastava com sua pele.

– Like I'm the only one that you'll ever love.

Um dos fones fora arrancado de sua orelha e ela encarou a loira irritada ainda com seu pijama.

– Porque não me acordou?

– Não sou seu despertador.

– Perdi a hora da caminhada.

– Um dia sem não vai lhe matar — deu de ombros e voltou a cortar o tomate para o molho. — E você precisava descansar depois dessa coisa de fuso horário.

Com o último argumento a loira se deu por vencida. Acomodou-se em um banco do balcão e sorriu se debruçando.

– Não pense que não ouvi você cantar. Quer que o Damon lhe faça sentir como a única garota no mundo? — sorriu maliciosa.

– Car!!

– O quê? Já disse que tem meu super apoio nessa. Sou total a favor do relacionamento.

– Não tem relacionamento nenhum — resmungou.

– Seei.

O tomate fora jogado com tanta violência na panela que parte de seu conteúdo espalhou pelo balcão.

– Você sempre cozinhou fazendo luta livre com legumes?

Seu celular tocou antes que pudesse responder.

– Aposto que é ele.

Elena rolou os olhos e pegou o celular do bolso. Secretamente, ela desejava que fosse.

– Elena? Estou aqui embaixo. O interfone não funciona.

– Espere um pouco, Bonnie.

Cinco minutos depois, Bonnie apareceu na porta com um homem fardado de policial.

– Algum problema? — Elena perguntou confusa. Caroline veio da cozinha e ficou ao lado da amiga.

– Fui encarregado do seu caso no restaurante. — Estendeu a mão e Elena a segurou. — Meu nome é Klaus Mikaelson.

Repetiu o cumprimento com Caroline, que falou alguma coisa. Mas Elena não ouviu nenhum som. Queria evitar aquele assunto mesmo sabendo que não poderia fugir para sempre. Se passara cinco dias, mas ainda não estava pronta.

– Senhorita Gilbert?

– Hã? — virou-se para o homem com semblante preocupado. — Estou bem... Sente-se.

Sorriu educado e se dirigiu para o sofá. A loira o seguiu e sentou ao seu lado. Quando ia fazer o mesmo sentiu algo segurar seu ombro. Teve um calafrio ao pensar em Matt.

– Não está brava, está? Ele queria conversar com nós duas e eu o trouxe aqui. Imaginei que não iria querer voltar ainda.

– Obrigada, Bon.

– Eu conversei com algumas de suas funcionárias — começou quando já estavam todos na sala — e gostaria de lhes fazer a mesma pergunta. O que faziam quando começou o incêndio?

– Eu estava atendendo alguém.

– Senhorita Bennett?

– Estava na cozinha. O fogo se espalhou rápido.

– Viu onde começou?

– Não tenho certeza. Talvez tenha começado em algum fogão.

– Disse que o fogo se espalhara rapidamente. Havia algo inflamável perto? — ambas balançaram a cabeça. — Serei sincero: achamos vestígio de álcool espalhado no local. Como se alguém não quisesse deixar pistas e acelerar o processo.

Elena sentiu seus pulmões rejeitarem o ar. Não havia oxigênio suficiente circulando por seu corpo. A sala girava como seu carrossel particular. Ergueu-se de repente e atraiu três olhares para si.

– Com licença.

Forçou um sorriso convincente e saiu apressada para a cozinha. Encarou a panela fechada onde havia começado a cozinhar a massa e desejou voltar no tempo. Brigar com Carol era melhor que tudo aquilo que esperava em sua sala. Porém sabia que não iam lhe esperar para sempre.

Encheu um copo d'água e jogou uma porção generosa de açúcar. Forçou aquilo pela garganta e inspirou o máximo de ar possível.

– Vai ter diabetes — Bonnie se aproximou e sorriu de leve. — Nós temos seguro, teremos dinheiro para uma parte da reforma. O que quer fazer?

– Me jogar na cama e não sair mais — resmungou pondo o copo na pia.

– O dinheiro não dá, Elena...

– Não podemos recomeçar aos pouquinhos? Construímos um restaurante pequeno como era inicialmente. E aos poucos reformamos.

– Só que vai levar tempo.

– Não temos dinheiro, lembra? Acabamos de comprar coisas novas para a cozinha. E não deve ter sobrado uma panela.

– Sobrou umas duas... — empurrou de leve a amigo com o ombro.

– Podemos armar uma barraquinha de limonada.

– Não somos mais crianças...

– Vendemos a Car. Quanto acha que vale uma estilista no eBay?

A loira entrou na cozinha e sorrindo.

– Lena! O cara lindo no seu sofá quer saber de vocês.

– O que acha? Dois dólares? — Bonnie sorriu enquanto voltavam para a sala.

– Um e cinquenta...

*-*

– Viu aquele deus grego?

Caroline pegou uma revista e fingiu se abanar.

– Pensei ter ouvido você dizer que gostava do Tyler, seja lá quem for.

– Que Tyler? — brincou rindo.

Klaus havia ido embora pouco antes de Bonnie, que ficou para conversar. Por fim, decidiram recomeçar aos poucos sem ter melhor opção. Elena se arrependia de ter comprado novas coisas uma semana antes, mas não tinha como saber que aquilo iria acontecer.

Elena afastou uma mesinha da parede para poder usar a vassoura.

– Faça-me o favor, Lena. É noite de filmes.

A loira tirou a vassoura da mão da amiga e ergueu uma ponta do tapete, varrendo a sujeira para baixo.

– Car!!

Seu celular tocou e a morena encarou o nome por um momento.

– Damon — suspirou. Sentia falta de sua voz.

Caroline tentou ouvir a conversa, mas desistiu depois de um tempo. Jogou-se novamente no sofá e analisou os filmes que tinha.

– Elena, gostei da noite ontem.

– Eu também.

A afirmação da morena lhe deu coragem para prosseguir — Aceita tomar café comigo amanhã?

Elena pulou no sofá e agarrou o braço da amiga. Falou somente quando teve certeza de que ao abrir a boca não sairia um grito.

– Claro que sim.

– Às oito? No Starbucks?

– Perfeito.

Caroline cruzou os braços e a olhou com raiva esperando que desligasse o celular.

– O que foi?

– De novo essa droga de "te encontro lá"? O que houve com a carona?

– Vamos sair. Estou feliz. Ignoro você.

– E é a segunda vez na semana. Seu segundo encontro...

– Não é um encontro ainda.

– Ainda? — sorriu maliciosa e a morena corou, mas sorriu de leve.

– Ok, talvez goste dele. Mas ele não deve ver em mim mais do que uma amiga.

– Então faremos com que veja. Amanhã irei lhe arrumar decente para um café, mas ao mesmo tempo faremos ele não querer tirar os olhos de você.

Elena sorriu e sentou no sofá.

– Obrigada, Car.

– Não faço nada menos que minha obrigação.

– Escolheu o filme?

Queria mudar de assunto, mas ao mesmo tempo queria falar de Damon. Recebeu uma pilha de filmes em seu colo e os analisou.

– Titanic? Quantas vezes já viu isso?

– Várias. Mas DiCaprio é lindo.

– Tyler sabe do seu amor platônico?

– Quem disse que precisa saber da existência de Klaus?

Elena jogou a cabeça para trás e riu.

– Vai insistir nessa?

– O sotaque dele é tão lindo — suspirou e fingiu um desmaio.

– Ok, coloque o filme, Car. Vamos ver DiCaprio congelar.

– Rose queria que Jack morresse. Tenho certeza de que caberia os dois em cima da porta.

– Eles tentaram.

– Rose coube deitada. Ambos caberiam sentados.

– Talvez a porta não suportasse o peso dos dois.

Carol ajustou o volume e o idioma do áudio. Pensou por um momento enquanto segurava o controle na mão ainda esticada.

– Elena, não gosto de conversar com você. Não suporto perder uma discussão.

– Pense nisso enquanto faz a pipoca.

– Você não fez? Ah, esqueci. Ocupada babando no Damon — sua voz diminuía o volume enquanto ia à cozinha.

– Não estava babando.

– Estava, sim. Até achei que escorreria pelo seu pescoço.

– Que nojo, Car.

– Tem razão. Talvez a única saliva que você gostaria de ter no pescoço seria a dele.

Elena torceu o nariz, mas não pôde deixar de imaginar a cena. Ele a cercaria em seus braços e seu hálito morno envolveria seu rosto. Ambas as respirações ficariam instáveis e estariam tão perto que o ar era compartilhado. Ele se inclinaria e seus lábios se arrastariam em beijos pelo seu pescoço. Então ele...

– Porque não respondeu com uma ironia?

O balde de pipoca fora colocado no meio das duas e a loira manteve o sorriso perverso.

– Porque era um assunto nojento — mentiu.

– Estava fantasiando, não estava? — sua voz era divertida.

– Claro que não. Somos amigos.

– Você mesma já disse que gosta dele.

– Não muda o fato de que somos amigos.

– Isso não lhe impede de fantasiar.

Elena respirou fundo, observando o início do filme sem realmente o ver. Gostava dele, mas não devia pensar do jeito que estava minutos atrás. Era sujo e perverso. Sentia-se mal.

Em vez de ocupar a mente com isso, deixou-se vaguear em desculpas para passar mais tempo com ele amanhã. Não queria apenas um café em sua companhia. Queria muito mais que apenas uma hora com ele, mas temia ser só o que poderia ter.