Notas iniciais
Olás! Eu não ia voltar essa semana mas como tava todo mundo perguntando da Felicity resolvi ser boazinha e trazer o reencontro dos dois. Prometo que vou responder todos os comentários que vocês deixaram no capítulo anterior. Queria dedicar este capítulo a John Diggle, o pai das Olicity stans, o Olicity shipper original. Amo você Dig! Espero que gostem desse capítulo! Boa leitura!

I'm not the right kind

(Eu não sou o tipo certo)

I'm a bad man

(Eu sou um homem mau)

I will do all I can

(Eu vou fazer tudo o que eu puder)

To keep you by my side

(Para te manter ao meu lado)

Good Guy — ZAYN

Oliver Queen

Oliver Queen! — A voz carregada de sotaque de Anatoly, embora metálica, soou animada do outro lado do telefone.

Pakham. — Saudei-o de volta.

Soube das novidades — anunciou. — Finalmente nossos inimigos na América irão conhecer a fúria do Kapishiuon. Já sabe por onde começar?

— No momento estou analisando a melhor forma de tomar a cidade de volta — contei.

Se me permite uma dica, os Nevsky estarão recebendo uma grande carga hoje, uma grande quantidade de drogas, talvez você devesse interceptá-los. — Anatoly sugeriu casualmente.

— Eu gostaria disso, mas infelizmente tenho negócios com eles — informei pesaroso.

Negócios com os Nevsky? — Ele pareceu chocado. —- Isso é uma péssima ideia, Oliver!

— Não tive muita opção, Anatoly. — Suspirei. — Minha mãe resolveu prometer a Aleksandr um Queen, não podia deixar que fosse a minha irmã. — Expliquei a situação, sabendo que ele entenderia. — Terei que me casar com a irmã dele.

Eles querem um Queen, e vão oferecer uma mestiça bastarda?! — Anatoly parecia extremamente ofendido. — Todo mundo sabe que Susan é filha de uma das amantes americanas do velho Gorkov! Ela ainda usa o sobrenome da mãe, Williams! Se eu fosse você procuraria saber sobre ela, tenho certeza de que vai mudar de ideia.

— Obrigado pelo conselho, mas não se preocupe, já estou encontrando uma forma de me livrar dos Nevsky. — Anunciei tentando passar confiança.

Espero que faça isso de uma forma que eles não se atrevam a revidar, Oliver.

— Se o que eu planejo der certo, eles vão implorar para serem mortos.

E é por isso que você é o meu americano favorito. — O russo gargalhou do outro lado da linha.

— Sou o único americano que você conhece. — Lembrei-o. — Já que até onde eu sei consideramos Tommy um mestiço. Aliás, sempre quis saber: porque ele é considerado mestiço e eu e Thea não, mesmo minha mãe sendo de família russa?

Isso não é verdade, eu conhecia o seu pai e eu não gostava dele. — Declarou simplesmente. — Simples, Kapiushon, sua mãe é de família russa, mas não é russa. Ela é a terceira geração de mestiços da família dela. Seu pai e seu avô ambos filhos de mães americanas. Ela se casou com um americano. Acho que podemos considerar que já não há uma gota de sangue russo nas suas veias ou nas das sua irmã. — Ele esclareceu pacientemente. — Não leve para o lado pessoal, é apenas uma forma de controle.

— Não tem com que se preocupar, era apenas curiosidade — afirmei encerrando o assunto.

Agora me conte, como vai a vida na sua preciosa América? Já sabe quando vai anunciar aos nossos inimigos que está de volta aos negócios?

— Tudo na mesma, acho até que sinto falta da Rússia...

— Lozh'! — Bradou Anatoly, rindo. — Você é um péssimo mentiroso, Oliver.

— Soube que hoje a noite os aliados de Konstantin Kovar irão receber armamento de primeira diretamente de seus amigos 'Ndrangheta da Itália — contei. — Imagine o quão bravo Kovar vai ficar quando descobrir que seus brinquedos estão nas mãos da Bratva.

Excelente ideia. — Anatoly celebrou. — Mostre a Kovar que não esquecemos o que ele fez. Ele vai pagar por ter atentado contra a sua vida.

— Konstantin Kovar vai se arrepender de ter cruzado meu caminho, Anatoly — declarei determinado. — E principalmente de ter se metido na minha cidade. Ele não sabe o que o aguarda.

***

Eu estava no bunker onde guardávamos as armas e munições. Os soldados estavam animados, tínhamos certeza da vitória naquela noite. Além disso, eles queriam vingança. Desde que eu havia voltado do mundo dos mortos estava sendo colocado a par dos acontecimentos na família. Fiquei furioso ao saber que Konstantin Kovar havia sabotado o Queen’s Gambit para que ele explodisse e matasse a mim e a meu pai.

Segundo Tommy, Kovar não havia feito questão nenhuma de esconder sua culpa. No dia em que saímos de viagem ele mandou uma coroa de flores para minha casa com os dizeres: “Os mais sinceros votos de condolência de Konstantin Kovar”. Minha mãe e alguns de nossos homens tentaram impedir, mas quando chegaram no porto já tínhamos embarcado e no meio do oceano estávamos incomunicáveis.

Kovar, no entanto, não contava com aquela tempestade que nos obrigou a pular do iate antes da explosão acontecer. Naquela época eu achava que o iate tinha explodido por conta do choque contra as pedras, e preferia que aquela fosse a verdade. Não queria pensar que meu inimigo era um sádico irresponsável que era capaz de passar por cima de qualquer escrúpulo ou código para conseguir o que queria.

A Bratva podia ser várias coisas, mas não podiam nos acusar de não ter honra. A única coisa que respeitávamos era o código. Ele era como os mandamentos sagrados para os cristãos. Podíamos fazer o que fosse, mas jamais deveríamos quebrá-lo. Qualquer infração, por menor que fosse resultava em punição. O código deveria valer para todos os envolvidos da máfia russa, embora tivesse pequenas mudanças de organização para organização. Mas Kovar não parecia se importar com isso. Então, era nosso dever lembrá-lo de que suas atitudes teriam consequências.

— Pronto? — Tommy questionou se aproximando de mim colocando a arma no coldre que estava preso em sua coxa.

— Não achei que fosse fazer isso de novo — confessei. — Espero não ter perdido a prática.

— Vai levar o arco? — Ele questionou apontando para a aljava presa às minhas costas com várias flechas dentro.

— Sim. Quero que Kovar saiba quem o atacou.

— Então, estaremos fazendo uma bagunça. — Sara surgiu de repente com seus bastões em mãos.

— Você não deveria estar em Nanda Parbat? — questionei encarando-a.

— Por favor, Oliver. Acha mesmo que eu iria perder uma ofensiva contra os aliados daquele velho maldito? Eu quero que aquele desgraçado saiba com quem se meteu.

— Tenho que concordar com ela, Oliver. — Roy se aproximou, também carregando um arco e flechas. — Vamos mandar Kovar e seus homens para o inferno de onde, aliás, eles nunca deveriam ter saído.

— Kovar vai se arrepender de ter nos escolhido como alvo — garanti. — Vamos mostrar a ele como trabalhamos.

Caminhei até o centro do bunker e os homens imediatamente pararam o que estavam fazendo para me olhar. Eles estavam em silêncio, analisando minha postura e minhas roupas. O capuz verde escuro pendia em minhas costas e se destacava no meio das vestes completamente pretas dos demais.

— Vai fazer um discurso motivacional? — Tommy perguntou ao meu lado em um tom baixo.

— Todos aqui sabem onde estamos indo esta noite. — Ignorei seu comentário e me dirigi aos presentes em um tom de voz alto. — Esta noite iremos dar o primeiro passo para ter nossa cidade de volta. — Os presentes gritaram animados. — E vamos fazer isso mandando um recado ao homem que a tirou de nós. Vamos mostrar a Konstantin Kovar que a Bratva não perdoa seus inimigos, ela os queima. E mais do que isso, vamos mostrar o porquê de os Queen terem chegado onde chegaram. Vocês estão comigo?

Os soldados gritaram mais uma vez. Não demonstravam apenas animação, demonstravam também a raiva que sentiam de Kovar.

— Roy. — Chamei-o. — Quero que cuide do caminhão. Monte uma equipe pequena, não deixe que que o veículo chegue ao ponto de encontro.

— Entendido, Capitão. — Roy assentiu de forma segura.

— Tommy. — Encarei meu amigo. — Você lidera os homens até o galpão de onde as armas irão sair. Eu quero que eles vejam seu rosto e que saibam que nós estamos lá. — Tommy assentiu em silêncio. — Sara, você e os demais irão comigo ao ponto de encontro — anunciei. — Vamos lavar o chão com sangue daqueles filhos da puta.

***

O ponto de encontro escolhido era em um depósito abandonado afastado da cidade. Eu estava em cima de um prédio analisando a área e observando a movimentação. Sara liderava a equipe no solo, estavam a espreita, esperando nossos inimigos chegarem ao local.

Alguns minutos se passaram até que três carros se aproximaram do local. De dentro dos veículos saíram 15 homens fortemente armados. Entre eles, Billy Malone, um dos homens de confiança de Kovar em Star City. Ouvi Sara dizer aos homens que assumissem suas posições. Ela estava esperando meu sinal.

Coloquei a flecha no arco e mirei em Malone. A flecha atravessou seu ombro e seus homens ficaram em alerta. Sara e os outros atacaram. Os homens dele atiravam, mas não conseguiam acertar os meus homens. Eles abandonaram as armas de fogo e partiram para a luta corporal. Péssima ideia.

Enquanto meus soldados lutavam, desci até o chão e encarei Malone que acabava de tirar a flecha de seu ombro.

— Oliver Queen — ele rosnou e sacou a arma. Antes que ele pudesse atirar atingi o cano de sua arma com uma flecha e a deixei inutilizável.

Malone jogou a arma longe e correu em minha direção na tentativa de me atingir. Escapei de seu soco e o joguei contra o chão de terra. Eu não iria matá-lo. Precisava de alguém que desse o recado aos demais. Precisava que ele vivesse e alertasse os outros de que eu iria retomar a cidade. Mas isso não significava que ele precisava estar inteiro.

Assim que ele levantou, acertei seu rosto com força derrubando-o novamente. Atirei uma flecha em sua perna esquerda, para garantir que ele não se levantasse e segui em direção ao combate que Sara e os outros travavam.

Vi quando um dos homens de Malone tentou atacar Sara pelas costas e disparei em sua direção. A flecha entrou pelo seu ouvido esquerdo e atravessou-o saindo pelo outro lado. Outro soldado tentou me atacar da mesma forma e eu o joguei por cima de meu ombro de encontro ao chão e enfiei uma flecha em seu olho fazendo-a atravessar sua cabeça.

Continuamos a luta até que todos os homens de Malone estivessem mortos. Ordenei que meus homens amarrassem Billy em uma das pilastras e o acordassem. Ele olhou para o massacre por alguns segundos e depois me encarou com raiva:

— Vai pagar por isso, Queen.

Missão cumprida, Capitão. — A voz de Tommy surgiu no comunicador.

Encarei Malone com um sorriso diabólico no rosto.

— Poupe-me de ameaças vazias, Malone. Seus homens estão mortos. E sua carga agora pertence a mim.

— Impossível. — Ele disse e seu telefone tocou. Sinalizei para que Sara o atendesse colocasse no viva voz.

Senhor, fomos atacados. — O homem dizia com a voz falha. — Eles disseram… Eles disseram que… que o Kapiushon manda lembranças.

O som de um tiro foi ouvido e o telefone ficou mudo. Malone me encarou com uma mistura de medo e raiva.

— Não se preocupe, você vai viver — garanti. — Tenho uma missão para você. Quando seus amigos te acharem, diga a eles o que aconteceu aqui e avise-os que se não quiserem ter o mesmo fim é melhor abandonarem Star City. Do contrário, eu estarei indo atrás deles, um por um, até não sobrar um maldito Krasnoyarsk nessa cidade.

***

Um mês depois…

As coisas estavam se acertando. No último mês, havíamos interceptado mais cargas de gangues aliadas a Kovar e consequentemente liquidado alguns rivais. Sara estava em Nanda Parbat, mas mandava poucas notícias sobre seus feitos. Tudo o que sabíamos era que precisávamos confiar nela. Minha mãe ainda insistia na história do meu casamento como parte da aliança com os Nevsky, mas eu duvidava muito que ela tinha procurado saber sobre o passado de minha “noiva”.

Como Anatoly havia me sugerido eu fiz minhas buscas sobre Susan Williams. A meia-irmã de Aleksandr trabalhava como repórter e era um dos grandes nomes do jornalismo. Sua fama e influência foram construídas em cima de grandes segredos de homens e mulheres poderosos do país. Com uma pequena ajuda de Diggle, eu descobri que ela já havia sido casada com outro Capitão Bratva. Susan havia exposto seus negócios com a máfia e o colocou na mira da polícia que logo o prendeu. Deixando, assim, o caminho livre para que seu irmão subjugasse a família dele aos Nevsky.

Era óbvio que o plano deles era fazer o mesmo comigo, mas eu também sabia jogar baixo e ser traiçoeiro. E era uma questão de tempo até que eu conseguisse me livrar daquele acordo maldito.

Se por um lado minha “noiva” era uma preocupação e uma ameaça a minha família, a noiva de Tommy era o completo oposto. Helena Bertinelli era uma mulher inteligente e gentil na maior parte do tempo. E, embora não escondesse seu desprazer por fazer parte dos negócios da família, cumpria com suas responsabilidades. Helena havia chegado da Itália há duas semanas e estava hospedada em minha casa, já que Tommy e ela só poderiam dividir o mesmo teto depois de casados.

Foi praticamente impossível não acabar me identificando com ela, tanto que já estava considerando que havíamos nos tornado amigos. Helena era uma mulher fácil de lidar e de conversar, talvez fosse por isso que ela e Tommy estivessem se dando bem. Meu amigo adorava falar e tinha um grande senso de humor e Helena parecia apreciar isso.

“— Eu lamento dizer isso meus caros, mas Thomas Merlyn tem que partir. Tentem não sentir minha falta. — Tommy anunciou se levantando da poltrona. — Especialmente você, Helena.

— Não se preocupe, Tommy. — Helena sorriu casualmente. — Oliver vai garantir que eu não vou me jogar da janela por conta da minha ansiedade para ter ver novamente.

— Assim espero. Eu odiaria ficar viúvo antes do casamento. — Ele disse. — Pegaria muito mal para a minha imagem.

— Quem ouve você falando assim pensa que sua reputação é ótima. — Ela alfinetou.

Ouch! — Tommy fez uma careta. — Depois dessa eu vou mesmo embora.

— Vá pela sombra, querido! — Helena acenou.

— Pode deixar, meu bem. — Tommy dirigiu a ela uma piscadela e se despediu de mim com um aceno.

— Vocês estão se dando bem. — Comentei encarando Helena com um pequeno sorriso nos lábios.

— Tommy é um bom homem — ela disse simplesmente. — E ajuda que ele esteja sempre bem-humorado.

— O bom-humor dele me irrita às vezes — admiti. — Mas faz parte de quem ele é.

— Por falar em Tommy, eu fiz uma pergunta a ele quando percebi que estávamos tendo uma boa relação e gostaria de fazê-la você também, Oliver. — Helena me encarou com seus enormes olhos azuis enquanto bebericava seu vinho.

— Faça. — Incentivei-a.

— Eu sei que não temos o direito de sentir o que quer que seja, só que essas coisas são inevitáveis. — Ela explicou. — Então eu gostaria de saber: você já se apaixonou alguma vez, Queen?

— Não. — Fui honesto. — Quando era mais novo, antes de ser mandado para a Rússia, eu achava que estava apaixonado por Laurel, mas não passou de uma suposição.

— Eu preciso conhecer essa Laurel! — Helena riu. — Você é o segundo homem que me diz já ter pensado estar apaixonado por ela.

— O primeiro foi Tommy, suponho.

— Exatamente.

— E você, Helena, já se apaixonou?

— Uma vez. — Admitiu ela e seus olhos ficaram nublados. — Ele era, como vocês russos dizem, um civil. Nos conhecemos na escola. Ele era gentil comigo e não se importava com o fato da minha família ser complicada. Eu iria me casar com ele, Oliver. Eu tinha certeza disso.

— O que houve? — Questionei verdadeiramente interessado.

— Meu pai descobriu e o matou. — Helena contou com pesar. — Então, ele me deu uma surra e depois me levou ao médico de confiança da família para verificar se eu continuava “intocada”.

— Isso é horrível, Helena. — Lamentei. — Sinto muito.

— Eu também sinto, todos os dias durante todos esses anos.

— Eu nem sei o que faria se me apaixonasse por alguém e minha mãe descobrisse. Principalmente, por uma civil.

— Sua mãe e meu pai tem muitas coisas em comum, eles deveriam ter se casado.

— Acredite em mim você não iria querer Moira Queen como madrasta.

— Pelo que Thea me disse ela não é a mãe do ano.

— Não sabe o que eu daria para ser um homem livre, não só da máfia como também da minha mãe.

— Conte-me, Queen, o que gostaria de fazer caso fosse um homem livre?

— Eu gostaria de retomar o controle da minha boate — contei e ela riu. — E por mais insano que pareça eu acho tentaria levar a sério o cargo de CEO.

— Teria uma família? — Ela me olhou curiosa.

— Por quê não? Você teria?

— Com toda certeza — ela garantiu. — Eu iria adorar encontrar um homem que me amasse e me apoiasse, que quisesse filhos comigo. Ir passear no parque, ir à praia. Essas coisas.

— Tommy pode não te amar, mas garanto que ele estará disposto a fazer todo o resto.

— Tommy é um homem gentil, mais gentil do que qualquer homem dos Camorra. E eu sei como nosso relacionamento vai ser. Apenas não consigo evitar pensar naquele sonho de infância.

— Imagino que seja difícil.

— Mas você, Queen, não deu a mesma sorte. — Helena comentou com desgosto. — Susan Williams. Deus tenha pena da sua alma.

— Não vou me casar com Susan, Helena.

— Como pode ter certeza disso?

— É algo em que estou trabalhando. — Informei. — Estou te contando, porque confio em você.

— E porquê eu serei a esposa do seu homem de confiança e irei acabar sabendo do mesmo jeito.

— Por isso também.”

— Você está mesmo empenhado nesse lance de CEO. — Thea comentou se aproximando de mim com Helena ao seu lado.

— Temos que manter as aparências, Speedy. — Eu lhe dirigi uma piscadela.

— Esse apelido não, Ollie — ela resmungou.

— Como vai Helena? — Encarei a morena que ria da careta de Thea. — Não nos vemos desde o café da manhã, alguma novidade?

— Tommy fez questão de que eu fosse sua acompanhante nesse evento e me apresentou a metade de Star City.

— Imagino que você adorou ouvir os comentários sobre ele.

— Oh, com certeza. — Ela garantiu rindo. — Aparentemente seu amigo tem uma bunda maravilhosa.

— E tenho mesmo. — Tommy se aproximou de nós.

— Informação desnecessária, Thomas. — Thea rolou os olhos.

— E então, Oliver, ansioso para o grande anúncio? — Meu amigo perguntou. — Soube que você terá que discursar.

— Se você pode fazer isso Tommy, então eu também posso.

— Vou levar isso como um elogio, Queen.

— Oliver? — A voz de Isabel Rochev surgiu às minhas costas.

Meus músculos ficaram tensos e minha irmã encarou a mulher com fúria. Helena parecia confusa e Tommy sussurrou algo em seu ouvido e ela olhou surpresa de mim para Isabel. Virei-me para encará-la e ela me dirigiu um sorriso.

— Será que podemos falar um instante quero colocá-lo a parte do trabalho do Departamento de TI. — Ela soava como uma profissional, mas eu tinha certeza de que ela tinha outras intenções.

— Claro, Isabel — respondi educadamente.

Segui-a até uma parte mais afastada da festa. Ela falava sobre algumas coisas que o departamento estava realizando, fazendo questão de ressaltar sua participação nos feitos.

— Gostaria de dizer, Oliver, que espero que tenhamos uma boa convivência — informou ela. — Você não precisa gostar de mim, mas saiba que eu sou uma profissional e que tenho feito meu trabalho da melhor forma possível. Não aja como a sua mãe que não soube separar as coisas e me tirou do cargo que eu batalhei muito para conseguir.

— Imagino o tipo de batalha. — Falei entre dentes.

— Oliver, não me subestime. Sou uma mulher inteligente, tenho um excelente currículo e todos os meus ex-empregadores só tem maravilhas a dizer a meu respeito. — Declarou Isabel, sua voz subindo alguns tons. — Meu relacionamento com seu pai, ou com qualquer outro homem, não deveria servir de base para medir minha capacidade profissional.

— É claro, Isabel. Não quis ofendê-la. — Menti, eu queria sim ofendê-la, na verdade queria matá-la, mas não faria isso. — Saiba que da minha parte teremos um ótimo relacionamento profissional.

— Assim espero, Senhor Queen. — Ela sorriu falsamente. — Caso precise de algo, eu e meu departamento estaremos a sua disposição.

— Agradeço a disponibilidade, Senhorita Rochev — retribui falsamente.

— Até mais, Oliver. — Isabel disse se afastando.

Soltei o ar pesadamente, tinha me esquecido completamente que ser o CEO da Queen Consolidated implicava ter que trabalhar com Isabel mesmo que indiretamente.

— Às vezes eu me pergunto o que Robert viu nela. — Minha mãe mencionou surgindo ao meu lado. — Cuidado, Oliver. Ela pode querer testar o quão parecido com seu pai você é.

— Não tenho a intenção de me envolver com Isabel Rochev — afirmei. — Aliás, não tenho a intenção de ser minimamente parecido com meu pai.

— Assim espero — anunciou ela. — Agora, caso não se importe, você tem um discurso para fazer.

Minha mãe deu meia volta e eu caminhei junto a ela até o centro do salão principal da Queen Consolidated. Optamos por realizar a minha festa de posse ali, pois seria um ambiente familiar para os funcionários. Além disso, nossos inimigos não ousariam nos atacar em um ambiente repleto de civis, estávamos seguros.

— Suponho que eu deva fazer um discurso — comecei e alguns presentes riram levemente. — É realmente estranho estar aqui hoje para assumir o lugar que era do meu pai, mas sinto que poderemos fazer um trabalho tão bom quanto o que ele fez. Espero ser capaz de repetir os feitos de sucesso dele, mas tenho certeza de que não pretendo seguir seus passos em falso. Queria aproveitar este momento para anunciar que o Departamento de Ciências Aplicadas da Queen Consolidated vai finalmente deixar de ser um projeto e se tornar realidade. Além disso, pretendo reabrir algumas das subdivisões da empresa na cidade que foram fechadas. Conto com a ajuda de vocês neste caminho que, já adianto, não será fácil. — Um garçom se aproximou de mim com uma taça de champanhe e eu a tirei da bandeja. — No mais, um brinde a Queen Consolidated, um brinde a nós! — Propus erguendo minha taça e sendo acompanhado pelos presentes que começaram a aplaudir logo em seguida.

***

A maior parte das pessoas já haviam ido embora da festa. Eu falava de negócios com alguns homens engravatados que se dividiam em lamentar a morte de meu pai e me desejar sorte em meu novo cargo. Pelo canto do olho podia ver Tommy, Thea e Helena conversando em um canto mais afastado. Minha mãe estava em algum lugar que eu não fazia questão de saber, provavelmente armando alguma coisa.

Quando decidi que precisava de um pouco de ar, me afastei indo em direção ao banheiro. Assim que virei o corredor senti um corpo se chocar contra o meu e me fazer dar alguns passos para trás. A pessoa em quem eu havia batido caiu sentada no chão e soltou um pequeno gemido de dor.

Senti uma corrente elétrica passar pelo meu corpo, eu só podia estar ficando maluco.

Encarei a pessoa a minha frente e paralisei. Diante de mim estava Felicity, com seus cabelos loiros presos em um rabo de cavalo como no dia em que nos conhecemos. Ela usava um vestido preto justo até a cintura e solto nas pernas que ia até a altura dos joelhos. Ela levantou o rosto em minha direção e eu percebi o óculos pendendo em seu nariz. Sorri involuntariamente e ofereci minha mão para ajudá-la a se levantar.

— Obrigada — ela disse suavemente. — E desculpe.

— Você trabalha aqui? — questionei sentindo-me animado com a possibilidade.

— Sim, senhor. No Departamento de TI. — Ela respondeu sorrindo e eu notei que ela havia me chamado de “senhor”.

— Você sabe quem eu sou? — A encarei e ela me dirigiu um olhar confuso.

— É claro, você é o Senhor Queen… — replicou como se fosse óbvio.

— Não — a interrompi. — Senhor Queen era o meu pai

— Sim, mas ele morreu. — Felicity soltou de repente e arregalou os olhos ficando vermelha. — Quer dizer, ele se afogou. Quer dizer… — Ela fechou os olhos tentando recuperar o foco. — Sinto muito por isso. Foi um prazer conhecê-lo, seja bem-vindo a empresa!

Felicity passou por mim rapidamente, mal me dando tempo de dizer qualquer coisa.

— Aquela era Felicity? — John indagou se aproximando. — Você sumiu e sua mãe me mandou te procurar. — Ele se defendeu quando eu o encarei.

— É claro que ela mandou. — Rolei os olhos. — Sim, Dig, aquela era Felicity.

— E você me jurou que nunca mais iria vê-la — zombou. — É um mundo realmente pequeno, não acha?

— Ela não sabe que eu sou eu — revelei me sentindo incomodado.

— Não sabe?

— Não.

— E você não disse?

— Não tive tempo, ela saiu correndo antes disso — contei. — Talvez tenha sido melhor assim.

— Você realmente acredita nisso? — Ele me olhou com uma sobrancelha erguida. — Porque eu acho que você está morrendo de vontade de ir atrás dela.

— O que te faz pensar isso?

— Deixe-me ver. — Ele fingiu pensar. — No último mês, todas as vezes que você me dispensava pegava sua moto e ia até Lamb Valley e ficava rodando o quarteirão do prédio dela esperando que ela saísse de casa e vocês se encontrassem “casualmente”.

— Como você…?

— Sou pago para garantir sua segurança, Oliver. — Explicou ele dando de ombros. — Não importa o quão bom você seja, uma hora pode precisar de reforços.

— Não posso me envolver.

— Tarde demais, meu amigo. Você já está envolvido.

Bufei irritado.

John tinha razão. E eu odiava quando ele tinha razão.

— E então? — John chamou a minha atenção.

— Eu vou atrás dela.

Notas finais
Quero pedir desculpas caso as cenas de ação não tenham ficado boas, elas não são exatamente a minha especialidade, mas estou trabalhando em melhorá-las. Espero de verdade que apesar disso, vocês tenham gostado. Vejo vocês semana que vem no próximo capítulo!