Blondie and Cotton Candy

10 Capítulo 9 — Comece a atuar


Notas iniciais
Aproveitem a leitura.

Capítulo 9 — Comece a atuar

Anteriormente:

— Não seja insolente, criança! Sabe muito bem que seu término com Loke prejudicou minhas chances, a mim! Você não se preocupa com o futuro dos nossos negócios, o legado da nossa família, e eu tenho que impedi-la de destruir isso. Quero que reate com ele.

— Mas, pai, ele estava me traindo! E trairia outras vezes! — O homem lançou um olhar carregado de escárnio.

— Isso não interessa. Mulheres inúteis com você, que não são capazes de satisfazer o próprio namorado, não têm direito de reclamar. [...] Marquei um jantar. Eu, você, Loke e os pais, que dessa vez estão em uma cidade próxima. Para essa noite, sem a possibilidade de negar ou remarcar.

[...]

Para: Levy; Algodão doce

Às 16h25

Terei que jantar com os pais de Loke hoje e provavelmente iremos reatar, meu pai está manipulando o jogo. Me ajudem (;^;)

[…]

— Bem, por tudo que vi em todo esse tempo de namoro, acho que nossos filhos tiveram um relacionamento ótimo, que infelizmente terminou. Acontece muito isso nos dias de hoje, nada dura, mas é perceptível que há um sentimento muito forte entre esses dois e acredito que cabe a nós salvar um relacionamento tão belo. É possível que continue. [...] Oh, minha Lucy ainda o ama, não há dúvidas.

— Sinto muito que ame, porque eu sou o namorado dela!

[...]

— Lucy, você vai namorar o Loke, não essa criança irresponsável e melequenta!

— Você não pode me obrigar, pai!

— Já estou obrigando, eu mando em você! — gritou.

— Não manda, não. — Foi a vez de Natsu defender a amiga, raivoso. Lucy deu a mão para ele, chorosa, e saíram correndo.

—... Ande, pilote essa moto e vamos!

____x____

A loira não tinha palavras para expressar sua gratidão pelo rosado ter lhe salvado de tamanho incômodo – ou mais que isso – de voltar a namorar com aquele insensível e desprezíel do Loke, contudo teria de abusar mais um pouco de sua gentileza. Sabia que já estava devendo mais do que sua alma para Natsu, tanto é que algum dia planejava retribuir os incontáveis favores já prestados por ele, entretanto agora precisava do rapaz mais do que nunca. Quando não precisava...? Ele era um anjo em sua vida.

Pediu para que o mesmo passasse em sua casa rapidamente, pois precisava resolver alguns assuntos; sem pestanejar, o garoto aceitou de bom grado, como quase sempre que ela pedia algo. Ao chegar, teve receio em afastar-se do calor proporcionado por ele, no entanto o fez para subir rapidamente as escadarias inacabáveis de sua mansão, sendo seguida por um rosado vagaroso e distante, que parecia não sentir nenhum cansaço pela subida, só um vazio absurdo no olhar.

Enquanto mantinha tamanha distância do rapaz, subindo em uma corrida desenfreada e perigosa, Lucy tentava controlar as batidas apressadas e descompassadas de seu inocente coração caindo aos encantos de Natsu, que cada vez mais se tornava tão necessário e tão capaz de lê-la e ajudá-la. Não se podia dizer muito de sua respiração também, a mesma estando ofegante e um tanto que anormal. Não entendia o porquê de tais anomalias corporais. Sempre fora uma menina saudável, tudo bem que estava doente graças a chuva do dia anterior, porém um simples resfriado não causava tamanho atiço em seu organismo. Resolveu por apenas ignorar tais sensações e concentrou-se na missão de chegar rapidamente ao seu quarto.

Abriu as portas para seu dormitório e logo pegou uma mala grande, prontamente começou a enchê-la de roupas e itens necessários para a sua sobrevivência durante alguns dias ou mais. Natsu diria que mais. Arrumava-a com certo desespero, ainda usando o vestido adequado apenas para ocasiões sociais como as que eram arranjadas por seu pai. Era lindo, mas não o tipo de roupa que confortavelmente usaria para um passeio. Insatisfeita com seu coração ainda acelerado, tacava com um pouco de frustração os utensílios de higiene em sua bagagem. “Por que estou assim? Devo estar muito doente! Só pode!”, reforçou tal possibilidade em pensamento.

Sua cabeça estava tão cheia que acabou por não perceber a aproximação de Natsu, o qual já estava praticamente colado nas costas da garota de madeixas douradas. Ela apenas pôde sentir a respiração quente do rapaz em seu pescoço, assim como o calor do corpo do mesmo aquecendo a menina assustada com tal aproximação em tão pouco tempo.

— O que está fazendo? – questionou, olhando por cima do ombro dela.

Rapidamente parou de colocar coisas na mala e virou-se para o rosado, praticamente sentou-se na mala para tentar se afastar do mesmo. Suas bochechas continham um tom rubro e seus olhos brilhavam intensamente ao encontro dos belos orbes escuros do rapaz, que pareciam mesclados em uma imensidão de um verde quase enegrecido e o próprio preto.

— A-Arrumando uma mala, oras. — respondeu para cortar o silêncio, estando sobre a bolsa com itens dentro. Ele riu.

— E desde quando você se coloca na sua bagagem?

— Apenas me dê espaço para terminar isso, idiota. — desviou o olhar para qualquer outro canto do quarto senão o rosto do rapaz.

Ver a loira nesta situação não contribuía muito para o pouco autocontrole de Natsu, que apenas se tornou quase inexistente no momento em que estavam sozinhos naquele quarto. Até mesmo a governanta, Virgo, havia tirado folga depois daquela hora da noite. Ou seja, estavam totalmente sozinhos na casa principal. Este fato apenas atiçou a fera dentro do garoto. Sabia que não deveria mexer com a garota depois da situação em que se meteram, ainda mais quando ela parecia irritada, mas precisava preencher esse buraco dentro de si que clamava por ser preenchido por ela. Agora.

— E se eu não quiser? — indagou em um tom de voz sedutor. — Não sei se quero deixar você terminar, afinal, gostei dessa ideia de colocar você em uma mala e levar para casa.

Lucy arrepiou-se, e as batidas de seu coração apenas apressavam seu ritmo. Conforme o espaço entre os jovens diminuía, a respiração ofegante de ambos tornava-se mais óbvia. Os agitados olhos castanhos encontraram seu caminho através dos orbes profundos possuídos por Natsu.

— O que você está fazendo? — perguntou em um suspiro. — É bom mesmo gostar da ideia, já que é isso que–

— Agindo como um namorado.

Cortou o que quer que ela estivesse falando e respondeu, antes de selar seus lábios com os da loira. A voracidade do beijo deixava claro o quanto o casal se desejava internamente, e mesmo que a garota tivesse rejeitado o carinho inicialmente, aderiu aos toques do rosado com certa rapidez e desejo. Passava suas delicadas e aveludadas mãos pelo pescoço e cabelo do garoto, com certo desespero por controle, apenas deixando-o ainda mais atiçado.

O rapaz deitou-se sobre a garota apoiada na mala e, enquanto uma de suas mãos o impedia de esmagar a loira, a outra passeava pelas curvas do corpo curvilíneo de Lucy, parando em sua coxa e puxando-o para si. A mente de ambos ficara vazia, apenas deixando-se levar pelo prazer do momento sem limitações, as intimidades com um contato forte e absolutamente excitante. Natsu se moveu, como se quisesse avançar, e quando tentaram mudar de posição, a menina sentiu algo lhe incomodar. Um livro. Instantaneamente lembrou-se de que havia algo importante para ser feito, e isto não era se agarrar com seu melhor amigo.

Rapidamente acabou com o beijo e se soltou das fortes mãos do rosado, que ficou mais que insatisfeito com tal atitude. Engatinhou até o outro lado da cama, pegou algo, colocou na mala e levantou-se novamente recebendo um olhar reprovador vindo do rapaz ainda debruçado sobre a bagagem da menina.

— Ah, qual é, Lucy. Por que você fez isso? — perguntou, descontente. — Eu sei que você também estava gostando disso, não tente negar. — completou em tom de deboche, por mais que o nervosismo dominasse todo seu corpo.

Novamente a situação pedia por uma conversa séria, que parassem e discutissem o que diabos estava acontecendo entre eles e isso fazia com que temesse por sua amizade, temesse pelo que poderia acontecer e destruir a pessoa que mais amava depois da tia.

— Se eu estava gostando ou não é problema meu. Agora, se me dá licença, eu preciso terminar de arrumar minha mala.

Natsu bufou, entretanto deu espaço para que ela terminasse o que estava fazendo antes de começarem a se agarrar. Sentou-se em qualquer canto do quarto e olhava para Lucy pegando coisas e colocando dentro da bolsa. Na verdade ele estava mais olhando para o corpo e a bunda da menina do que qualquer outra coisa, porque era realmente delicioso ver os movimentos que ela fazia abaixada. Se não podia tocar, que olhasse. Olhar não arranca pedaço, não é?.

— Por que está fazendo isso mesmo? — questionou, já entediado.

A loira virou seus calcanhares para ficar frente a frente com o rapaz. Suspirou e apenas estreitou os olhos, subitamente frustrada e irritada, o quarto parecendo pequeno demais para os dois.

— E você ainda pergunta? — respondeu impaciente. — Graças ao seu teatrinho no jantar sobre ser meu namorado, meu pai não vai largar mais do meu pé. Você não tem noção do quanto eu vou sofrer se eu continuar nesta casa. É capaz de ele me forçar a casar com o... desgraçado do Loke. — as últimas palavras entoaram relutância quase explícita em amaldiçoar o ex-namorado da menina. — Resumindo tudo, eu vou morar na sua casa por algum tempo, até que a poeira baixe e eu possa voltar a viver tranquilamente nessa mansão sem muita pressão imposta sobre mim. Ou no meu apartamento, a faculdade não demora a começar, mesmo. — terminou com um suspiro e logo se virou, voltando a encher sua bagagem com roupas e diversos objetos.

— Deixe-me ver se entendi bem... Você vai passar alguns dias na minha casa porque não quer que seu papaizinho te encha o saco?

Parecia que ela estava apenas zombando, todavia a verdade é que Natsu ficou tremendamente magoado. Por que ela estava culpando-o tanto? Fazia tanto por ela, e mesmo assim a garota teimava em mostrar que não era o suficiente.

— Alguns dias, algumas semanas, alguns meses... Depende muito de quanto tempo vai levar para tudo passar. — A garota disse dando de ombros, como se isso fosse uma trivialidade. Como se ele não pudesse negar. E podia? Tremendamente magoado era pouco.

— E posso perguntar quem que te deixou viver lá?

— Eu sou sua namorada agora, oras. Aja como um companheiro ideal, ou pelo menos atue como eu. — colocou alguns livros dentro de uma segunda mala e se virou para o rapaz, se aproximando do mesmo. — Olha, meu amor, agora que tanto meu pai quanto os pais de Loke acham que temos um relacionamento, o mínimo que você tem que fazer por ter começado tudo isso, seria continuar com essa mentira até o fim. — ela abriu um sorriso um tanto que assustador. — Porque se você não fizer isso, eu vou fazer da sua vida um inferno. — A loira sentou-se sobre o colo do rapaz e aproximou seu rosto delicado do dele. — Entendeu, querido?

Por breves momentos o rapaz ficou estático e não soube o que fazer. Tudo estava sendo rápido demais para sua pobre mente acompanhar. E pensar que toda esta confusão foi apenas iniciada quando o rosado teve um acesso de raiva – ou talvez ciúmes – para socorrê-la como foi pedido e tirou a loira do entediante jantar dando a desculpa de que ela e o ruivo não poderiam voltar a ter a mesma relação de antes, pois, agora, Natsu era o “namorado” da garota. Havia sido somente o calor do momento que o fizeram proclamar tais palavras, não sabia que teria de atuar logo após isso. Ela estava sendo tão injusta... Se aproveitando do quanto ele queria ajudá-la e da culpa que sentia por qualquer possível confusão. Sua idiota, olhou para baixo. Pensando bem... Até que ia ser interessante e proveitoso para o rapaz fazer o singelo “pedido” da menina.

Após os segundos de confusão, Natsu exibiu seu sorriso mais malicioso e perverso enquanto envolvia a cintura fina da garota, fazendo com que o corpo desta colasse junto ao seu. Logo, as bochechas da loira se tingiram de vermelho vivo, cor que combinava perfeitamente com sua expressão de surpresa e confusão explicita tanto em seus olhos como em sua boca semi aberta, pela qual ele passou levemente a língua umedecida.

— Pode deixar que eu vou ser o namorado que você sempre quis e nunca teve, então, meu amor. — falou confiante. — Só não tenho culpa se você acabar se apaixonando por mim. — sussurrou no ouvido dela. — E você tem que saber que eu não sou só bonzinho, você foi uma menina muito má e deve ser punida.

Antes que Lucy pudesse tomar qualquer ação ou responder às afirmações sem nexo do rapaz, este selou seus lábios no mesmo beijo voraz e selvagem de antes. Suas mãos continuaram pousadas sobre o peitoral do rosado como maneira de empurrá-lo para escapar das carícias inapropriadas para o momento. Contudo, ela não o fez. Não afastou seu corpo delicado da pele quente de Natsu. A sensação de tê-lo tão perto lhe fazia bem, assim como a ideia de passar algum tempo no lar deste, não parecia ser tão ruim. De certa forma, a loira estava gostando de todo o drama que se desenvolveu nos últimos dias. Talvez Natsu fosse, finalmente, alguém que mudaria sua tão mísera e monótona vida.

Sentiu as mãos quentes do rapaz subirem até seus ombros e abaixarem uma de suas alças, com tal gesto, o garoto arrancou um baixo gemido surpreso da menina. No mesmo momento, ele deu uma risada abafada pelos lábios da moça e acariciou a região mais próxima a um dos seios, de forma provocativa. Rapidamente, ela afastou-se deste, ficando, novamente, a uma distância menos perigosa e mais apropriada para a verdadeira relação dos dois.

— O que você pensa que está fazendo?! — indagou com suas bochechas extremamente vermelhas.

Após mais algumas risadas, Natsu respirou fundo e passou a olhar nos olhos castanhos da menina, da forma mais desafiadora possível. Vingança.

— Agindo como um namorado, como você queria. Agora, se você me der licença, vamos fazer coisas que casais fazem, ou melhor, vamos continuar. — disse com um sorriso pervertido e logo tentou se aproximar de Lucy novamente, sendo parado pelas mãos da menina.

— Ei, espere um pouco! Você só precisa atuar na frente dos outros, está bem? Quando estamos sozinhos, voltamos a ser simples amigos, entendido?

Ele riu.

— Então está bem, só não acho que seria muito sensato você gemer na frente das outras pessoas, querida. Mas se é o que deseja, não tenho outra opção a não ser fazer com que os outros vejam o quanto você gosta das minhas carícias. — passou seu polegar pela mandíbula da menina e assim fez seu caminho até os lábios inferiores dela, onde parou por alguns segundos, fazendo com que inúmeros arrepios percorressem o corpo da loira. — Não tinha que terminar suas malas, não? — questionou desviando seu olhar da boca de Lucy para seus olhos castanhos arregalados.

A loira prontamente se levantou saindo do colo do rapaz e arrumou seu vestido. É importante enfatizar que o vermelho ainda predominava em suas bochechas.

— Sim, minhas malas. Não me incomode mais, sim? — pediu enquanto se virava de costas e voltavam a pegar vários objetos e a colocá-los na bagagem.

— Sim, senhora.

A resposta veio irônica e ele deu uma risada apenas observando a menina.

Os pensamentos da garota estavam embaçados, embaralhados, confusos, todo e qualquer adjetivo sinônimo de bagunça que pudesse ser citado. Natsu mudara muito dede que o conhecera, entretanto, no fundo, ele deveria continuar sendo o mesmo. Aquele rapaz tarado por sexo, o qual não se preocupa em saber dos sentimentos dos outros, ou que apenas ignora o que está na sua cara, que despreza o carinho e o amor alheio por si. Embora soubesse que o rosado optou por não sentir, por ignorar todo e qualquer tipo de afeição, não se conformava com o fato de ele ser tão frio, mas o mesmo tempo tão quente. Tão rude, mas tão gentil. Apenas não fazia sentido algum, nenhuma de suas ações até então.

“Ele parece ter mudado”, pensava e logo se repreendia por ter tal coisa em mente. Queria acreditar, mesmo, na mudança do rapaz. Queria ter a crença de que ele não era mais a mesma pessoa fria, queria que ele voltasse a ser o que era antes, apesar de ter só ouvido disto pela boca de Natsu. E, bem no fundo, Lucy queria que ele estivesse realmente apaixonado por ela. A garota queria acreditar que ela tinha sido o motivo da mudança de maneiras do rosado. Queria ser parte da vida dele, não apenas um capítulo, mas o livro inteiro. Ele parecia ter mudado desde que a conheceu, então ela era a mudança, não era?

O silêncio tomou conta do local. O barulho de zíperes e pegar de coisas eram as únicas coisas que podia ser ouvida, no entanto, não se atreviam a declarar mais nada, dando aquela conversa como encerrada. Apesar de todos os sinais de que isto estava acabado, por algum motivo, a garota queria continuar a ouvir a voz rouca e tentadora do rapaz. E, por outras razões não compreendidas pela loira, suas bochechas pareciam ficar rubras de um segundo para outro sem qualquer explicação plausível. O mínimo que ela poderia dizer sobre isto era: estranho.

Podia-se dizer que os sentimentos, em relação ao ambiente quieto, do rosado eram os mesmos dos da menina. Aquilo lhe incomodava de uma maneira não entendida pelo rapaz. Queria escutar a doce e gentil voz possuída por Lucy, e mais, queria possuir os lábios rosados e perfeitamente desenhados que combinavam perfeitamente com as belas feições do rosto da jovem.

Instintivamente os olhos negros de Natsu se desviaram para o corpo curvilíneo de sua “namorada”. Ela era tão perfeita, quer dizer, tinha um corpo de dar inveja em qualquer mulher e de causar desejo em qualquer homem com o mínimo de bom gosto. Pensando mais claramente, não entendia o porquê de Loke trair tal menina como Heartfilia com alguém como Lisanna.

Não podia negar que já se encontrou amando a albina, contudo, esse sentimento de carinho, afeição e proteção pela grisalha já quase não passava mais por sua mente. Para falar a verdade, na maior parte das vezes que quaisquer traços dos olhos azuis penetrantes da Strauss cruzavam sua mente, eles logo eram substituídos pelos olhos grandes e castanhos que tanto gostava, assim como não pensava mais no quê ela estaria fazendo naquele instante com o ruivo, ou do que seria do relacionamento dos dois se ele a perdoasse ou se nada houvesse acontecido.

O pensar nela vinha nos momentos de solidão, quando não havia festas com Gray e os amigos, ou quando Lucy não estava com ele. Só ele, Happy, fotos e lembranças. Transava com outras garotas e, por mais que a maioria fosse loira, nenhuma o satisfazia como queria que Lucy satisfizesse, e nenhuma era tão bela como Lisanna, ou falava como Lisanna, não era “Nat” que saia daqueles lábios e nem olhos carinhosos que o encaravam. Eram olhos libidinosos de uma garota qualquer que ele gostava de foder, porém nunca amaria. Nunca abraçaria. Não era Lisanna. E pensar nisso doía como o inferno.

Contudo, a maior parte do tempo em que costumava pensar na albina antes fora substituído por passatempos propostos por Lucy e, logo, estava pensando na loira e na nova amizade que construiu com ela. E não apenas na amizade, mas pensava também nos beijos, nos toques, nos gemidos que ela dava. Pensava sobre todo e qualquer fato sobre ela. Formava hipóteses sobre fatos ainda não descobertos por ele. Como ela dormia? Como era seu pijama normal? Como acordava? Como era seu cabelo pela manhã? Como seria acordar ao lado dela todos os dias e se divertir como ela até não poder mais, como uma criança leve e... feliz. Queria saber e, para sua sorte, desvendaria estes mistérios feitos por ele mesmo durante o tempo em que ela moraria em sua casa.

Entretanto, para toda dádiva, havia um sacrifício.

Natsu teria de se controlar ao máximo para não fazer coisas indecentes com a loira todas as noites, quer dizer, se ela quisesse, ele não seria a pessoa a negar tal prazer para aqueles lindos orbes castanhos. Pelo contrário, faria com o maior prazer todos os desejos carnais possuídos por Lucy. A faria satisfeita de todas as maneiras que lhe fossem disponibilizadas, afinal, era este o dever imposto para namorados, e era o que ele gostaria muito de brincar de ser. Só que deveria respeitá-la e ser um bom amigo, não deveria substituir suas putas por ela. Ela era importante.

— Está olhando o quê? Perdeu alguma coisa no meu corpo, Natsu? — indagou a loira com suas bochechas rubras, agora, virada de frente para o rapaz, que praticamente babava enquanto esquadrinhava cada partezinha do corpo dela.

A mala da menina estava feita, fechada e com mais algumas pequenas bolsas arrumadas organizadamente ao lado da maior. Rapidamente seus pensamentos voaram longe e o garoto voltou à realidade, percebendo que a encarava no tempo em que estava pensando.

— Ahn? — murmurou ainda confuso.

Lucy suspirou e revirou seus olhos já impaciente com as atitudes tomadas pelo amigo. Quando, no entanto, ela estava totalmente constrangida por dentro por ter percebido a maneira faminta com que o rapaz a olhava de costas.

— Seria bom se você fosse mais discreto quando olhasse para mim, sabe. — falou sarcástica repreendendo o rapaz que se encolheu na cadeira.

De certa forma ela sentiu-se culpada e ressentida por causar tal efeito no sorriso sacana que sempre era exibido nos lábios de Dragneel. Abaixou seu olhar e virou-se para trás pegando todas as bagagens feitas e prontas para serem levadas. Tinha as três menores tendo peso dividido em ambas suas mãos, contudo, quando ia pegar a mala maior, uma outra mão pegou esta antes.

— Deixa que eu a ajudo. — disse o rapaz com certa gentileza imposta em sua rouca voz.

Queria se redimir. No entanto, não conseguiam evitar as sensações a cada toque. Ele pegou a mala por trás da garota, deste jeito, ambos estavam novamente pertos demais. A menina virou-se de frente de tal maneira que seus narizes estavam quase se tocando. Seus olhos não desviavam dos orbes profundamente escuros – e ao mesmo tempo tão verdes – de Natsu, e o mesmo acontecia com ele. Estava preso na imensidão da cor assemelhada a chocolate que coloria os olhos da menina. Tão linda. Tão delicada. Tão desprotegida que o fazia querer deixá-la longe de todos os maus ocasionados pelo sociedade. Talvez devesse falar para ela sobre o desejo que sentia e a confusão de sua mente.

— Lucy, eu...

— Você... — ela encorajou-o a continuar.

— Eu quer–

Não pôde completar, logo sendo interrompido por o barulho de portas sendo abertas.

— Princesa, tenho de lhe alertar que o Senhor Jude acabou de anunciar sua chegada na portaria, e está furioso. — Virgo, avisou ao entrar no cômodo. Sua voz calma de certa forma tinha perigo. — Desculpem atrapalhar, vi a moto na entrada pela janela quando ouvi o barulho que ele fez.

Rapidamente o jovem casal se afastou mantendo uma distância mais do que apropriada. Ambos seguravam as malas contendo tudo que a garota necessitaria durante o tempo indeterminado em que moraria na casa do rapaz, TUDO. Os rostos, tanto da loira quanto do rosado, estavam total e extremamente vermelhos devido a situação que se encontravam antes.

Lucy limpou a garganta recompondo sua postura enquanto Natsu apenas coçava sua nuca, envergonhado.

— Obrigada, Virgo. Espero seu telefonema assim que as coisas ficarem melhores. — aproximou-se da mulher de cabelos curtos e deu nela um abraço bem forte e carinhoso, sendo prontamente correspondido. — Mas não ache que por isso está liberada de mandar mensagens. Vamos conversar toda hora, mana! — exclamou com um sorriso retribuído pela mulher.

— É claro, Lu. Eu morrerei de saudades. Cuide dela, Dragneel. — ameaçou. — Ou será hora da punição.

— O... que?

— Melhor você não saber. Vamos, Natsu? — virou-se para o garoto.

— Anh? Ah, sim, vamos. — respondeu sendo guiado até a sacada do quarto da menina, onde poderiam descer por uma árvore onde estaria a moto na saída da mansão – Virgo cuidara de tudo.

— Adeus, Virgo. Se cuide. — despediu-se pela última vez enquanto o rosado pulava para o galho mais firme da planta colocando a mala grande perto de seus pés. Ele ofereceu a mão para a loira, gentilmente.

— Vamos, Lucy.

Ela assentiu com sua cabeça e pegou na forte mão do rapaz.

Talvez passar alguns dias morando com ele não seria tão ruim assim.

Notas finais
Reviews?