Bloodshot Eyes
4 Time to give it up
Notas iniciais
This ain't my scene
(Esse não é o meu cenário)
This wasn't my dream
(Esse não é o meu sonho)
It was all yours, of course
(Isso é tudo seu, é claro)
I got caught up in this game
(Eu fui pego nesse jogo)
Truth — ZAYN
Oliver Queen
— Que cara é essa John? — Perguntei entrando no carro.
Havia acabado de deixar Felicity com o porteiro do seu prédio. Eu queria acompanhá-la até a porta, mas sentia como se isso fosse forçar algum tipo de situação.
— Eu vi. — Encarei-o sem entender. — O beijo que ela te deu.
— Não foi nada, John — desconversei.
— Levando em consideração que o mais perto do contato com outro ser humano que você se permitiu foi um abraço da sua irmã, eu acho que podemos considerar esse beijo como mais que nada. — John possuía aquele tom confiante de quem tem certeza do que está falando.
Suspirei pesadamente. Não iria discutir com ele. Não quando eu sabia que ele tinha razão. Felicity havia sido a primeira pessoa que eu havia deixado se aproximar daquela forma, depois de minha irmã. Nem mesmo com minha mãe eu sentia esse tipo de segurança.
Mas o que eu poderia fazer? Felicity era simplesmente encantadora. Desarmou todas as minhas defesas apenas com aquele olhar confuso e assustado que tinha me dado no dia anterior. Sem contar que seu rosto transmitia uma inocência e uma pureza que eu há muito não via.
— Você está pensando nela. — John chamou a minha atenção.
— O quê? — Tentei disfarçar.
— Não tente mentir para mim, Oliver. — Advertiu-me. — Sei que Felicity está passando pela sua cabeça nesse exato momento.
Bufei irritado. John me conhecia bem demais.
— Não importa. Depois de hoje tenho certeza de que nunca mais iremos nos ver — afirmei de maneira convicta.
— É realmente uma pena que você não saiba onde ela mora. — John ironizou.
Antes que eu pudesse dizer alguma coisa meu celular toca anunciando uma mensagem.
“THEA: Venha para casa agora! Dona Moira surtou e quer me fazer casar. Vou matá-la antes que isso aconteça.”
— O que foi? — John perguntou notando a mudança em meu semblante.
— Minha mãe — respondi desgostoso.
— O que ela fez agora?
— Arrumou um jeito de me fazer assumir o lugar do meu pai na máfia — anunciei pesarosamente.
— Como?
— Fazendo-me escolher entre a minha liberdade e a de Thea.
***
Cheguei em casa irritado. Minha mãe era sem dúvidas uma pessoa baixa. Ela faria tudo o que estivesse ao seu alcance para conseguir o que queria. Entrei no escritório de casa encontrando minha mãe sentada tranquilamente na cadeira que costumava ser do meu pai.
— Você ficou maluca?! — vociferei.
— Não, Oliver. Nunca estive tão sã. — Sua postura era tranquila e serena o que me deixava ainda furioso.
— Casar Thea?! Ela tem dezoito anos! — Eu tinha certeza de que todos na casa podiam ouvir meus gritos, mas naquele momento aquilo não me importava.
— Alguém precisa cuidar da nossa família e das nossas posses — ela disse indiferente. — Desde que seu pai morreu estamos sofrendo ataques. Não importa o quão liberal seja a Bratva nossos inimigos não respeitam uma casa regida por uma mulher. E se você não vai assumir o seu papel nesta família, preciso encontrar alguém que o faça. — Minha mãe me encarou friamente. — Os Nevsky estão dispostos a um acordo, Oliver. Você sabe que o apoio deles neste momento seria essencial. Não podemos deixá-los formar uma aliança com Konstantin Kovar.
— E você pretende impedi-los casando Thea com um deles? — questionei indignado.
— Thea se casará com Ivo Gorkov, o irmão mais novo do líder dos Nevsky — ela contou.
— Aquele cara é mais velho que eu! Você não se importa em entregar sua filha para um homem com o dobro da idade dela?
— Se isso for nos manter seguros, não.
— Isso só pode ser brincadeira.
— Não é brincadeira, Oliver — minha mãe garantiu. — Mas ainda não fechei o acordo.
— O que você quer afinal?
— Eu quero os Nevsky como aliados, assim como quero os Camorra — ela respondeu arrogante. — Mas não se preocupe, já me entendi com Frank Bertinelli. Sua filha, Helena, chegará em algumas semanas para se casar com Tommy. É claro que eu não poderia oferecer nenhum dos nossos homens de confiança aos Nevsky, eles tem sangue russo como nós. Só aceitariam alguém de dentro da família.
— Então você ofereceu Thea — conclui com desgosto. — Tudo bem. — Dei-me por vencido. — Eu vou assumir meu lugar na família.
— Ótimo! — Ela sorriu satisfeita. — E eu vou lhe arrumar uma esposa.
— Esposa?! Eu não concordei com isso!
— Você conhece as regras, Oliver. — Moira usava seu habitual tom de chantagem. — Só posso desfazer um acordo com outro de valor equivalente. Além disso, não importa se você é o primogênito de Robert Queen e ele lhe treinou durante toda a sua vida para isso. Não importa se o próprio Pakham fez de você um Capitão Bratva antes mesmo de seu pai morrer. Você passou cinco anos longe do mundo real, acha mesmo que nossos inimigos vão aceitar vê-lo em uma posição desta sem ter feito nenhum tipo de aliança?
— Nossos inimigos já têm motivos de sobra para se recusarem a aceitar a minha ascensão — argumentei. — A falta ou a presença de uma esposa certamente não mudará nada.
— Isso é o que você pensa, Oliver — refutou. — Mas não se preocupe com isso agora, você terá tempo para conhecer sua pretendente.
— Meu pai não concordaria com isso. — Lembrei-a. — Ele queria que Thea e eu nos casássemos por amor e não por um acordo entre gangues.
— Seu pai está morto, Oliver. — Moira proferiu de maneira dura. — Quanto antes todos nós nos acostumarmos com isso, melhor. — Ela fixou seus olhos nos meus e eu não encontrei nada além de raiva e desejo de vingança em suas íris. — Direi a Aleksandr que você irá se casar com a irmã dele Susan, no lugar de Thea se casar com Ivo. Tenho certeza de que ele ficará satisfeito com a troca. Afinal, não estamos falando de qualquer Capitão Bratva, não é mesmo, Kapiushon?
— Você tem sorte de ser minha mãe — rosnei entre dentes.
— Nisso eu tenho que concordar com você. — Ela sorriu para mim de forma presunçosa.
Sai do escritório antes que eu a estrangulasse. Ela havia finalmente conseguido o que queria. Eu iria assumir o lugar de meu pai não só na parte limpa de seus negócios, como também na suja. E o pior: ainda teria que me casar com uma mulher que eu sequer conhecia, mas que eu já sabia se tratar de um perigo para mim e para a Bratva.
Os Nevsky eram traiçoeiros. Uma aliança com eles nunca seria 100% segura. Mas, infelizmente, eles tinham poder de fogo. E, naquele momento, eu sabia que era algo que nós precisávamos. Principalmente em Star City. Eu precisava encontrar uma maneira de garantir que minha família estaria segura.
Peguei meu celular e disquei o número que eu sabia de cor.
— Oliver? — Foi a resposta que eu recebi de Tommy após o terceiro toque.
— Reúna os Lance — ordenei. — Temos negócios a tratar.
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