Blue Hell - 3ª Temporada.
4 Feliz Natal - Especial parte 1
Notas iniciais
O maior dos presentes que eu poderia pedir é você.
– Afrodite, por tudo que é sagrado, tem coisas mais importantes que uma festa de Natal, no momento – reclamou Atena.
– Desculpa, eu discordo – interveio Apolo.
– É, nossas festas são incríveis, as de Natal principalmente – Dionísio entrou na conversa.
É incrível como, mesmo no meio de um apocalipse, Dionísio, Apolo e Dite, só pensam em uma incrível festa de Natal.
– Atena – disse Poseidon. –, talvez uma festa seja o que precisamos.
– Eu acho que o que precisamos é jogar Mors no Tártaro – murmurou Zeus. – Mas, se não concordam comigo, tudo bem, vamos dar uma festa.
– Ora, irmão, pedirei para minha cozinheira fazer sua sobremesa favorita – Poseidon disse, sorridente. Zeus encarou-o irritado. – Cupcake.
– Para o Tártaro, Poseidon – murmurou Zeus.
– Desculpe-me, irmão, mas não acho que uma partida de Xadrez com Cronos seja a solução para os nossos problemas – Poseidon respondeu.
– Vocês vão continuar com a infantilidade, ou irão se arrumar para a ceia? – perguntou Afrodite, séria. Acho que ela não gosta de brincadeiras quando se trata de festas natalinas.
– É para já. – Poseidon desapareceu e logo em seguida Zeus e os outros deuses, deixando apenas eu e Afrodite na sala.
– Não tente me matar, por favor – pedi.
– Não pretendo te matar hoje. É natal – ela disse. Sentou-se e pegou a prancheta de organização afrodisíaca para festas incríveis de natal.
– Jura?
– Não – ela disse. Não notei a brincadeira em sua voz, talvez não fosse. – A noite é uma criança. Quer alguma coisa?
– Conversar? – eu disse. Afrodite me encarou. – Você sabe, sem ameaças.
Afrodite colocou a prancheta sobre a mesa e levantou.
– Tudo bem, vamos conversar – ela disse de forma ameaçadora. Dei um passo para trás. – Por que você a beijou?
Dei outro passo para trás. A voz de Dite começou a me assustar.
– Não precisa ser tão direta – murmurei baixinho.
– Responda a pergunta. Estamos conversando. – Ela deu dois passos para frente, e fiquei paralisado no lugar.
– Eu não sei – murmurei. – Nem lembro direito o que aconteceu. Só sei que ela estava parada lá e eu... a beijei.
Afrodite me encarou, furiosa.
– Estou começando a pensar em te matar hoje – ela disse.
– Okay. Calma. Eu não sei por que a beijei, foi como ser...
– Possuído? – Afrodite deu um passo atrás.
– Exatamente – assenti.
Afrodite murmurou alguns palavrões em grego.
– Nos encontramos na festa. Vista-se bem. – Ela desapareceu.
Depois que me arrumei, fui até o quarto de Atena. Bati na porta e meu pai abriu. Meu queixo ultrapassou todos os limites conhecido por homens, deuses, titãs, monstros, tudo.
– Algum problema? – perguntou ele.
– Não, apenas... preciso falar com alguém extremamente inteligente – respondi.
– Entendo. – Poseidon desapareceu.
Bati na porta de Atena e a deusa apareceu na minha frente, com um sorriso bobo estampado no rosto corado.
– Algum problema? – ela perguntou.
– Eu precisava de ajuda, mas... volto depois – eu disse. Virei, mas Atena me segurou.
– Tudo bem. Entre.
Entrei, seguido por Atena, na maior biblioteca caseira do mundo. Sentei no sofá marrom localizado no centro das pilhas imensas de livros.
– Eu ia começar a ler o novo livro do Riordan, mas seu pai chegou bem na hora – ela sorriu. Apontou o livro sobre a mesa marrom no canto da sala.
– Vocês são amigos agora? – perguntei. Embora a palavra amigos não parecesse adequada aos dois, mas acho que dizer: amantes loucamente apaixonados, fosse causar uma fúria desnecessária em minha provável futura madrasta.
Atena deu de ombros.
– Eu passei a maior parte da minha vida odiando e brigando com Poseidon – ela disse, calma e serena. – Não imagino que seja fácil, para nenhum de nós dois, construir uma relação de amizade que envolva qualquer espécie de carinho ou afetou.
– Sério? Não foi o que me pareceu quando Poseidon disse que ele e a senhora me trariam muitos irmãos – eu disse.
Atena corou, mas se manteve firme.
– Poseidon estava provocando meu pai, nada além disso – ela disse. – Embora...
– Embora?
– Nada – ela sorriu. – Apenas uma ideia que acabou de passar pela minha cabeça. Preciso me arrumar, nos encontramos na festa?
Assenti e saí do quarto. Encostei-me à parede e coloquei a mão na cabeça.
– Feliz natal – disse Beatriz. Ela me abraçou. – Não é um natal feliz.
– Se Afrodite ouvir você dizendo isso, vai prendê-la em um perfume gigante – brinquei. Minha irmã deu uma risadinha e socou meu braço. – Mas, cá entre nós, não é um natal feliz.
Ela assentiu com a cabeça e sentamos no chão.
– Eu não acredito que a mamãe não está aqui – ela disse. Deitou sobre meu ombro e segurou minha mão. – Ela sempre preparava as festas, a ceia, tudo. Lembra quando nos esquecemos de comprar o peru?
– Se eu lembro? – sorri. – Ela quase arrancou nossas cabeças.
– E quando você quebrou a árvore de natal?
– Foi você – eu murmurei.
– É, mas a mamãe acha que foi você – ela sorriu. Não aguentei, sorri com ela, mas no segundo seguinte, minha irmã enterrou o rosto no meu ombro e chorou. – Não acredito que ela se foi.
– Não acredito que deixei que ela se fosse – murmurei. Foi só então que um sentimento que eu vinha reprimindo desde a morte da minha mãe me alcançou, eu sempre tentei imaginar que era culpa da Medusa, mas não. Se eu fosse mais forte, se eu pudesse lutar, se eu não fosse um completo idiota, é sempre esse maldito se.
– Não foi culpa sua – minha irmã sussurrou. – Você deu seu máximo e a mamãe teria se orgulhado disso. Ela nunca esperou que pudéssemos fazer tudo, apenas que fizéssemos tudo o que podíamos.
– Quando foi que você cresceu tanto? – sorri.
– Promete não ficar triste? – ela perguntou. Assenti sorridente. – Ótimo. Vamos para a festa.
Levantamos e nos ajeitamos. Sorri para Bia e ela sorriu de volta. Descemos as escadas e fomos até o salão principal do palácio de Poseidon, onde a decoração natalina reinava mais que meu pai. Um Papai Noel gigante dançava no palco, o maior pinheiro que eu já vi em toda a minha vida, brilhava enfeitada por milhares de bolas vermelhas e brancas, com piscas-piscas espalhados por toda ela, e no topo, uma placa escrito: Para Thalia, com amor, Chalé de Hermes.
– Bem-vindos a festa de natal – disse Afrodite de cima do palco principal. – Divirtam-se!
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