Blue Hell - 3ª Temporada.
5 Festa de Natal! Especial de Natal atrasado Parte 2 - final
Notas iniciais
Após a longa e árdua noite, um ainda mais longo e belo dia o aguarda.
Eu estava sentado, bebendo uma taça de vinho. Todos dançavam, exceto Clivia e Nick, que estavam isolados tomando uma bebida especial que Afrodite tinha preparado para os casais da noite.
– Tudo bem? – perguntou Afrodite. Olhei-a. Uau!, estava linda, como de costume. Seus cabelos dourados escorriam até seu abdômen, por cima do longo vestido rosa claro. Seus olhos azuis brilhavam mais que a Ferrari vermelha de Apolo.
– Podia estar melhor – respondi sem entusiasmo. – Você está linda!
– Tem certeza? – ela disse. Sentou na cadeira ao meu lado. – Você não parece ter.
– Desculpe – eu disse. – Você é uma ótima organizadora de festas, mas não estou no clima natalino adequado.
– Eu deveria puni-lo por não estar se divertindo – ela disse. Sorriu. – Mas é natal, então você deu sorte. Que tal uma bebida?
Afrodite estalou os dedos e duas taças de vinho aparecerão. Peguei uma dela e brindei com Afrodite.
– Ao amor – ela sorriu.
– Não é justo brindar a si própria – protestei.
– Então, quer saber o que descobri agora? – ela perguntou sorridente.
– Seja o que for, fez você falar comigo, então sim – respondi.
– Quando você disse que estava sendo controlado – ela começou. – Passou pela minha mente uma coisa: talvez você estivesse mesmo sendo controlado. Então eu fiz uma rápida investigação, ou seja, falei com Atena, e descobri que, provavelmente, você estava mesmo sendo controlado. Eu me perguntei: por quem?, depois de alguns minutos, eu lembrei que um dos poderes de Mors era controlar pessoas, mortais. Cheguei a essa conclusão: Mors te controlou para beijar Mirella, assim eu ficaria abalada e seria fácil me destruir.
– Então... estou perdoado? – perguntei, confuso.
Afrodite levantou e esticou a mão.
– Depende – ela disse. –, se você dançar bem, eu te perdoou.
– Pronta para a melhor dança da sua imortalidade? – sorri e segurei a mão dela. Girei-a. – Vou mostra-la como se dança um verdadeiro herói.
– Um verdadeiro herói? – Afrodite sorriu e aproximou seu corpo do meu. – Veio algum nessa festa?
Sorri e levei Afrodite até a pista de dança. Ela olhou para Apolo e a música ficou lenta. Acompanhamos o som lentamente, como de se esperar, Afrodite dançava espetacularmente bem. Embora o vinho estivesse mexendo um pouco com minha mente, eu conseguia acompanha-la.
– Então – Afrodite disse. –, o que pediu de natal?
– Nada – murmurei. Afrodite me olhou, sugestiva. – Não imagino que o Papai Noel possa mudar o passado, nem evitar o futuro.
Afrodite sorriu.
– Profundo. – Continuamos dançando, a música soava lenta, a harpa tocava melodiosa.
– E você, o que pediu?
– Você ficaria surpreso – ela sussurrou. Encarei-a sugestivamente. – Acho que o Papai Noel pode sim mudar o passado.
– Estou cada vez mais curioso.
– Quando se está sozinha, em seu quarto, lembrando-se de tudo o que viveu, você pensa nos amores que já teve – ela sussurrou. – A gente... pede coisas. Como, por exemplo, pedir que seu namorado não tenha te traído.
– Talvez o velho barbudo que adora vermelho exista – sorri. – Dite, sinto muito.
– Você não teve culpa.
– Não por isso. – Girei Afrodite. – Sinto por Eros. Sinto por ter perdido tanto tempo. Sinto por ter sido idiota o bastante para não notar o que Mors fez comigo. Sinto muito por...
– Deuses, quantos sinto muito ainda tem? – ela perguntou.
– Na verdade, eu to sem ideias – sorri.
– Cala a boca, chega de sinto muito – Afrodite disse. Aproximou-se um pouco mais e inclinou-se para beijar-me.
Nossos lábios estavam prestes a se tocar quando fomos interrompidos por um grito. Olhei assustado para o lado e vi uma espada negra cruzando a garganta de um dos convidados. Segurando-a estava o... Papai Noel?
– Não acredito que não me convidaram para a festa – disse o Papai Noel. Assim que abriu a boca reconheci a voz: Mors. Tinha que ser. Ele soltou o saco enorme e vermelho no chão e sorriu. – Eu trouxe presentes.
Do saco milhares de monstros e guerreiros saíram. Todos armados e vestindo armaduras. Dois ou três eram campistas e estavam sem armaduras. Arqueiros se posicionaram e prepararam flechas. Os monstros rugiam e se preparavam para uma carnificina.
– Todos! Preparem-se! – gritou Zeus.
– Não ousem – a voz de Poseidon abafou todos os gritos de terror. Ele não precisava gritar, sua voz vagava tranquilamente e sem qualquer esforço. Todos encararam Poseidon, o exército de Mors permaneceu imóvel. Meu pai caminhou lentamente até meu irmão. – Como ousa quebrar sua promessa?
– Minha promessa foi de não atacar seu palácio – ele disse calmo. – Nunca mencionei sua festa de natal.
– É isso o que quer? – disse Poseidon. Ele ergueu a mão e a água que cercava o palácio caiu com pressão sobre o palácio, que permaneceu intacto. Segundos depois, a água voltou ao seu lugar e todos os monstros foram varridos completamente.
Mors estava sozinho. Cercado por centenas de convidados prontos para arrancar a cabeça dele.
– Impressionante – Mors sorriu. – O senhor não perdeu a forma, papai.
– Você não perdeu a insolência, filhinho.
Mors girou a espada e avançou contra Poseidon. O tridente de meu pai rebateu o golpe, Mors abaixou a guarda e Poseidon cravou o tridente no pescoço de meu irmão.
– Surpreendente. – Mors despareceu. Voltou atrás de Poseidon, atacou com a espada, mas meu pai conseguiu defender o golpe com a espada. – Pena que você errou. – Ele sorriu e desapareceu mais uma vez. A lâmina negra de Mors apareceu em cima da cabeça de Poseidon. A espada estava prestes a atingi-lo, quando meu pai desapareceu e apareceu atrás da espada, agarrando algo invisível. A espada caiu no chão e Mors apareceu sendo segurado por Poseidon. – Você melhorou.
– Sinto não poder dizer o mesmo. – Poseidon girou o corpo e arremessou Mors contra o chão. Uma cratera enorme se abriu e meu irmão ficou caído no chão. – Sempre os mesmos truques.
Meu pai flutuou até Mors e o segurou pela gola da camisa. Meu irmão sorriu. Poseidon segurou a espada negra de Mors, pronto para crava-la nele.
– Faça seu movimento – Mors sorriu. – Você pode me matar. É só cravar a espada.
– Sei o que fazer – Poseidon disse.
A lâmina negra aproximava-se de Mors. Não sei explicar o que aconteceu depois disso. Quando dei por mim, estava entre Mors e Poseidon, com uma lâmina negra atravessando minha barriga. Maldito!
– Caio! – Afrodite me puxou para longe e Mors desapareceu. Apaguei.
Acordei deitado na cama de Poseidon. Apolo me encarava, Afrodite chorava ao meu lado, segurando minha mão.
– Eu estou bem? – perguntei.
– Não por muito tempo – Apolo respondeu. Sua voz soava triste e lenta. – Eu consegui atrasar os efeitos, mas você deve ter, no máximo, uma semana até começar a sentir os sintomas.
– Sintomas?
– A lâmina de Mors é amaldiçoada – interveio Afrodite. Ela deitou em cima de mim. – Apolo conseguiu impedir que você morresse, mas não pode evitar a maldição. Você vai ficar doente e, em uma semana, estará morrendo.
– Eu sinto muito – murmurou Apolo.
Afrodite levantou e segurou a mão dele.
– Tem certeza que não pode fazer nada? – ela parecia desesperada.
– Sinto muito, Dite – sussurrou Apolo. – É o destino dele.
– Não! – ela berrou. Segurei seu braço. Dite me encarou tristonha.
– Está tudo bem – sussurrei. – Não nasci para ser imortal. Obrigado por tentar, Apolo.
O deus abaixou a cabeça e saiu do quarto.
– Eu... – Dite tentou dizer.
– Pode chamar Atena? – perguntei. Ela me olhou sugestiva. – Estou morrendo. Ela precisa saber.
– Não vou deixar que morra – Dite sussurrou.
– Sim, você vai – eu disse. Beijei-a e sorri. – É o meu destino.
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