Notas iniciais
To com preguiça, então... Espero que gostem.

O fim será rápido e imprevisível, mas o que vier depois dele será lento e doloroso.

Assim que chegamos à Terra eu caí de joelhos. Tudo estava completamente destruído, prédios aos pedaços, destroços enfeitavam as ruas, postes caídos, escolas em chamas, mas não foi nada disso que me fez cair, foi o que tinha sobre os destroços, prédios, postes, escolas: corpos. O sangue pichava o que restou do chão. Mors conseguiu o que queria, ele não precisou mover um dedo contra os deuses, não precisou matar ninguém, apenas distraí-los para não perceberem o verdadeiro plano. Destruição.

– Deuses – Mirella murmurou assustada.

– Como ele pode...? – A voz de Clivia falhava.

– Ele brincou com a gente – Atena disse serena e suave. – Ele provou que pode fazer o que quiser. E agora sei o que ele realmente quer.

– E o que é? – perguntou Poseidon.

– Desde que recuperei a memória, imaginei que Mors estivesse tentando dominar tudo e todos, mas isso deixou uma coisa clara – Atena disse. Sua voz suava calma, mas era possível notar a tristeza. – Para ele, somos apenas marionetes em um grande show.

– Eu prefiro dizer figuras de ação em minha própria brincadeira. Soa menos... infantil – disse Mors aparecendo na frente de Atena. – Gostaram do show de iniciação?

Zeus avançou contra Mors, mas o deus oriental segurou a mão dele e o fez cair de joelhos.

– Atena tinha razão. – Mors ergueu Zeus e o arremessou contra um dos prédios, destruindo-o ainda mais. – Meu plano nunca foi dominação. Destruição, mortes, sangue, videogames de graça, talvez, mas dominação, nunca.

– O que você quer? – perguntei.

– Vim falar com a gloriosa Dite – ele disse sorridente.

Mors andou até Afrodite, mas meu pai segurou o braço dele.

– Poseidon – Afrodite disse. –, está tudo bem. Deixe-o passar.

Meu pai encarou-a confuso, mas abriu passagem. Mors sorriu para Afrodite.

– Tudo bem?

Afrodite murmurou alguns palavrões em grego antigo.

– O que você quer?

– Que grosseria. – Mors apoiou-se no ombro de Afrodite. – Só queria dizer que sinto muito pelo seu filho.

– Como ousa...?

Mors interrompeu-a.

– Ainda não acabei – ele disse. Ergueu a mão direita. – Aqui estão meus pêsames.

Tudo ficou escuro e vi que eu estava na sala onde Mors torturava suas vítimas. Eros estava sentado em uma das duas cadeiras encarando o sorriso debochado de Mors.

– O que estou fazendo aqui? – murmurou Eros.

– Ah, você sabe. – Mors levantou da cadeira e apoiou-se no ombro de Eros. – Muito heroico da sua parte servir de sacrifício para os planos divinos de me matar.

– Se vai me matar, faça logo, sua voz me enjoa – murmurou Eros.

Mors girou a cadeira de Eros e encarou-o.

– Não gosto de você.

– Lide com isso – Eros murmurou.

– Pode fazer quantas piadas quiser, isso não vai salvar sua vida – Mors disse enquanto cravava uma adaga na perna de Eros, que prendeu um grito. Senti uma dor horrenda na perna e caí de joelhos. Que diabos?

– Não imaginei que fosse funcionar. – Eros tentou atacar Mors, mas suas mãos ficaram presas na cadeira. Mors gargalhou e deu uma joelhada nas partes íntimas dele. Gritei com a dor, já havia levado chutes nas partes íntimas, mas nunca de um deus.

– Eu não queria te matar agora – ele disse. – Queria te deixar preso vendo onde você e sua mãe me levaram. Mas, você sabe como é, regras são regras, então vou apenas te matar.

– E a parte do seja rápido? – murmurou Eros.

– E acabar com a diversão? – Mors ergueu Eros da cadeira e o arremessou contra a parede. – Eu acho que não.

Eros levantou e avançou contra Mors, que ergueu a mão e fez com que o filho de Afrodite caísse de joelhos. Senti minha cabeça latejar, era a dor mais horrenda que já havia sentido. Gritei cada vez mais alto, enquanto Eros apenas encarava Mors irritado.

– O que temos aqui? Um lutador? – Mors gargalhou. Sua risada percorreu toda a sala escura, ecoando nas paredes e parando no centro. Ele segurou Eros pelo pescoço e suas unhas perfuraram o pescoço do deus. Gritei mais uma vez, coloquei as mãos sobre o pescoço, tentando tapar o ferimento, mas ele não existia, apenas doía, e muito. – São os meus favoritos.

O líquido dourado descia pelo pescoço de Eros. Mors retirou a mão e Eros caiu no chão.

– Patético – Mors sorriu e chutou a barriga de Eros, que bateu contra a parede e ficou imóvel. Minha barriga doía mais do que nunca. Mors ergueu Eros pela camisa e o encostou na parede.

– Você ainda lembra do sorriso dela? – Eros sorriu. – Eu lembro.

Mors deu um soco no rosto de Eros e eu gritei de dor mais uma vez.

– E aqueles lábios – Eros lambeu os lábios e sorriu novamente. – Ela sabia deixar um homem louco.

Mors deu outro soco no rosto de Eros. A dor estava começando a me fazer cair no chão novamente.

– Não fale dela.

– Você pode me bater quantas vezes quiser – Eros murmurou. – Isso não vai salvar a sua vida.

Mors deu outro soco e foi o bastante para eu desabar. Não enxergava mais nada, mas ainda podia ouvir a conversa.

– Ela era boa na cama também – Eros disse. – Boa? O que estou dizendo? Era divina!

A dor do soco voltou ao meu rosto. Maldito Eros, cale a boca!

– Embora você não tenha conferido.

– Pelo menos, Eros, eu não precisei usar magia para que ela me amasse.

A dor ficou ainda maior. Agonizante.

– Ela gostava das minhas magi...

A voz de Eros calou-se. Por um momento, achei que tivesse acabado, então a maior dor da minha vida chegou. Era como se alguém picasse meu coração em mil pedaços e depois jogasse os restos em uma trituradora. Gritei até não poder mais.

– Você não falará mais dela – disse Mors. – Nunca mais.

Senti algo cruzar minha garganta. Vi o líquido dourado respingar na minha frente. Agonizei de dor e tentei gritar de novo, mas meu grito falhou, ao em vez dele, saiu apenas um gemido horrível.

– Por você, Mary.

Quando acordei, eu estava deitado na cama de meu pai, Mirella estava ao meu lado, com as mãos entrelaçadas nas minhas. Ela dormia calma. Eu estava prestes a me levantar, mas a mão de Poseidon impediu-me.

– Vai acorda-la – ele sussurrou.

– Pai? – murmurei.

– Está tudo bem – ele disse. – Mors já foi embora. Voltamos para Atlântida.

– No meu sonho, ou seja lá o que foi aquilo – murmurei. – Mors mencionou uma tal de Mary. Ele e Eros discutiram por causa de alguma garota.

Poseidon assentiu lentamente.

– Certo – ele sussurrou. – Vou contar toda a história.

Notas finais
Mary