Blue Hell - 3ª Temporada.

7 A Criança de Mors.


Notas iniciais
Espero que gostem *-*

Quando o mundo te der as costas, eu estarei lá.

A chegada de Jack foi muito conturbada. As coisas só se acalmaram quando Poseidon explicou a história toda: Jack, o filho de Mors, nunca se deu muito bem com pai, por isso, ele procurou Poseidon oferecendo ajuda. Graças ao acordo de Mors com o Estige, Jack nasceu com o poder de retirar a imortalidade dos deuses, ou seja, ele era a própria arma de Mors, algo assim.

Após a explicação de Poseidon, decidiram que eu e Jack ficaríamos no mesmo quarto. Atena disse que ajudaria a trabalhar o trabalho em grupo, já que provavelmente teríamos que lutar juntos no final de tudo. Obviamente, concordei sem reclamar. Fomos para o quarto e ele arrumou as coisas na cama que meu pai magicamente tinha conjurado lá.

– Obrigado por me deixar ficar aqui – disse ele. Pegou um travesseiro do Bob Esponja da mala e colocou na cama. Encarei-o confuso. – É uma longa história.

– É claro que é. – Sorri. Sentei na minha cama e observei-o. – Sem querer ofender, seu pai é um idiota.

Jack deu de ombros.

– Ele teve uma infância complicada. – Sorriu. Terminou de arrumar as coisas e se jogou na cama. – Embora ele mereça uma morte lenta e dolorosa, se eu tivesse escolha, deixaria outra pessoa mata-lo.

– Claro – eu disse. Era compreensível. Tudo bem, Mors é um grande idiota, destruiu o mundo em minutos e matou muita gente, entretanto, era o pai dele. – Então... sobre o travesseiro.

– Era da minha irmã mais nova – ele disse. Segurou o travesseiro. – Antes de, você sabe, meu pai matar todo mundo.

– Eu... sinto muito.

– Não sinta. – Ele deu de ombros. – Ela é o motivo desta guerra ser importante para mim. Sou o único que pode matar Mors e fazê-lo pagar pelo que fez.

– Sombrio. – Sorri. Jack sorriu junto comigo. – Você parece divertido. Não do jeito assassino do seu pai.

– Você gosta mesmo dessa palavra com p – ele disse. Bocejou e deitou. – Se importa se eu dormir um pouco?

– À vontade.

– Ah, cara – ele disse sonolento. – Tudo bem se quiser trazer sua namorada. Eu tenho sono pesado.

Tive que prender a risada. Segundos depois ouvi o ronco suave de Jack. Levantei da cama e saí do quarto, deixando-o descansar em paz. Precisava de um pouco de ar, foi um dia muito complicado. Subi até o telhado do palácio e então lembrei que estávamos no fundo do mar e a ironia de sair do palácio para pegar um ar pareceu hilária.

Sentei na extremidade do telhado. Apesar de estar no fundo do mar, era como se eu estivesse sentado no topo de uma montanha. Eu olhava para a cidade perdida e poucas criaturas estavam nas ruas, enquanto outras se escondiam em suas casas, provavelmente, apavoradas pela ameaça que Mors representava. Ao olhar para o céu, eu ainda podia ver o céu estrelado e a lua brilhando, tem sido assim desde a destruição humana, é como se os deuses não soubessem que ninguém mais respira para elogiar a beleza das estrelas, ou para ver o pôr-do-sol com a namorada, pois os únicos que sobreviveram, estavam ocupados lutando em uma guerra sem sentido motivada por um monstro sem coração que, infelizmente, é poderoso o suficiente para causar a morte de 99% da população terráquea, restando apenas pequenos grupos que tentavam sobreviver como podiam no meio do estado apocalíptico em que se encontrava a Terra.

– Eu posso não notar quando um amigo leva a namorada para o quarto. Mas eu noto quando um desconhecido sai dele e vai para o telhado chorar. – A voz de Jack me arrancou dos meus pensamentos. – Se importa se eu me sentar?

– Respira em baixo d’água? – perguntei.

– Sou neto do deus dos mares – ele sorriu. – É claro que eu respiro de baixo d’água.

– É claro. – Sorri. – Eu tinha me esquecido desse detalhe. Então, você não ia dormir?

– Me lembrar da minha irmã tirou o meu sono.

– Desculpa – pedi. Ele deu de ombros e sentou ao meu lado.

Jack me entregou uma das taças do meu pai, encantadas para sustentar o líquido e não se misturar com a água. Estava cheia de Coca-Cola.

– Não sou bom em fazer amigos – ele disse. Bebeu um gole da coca dele e eu da minha. – Dizem que é um defeito. Às vezes, eu acredito.

– Não acho que seja tão ruim. – Sorri. Bebi mais um gole. – Começou bem trazendo o refrigerante.

– Eu ia trazer vinho, mas imaginei que não deveríamos beber na véspera de uma luta importante – ele disse.

– Luta importante?

– Atena não contou? – ele perguntou. Fiz que não com a cabeça. – Estranho. Enfim, vamos invadir o palácio de Mors. Tentar encontrar sua irmã. Amanhã.

– Espero que ela esteja lá – sussurrei. Era difícil me lembrar de Carol e de como fomos facilmente enganados pelos truques de Mary. – Realmente espero.

– Eu também. – Ele sorriu para mim. – Não a conheço, mas arriscar minha vida em vão não está na minha lista de coisas que adoro fazer nos fins de semana.

Sorri. Jack bocejou e coçou os olhos.

– Eu vou...

– Boa noite – eu disse.

Ele levantou e saiu do telhado. Voltei a encarar as estrelas, quando o perfume de Afrodite tomou conta do telhado.

– Vejo que se tornou amigo do filho de Mors – ela disse. Sentou-se ao meu lado e segurou minha mão.

– Ele é divertido. – Dei de ombros e virei-me para ela. Beijei-a lentamente. Enquanto nossos lábios se separavam, sussurrei. – Sentirei sua falta no submundo.

Afrodite sorriu. Envolvi-a em meus braços.

– Não deixarei que escape tão facilmente – ela sussurrou em retorno.

– Eu nunca escaparei. – Beijei-a novamente. Coloquei a mão sobre seu peito esquerdo. – Sempre estarei aqui.

Afrodite colocou as duas mãos sobre as minhas.

– Se um dia resolver voltar – ela sussurrou. – Eu estarei esperando.

– Não espere demais – eu disse. – Viva.

– Qualquer chance do Jack não estar no quarto essa noite? – Afrodite perguntou.

Beijei-a novamente.

– Hoje não. – Sorri. – Ainda não.

– Nem sabemos quanto tempo de vida você tem – ela murmurou.

– O suficiente.

Afrodite colocou a cabeça em meu ombro e sussurrou.

– Eu te amo.

– Eu te amo mais.

Beijamo-nos e ficamos por ali, no telhado, pelo resto da noite. A cabeça de Afrodite encaixava-se perfeitamente em meu ombro, nossas mãos seguravam-se e brincávamos com os dedos. Deitamos e assim ficamos até amanhecer.

Notas finais
Então, o que acharam do Jack? Gostaram? Comentem! ^.^