Bloodshot Eyes

5 Welcome to the new age


Notas iniciais
Olás, voltei! Gostaria de agradecer a todo mundo que está acompanhando a história. Espero que gostem desse capítulo!

I don't know when I misplaced my own perspective

(Não sei quando eu extraviei minha própria perspectiva)

So now I gotta take back what was mine

(Então agora tenho que retomar o que era meu)

Repercussions — Bea Miller

Oliver Queen

O lugar escolhido para a reunião foi o porão da Verdant, a boate que eu havia aberto antes do acidente com o Queen’s Gambit e que Thea agora tomava conta. Eu havia construído a boate em um galpão da Queen Consolidated no Glades, um dos muitos galpões que estavam abandonados pela cidade.

Estávamos sentados à mesa redonda que ali havia. Thea estava presente, pois queria deixá-la a parte da situação. Além dela, estavam ali Tommy, meu braço direito na Bratva e melhor amigo, a quem eu tinha pedido para organizar a reunião e a família Lance.

Os Lance eram uma das muitas famílias não-russas associadas. O pai Quentin era capitão da polícia de Star City, a filha mais velha Laurel era promotora e Sara, a caçula, era a única diretamente ligada à Bratva, ela era um de nossos melhores soldados.

A relação de confiança com os Lance era tão antiga quanto a com os Merlyn. Foi passada de geração para geração. Tommy, Laurel, Sara e eu havíamos crescido juntos. Fomos criados sabendo que um dia ocuparíamos as posições de nossos pais e só poderíamos contar verdadeiramente uns com os outros.

— Soube que vai se casar, Merlyn. — Sara disse para Tommy que rolou os olhos.

— O que eu não faço por esta família, não é mesmo? — Tommy estava insatisfeito com a situação e eu não o julgava.

— Quem é a noiva? — Laurel indagou interessada.

— Helena Bertinelli — respondi por ele. — Filha de Frank Bertinelli dos Camorra.

— Uau, uma noiva importada. — Thea riu com desgosto. — Imagino o quanto ela deve estar feliz com isso.

— Não temos espaço para felicidade neste mundo, Thea. — Tommy demonstrou seu desgosto diante da situação. — Quanto antes você entender isso melhor.

— Minha mãe me diz isso com frequência, Tommy — Thea relatou sem emoção. — Você não está trazendo uma novidade.

— De qualquer forma, devemos que olhar o lado positivo — Quentin sugeriu.

— E qual seria? — Tommy rebateu sarcástico. — Eu estou realmente ansioso pela resposta.

— Um acordo permanente com os Camorra neste momento melhora e muito nossa imagem fora do país — o homem explicou.

— E, convenhamos, Helena Bertinelli é uma mulher muito bonita. — Sara tinha um sorriso libertino nos lábios. — Eu me casaria com ela sem qualquer problema.

— Quer para você? — Tommy ofereceu.

— Eu não faço o tipo dela, Merlyn — Sara retrucou fingindo desapontamento.

— Como se as mulheres da máfia pudessem se dar ao luxo de “ter um tipo” — Thea apontou de forma pesarosa. — Como se nós pudéssemos nos dar ao luxo de tomar qualquer decisão a respeito de nossas próprias vidas.

— O que aconteceu com você, Thea? — Laurel fitou minha irmã com um olhar preocupado.

— Minha mãe quer me casar com Ivo Gorkov. — O pesar de minha irmã era quase palpável.

— Não precisa se preocupar com isso, essa questão já foi resolvida — contei simplesmente.

— Como?! — Thea me encarou chocada.

— Dei a Moira Queen o que ela queria: a aliança com os Nevsky — afirmei contrariado. — Vou me casar com a irmã do Gorkov.

— Isso é sério? — Laurel perguntou abismada. — Você sabe que eles não são de confiança, não sabe?

— Você não pode ir para cama o inimigo! — Sara disse exasperada.

— Principalmente no sentido literal — Tommy completou.

— Eu sei disso — falei irritado. — Por isso chamei vocês aqui. Minha mãe quer a aliança com os Nevsky porque eles têm poder de fogo. Se conseguíssemos nos unir a alguém de confiança com o mesmo valor deles, não precisaria me casar.

— Se quebrar um compromisso com os Nevsky vai estar dando início a uma guerra, sabe disso, não sabe? — Quentin me olhava como se eu fosse louco.

— Não se tivermos alguém que eles temem do nosso lado. — Sara parecia analisar a situação.

— Quem eles temem? — Thea indagou.

— Ra’s al Ghul e a Liga dos Assassinos.

— Você acha mesmo que conseguiríamos uma aliança com a Liga? — Laurel estudava a irmã com atenção.

— Essa aliança teria um preço, é óbvio — Tommy alegou. — Mas entre a Liga e os Nevsky, eu sou mais a Liga.

— Sara, você acha que consegue se aproximar de Ra’s o suficiente para fazer uma proposta? — questionei minha amiga.

— Qual proposta? — Sara me olhou tentando decifrar meus pensamentos.

— A Liga, assim como todas as organizações criminosas, não aceitam mulheres no comando — relatei vendo Thea rolar os olhos. — Ra’s tem duas filhas: Talia e Nyssa. Diga a ele que eu me casarei com uma delas em troca de seu apoio.

— Você tem certeza disso? — Laurel averiguou-me.

— Não. — Soltei o ar pesadamente. — Mas é a nossa melhor aposta.

— Certo — Sara suspirou. — Pegarei um avião rumo à Nanda Parbat o quanto antes.

— Seja discreta — alertei. — Ninguém de fora desta sala deve suspeitar de nada. Principalmente minha mãe e os Nevsky.

— Eu sempre sou discreta, Oliver.

— E é por isso que estou lhe mandando nesta missão — declarei seguro de minhas palavras.

Sara acenou positivamente com a cabeça e saiu em direção à porta. Sabia que ela tinha coisas a resolver, a viagem até Nanda Parbat era longa e arriscada. Mas ela era a pessoa ideal para aquela tarefa. Se havia alguém que poderia entrar e sair daquele lugar, este alguém era Sara.

Encarei as quatro pessoas restantes na sala. Tinha tarefas específicas para eles.

— Laurel, preciso que descubra todos os contatos e aliança dos Nevsky em Star City — ordenei. — Se o acordo com Ra’s funcionar e entrarmos em guerra eu quero garantir que eles não possuam nada nessa cidade.

— Pode deixar, Oliver. — Laurel assentiu determinada. — Star City sempre pertenceu aos Queen. E irá continuar deste modo.

— Assim espero — respondi de forma dura. — Eu confio em você, Laurel, mas não posso dizer o mesmo dos criminosos de Star City. O que nos leva a Quentin e sua missão.

— E qual é a minha missão?

— Antes de morrer meu pai disse que suspeitava da lealdade de alguns dos nossos — revelei me lembrando da conversa que eu e meu pai estávamos tendo antes de embarcar no Queen’s Gambit. — Eu tenho certeza de que ele compartilhou essa informação com o pai de Tommy e que por isso o mataram. Quero que volte a analisar os passos de Malcolm na semana do seu assassinato, veja se não deixamos nada passar.

— Tem certeza de que não quer que eu faça isso? — Tommy questionou.

Eu sabia que ele ainda queria vingança pela morte do pai, mas no momento mantê-lo afastado daquele assunto era a escolha mais inteligente.

— Tenho — afirmei. — Existe outra situação que precisa da sua atenção.

Tommy assentiu em silêncio.

— Verei o que posso descobrir — Quentin garantiu. — Mantenho vocês informados sobre quaisquer novidades.

Os Lance saíram do porão me deixando a sós com Tommy e Thea, que parecia completamente alheia a tudo o que estava acontecendo.

— No que está pensando? — Encarei minha irmã.

— Se papai nos visse agora, provavelmente morreria de novo — ela respondeu com amargura. — A última coisa que ele queria era que tivéssemos envolvidos nessa merda.

— Não, Thea. A última coisa que ele queria era que você estivesse envolvida nisso.

— Bem, como podemos notar isso não funcionou. — Ela retrucou.

— O que quer que eu faça?

— Quero que me ensine a lutar — ela respondeu. — Se essa é a nossa vida agora eu pretendo vivê-la do jeito certo. Não serei a moeda de troca de Moira Queen, Oliver.

— Tudo bem, fale com Roy. — Eu sabia que o melhor era concordar com ela. — Peça que ele lhe ensine.

Roy Harper era um de nossos soldados mais novos, mas era sem dúvidas um dos mais habilidosos. Ele tinha a mesma idade de Thea, a diferença era que ele cresceu no Glades o bairro mais perigoso da cidade, e se envolveu nessa vida muito cedo.

Quando eu o conheci ele tinha 12 anos e havia tentado roubar a minha carteira. Alguns dos homens de meu pai queriam matá-lo, mas eu não permiti. Eu sabia que ele tinha potencial, tanto que eu mesmo o treinei. Quando sofri o acidente, Tommy acabou ficando responsável por ele e sabendo que ele era de confiança o colocou para tomar conta de Thea.

Meu pai costumava dizer que os Queen eram a única família da Bratva a ter uma família dentro da família. Enquanto ele comandava homens como Malcolm Merlyn e Quentin Lance. Eu tinha influência direta sobre as ações de seus filhos, bem como sua lealdade. Com Roy não era diferente, afinal ele era um soldado do meu exército particular. Reportava-se somente a mim, assim como Tommy, Laurel e Sara.

Para o meu pai aquilo era perigoso, afinal em que outra família um soldado se reportava diretamente ao filho e não pai? Mas nós sabíamos que essa era a vantagem dos Queen, afinal se alguém tentasse derrubar a família através de meu pai seria rapidamente liquidado por mim e meus aliados.

— Por quê não Rene? — ela questionou. — Foi ele quem treinou os homens de papai.

— Porque eu vejo o modo como Roy olha para você, Thea. — Roy possuía sentimentos por Thea e aquilo em qualquer outra ocasião poderia ser deixado de lado, mas no momento era perigoso. — Nenhum dos meus homens teria mais interesse em garantir que você seja capaz de se defender que ele.

Thea não me respondeu. Apenas subiu as escadas em direção a boate, onde Roy de alguma forma acabou trabalhando como barman.

— Sentimentos são perigosos, Oliver. — Tommy comentou assim que Thea se afastou completamente. — Tanto para o bem, quanto para o mal.

— Sei disso, Tommy — garanti.

— Então, vai me dizer qual a situação que exige a minha atenção?

— Seu casamento — declarei.

— Já não está tudo resolvido? — As palavras de Tommy junto a sua expressão demonstrava confusão diante da minha resposta.

— Não exatamente — revelei. — Precisamos que seja o melhor noivo que os italianos já viram.

— Por quê? — Ele pareceu surpreso com meu pedido.

— Porque, como você mesmo disse, sentimentos são perigosos.

— Ainda não entendi.

— Helena Bertinelli cresceu sendo menosprezada pelo pai — relatei, mesmo sabendo que ele certamente tinha noção do fato. — Ela precisa se sentir acolhida aqui, mais do que qualquer outra mulher estrangeira que se casou com um Bratva.

— Por quê?

— Porque quando a hora do velho Frank chegar, e acredite em mim ela está para chegar, o idiota do Elliot vai assumir o lugar do pai. Nós não queremos isso, Tommy. — Expus meus pensamentos a ele. — Helena muito menos, eu conheço mulheres como ela. Seu maior desejo é um dia poder se vingar do pai e do irmão. Então, se Helena estiver feliz com o marido, consequentemente estará feliz com a Bratva. Desta forma, poderá reivindicar o comando dos Bertinelli e você sendo o marido dela…

— Serei o líder dos Camorra. — Tommy presumiu.

— Exatamente.

— Como pode ter certeza de que isso vai acontecer?

— Simples, porque foi o que aconteceu com os meus pais. Os Daerden, família da minha mãe, foram facilmente subjugados aos Queen depois que meu pai prometeu a minha mãe que daria a ela o que ela mais desejava: vingança.

— Mas nós não queremos que Helena se transforme em uma nova Moira Queen. — Tommy ponderou por alguns instantes. — Queremos?

— É claro que não. Por isso você não deve ser como o meu pai. — Alertei-o. — Respeite o código e honre a sua esposa, Tommy.

— Não se preocupe com isso, Oliver — ele garantiu. — Helena Bertinelli será tratada como uma verdadeira rainha.

Notas finais
Pobre Moira mal sabe ela que foi cutucar a onça com uma vara curtíssima. Será que ela achou mesmo que o Oliver ia ceder aos caprichos dela assim tão facilmente? Sobre os personagens que apareceram (ou foram citados) neste capítulo: — Eu confesso que não sou exatamente fã da Laurel, mas até que aqui ela vai ser gente fina. — Aprendi a gostar do Quentin no decorrer das temporadas. — Meu membro favorito da família Lance sempre vai ser a Sara. Eu a amo de paixão, assim como Tommy, Thea e Roy. — As muitas fanfics me fizeram gostar da Helena e a shippar horrores ela com o Tommy. — Sim, eu sou muito Nyssara shipper. Enfim, a quem interessar saber Oliver e Felicity vão se reencontrar logo logo. E conhecendo a loirinha como conhecemos, já sabemos que vai ser em uma situação no mínimo constrangedora. Vejo vocês em breve e espero que tenham gostado desse capítulo. Até o próximo!