Bonfire Heart
23 Cant't believe it was you
Notas iniciais
Elena acordou sentindo-se levemente tonta, e enjoos se mostravam presentes em seu estômago a cada vez que respirava. Seu pulmão era outra coisa que ardia, como se tivesse sido corroído por dentro.
Ergueu a cabeça subitamente ao sentir água gelada chocar-se contra seu rosto, uma dor aguda, pelo movimento brusco, cresceu e latejou em sua têmpora direita como se tivesse batido o local há pouco tempo. Encolheu-se diante da sensação e tentou levar a mão até o machucado, notando que ambas estavam presas nos braços de uma cadeira. Sacudiu as cordas uma vez e elas não se soltaram. O ar que saiu do nariz de alguém produziu um som curto de uma risada debochada, fazendo com que focasse seu olhar na figura de preto em sua frente. Era difícil ver seu rosto com clareza mas notou que ele segurava uma tigela, de onde devia ter vindo a água.
Seus dedos seguraram seu queixo e o trouxeram para cima, inclinando sua cabeça para analisar a pele ao lado de seu olho.
– Está roxo. — torceu os lábios — E inchado
Elena pensou em agitar a cabeça e soltar-se de seus dedos. Ele foi mais rápido, soltando-a com um puxão da mão. Virou de costas para ela e misturou-se na escuridão após alguns passos. Somente quando não pode mais ouvir seus pés em contato com o chão Elena olhou ao redor. A pouca iluminação não permitiu que tirasse muitas conclusões, mas achava que parecia um galpão ou algo assim. Tudo ao seu redor era feito de madeira, incluindo piso e paredes, caixas largas e altas e até uma mesinha estranha. Cordas descansavam penduradas nas paredes e vários objetos ao seu redor cobertos por tecido davam um ar de filme de terror. O cheiro era estranho, mas depois da substância desconhecida que fora obrigada a inspirar não confiava muito no seu olfato agora.
A realidade finalmente começou a ser processada por seu cérebro e a morena começou a entrar em pânico. Onde estava? Quem era aquele homem? Porque a queriam? O que iam fazer com ela?
Debateu-se na cadeira, as mãos presas na madeira e suas pernas unidas aos pés do objeto. Aquilo só serviu para que causasse mais atrito entre as cordas e sua já dolorida pele. Puxou seus braços e grunhiu de dor, seu pulso ficando branco onde estava trancando a circulação. Quando viu que era inútil, parou de puxar. O branco mudou para vermelho e ela fechou os olhos.
– Oh, Damon — murmurou.
Talvez tivesse uma parte sua acreditando que se o chamasse ele viria. Afinal, ele já a salvara tantas outras vezes Porque não mais uma? Mas ela sabia que era ridículo. Ele não sabia onde ela estava, ou já estaria aqui. Onde quer que fosse. Céus, nem ela mesma sabia onde estava.
O homem voltou novamente, trazendo um copo de água e dois comprimidos. Ele usou o polegar para empurrar o remédio por entre seus lábios e Elena não lutou contra. O segundo veio em seguida e ela tentou aproveitar a oportunidade para mordê-lo. Tudo o que conseguiu foi mordiscar a ponta de seus dedos.
Ele se abaixou até ficar na altura de seus olhos e a encarou como se pudesse ver sua alma. E estava de longe assustando-a.
– São analgésicos. — explicou com uma calma forçada, a irritação escorrendo no fundo de suas palavras — Vão acabar com sua dor. Estou sendo bonzinho com você. Por que não aproveita?
Elena sentia o comprimido se desfazendo em sua língua enquanto o encarava. Podia muito bem ser alguma droga.
– Como sei que está falando a verdade?
Ele riu.
– Não sabe. — A encarou por um momento. — Pode não confiar em mim, mas confia em si mesma?
As sobrancelhas dela se uniram. O que ele queria dizer?
– Vai querer isso ou não? — girou o copo que trazia na mão em sua frente, e algo fez Elena separar os lábios.
Com um sorriso de canto, levou o vidro até a morena. Ela ergueu o rosto quando achou que tinha tido o suficiente e ele entendeu a mensagem, afastando-se um pouco.
– Viu? Não foi tão rui~
Elena cuspiu a água em sua direção e ele secou o rosto com a mão. Então ficou ali, parado, na frente dela por alguns intermináveis minutos. É isso, ela pensou. Ele iria bater nela, no mínimo, assim que sua raiva vencesse.
– Você não é muito esperta, Elena. Não acreditei que alguém tão bonita poderia ser tão estúpida quando me contaram. Mas vejo que eu estava errado... Me pergunto o quanto mais do que eu desconfiei era verdade.
Então se levantou e jogou o copo para o lado. Ela encolheu-se ao ouvir o barulho de vidro quebrando e o observou sentar sobre uma das caixas do local. Alívio fluiu em seu sangue. Talvez ele fosse legal mesmo e estava tentando ajudar. Ou talvez só não tivesse permissão para bater nela
Qualquer que fosse o motivo, ela acreditava que ia ficar bem. Por que se não precisassem dela e fossem lhe fazer mal, confiava que Damon já tinha ligado para a polícia e estava procurando por ela. Iria ficar bem, de qualquer jeito. Se repetisse isso várias vezes, talvez pudesse acreditar que fosse verdade.
Mas ficar ali parada, amarrada, era inútil. Não a ajudaria em nada. Procurou por saídas e não encontrou nenhuma. Tinha que ter alguma entrada em algum lugar.
Observou o homem sentado meio desleixado sobre a caixa de madeira. Então optou por conseguir informações.
– Ei! — seus olhos ergueram-se para ela. — Você sabe o meu nome, mas eu não sei o seu.
Ele inclinou-se para frente e sorriu de canto, perverso. — Isso porque eu precisava saber quem você era. Mas eu não sou ninguém que precise conhecer.
A morena inclinou a cabeça.
– Eu não o conheço. Não tem motivo nenhum para que você tenha me sequestrado.
– Eu cumpro ordens — disse suavemente, procurando algo nos bolsos.
– De quem? — perguntou curiosa. Matt? Jeremy? Bonnie? Ele limitou-se a sorrir. Tentou de novo, usando um caminho diferente: — Ao menos me diga seu nome. Eu mereço saber. Estou em desvantagem aqui.
Ele pensou por um momento.
– Kol — murmurou, acendendo um cigarro.
– Só Kol?
– Uhum — tentou encerrar a conversa, reclinando-se sobre algo coberto por um pano longo.
– Estão lhe pagando caro, aposto — forçou o assunto.
Kol riu, balançando a cabeça. Não negando sua pergunta, notou. Mas achando graça de alguma coisa.
– O que foi?
Não obteve resposta. Elena mexeu-se, desconfortável, nos limites que a corda permitia, ouvindo-o rir dela.
*-*
– É da Elena de quem estamos falando!! — Damon gritou jogando as mãos para cima.
Stefan levantou-se da cadeira da delegacia e tocou o ombro do irmão.
– Acalme-se
– Me acalmar? Stef, se o apartamento de Elena revirado não é motivo suficiente para iniciar uma busca então eu não sei o que é.
– Não temos evidências de que ele foi revirado
– Eu vi, Stefan!! — exaltou-se, agarrando a camiseta do mais novo.
– Mas quando a polícia foi lá o apartamento estava todo em ordem — argumentou e tentou não fazer nenhum movimento que pudesse enfurecer ainda mais o moreno em sua frente. — Acredito em você. De verdade. Mas não temos evidência nenhuma para provar isso a eles.
Damon encarou-o e soltou o tecido que segurava. Virou-se e continuou andando, às cegas, pelos corredores. Quando chegou ao banheiro, entrou sem pensar e foi direto até a bancada que continha pias, ligando a torneira e jogando água no rosto. Somente então notou o quanto sua respiração estava acelerada e instável. Estava repleto de culpa, achando que era o responsável pelo o que acontecera. Se tivesse subido com Elena quando ela insistira... Se tivesse notado antes que havia algo errado com o tempo que ela demorava para voltar Se não a tivesse levado para casa E se? Poderia ter evitado?
Sentia como se pudesse cair a qualquer momento e deixou que o mármore da pia sustentasse seu peso. Só não o faria porque Elena precisava dele. Tinha que encontrá-lá.
Seu celular começou a tocar dentro do bolso do jeans que vestia. A tela mostrava o nome de Elena e seu coração acelerou a ponto dele sentir os batimentos na parte de trás de sua cabeça. Mas quando atendeu, a voz era outra.
– Damon Salvatore, você se encontra sozinho?
Sua mão livre se fechou em punho sobre a bancada.
– Sim.
– Tem certeza? Não está com a polícia? Seja esperto, Damon. Ou quem vai pagar é a Elena.
O moreno respirou fundo, sentindo falta de oxigênio.
– Estou sozinho.
O banheiro ao seu redor parecia rodar e ele não sabia mais se estava enxergando direito. Teve medo por Elena antes. Mas agora aquele sentimento crescera e era muito para ele suportar sozinho. Estava mexendo com suas sensações físicas, inebriando seus sentidos. Havia tido treinamento para suportar situações sob pressão e não perder o raciocínio lógico em um incêndio. Mas aquilo era mais perigoso do que enfrentar o fogo. Ia além de queimaduras na pele. Poderia reduzir sua alma a pó.
Queria continuar com a mente clara nessa situação. Mas não tinha treinamento o suficiente que lhe preparasse para enfrentar as coisas por amor pensando antes de agir.
– Preste atenção: Passando os limites da cidade, há uma estrada de terra que leva para dentro da floresta após alguns quilômetros. Seguindo nela por duas horas você vai encontrar um galpão abandonado. Pode repetir essa informação para que eu saiba que entendeu?
– Além da cidade, seguir uma estrada na floresta por duas horas até achar um galpão — repetiu com os dentes cerrados.
– Dependendo do seu desespero, acho que da para chegar com metade desse tempo — a mulher ironizou. — E quero que vá sozinho. Entende que haverá consequências caso envolva alguém?
Damon fechou os olhos e encostou-se na parede. Precisava de mais apoio do que a bancada da pia podia lhe oferecer.
– Sim.
Se a mulher desligou a ligação ou se ela caiu, ele não sabia dizer. Ao tentar guardar o celular no bolso descobriu que essa ação era muito difícil de se realizar por alguém tremendo. De medo? Adrenalina? Desespero? Os três juntos?
Encarou os ladrilhos na parede oposta da qual se encontrava. Sozinho, ela dissera. Mas era capaz de enfrentar aquilo sozinho? Por outro lado, queria correr o risco de envolver quem poderia lhe ajudar. Agora que tinha a localização de Elena podia ir até ela. Não estava até agora reclamando por não saber? Bem, agora sabia. Mas ele não havia pensado no depois.
Percebeu que era porque o depois não importava tanto. Ele queria Elena segura em seus braços e não tinha importância o que ele teria que passar para isso. Então planejar era inútil. Ele iria atrás dela.
Desencostou-se da parede e saiu do banheiro, andando pelos corredores com o objetivo de chegar até a saída. Primeiro, tinha que sair da cidade.
*-*
Um cheiro forte adentrou as narinas de Elena, acordando-a. Pela segunda vez em um dia, e ela detestava a sensação. Ergueu a cabeça e constatou que ainda estava escuro ali dentro. Olhou ao redor e viu Kol sentado no chão.
– Que cheiro é esse?
Ele encarou-a parecendo surpreso. Então sua expressão relaxou.
– Se não reconhece o cheiro então vou apostar que o clorofórmio realmente afetou você.
Elena suspirou, irritada. Ele nunca poderia responder direito a uma pergunta?
– Que cheiro é esse? — tentou de novo.
Sua resposta veio em forma de um sorriso triste. Grunhiu em exasperação, lutando contra as cordas mais uma vez.
– Acalme-se, vai machucar seus pulsos
Elena congelou. Kol não havia dito nada. A voz feminina era irônica e familiar. E quando a silhueta bem desenhada se aproximou e a morena pôde ver seu rosto, ela engasgou. O sorriso de Caroline aumentou diante de sua reação.
– Não que eu me importe com eles — acrescentou cruel.
*-*
Damon estava tão frustrado que tinha dificuldades em ficar parado no banco do motorista. Suas mãos seguravam o volante com força suficiente para que as articulações ficassem brancas e ele mudasse a posição de onde segurava a direção. Seu pé livre batia no chão de forma ritmada, uma vez que ele não pretendia pisar no freio. Porém seus ouvidos já estavam escutando aquilo há tempos. Onde estava a maldita estrada de terra?
Seu celular tocou em cima do banco do passageiro, vibrando e mudando quase de modo imperceptivel de lugar. Não era Elena — ou a mulher com o telefone dela. Então ele não atendeu. Era Stefan. Provavelmente querendo saber onde ele estava e porque sumiu uma vez que o moreno havia quase se teletransportado até o carro após a ligação, sem avisar ninguém. Talvez o mais novo houvesse até posto policiais atrás do irmão desaparecido.
Não sabia se isso era bom. Se fosse verdade, ponderou as alternativas: a) algo poderia dar errado, a polícia chegaria e o ajudaria a salvar Elena. B) a polícia chegaria e algo daria errado, pondo Elena em risco já que a ordem havia sido clara: sozinho. Ele deveria ir sozinho.
Mas não confiava naquela mulher. O que ela queria? Por que fez isso? Iria manter a palavra e não machucar nenhum dos dois?
Resolveu atender a ligação de Stefan e dizer que estava bem. Mentiu que se sentira mal e fora para casa dormir. Iria resolver os problemas depois de descansar. O suspiro que soltou logo após achar a estrada de terra deu mais realismo ao seu "cansaço". Quase sorriu ao virar o carro e fazer a curva. Estava cada vez mais perto de sua morena.
*-*
Caroline cruzava os braços e parecia mais elegante que nunca em sua roupa preta. Estava incrivelmente bonita, como um anjo. Cabelos loiros, olhos vibrantes, rosto harmônico e um sorriso cativante que encantaria até o mais amargo dos homens. Mas ela também era perigosa e só agora Elena via isso. O sorriso era malicioso, e os olhos a olhavam fixamente com um misto de raiva e diversão. Quando falava, a morena não reconhecia mais a voz suave da amiga. Era profunda. Direta e determinada como um predador seria ao cercar uma presa.
– Sabe, Elena. Sentada nessa cadeira você parece muito frágil e vulnerável. Como se não soubesse o que fazer. — pousou uma unha vermelha e bem feita sobre os lábios, como se pensasse melhor. — Não. Você sempre foi assim, não é? Desde sempre. Dependente de tudo e todos em sua vida sem graça.
Assustava a morena que aquela fora a pessoa com quem dividia o apartamento.
A loira se aproximou e observou-a de perto.
– Posso quase sentir o cheiro de seu medo daqui — comentou sorrindo, inclinando o corpo para frente e fingindo respirar fundo.
Elena balançou a cabeça, ousando perguntar o que estava lhe angustiando os pensamentos — Por que, Care?
O sorriso sumiu. Caroline endireitou-se e cruzou os braços novamente.
– Porque o quê, Elena? O que você quer saber?
Ela ficou muda. Queria perguntar porque a mulher que ela chamava de amiga a trouxe naquele lugar e a amarrou em uma cadeira. Mas o tom de voz da loira a fez pensar que havia muito mais por trás de somente aquele ato. Havia mais perguntas que mereciam resposta, mas Elena não sabia quais. Care estava certa. O que ela queria saber? Não podia ser tão simples assim.
– Oh, ouço as engrenagens de seu cérebro trabalhando? Elena Gilbert está juntando as peças do quebra-cabeça? — a loira ergueu o pulso e olhou o relógio em seu braço. — Adoraria ficar aqui e ver como sua mente funciona, respondendo apenas as perguntas que você fizer para deixar que resolva sozinha as questões em sua mente. Mas eu acho que não temos tempo para tal coisa. Seu príncipe não demorará a chegar.
– Damon… — seu coração acelerou, desferindo batidas violentas contra suas costelas. Ela o havia colocado no meio de tudo isso também?
– Sim, Damon. Sabe, hoje foi a primeira vez que eu falei com ele — tirou o celular da morena do bolso e o ergueu. — Ele tem uma voz e tanto, hum? — sorriu maliciosa. — Ele é um homem muito interessante e me intriga muito que vocês não tenham terminado com aquelas fotos vindo à tona. Acho que ele tem o seu coração. Awn, não é fofo?
– As… fotos? — a morena piscou os olhos rapidamente, confusa. As fotos e as mensagens de texto… obviamente ela teria o seu número de celular.
– Foram bem convincentes, admita. Kol tem um ótimo talento para edição de imagens — gesticulou para o homem que continuava sentado no chão, parecendo alheio a conversa e concentrado em um ponto muito interessante no teto.
– Por que fez as fotos?
– Viu como você melhorou? Agora conseguiu formular uma pergunta não-vaga sobre alguma coisa. Vejamos. Porque eu queria que você ficasse arrasada mais uma vez. Há tempos eu venho tentando lhe convencer indiretamente a fazer o meu trabalho e continuar de mãos limpas, mas parece que você se recusa.
– O seu trabalho? — um arrepio lhe percorreu a coluna, mesmo que não soubesse o porquê.
– Não quer saber o que mais eu fiz? — a loira sorriu mais uma vez, parecendo se divertir ao contar nos dedos enquanto falava: — troquei suas pílulas anticoncepcionais para desequilibrar seus hormônios, na esperança de que você fodesse suas relações sociais com todo mundo e acabasse solitária e triste vendo Titanic pela trigésima vez. — fingiu chorar por um segundo. — Também lhe droguei uma vez antes de um dos seus primeiros encontros. Você confiava em mim e nunca suspeitaria que fora drogada ainda dentro de casa. O que lhe mandou para o hospital… A intenção não era ir tão longe. Ninguém deveria ter descoberto, mas você consegue estragar as coisas até quando não sabe nada.
Elena sentiu-se atordoada. Muita informação estava entrando em seu cérebro ao mesmo tempo. Era muito o que processar.
– Ah, quase esqueci: também lhe inventei uma dieta vegana. Estava esperando seu corpo sucumbisse a falta de nutrientes e você ficasse fraca para que fosse mais fácil segurar um travesseiro em sua cara. Mas aquele estúpido lhe convenceu de que você já era perfeita. Foi ali que eu comecei a querer me livrar dele.
A garganta da morena se fechou, ouvindo o monólogo de Caroline. A loira continuou falando, mas ela não ouvia. Caroline queria matá-lá desde sempre e iria o fazer esta noite caso Damon não chegasse logo. Ou talvez fosse matar aos dois. Uma dor em seu peito se espalhou pelo corpo e ela teve vontade de chorar. Caroline continuou falando e se empolgando, e como resultado: falando mais ainda. Caroline sempre seria Caroline.
– … e ainda tive que aguentar o investigador e sua parceira louca April. Klaus era um fofo, sabe? Mas eu só tava lá dentro era pra apagar as provas de que eu estive por perto quando seu restaurante pegou fogo. Na verdade, ele acredita que eu nem estava em NY. Mesmo tendo as filmagens do meu rosto eu o convenci que…~
Elena não sentia mais seu próprio cérebro pensando e também não sentiu quando abriu a boca para falar
– O restaurante? — seu mundo caiu. Era uma sensação estranha. Como se não houvesse chão ou cadeiras abaixo de si que fossem suficientes para lhe segurar de pé mas ao mesmo tempo ela não caía fisicamente porque havia uma cadeira ali. Confuso? Sim, mas era o que estava sentindo no momento. Sua mente registrou a risada irônica que ecoou pelo galpão e, parecia que, dentro de sua cabeça, iniciando uma dor que latejava em sua têmpora. Devia ter aceitado os analgésicos.
– Óbvio. Entrei na cozinha e disse que era a nova cozinheira. O que ficou complicado de manter quando a vagabunda da Bonnie entrou lá dentro. Mas deu certo. Disse que ia fazer a limpeza e deixei uma grossa camada de álcool em tudo. Então foi só deixar a saída de gás aberta e sair de la. Quando alguém ligasse um fogão ia dar início à tudo. Só que o problema foi Damon ter lhe tirado de lá. Mas na época eu não sabia que era ele... Você vive cercada de pessoas que sabem ferrar tudo mesmo estando cegos em ignorância.
– Mas… — a morena se forçou a parar de falar, sua garganta ardendo de angústia e tristeza. Engoliu em seco uma vez, tentando melhorar o desconforto. Em vão. — Por quê?
Caroline a encarou demonstrando verdadeiro ódio pela primeira vez; nenhum traço de diversão sobrando em seus olhos. Sua raiva corroeu as palavras da resposta que estava na ponta da língua e tudo o que a loira fez foi dar dois passos para frente e lhe acertar a face. Um tapa ou um soco, Elena não viu. Pela dor poderia muito bem ter sido um bastão de basebol. A dor na lateral de seu crânio se intensificou antes de parecer que estava anestesiada. Ergueu a cabeça e Kol segurava a loira que se debatia para se libertar de seus braços. Ali ela teve certeza absoluta: estava perdida.
*-*
Damon não sabia mais há quanto tempo estava dirigindo. Havia se passado muito tempo desde que ele encontrara a estrada de terra. Aquilo parecia durar para sempre e era como se aquele galpão não existisse, ou ele já o teria encontrado.
Cada minuto que ele ficava a mais sem poder ter Elena consigo mesmo sabendo onde ela estava eram horas a mais que pareciam se passar lentamente. Quase como se o universo quisesse vê-lo sofrer por tempo indeterminado.
A escuridão envolvia todos os lados para o qual ele olhasse e a única iluminação vinha das luzes do seu carro. O moreno tomou cuidado para não sair da trilha e bater em alguma coisa — como uma árvore — enquanto buscava o celular em cima do banco e apertava o número na discagem rápida. O irmão mais novo demorou a atender.
– Stefan, está em casa?
– Estou, por quê? Dormiu bem?
– Faça-me um favor: se eu não ligar de novo em uma hora, rastreie a localização do meu celular e ligue para a polícia.
– Que droga de pedido é esse? Você não está em casa?
– Lembre-se: uma hora — acrescentou e desligou o celular sem esperar para ouvir os protestos do outro Salvatore ao ver um galpão surgir em sua linha de visão.
Era agora ou nunca. Deixou o celular vibrando no estofamento de couro e desceu do carro, andando até a entrada da construção de madeira. Podia estar fazendo a maior burrice da sua vida ao entrar lá sozinho, mas precisava ter Elena consigo. Precisava entrar lá, mesmo que fosse sozinho. E valeria a pena.
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