Bloodshot Eyes
7 Who would imagine that?
Notas iniciais
You're scared, I'm nervous
(Você está assustado, eu estou nervosa)
But I guess that we did it on purpose
(Mas eu acho que nós fizemos isso de propósito)
On Purpose — Sabrina Carpenter
Felicity Smoak
Era oficial, estava para nascer alguém mais azarada que eu. Primeiro, assim que cheguei na empresa encontrei Isabel Rochev que me recebeu com uma boa dose de veneno na ponta da língua. Depois, esbarrei em uma das muitas mulheres elegantes presentes na festa e ela derramou todo seu champanhe em meu vestido novo. Vestido esse que eu havia comprado no dia anterior apenas para ir a festa de posse do novo CEO.
Não satisfeita, quando estava saindo do banheiro após tentar inutilmente dar um jeito em minha roupa dei, literalmente, de cara com ninguém mais ninguém menos que o todo poderoso Senhor Queen e cai de bunda no chão diante dele. E para fechar com chave de ouro eu tive que tagarelar sobre a morte do pai dele na frente do homem.
Isabel ficaria feliz em saber que eu estava tornando mais fácil a minha demissão.
Caminhei pelo estacionamento da empresa procurando pelo carro de minha amiga Caitlin. Ela tinha tirado férias de seu trabalho em Central City quando soube do meu pequeno acidente e veio passar um tempo comigo. Não vou negar que gostei bastante de tê-la em minha casa no último mês. Caitlin era uma pessoa divertida e nós ríamos bastante juntas. Além disso, ela era uma excelente cozinheira coisa que eu definitivamente não era.
Nós nos conhecemos na faculdade, quando nós duas fazíamos dupla graduação. Caitlin cursava Bioengenharia e Medicina, enquanto eu tinha optado pela Ciência da Computação e Análise de Sistemas. Tínhamos as matéria de Cálculo juntas e facilmente nos demos bem. Afinal, compartilhávamos o terror de sermos mulheres cercadas por homens que faziam de tudo para fazer com que a gente se sentisse menos capacitadas e inteligentes que eles.
Depois que nos formamos cada uma foi para um lado, mas aparentemente o destino queria mesmo que a gente continuasse perto uma da outra. Prova disso foi que no mesmo ano em que ela foi contratada pelo STAR Labs em Central City, eu fui chamada para trabalhar no Departamento de TI da Queen Consolidated como Técnica de Segurança.
Eu gostaria que ela tivesse vindo à festa comigo, provavelmente ela teria evitado que eu me metesse em tantas situações embaraçosas. No entanto, nosso amigo, Cisco, havia ligado e dito que o chefe deles, o Dr. Harrison Wells, estava convocando uma videoconferência de emergência. Eu mais do que qualquer outra pessoa sabia bem como essas situações eram chatas e que não tinha como fugir delas. Já que não tinha previsão de quando sairia do quarto naquela noite, Caitlin me emprestou seu carro para que eu viesse à festa.
Quando finalmente encontrei o lugar onde havia deixado o carro de minha amiga, me pus a tatear minha pequena bolsa em busca da chave. Não deveria ter sido uma tarefa difícil, mas levando-se em consideração que era eu quem a estava executando estava mais do que na cara que algo daria errado. O algo em questão foi a chave que pulou de minha bolsa e aterrissou debaixo do carro.
Suspirei derrotada e me abaixei para tatear o chão em busca da chave.
— Será que todas as vezes em que nos encontrarmos eu terei que te tirar do chão? — Eu congelei. Aquele não poderia ser Oliver, o enviado dos céus para me salvar da chuva malvada. Poderia? — Estou começando a achar que você tem algum problema com a gravidade.
— Na verdade, é a gravidade que tem um problema comigo. — Respondi sem olhá-lo. — Achei! — Exclamei animada me levantando rapidamente.
Uma das muitas péssimas ideias que eu já acumulava em minha vida.
Era óbvio que Oliver, como bom cavalheiro que era, estava tentando me ajudar a levantar. Então, quando eu me pus a levantar alegremente, a minha cabeça se chocou contra o nariz dele.
— Ouch! — Ouvi ele exclamar.
— Machuquei você? — perguntei exasperada me virando em sua direção.
Eu poderia morrer ali mesmo.
Diante de mim estava ninguém mais ninguém menos que o Senhor Queen o CEO da empresa e meu chefe. O destino deveria me adorar, pois não era possível que Oliver, meu salvador sem rosto, e o Senhor Queen, o primogênito da Bruxa Má do Oeste, eram a mesma pessoa.
— Espera! Você é ele?! Ele é você?! — Falei de forma atônita e ele me olhou com a mão sobre o nariz. — Esqueça! Você está bem?!
Oliver riu do meu desespero e tirou a mão do nariz que parecia inteiro.
— Um pouco zonzo, eu acho. — Ele respondeu se aproximando de mim. — Mas vou ficar bem.
— Como isso é possível? — Questionei. — Quer dizer, quais as chances de você ser... você?
— É um mundo pequeno, Felicity. — Oliver respondeu dando um sorriso de lado.
— Minúsculo, eu diria — retruquei sorrindo de volta.
— Já está indo para casa? — Ele apontou para a chave em minha mão e em seguida para o carro atrás de mim.
— Estava pensando nisso — afirmei sem graça.
— É uma pena — ele disse simplesmente. — Eu estava pensando em convidá-la para comer alguma coisa.
— Você não deveria fugir da sua festa. — Comentei tentando não parecer afetada pelo quase convite.
— Quando a única pessoa interessante deixa o local significa que a festa chegou ao fim. — Oliver me olhou de um jeito estranho e eu não sabia dizer se ele falava de si mesmo ou de mim.
— Nos vemos amanhã, senhor Queen. — Anuncei abrindo a porta do carro
— Ah, por favor, me chame de Oliver — pediu.
— Até amanhã, Oliver.
Entrei no carro e acenei para ele antes de ligar o carro e seguir para minha casa. Eu deveria estar ficando maluca. Fantasiar com um bonitão desconhecido que me socorreu no meio de uma enorme chuva era uma coisa. Agora fantasiar com meu chefe já era um pouco demais. Oliver Queen estava definitivamente fora dos meus limites. E eu precisava me lembrar disso.
***
Cheguei em meu apartamento ainda chocada com o que eu havia acabado de descobrir. Não era possível que com um QI tão grande eu não tinha sequer cogitado a possibilidade de o Oliver de um mês atrás ser o mesmo Oliver que agora era CEO da Queen Consolidated. Mas, em minha defesa, vamos deixar registrado que quando eu o encontrei pela primeira vez estava praticamente cega e tinha outras preocupações em mente.
— Como foi a festa? — A voz de Caitlin me trouxe para a realidade.
Minha amiga tinha os cabelos presos em um rabo de cavalo e usava seu pijama de seda cinza. Ela tinha uma expressão abatida. Não havia apenas cansaço em seus olhos.
— Mais interessante do que eu podia imaginar — respondi. — E a sua videoconferência?
— Interessante como? — Ela me olhou interessada.
— Responda a minha pergunta, Snow — repliquei. — E quem sabe eu lhe conto o que aconteceu na festa.
— Iris West é a nova assessora de imprensa do STAR Labs — contou ela desanimada.
— Sinto muito — tentei consolá-la.
— Não mais do que eu.
A história de Caitlin e Iris era um tanto quanto complicada. As duas se conheceram por intermédio de Barry Allen colega de trabalho de minha amiga. Iris era a irmã adotiva de Barry. Ou pelo menos era o que nós achávamos, já que eles haviam sido criados juntos pelo pai dela depois que os pais dele morreram vítimas de um tornado em uma viagem que faziam para comemorar o aniversário de casamento. Até aí tudo razoavelmente bem, certo?
Errado!
Barry nutria uma paixão secreta por Iris que não era correspondida. Então, minha amiga e todos as outras pessoas ao redor de Barry que sabiam dessa história — Cisco e eu — incentivaram o rapaz a superá-la e encontrar um novo amor. No começo ele não parecia muito empenhado, até que um dia Cisco aproveitou que eu estava em Central City nos chamou para uma noite de karaokê.
Barry e Caitlin se beijaram naquela noite.
Talvez fosse culpa do álcool e sua capacidade de mexer com o cérebro das pessoas e torná-las suscetíveis aos seus impulsos.
Talvez fosse culpa de Caitlin e sua mania de manter seus sentimentos tão profundamente enterrados, mesmo quando eles claramente a estavam esmagando por dentro.
Talvez fosse culpa de Barry e seu desespero interno para tentar superar uma história que não deveria sequer existir.
Fosse de quem fosse, a culpa esteve presente pairando entre os dois por um longo tempo, até que Cisco resolveu atacar de cupido. Não foi fácil para ele fazer com que os dois cabeças duras assumissem seus sentimentos, mas quando aconteceu eu percebi que nunca tinha visto minha amiga tão feliz. Parecia que ela finalmente tinha superado a morte de Ronnie, seu ex dos tempos da faculdade.
Ronnie Raymond era um dos fatores que tornaram Caitlin e eu próximas. Ele era amigo de Cooper, meu namorado da faculdade, os dois eram aventureiros e rebeldes. Chegavam até ser imprudentes. E foi a imprudência que os matou.
Eles achavam que era uma boa ideia participar das corridas ilegais de carros que algumas fraternidades organizavam. Caitlin e eu passamos um bom tempo tentando fazer com que eles mudassem de ideia, mas eles jamais nos escutaram. O orgulho e o enorme ego masculino foram os responsáveis por tirar a vida de Ronnie e Cooper, a grande batida seguida pela explosão foi apenas a forma como eles encontraram de fazer isso.
Aquela era uma ferida que tanto eu quanto Caitlin iríamos carregar pelo resto de nossas vidas. Foi o que nos tornou extremamente cautelosas em relação ao amor e aos homens. Não queríamos nos envolver novamente com quem não temia pela própria vida.
E era por isso que Barry parecia perfeito para ser o homem que faria Caitlin sentir-se segura para amar novamente. Ele a escutava, a respeitava e acima de tudo a entendia. Minha amiga estava nas nuvens. Então em uma bela noite alguém a derrubou de lá.
Barry estava doente e não podia sair de casa, então Caitlin decidiu fazer uma surpresa para ele e visitá-lo acompanhada da famosa canja “cura tudo” de seu pai. Na época, ele ainda morava com Joe e, consequentemente, Iris. Era óbvio que o homem iria deixar minha amiga entrar em sua casa sem precisar ser anunciada. Ela subiu para o quarto de Barry sorridente apenas para o encontrar aos beijos com Iris.
Os dois tentaram justificar a cena, mas não havia nada a ser dito que pudesse mudar a realidade: Caitlin amava Barry, que amava Iris, que amava a si mesma.
Eu jamais iria julgar minha amiga por querer distância dos dois. Ela fazia manobras e mais manobras para evitar o ex-namorado o que era consideravelmente difícil já que eles trabalhavam no mesmo local e tinham um círculo de amigos parecido. Agora teria que se desdobrar ainda mais para evitar não só encontrar Barry e Iris separadamente, mas também como o que quer que fosse o status atual do relacionamento deles.
— Esqueça isso. — Caitlin ordenou de forma firme. — Eles são meu problema, não seu. Conte-me sobre sua festa. Oliver Queen é tudo o que diziam as revistas de fofoca?
— Não, ele é muito mais — afirmei.
Ela me olhou curiosa com um sorriso no canto da boca. Soltei um longo suspiro e me joguei no sofá.
— Acho melhor você se sentar — sugeri, vendo-a imitar o meu gesto.
— Conte-me tudo, Smoak. — Pediu minha amiga batendo palmas animadas. — Não me esconda nada, nem mesmo os detalhes sórdidos.
— Primeiro — alertei. — Não existem “detalhes sórdidos”. Segundo — anunciei em tom de mistério. — Oliver Queen e o homem que me ajudou no dia em que eu me estatelei no meio da rua são a mesma pessoa.
— MENTIRA! — Caitlin deu um pulo do sofá. — AMIGA! — Ela começou a rir e a pular animada.
Minha amiga estava agindo exatamente como minha mãe agiria, o que me assustou um pouco. Caitlin era uma pessoa extremamente séria, o completo oposto de Donna Smoak.
— Você pode por favor parar de gritar e agir como você mesma? — pedi um pouco irritada.
— Desculpa, amiga, mas é que na falta da sua mãe eu tenho que cumprir todos os papéis — explicou ela, sentando-se novamente.
— Que seja. — Rolei os olhos. — Vamos voltar ao que realmente interessa.
— Que no caso é: Oliver Queen é o seu cavaleiro da tempestade. — Caitlin mantinha um sorriso travesso nos lábios. — Como você deixou uma informação dessas escapar do seu cérebro enorme?
— Em primeiro lugar, eu não preciso lembrar a senhorita que eu estava quase cega naquela ocasião, preciso? — Enfatizei em um tom ameaçador. — Em segundo lugar, você acha mesmo que se eu soubesse que Oliver era o filho da Bruxa Má do Oeste teria deixado ele arcar com as minhas despesas do hospital?
— Felicity, o ponto não é esse. — Ela alegou num tom tedioso. — Que os Queen tem dinheiro para usar como combustível para a lareira deles isso não é novidade. O que eu e toda Central City queremos saber é: as fotos dos tabloides fazem jus à beleza de Oliver Queen?
— Eu não sei exatamente como são as fotos dos tabloides, já que como você sabe eu evito ao máximo esse tipo de conteúdo. — Caitlin rolou os olhos entediada. — Mas pelo que eu pude ver e desta vez eu realmente vi. Oliver Queen é realmente um homem notável.
— Com notável, você quer dizer gostoso.
— Caitlin!
— Que é?! Eu tenho andado muito com o Cisco e você sabe que ele gosta de ser bem específico quanto aos seus adjetivos.
— Tudo bem. — Soltei o ar, dando-me por vencida. — Oliver Queen é realmente um homem muito gostoso. — Senti minhas bochechas esquentarem. — Satisfeita?
— Por hoje, sim. Mas não pense que eu vou deixar você em paz depois dessa declaração.
***
Não era preciso dizer que eu não consegui dormir direito. Se no último mês um certo desconhecido rondava a maioria dos meus sonhos, depois que ele ganhou rosto não seria diferente. Eu não me atrasei naquele dia, pelo contrário cheguei bastante adiantada. Aproveitei o tempo extra que ganhei e resolvi adiantar algumas tarefas que Isabel havia me passado.
Eu sabia que ela fazia aquilo de propósito, me atolava de tarefas complicadas apenas para ver eu me enroscar e ter um motivo para me demitir. Para o azar dela eu era muito boa no que fazia, então qualquer que fosse a tarefa eu a realizava com perfeição e dentro do prazo. Mesmo quando o prazo era ridiculamente apertado.
Ouvi baterem na porta e pedi que a pessoa entrasse.
— Smoak. — Isabel surgiu com um sorriso falso em seu rosto. — O Senhor Queen precisa de ajuda com seu computador — informou. — Como eu sei que você não está ocupada, disse que a mandaria até lá para ajudá-lo.
Encarei Isabel chocada, minha sala estava repleta de peças que ela havia me mandado analisar e separar as que poderiam ser reutilizadas. Além disso, eu tinha relatórios para entregar, relatórios esses que eram trabalho dela. Como ela se atrevia a dizer que eu não estava ocupada?
— Algum problema, Smoak? — ela questionou maliciosamente.
— Nenhum, senhora — garanti. — Estou indo até lá agora mesmo.
— Excelente! — Ela sorriu ainda mais e saiu da sala.
Suspirei me levantando da cadeira, aquele seria um dia longo.
Sai de minha pequena sala e segui rumo ao elevador. Estava tão absorta em meu trabalho que nem tinha notado que meus colegas já haviam chegado. Passei por Alena no corredor e a cumprimentei rapidamente. Entrei no elevador e apertei o botão do último andar. O andar da presidência.
Assim que a porta se abriu me dirigi a mesa da secretária e avisei que o Departamento de TI havia me mandado. Ela pediu que eu esperasse, pois Oliver estava ao telefone. Enquanto aguardava pela permissão de entrar na sala, encarei o lugar. Era a primeira vez que eu estava ali e não pude deixar de ficar impressionada. Haviam duas salas separadas do hall de entrada e entre si por paredes de vidro. Uma delas era a sala de reuniões, a outra era a sala de Oliver.
A secretária me mandou entrar e eu rumei em direção a porta. Antes que eu pudesse bater Oliver me olhou e fez um gesto com a mão me convidando a entrar. Que ele era um homem bonito eu não tinha dúvidas. Mas dentro daquele terno cinza com uma gravata verde escuro e os cabelos arrepiados e uma expressão frustrada ele parecia simplesmente divino.
— Okay, eu admito. — Começou Oliver, assim que viu passar pela porta. — Não faço ideia do que aconteceu. — Continuou enquanto eu me aproximava de sua mesa. — Em um momento eu estava lendo e-mails e no outro puf! Tela preta!
Tentei segurar o riso, mas Oliver falava de uma maneira incrivelmente adorável.
— Não ria. — Ele tentou soar sério.
— Posso? — Apontei para o notebook em sua mesa.
— Fique à vontade. — Ele se levantou e me indicou sua cadeira para que eu me sentasse.
— Com licença. — Pedi passando por ele e me sentando em seu lugar.
Oliver apoiou suas mãos no encosto da cadeira e ficou me analisando enquanto eu tentava consertar seu computador. Seu perfume ia de encontro com minhas narinas me tirando um pouco do foco, mas logo voltei ao trabalho. Minutos depois conseguir restaurar o sistema operacional e fazer o computador voltar a funcionar.
— Prontinho. — Anunciei colocando na página de email de Oliver que ficava logada.
— Eu não entendi o que você fez — confessou. — E muito menos o que aconteceu.
— Algum arquivo de inicialização do seu sistema operacional foi corrompido — relatei. — Provavelmente devido a algum malware que se infiltrou quando você fez download de algum dos arquivos do seu email.
— Você acha que alguém me mandou um vírus? — Oliver pareceu chocado.
— Não intencionalmente. — Respondi tentando tranquilizá-lo. É claro que algumas pessoas faziam isso de propósito, mas não era esse o caso. — Qual foi o último email que você recebeu antes da tela preta?
— Foi um e-mail de Tommy — ele disse.
— Suponho que não tenha sido nada sobre trabalho. — Encarei-o com uma sobrancelha erguida.
— Eu não sei. — Oliver deu de ombros. — Ele dizia: “você precisa ver isso”. Então eu baixei o arquivo.
— Bom, senhor Queen eu sugiro que o senhor mantenha sua conta de email pessoal separada da profissional — aconselhei. — E peça ao seu amigo para tomar cuidado com as coisas que manda por email. — Levantei-me da cadeira. — Não acho que seria bom para a imagem dele caso alguém descobrisse que ele anda usando os servidores da companhia para assuntos “pessoais”.
— Obrigado, Felicity. Não sei o que teria feito sem você. — Oliver me encarou com seus olhos azuis.
— Imagine, é meio que o meu trabalho — respondi ficando sem graça pela aproximação.
— Sabe, já está na hora do almoço — ele disse sem tirar os olhos dos meus. — O que acha de almoçarmos juntos?
— Eu agradeço o convite, mas preciso voltar ao meu departamento e fazer um relatório do atendimento antes de sair para almoçar. Regras da casa.
— Tudo bem. — Ele suspirou parecendo contrariado.
— Quem sabe outro dia. — Sugeri rapidamente.
— Eu irei adorar — alegou. — Mais uma vez, obrigado.
— Estou a sua disposição — falei sentindo minhas bochechas esquentarem.
— Bom saber.
Sai do andar da presidência mais vermelha que um pimentão. Eu estava ficando louca ou havia recusado um convite de Oliver para sair para comer pela segunda vez em dois dias seguidos? Ele provavelmente só estava tentando ser legal, mas eu me conhecia bem o suficiente para saber que se desse corda para suas sutis investidas iria acabar morrendo enforcada.
A quem eu queria enganar? Seria um prazer morrer enforcada pelas mãos de Oliver Queen. E que mãos! Só de lembrar da forma como ele me pegou no colo no dia em que nos conhecemos e de como me amparou no hospital eu sentia meu rosto esquentar ainda mais.
— Deus, eu pareço a minha mãe!
Eu deveria parar de pensar nas mãos de Oliver. Ou em Oliver como um todo. Era melhor deixar a situação o mais platônica possível. Eu não precisava de um problema.
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