Blondie and Cotton Candy

17 Capítulo 16 — E que o Outono comece


Notas iniciais
Notas finaisssssssss Boa leitura.

Anteriormente:

— Eu sou um idiota, não é? Devo estar levemente bêbado, não é possível. — riu um riso amargo e sem vontade. — Falar com túmulos, onde já se viu... Tinha parado de fazer isso quando garoto. Olha... Eu vou vingar vocês. Ou no mínimo cumprir a minha parte. Mas vou pedir paciência, falou? E se pudessem... se puderem...– sentia-se estúpido por pensar em falar o que falaria. — Me ajudem, por favor.

Uma ventania seca passou, trazendo consigo uma folha já amarelada. O outono chegava. Ah, outono...

“Eu amo vocês”.

[...]

O trio estava conversando, quando um grito se fez ouvido. A origem era clara: O quarto de Natsu. E Lucy reconheceria aquele grito ainda que estivesse a distância. Era de Wendy.

Havia um homem de cabelos escuros com reflexos avermelhados, o antebraço dele apertando o pescoço da adolescente. Lágrimas podiam ser vistas no rosto agora extremamente pálido de Wendy e ela tremia, apavorada.

— Meu nome é Jose Porla. [...] Sou contratado de Jude Heartfilia. Sou o homem que faz os trabalhos sujos dele. E ele quer a filhinha de volta. [...] “Você achou mesmo que eu não iria descobrir toda a sua farsa, Dragneel? Natsu é um nome realmente interessante, por que será que você o escolheu? Não mudou muita coisa, não é?”. Pelo visto, eu devo chamá-lo só pelo sobrenome. É a única coisa verdadeira do seu nome, afinal. Talvez a única coisa verdadeira sobre você. Sabia disso, querida Lucy?

[...]

Lucy deu um passo a frente, lágrimas escorrendo por sua face. Deu mais um, ao perceber que a menina não foi ainda mais acuada graças a sua aproximação. A atenção de Jose se focou nela, unicamente nela, e o aperto em Wendy foi diminuindo a medida que a loira se aproximava.

— Pessoal... Me deixem ir. Eu preciso conversar com o meu... — Ela engoliu em seco. — Com Jude. I-isso já ‘tá fora dos limites. Ele... nos ferindo assim... envolvendo vocês nisso. — Mais lágrimas tomaram sua face. — Eu vou.

— Não, Lucy, você não vai.

— Eu preciso. [...] Eu preciso resolver tudo isso. Não posso fugir dessa situação. Muito menos sozinha. De jeito nenhum. É sempre mais divertido quando estamos todos juntos, não é? [...] Eu amo você.– E esse sussurro matou lentamente o interior do rapaz.

Jose Porla sorriu sinistramente mais uma vez e saiu pela janela, por onde entrara, levando sua refém.

[...]

— Você queria conversar, não é, querida?

Lucy assentiu. E abriu a boca para falar.

____x____

“A amizade duplica as alegrias e divide as tristezas.”

— O que você pensa que está fazendo? — As palavras foram proferidas com enorme repulsa.

— Pegando o que é meu de volta.

— É aí que você se engana, Jude. — Lucy o observava de cima para baixo, o desprezo correndo no olhar. — Eu não sou tua. Não sou de ninguém senão de mim mesma. Mas se você quer dizer que sou tua filha e preciso fazer o que você quer... Não se preocupe, se continuar ensandecido dessa forma, eu... — engoliu em seco. — Eu aceito deixar de ser uma Heartfilia.

A risada de Jude ecoou, amarga.

— Não vai acontecer, esqueça. Eu posso te trancar no quarto e só deixar sair quando me interessar, o que acha dessa medida?

— Eu não sou um animal de estimação. Nem uma máquina a ser usada quando você bem entender. Eu sou tua– Sou um ser humano.

— O que ia dizendo? — Ele perguntou, irônico. — Parecia que estava se reconhecendo como minha filha.

— É, eu percebi que você nunca me viu assim. Ao menos não depois que a mamãe... Você ficou louco quando ela se foi!

— Ela não “se foi”, sua garotinha imprestável! Ela morreu!!!

Ambos ofegavam, o calor da discussão inundando seus corpos e sangue, a mágoa contida em ambos sendo liberada. A esse ponto, já estavam de pé, embora cada um de um lado da mesa.

— Você acha que eu não sei disso?! Que eu não sinto falta dela?! Cresça, isso não é justificativa p’ra se tornar um monstro!

— Quem você pensa que é para me mandar crescer, sua incompetente?! Eu vou te ensinar umas boas lições!

Não houve tempo para reação. O soco desferido na face da garota veio em um segundo e nada a mais. Ela soluçou, surpresa, e pôs a mão na bochecha latejante. Ambos arregalaram os olhos e Jude recuou.

— Você é definitivamente o pior... Eu pensei que você nunca poderia me machucar mais do que até agora. Na cara?! Você quer ser preso, é isso?!

— Lucy, eu... — As palavras não saiam.

— Você é um merda.

Permaneceram em silêncio se encarando, um misto de sentimentos corrosivos sendo exalado por todos os seus poros.

— Eu preciso de você... para continuar meus negócios. Para nos manter prestigiados. Para honrar a memória da sua mãe. Vamos, eu tenho um dinheiro que você nunca terá se me abandonar–

— Você realmente acha, nessa mente deturpada, que é por dinheiro?! Isso se trata mesmo de honrar a memória da mamãe?! Como você acha que ela se sentiria com isso?!

Ela exalou, e um olhar firme tomou seu rosto quando ela enfim se decidiu.

— Eu não sou mais uma Heartfilia a partir de hoje.

— Você prefere ser deserdada? Uma ninguém no mundo?

O patriarca estava definitivamente abismado.

— Eu sempre fui uma ninguém. E agora, eu finalmente tenho quem cuide de mim.

— Você não sabe nada sobre aquele garoto, criança estúpida. Ele...!

— Não interessa. — A loira o cortou. — Natsu é meu melhor amigo. Ele cuida de mim. Só isso importa. Eu não quero saber do passado dele. Se eu me importasse tanto assim com o passado, eu ficaria com você, afinal.

— Ele não é ninguém que possa te fazer bem, esse garoto já tem seu destino selado, não vai demorar muito até que ele–

— Isso importa? Não se meta com o Natsu. Não faça da vida dele um inferno. Não dê a si mesmo mais um motivo pra ter nojo de quem é!

— Ingrata!!!

A voz de Virgo vinha se aproximando, exaltada, quando Loke irrompeu no escritório, ofegante e parecendo exausto.

— Sequestro, Jude?! Não era assim que deveria ser, você não pode ferir a–

— Cale essa boca. — Lucy o olhou decepcionada, a mão na bochecha inchada e escura.

Ao perceber que ela havia levado um soco, o ruivo engasgou e tentou se aproximar. Ela fez que não com a cabeça.

— Eu deveria saber que você estava metido nessa... Por que é que você foi me querer depois de desperdiçar meu amor por tanto tempo, hein?

— Não sei... Eu–

— E eu digo querer, não amar, porque se amasse não teria se envolvido nesses planos sujos desse Heartfilia. Você me enoja, Regulus... Tão baixo.

— Eu... Eu não sabia que seria assim. Me perdoa, Lucy. Eu te amo, eu juro...!

— Você está mais atrapalhando do que qualquer coisa, Regulus. – Dessa vez foi Jude quem repreendeu. – Minha filha...

— Eu não sou tua filha! Já tentei negociar com você por muitos anos e, principalmente nesse momento decisivo, vejo que você só vai estragar toda a minha vida. Esse é um adeus ao prestígio de ser uma Heartfilia. Assim que conseguir estabilidade financeira, vou pedir emancipação.

Lucy se dirigiu a saída, parando em um longo abraço em Virgo. Longo e apertado. Aquelas duas se amavam como amigas, irmãs e também como mãe e filha, da forma mais pura que poderia existir. Nenhuma delas chorou.

— Me visite sempre. Eu sinto tanto a tua falta, Virgo.

— Farei isso, Prin... Lucy. Também sinto a tua.

E a loira seguiria seu caminho, deixando para trás um pai desolado, até a casa de Dragneel, se, à porta, Loke não houvesse puxado seu braço.

— Não me abandone. Eu só queria estar aqui por você. Case comigo... Eu te farei feliz, tudo vai dar certo.

Ele fechou os olhos instintivamente quando a saliva veio em sua direção e escorreu pelos óculos. Abriu a boca, extremamente surpreso com o cuspe que agora tocava sua face. Lucy parecia furiosa.

— Você me enoja.

Ela pediu aos funcionários da casa que a ajudassem a separar tudo que fosse seu e enviassem para a casa de Natsu. Pediu como amiga, porque daquelas pessoas nunca na vida se sentiu patroa. E por ser ela aquela menina doce que muitos conviveram por anos, fizeram isso com cuidado e carinho.

Com isso, Lucy se foi daquela mansão. Lucy. Apenas Lucy.

[x]

Já beirava o anoitecer quando a loira retornou a morada Dragneel. Jogou a mochila no escritório, esta com uma quantidade absurda de dinheiro, que retirara todo de sua poupança. Ela se dirigiu ao banheiro, deixando este destrancado, e foi tomar seu banho.

Sentia-se mole, fraca. Exausta. Mal ensaboava o corpo, apenas deixando a água correr pelos cabelos e pelo corpo. Ouviu a porta. Ouviu passos. E mãos másculas se puseram sob a água. Encheram-se de sabonete líquido. E esfregaram suas costas com um cuidado de mãe.

— Estou feliz que esteja de volta.

— Eu disse que voltaria. – murmurou.

— Foi um dia e tanto, então quando terminarmos aqui eu vou te dar o que comer e você vai dormir, está bem? Se não quiser ir para a Faculdade, eu fico cuidando de você–

— Eu vou à aula, Natsu. Não se preocupe. E obrigada.

Ela sorriu, lágrimas correndo silenciosamente pela face dolorida, a qual ele acariciou com delicadeza ao perceber o inchaço. Ainda assim, ela pôde notar o punho dele se fechando com força por um instante, irado com a agressão.

— Pelo que? Eu só estou cuidando de uma das pessoas que eu mais amo nesse mundo.

E o corpo feminino foi tomado por soluços, enquanto o rapaz esfregava o shampoo em seus fios, acolhendo-a quando ela precisava. Naquela noite, Lucy chorou como nunca na vida. E Natsu esteve lá, cuidando dela.

— Eu também amo você, Luce. Eu vou cuidar de você, sempre.

Sting sorriu amargurado, recostado à porta do banheiro. Parecia que nenhum deles era feliz e nunca poderia ser. A vida parecia horrível e sem esperanças.

Bem. Não totalmente sem esperanças. Queria a melhor amiga de seu primo. E a teria, trazendo alegria tanto ao seu espírito quanto ao dela.

[x]

Lucy resmungou quando Natsu acelerou, ambos indo para a faculdade na moto de Sting. A expressão abatida da garota era quase tão carregada e visível quanto o inchaço em sua face, porém essa área do seu rosto estava recoberta de base, disfarçando a coloração arroxeada.

— Que foi, rabugenta?

— Qual a necessidade de ir tão rápido, seu Dragneel? — bufou após perguntar.

— Desculpa, desculpa.

Ele reduziu um pouco a velocidade, prestando atenção no caminho. A loira estava, depois de um tempo, utilizando seus headphones, de forma a se isolar em seu próprio mundo. Observou a face do amigo, a mente agitada.

Você achou mesmo que eu não iria descobrir toda a sua farsa, Dragneel? Natsu é um nome realmente interessante, por que será que você o escolheu? Não mudou muita coisa, não é? Pelo visto, eu devo chamá-lo só pelo sobrenome. É a única coisa verdadeira do seu nome, afinal. Talvez a única coisa verdadeira sobre você. Sabia disso, querida Lucy?”

Não queria se lembrar daquilo. Não queria pensar que isso poderia ser verdade. Que era verdade. Queria poder olhar nos olhos de Dragneel e saber que tudo estava bem. Que podia confiar sua vida a ele. Que sabia quem ele era. Natsu.

Você não sabe nada sobre aquele garoto, criança estúpida. Ele não é ninguém que possa te fazer bem, esse garoto já tem seu destino selado.

Por que, então, sentia que não sabia nada sobre quem ele era de verdade? O rosado era a única coisa segura e estável em sua vida. E de repente não era mais. Não dava mais para ignorar o que não sabia sobre ele. Ou o que sabia. Nunca se sentiria plenamente confortável se não calasse suas dúvidas.

— Natsu...

Somente ao chamá-lo, percebeu que haviam parado. Ele olhou para a loira, que segurava os fones com força. Não tinha coragem para fazer as perguntas que queria, então apenas sorriu, desviando o olhar para a fachada da universidade.

— Não é nada. — E tirou os fones, permitindo-se maravilhar um pouco com o local que já tinha visitado uma vez. — Universidade Federal de Magnólia...

— Legal, né? E aí, ‘tava ouvindo o que?

— Down, do Blink.

— Boa, garota. — Natsu acariciou sua cabeça.

O rapaz estendeu o braço para ela, para que se apoiasse nele. Lucy encarou aquilo como um “vou guiá-la” e seguiu ao lado do rapaz, observando os prédios, mesmo já sabendo onde o seu ficava.

— O prédio de Psicologia é lá, não?

— Opa! Essa aí é médium. Mas temos que passar na Secretaria Geral primeiro.

Após se certificar de como preencher sua grade, foram para a fila das matérias. Natsu já havia se juntado a seu grupo, porém sempre perto de Lucy. Quando ela terminou de preencher sua grade, voltou-se para o grupo, se deparando com uma Erza revirando os olhos e Gray apertando a barriga de tanto rir, enquanto Natsu fazia alguma imitação sobre algum professor que a garota não conhecia.

— Do que vocês tanto riem, hein?

— Nada, loirinha. — Natsu desconversou.

— ‘Tá.

A reação da jovem surpreendeu os dois amigos, no entanto Natsu lembrou que precisava ir com calma, ela ainda estava muito mexida. Abraçou a amiga por trás, como quem não quer nada e apenas pretendia continuar a conversar, mostrando-se atento a conversa entre a ruiva e o moreno.

— Gostou de ser chamada de loirinha de novo? — perguntou, quase inaudivelmente, próximo ao ouvido da loira.

— Sempre. — sorriram um para o outro.

Andaram pelo campus, já que as aulas só começariam mais tarde e, como grande parte das voltas às aulas, não teriam nada de importante. Quando falavam sobre ir ao refeitório comunitário, o olhar de Lucy encontrou alguém muito familiar.

— Ei, Luce, não é a...

— Levy!

O grito chamou a atenção da jovem, que parecia ocupada brigando com um rapaz muito maior do que ela. A expressão logo se anuviou ao ver a amiga se aproximar.

— Lu!

Abraçaram-se, Levy saltitante de alegria. Alegria que logo passou ao perceber o quão necessitado o abraço da amiga estava, senão desesperado.

— Lucy, está tudo bem?

— Está, sim, eu só... Ah! — resmungou ao sentir a amiga esbarrar o ombro em sua bochecha.

— O que fo– Por céus, Lucy! Isso aqui está bem inchado, você se machucou?

— Sim. Sou desatenta, lembra? — Lucy sorriu torto.

A azulada, com uma expressão desconfiada, resolveu questionar isso, porém foi interrompida pela voz de Natsu.

— Era você mesmo, então! Não sabia que você conhecia a Levy. E aí, Gajeel?

— Fala, Salamander.

O apelido soou familiar para Lucy. Só não lembrava de onde.

— Gray, Erza. — O som que as mãos produziram ao se chocar foi audível. — Vocês lembram do pessoal da Iron?

O metaleiro apontou para os dois membros masculinos da banda, que estavam ao seu lado, mais cercando Levy do que propriamente acompanhando o guitarrista. Os grupos se cumprimentaram, mas Erza logo pareceu notar a falta de alguém.

— Onde está a Flare? E oi, Juvia.

— Ela foi ao banheiro com a Lockser. Disse que ia nos encontrar no refeitório. Estávamos indo para lá agora. — Foi Rufus quem respondeu.

Gray olhou ao redor, até que mãos agarraram seu peitoral por trás. A colônia da garota se fez sentida pelo rapaz, que sorriu por um breve segundo, antes de soltar as mãos e enganchar o pescoço da garota.

— E aí, Rolinho?

— Olá, Senhor Gray. — A garota deu uma risadinha, antes de se dirigir aos outros. — Oi, Erza, oi galera.

Lucy puxou Levy um pouco para trás, para então sussurrar em seu ouvido, sem ser notada pelos outros.

— Vocês se dão bem agora?

— Ah... Sim, no colégio ela parecia bem pior do que de fato é. Fora que a relação dela com o Gajeel é bem diferente do que eu pensava, não tem um pingo de luxúria. — Levy falou, contente.

— Fofocas depois, mocinhas. — Rufus declarou, puxando Lucy delicadamente pelo pulso e acenando com a cabeça para Levy. — Vamos, senhorita Mc.

Encaminharam-se para o refeitório, em meio a conversas, e não demoraram a localizar a baterista, com um prato enorme a sua frente, um grande sorriso estampando sua face. Ela acenou ao ver os companheiros se aproximando.

— Esse bandejão tá uma beleza, corram lá.

Haviam vários lugares vagos na grande mesa em que Flare estava sentada e, por mais que alguns deles preferissem comer do lado de fora, após servirem-se, sentaram ao seu lado. Quando Natsu foi puxar Lucy para sentar ao seu lado esquerdo, já que Gray e Erza já ocupavam dois bancos a direita, a ruiva segurou o braço dela.

— Não quer sentar aqui, Loirinha?

— Anh... Tudo bem. — E fez o que foi pedido, deixando um Dragneel emburrado do outro lado da mesa.

— Acho que você perdeu sua garota, cara. — Ren comentou, sorrindo levemente. — A Flare flerta melhor do que eu.

Lucy corou absurdamente, enquanto Natsu apenas arqueava uma das sobrancelhas, confuso. Enquanto comiam, conversa era jogada fora. Flare, a primeira a terminar, logo começou a fazer cafuné em Lucy, que manteve os ombros tensos.

— Você cursa o que?

— Psicologia e você? — devolveu a pergunta, começando a ficar sonolenta e deixando-se levar pelo afago, apoiando a cabeça no ombro da outra, que riu.

— Ah! Parece que você e eu vamos ter algumas aulinhas juntas.

— Ora. Que legal, Flare.

Lucy deixou a cabeça pender mais, o pescoço exposto que a ruiva tratou de acariciar, causando arrepios na jovem já envergonhada.

— Você é muito fofa.

— Flare, dá pra parar de quase engolir a minha amiga?

— ‘Cê ‘tá muito ciumento para o meu gosto, foguinho. — riu, antes de beijar a testa alva da garota. — Se ele ficar chato e possessivo demais, eu to aqui, ok?

A loira corou absurdamente, antes de esconder a face e ajeitar a posição para o que seria normal.

— Ei, Erza. Aquela garota ali...

— Shhh.

Tarde demais. O olhar de Natsu já fora atraído em direção a Lisanna, fazendo com que seu coração acelerasse subitamente. Engoliu em seco, sem saber como lidar com a confusão estabelecida em seu último encontro.

Mirajane, ao perceber os olhares em sua direção, acenou para o grupo, indo até eles junto com a irmã mais nova, que encarava fixamente Natsu, cujo lado esquerdo continuava vago. O garoto desviou o olhar.

— Olá, pessoal.

— E aí, Mira. — Vários cumprimentos foram dirigidos às irmãs.

— Como está sendo o primeiro dia de vocês?

— Emocionante. — Flare respondeu, com ceticismo na voz. — Por que você não pergunta para o loirão que ‘tá te engolindo na outra mesa?

E só então Mira reparou que Laxus estava no mesmo ambiente que ela, realmente com um olhar intenso em sua direção.

— Eu já volto, sim? — sorriu cordialmente, antes de ir até ele.

Lisanna permaneceu séria e caminhou até Natsu, sentando-se ao seu lado. Os músculos de Dragneel retesaram, o olhar sério de Lucy acompanhando tudo.

— Oi, Nat.

Não houve resposta.

— Tudo bem, Lisanna? — Foi Erza quem quebrou o clima estranho.

— Tudo sim, e com vocês? E com você, Lucy?

— ... Eu vou bem, obrigada. — Ela se manteve rígida.

— De acordo com o Loke, você é bem divertida, então por que essa cara?

— De acordo com o Natsu, você é uma piranha, então por que a cordialidade?

Silêncio e choque total entre os presentes. Flare gargalhou, enquanto os outros pareciam estagnados. Levy percebeu os olhos da amiga lacrimejarem. Ela não costumava ter essa atitude. Talvez fosse algo relacionado com a estranheza que ela estava apresentando desde que se viram.

— Nossa, não precisava disso, eu tentei ser gentil.

— Duvido que você queira ser gentil. Desculpe, mas se Jude Heartfilia e Loke estavam tramando algo, eu não quero ficar de guarda baixa logo perto de você. Desculpa, eu não queria te chamar de piranha.

— Queria, sim. Depois eu que sou ruim. — Strauss jogou, ácida.

Natsu não poderia estar mais perdido.

— Dá pra vocês pararem? Esse é um péssimo momento pra todo mundo, deu pra vez. Lisanna, sai daqui...

— Só se você vier comigo. Está na hora de você sentir de novo como é passar um tempo comigo. — Ela tentou. Virou-se para Lucy. — Olha, eu sinto muito pela história toda com o seu pai, mas eu não quero me envolver nos seus problemas, eu só quero recuperar o meu melhor amigo. Falou?

Lucy só fez levantar, sentindo que não conseguiria conter as lágrimas, quebrada pelo evento do dia anterior. Natsu tentou levantar e segui-la, mas percebeu que não devia atiçar Lisanna, então Levy se responsabilizou por isso.

— O que você ‘tá tentando provar?

— Vai saber. — beijou a bochecha do rapaz, que travou novamente.

— É. Que belo início de semestre. Gee hee.

E ninguém pôde se opor ao comentário de Gajeel.

Notas finais
Mil mil mil perdões pelo atraso de mais de dois meses. Digamos que (novidade) fiquei atolada na minha vida pessoal e com o colégio, e acabei sendo muito displicente com a fanfic. Queria ter feito um capítulo grande e maravilhoso para compensar, mas não fui capaz (o final ficou corrido, srry), então peço desculpas novamente. Reviews...? Boo.