Blondie and Cotton Candy
12 Capítulo 11 — Vai ficar tudo bem?
Notas iniciais

Capítulo 11 — Vai ficar tudo bem?
Anteriormente:
— Certo, tampinha. — sorriu de maneira selvagem, de forma que Levy enrubesceu. Sentiu falta desse sorriso.
— A propósito, meu nome é Levy.
E assim, o estranho casal, o brutamontes e a franzina, seguiu pela rua na fria e escura noite.
[...]
— Mas é sério, qualquer coisa me chame. Eu sou o culpado de estarmos nessa situação e–
— É mesmo. A culpa é toda sua. [...] Natsu... Eu não queria–
— Não, você tem razão. A culpa é minha. Toda minha. Eu não deveria ter me intrometido. Se você quiser voltar correndo para os braços do Loke, faça isso. Vai lá. Corra pra ele! Ele te ama agora, certo? E eu não me importo. Sou o errado aqui. — Ela tentou interromper, contudo, o olhar magoado que ele lançou em sua direção dizia “pare”. — Não deveria ter me metido no namoro perfeito. Se não tivesse feito isso, você estaria absolutamente feliz agora. Eu sou o único que deve ficar sozinho p’ra sempre, o único não merecedor.
[...]
— Natsu... — Ela soltou, entorpecida pelas sensações e o turbilhão de emoções. — Eu acho que estou me apaixonando por você. — disse em um suspiro.
Ele paralisou. Apaixonando. Era isso mesmo que ela dissera? Não. Não podia ser.
— Você não... sente o mesmo, não é? — deu um sorrido carregado de tristeza, a mão na testa representando seu mais forte pensamento. Por que eu falei isso?, perguntava-se. — Tudo bem. Esqueça isso, eu falei demais. — virou o rosto.
[...]
— O teu pai... Está furioso atrás de ti, Lu. Ele já me ligou diversas vezes, assim como para o Jellal. Ele mandou seguranças para revirarem o teu apartamento, para te procurar na minha casa. Eles até mesmo buscaram saber onde o Natsu mora, contudo não encontraram nada. Imagino que logo eles apareçam por aqui, em alguns dias. Eu disse que você estava bem, mas que não chegou a me contar onde estava. E o que me deixou muito surpresa é a suposta falta de registro de qualquer Natsu Dragneel em todo o Canadá.
[...]
— Viva comigo! Eu te sustentarei!
Mais lágrimas saíram pelas orbes castanhas da garota. Ela realmente tinha se apaixonado. E cada vez mais, aquele garoto lhe prendia. Por mais que ele quisesse apenas sua amizade, ele estava ali por ela. Já estava oferecendo muito. Então ela iria aceitar. Porque ela sabia que podia confiar em Natsu Dragneel.
— Tudo bem... eu vou resolver isso.
____x____
— Você está bem? — Levy questionou, encolhida sobre uma cadeira.
A pequena abraçava as próprias pernas, queixo sobre joelhos. O olhar parecia perdido, fitando a vista que despontava na janela do quarto de Natsu. Lucy, por sua vez, estava deitada de maneira desarrumada e preguiçosa na rede, um pouco mais alta que a cama. Apesar dos olhos fechados, o cenho franzido e a boca repuxada quebravam o ar de repouso.
— Vou ficar. — garantiu, após um suspiro.
— É uma decisão importante... Está repensando?
— Confesso que sim. Acho que Natsu está certo, mas é uma situação muito mais delicada do que ele faz parecer. Jude é meu pai, sabe?
— É, imagino. — A azulada mordeu os lábios, sem saber como ajudar.
Mais um suspiro.
O silêncio que se estabeleceu novamente por alguns minutos logo foi quebrado pela voz fraca de Heartfilia.
— E essa coisa toda do Natsu?
— Que coisa, Lu? — inquiriu, confusa.
— A falta de registros dele no Canadá...
Permaneceram em um silêncio morno, lento e que pingava no tempo. Era, simultaneamente, confortável e desconfortável. Levy levantou-se, pisou com os pés descalços na borda da cama e subiu na rede, seu corpo pequeno encaixando entre a amiga e a borda da rede. Deram as mãos, trocando olhares carinhosos.
— Vai ficar tudo bem. Estamos com você.
Natsu, que até então estava recostado no batente da porta, deixou um suspiro silencioso escapar e se dirigiu novamente à varanda.
— Lucy?
— Diga, Ley. — incentivou, embora mantivesse os olhos fechados.
— Eu saí com o Gajeel, recentemente.
— É o quê?!
A loira sentiu o espaço se aquecer, o calor que Levy emanava aumentando drasticamente, enquanto as maçãs da face, normalmente tão brancas, tingiam-se de rosa.
— Quando vocês se encontraram? Ele já gostava de você no colégio?
A pequena riu, sem graça pela animação de Heartfilia, antes de desviar o olhar para o teto.
— Ele... não lembra de mim. Acha que nos conhecemos há pouco.
Lucy parou instantaneamente de sorrir, entendendo o sorriso triste que adornava os lábios de McGarden. Isso não fazia sentido. Como ele não conseguiu reparar na garota que tirava as melhores notas da série, a garota que sempre andava por aí com um livro e que, ainda por cima, tinha um cabelo bastante chamativo desde o início do terceiro ano. Por outro lado, eles terem se encontrado novamente era quase como uma nova chance. Não diria destino, pois não acreditava em tal coisa, porém... era mágico.
— Ah, Levy... Bem, ao menos vocês se encontraram, garota! Como foi? Me conte tudo. — pediu, tentando animar a pequena.
— Nós nos encontramos em uma loja de conveniências. Ele foi um puta d’um babaca. Acabamos nos encontrando de novo, ontem à noite, enquanto eu dava uma volta. Foi diferente. Parecia que era o Gajeel que eu admirava, sabe? — sorriu sem perceber, a amiga correspondendo. — Ele me chamou para tomar um chocolate quente. Confesso que isso me deixou muito, mas muito surpresa. Quer dizer, como assim? Como assim o cara que eu gosto e nunca me notou me encontra, não sabe quem eu sou e mesmo assim me convida para sair?! Algo que eu nunca imaginaria, com toda a certeza.
A loira riu, contente com o tom animado que a voz de Levy assumiu. Fez um afago nos fios azulados e ouviu a amiga falar. Entretanto, por mais que ouvisse, no fundo de sua mente, ainda se sentia profundamente atormentada.
[x]
Natsu suspirou, sentado na varanda, enquanto escrevia em grande velocidade em seu computador. Não conseguia se focar, no entanto, os pensamentos acelerados girando em torno da situação com Lucy e da infeliz descoberta da menina. Esticou os braços, alongando-se, e em meio a sua distração, o olhar bateu em uma palavra riscada na superfície negra do laptop. Passou os dedos sobre ela, o olhar caído.
— Au–
O rapaz fechou violentamente a tela, encarando a mulher atrás de si. Ao ver que os cabelos de loiro nada tinham, suspirou. Beiravam ao escarlate, ao contrário do que esperava. Sorriu para a mulher, que arqueava uma sobrancelha, desconfiada.
— Oi, Erza. Não te vi entrar.
— Percebi. O que estava fazendo?
— Nada, ô curiosa. — implicou. — O que você está fazendo aqui, é a pergunta.
— Não posso, é? Faz tempo que não nos vemos, já que você tem andado muito com a garota Heartfilia. Pensei em comermos um bolo de morango juntos e assistirmos uns filmes de comédia juntos. E se você quisesse chamar o Gray também...
— Seria ótimo. Mas não a Lucy?
— Ah... — Erza abaixou a cabeça, sentindo-se péssima por preferir que o amigo passasse mais tempo com ela. — Eu sou horrível. Deveria ser punida. É perfeitamente normal e compreensível que você tenha arranjado uma nova amiga.
— Como assim, o que foi? Não é isso, é só que ela já–
— É que... Bem, foi ela quem te fez voltar a ser o Natsu que conhecemos. Mas em troca disso, você se afastou mais ainda de nós. É um pouco triste. — comentou, o olhar entristecido.
— E-Erza! — chamou, assustado com o que a amiga confidenciou. — Eu não pensei que vocês se sentissem assim! Sinto muito. Ei, tá tudo bem, certo? — abraçou-a, segurando a cabeça dela com uma das mãos, de forma carinhosa. — Eu ‘tô pegando fogo pra voltar a me divertir muito com vocês!
A ruiva sorriu, os olhos castanhos repletos de emoção. Sentia muita falta de Natsu. Uma voz feminina chamou o nome do amigo, fazendo com que se surpreendesse. Afastou-se dele, curiosa.
— Por acaso você está com alguma garota?
— Então... — riu, sem jeito. — Era isso o que eu ia falar. A Luce já ‘tá aqui. Mas vocês vão gostar muito uma da outra, sério! E vamos chamar o Gray, vai ser muito divertido! Muito tempo que eu não venço aquele olhos caídos!
Scarlet deu uma risadinha. Estava contente, e não se preocupava com a presença da loira. Contanto que pudessem se divertir, estava satisfeita. Pegou a caixa de bolo, que havia deixado sobre o balanço que havia na varanda ao chegar.
— Vamos entrar? Ligamos para o Gray lá de dentro.
Natsu sorriu abertamente, fazendo com que Erza sentisse um calor familiar: a sensação de estar novamente em família.
— Natsu, você está aí? — Lucy perguntou, se aproximando de mãos dadas com a baixinha.
— Olá. — Scarlet sorriu, ambas se assustando com sua presença. — Lucy, não é? Nos conhecemos na Karyuu há um tempo.
— Sim, eu me lembro! É um prazer revê-la, Erza. Essa aqui é minha melhor amiga, Levy. Espero que possam aproveitar a companhia uma da outra.
— Oh, eu adoraria, mas tenho coisas a fazer, Lu. É realmente um prazer, Erza, gostaria de poder ficar. Obrigada pela comida, Dragneel. Estava realmente deliciosa.
— Por nada, pena que não possa ficar mais. Até, Levy.
— Foi um prazer. — A ruiva apertou sua mão.
A azulada abraçou a amiga e acenou para todos, indo embora em sua bicicleta. Enquanto Lucy e Erza conversavam e separavam pratos e talheres para comerem o bolo, Natsu ligava para o melhor amigo, sentindo-se animado como nunca. Finalmente seus amigos estariam todos juntos.
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Os lábios separaram-se, a respiração pesada e descompassada de Lisanna se fazendo cada vez mais necessitada. Seu corpo era violentamente prensado contra a parede do banheiro, a água morna batendo em suas costas, marcas vermelhas e arroxeadas por toda a extensão de seu corpo.
— Loke, você está me machucando... calma.
O olhar que ele lançou parecia profundamente amargurado, cheio de mágoa e rancor. Respondeu o pedido com uma mordida nada delicada no pescoço alvo, apertando a nádega direita da jovem com força. Um gemido sofrido, porém ainda de prazer, escapou da albina.
— Vai ficar tudo bem... – Ela acariciou os fios ruivos molhados, o tom quase maternal, tentando um abraço.
— Não, não vai.
E atacou, vorazmente, a boca da jovem, beijando-a com fúria e desejo, saindo do box e jogando o corpo dela na cama, sem ao menos se preocupar com a água que ainda saía do chuveiro ou o rastro molhado que seus corpos encharcados deixaram.
— Porque eu a amo, Lisanna. E ela não me ama mais. Dragneel roubou-a de mim.
— E você não me roubou dele primeiro?
Lisanna rebateu quase que inconscientemente, o sofrimento de sua expressão quase palpável. Loke suspirou, frustrado.
— Acho que damos certo, Lisanna. Somos ruins em tomar decisões juntos.
— Sim... Contudo, somos bons em fazer tudo errado. — avançou sobre ele, beijando seus lábios de forma doce e desejosa. — E só temos isso e um ao outro.
Só o que passava por suas mentes era o quão deprimente era sua situação e como recuperar o que não tinham mais.
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Jellal sentia-se absolutamente agoniado ouvindo Ultear chorar. Abraçava-a fortemente, enquanto ela procurava respirar melhor.
— Desculpe, Jel. Eu não queria te deixar sozinho. E-ela precisa... de mim.
— Está tudo bem, Ul. Ela é sua prima, não posso pedir que a abandone por mim, ainda mais nessa situação. Vai ficar tudo bem, você sabe disso, né?
— E-eu... eu n-não sei. — soluçou. — Por que todas as pessoas que eu amo morrem?
— Ei! Não é bem assim!
— Não? — A morena quase gritou. — Meu pai, minha mãe e agora a irmã dela. As duas mulheres que eu mais amei em toda minha vida e o meu velho. E agora Meredy está... Ela é só uma garota de quinze anos, Jel... É minha priminha. O que ela vai fazer? Eu entrei em depressão quando mamãe morreu e...! O que eu vou fazer se acontecer o mesmo com ela?! O que eu vou fazer, Jellal?!
E seu corpo escorregou contra o de Jellal, até o chão, as mãos cobrindo a face molhada, enquanto seu corpo era balançado por solavancos.
— Como a vida é nojenta... Isso é tão injusto. Eu quero que esse mundo seja melhor, Jellal.
— E faremos com que isso aconteça. Mas agora, sua prima precisa de você. Faça do mundo dela um mundo melhor.
Ultear escondeu seu rosto no peito do namorado e deu nele um abraço desajeitado, ainda chorando muito.
— Eu te amo. Eu te amo muito, Fernandez. Eu te amo. Obrigada.
— Eu também te amo, Ul, muito mesmo.
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Em meio a risadas por parte de todos, a música Drag da banda Placebo tocou. Era o celular de Lucy, o toque de Jellal.
— Wow, Lucy! — Gray sorriu. — Você gosta de Placebo?! — Ela retribui, colocando o celular na orelha.
— Gosto um pouco. Oi, Jella–
— Podemos nos ver?
— O que houve, Jel?
Afastou-se do grupo, que continuava assistindo enquanto aproveitavam a pipoca. Exceto, é claro, Erza, que ouvira o nome do azulado. Lucy soava preocupada, a voz do amigo parecia fraca e carregada de melancolia. É como se pudesse sentir o quão para baixo ele estava só de ouvi-la.
— Você está bem?! — Ele deu uma risada baixa e seca.
— Não acho que eu poderia dizer isso. Posso ir para a tua casa?
— Não! Eu não estou ficando em casa... Aconteceram muitas coisas e– Não interessa, eu vou te ver, está bem? Está em casa?
— Sim. Até logo, Lucci. – despediu-se com o apelido que dava a ela desde mais novo.
— Pessoal, desculpem, mas meu amigo está com problemas. Foi ótimo ficar com vocês.
— O Jellal está bem? — Scarlet não pôde se conter. — Ele é meu amigo, diga!
Lucy parecia surpresa e incapacitada de falar por um instante. O mundo queria que ela e Natsu se encontrassem ou o que? Magnólia não era uma cidade tão pequena assim, e no entanto todos a sua volta pareciam ligados.
— Eu não sei dizer, Erza. Te avisarei mais tarde, certo? Salvem seus celulares aqui, mando um Whatsapp depois.
A loira se despediu de todos, indo encontrar o amigo querido, que era tal qual um irmão mais velho para ela. Era inevitável que estivesse preocupada, conhecia Fernandez desde que tinha nove anos. E o rapaz quatorze. Era filho de um empresário muito rico com o qual Jude estabelecia relações. Por um tempo, envolveram-se em um projeto, e acabavam passando a maior parte dos dias juntos.
Como Jellal não tinha mãe – esta morrera na hora do parto –, acompanhava o pai em todos os seus negócios, e acabou por se aproximar da loira nesse período. Jellal fora seu primeiro amor, seu primeiro amigo de verdade, seu primeiro confidente à parte da mãe e de Virgo. Em suma, era alguém importante demais. Não queria nada de mal acontecendo a ele, mesmo sabendo que era impossível de impedir. A vida é dura e, com a idade, mais responsabilidade e dificuldades surgem.
O caminho até a casa de Jellal era mais que conhecido. Era uma casa pequena, alugada na outra ponta da cidade, com um terreno grande e agradabilíssimo, com direito a um pequeno riacho e um espaço externo para um altar budista. Ele era abastado o bastante para alugar um local como esse, ainda mais tão tranquilo e relativamente simples. Após em torno de cinquenta minutos, o ônibus parou no ponto que desejava. De lá, andou lentamente até a casa, por mais que tivesse certa pressa em ver o rapaz. A rua dele era maravilhosamente arborizada, o ar parecia mais... puro.
Gostava muito de lá. E sentia saudades disso. Ultear era uma ótima pessoa, porém muito ciumenta, e como tanto Lucy quanto Levy eram muito próximas ao namorado desta, acabou separando-os um tanto. A loira tinha mais do que certeza de que a morena se sentia culpada e compreendia a situação dela pelo pouco que sabia. Contudo, sentia-se muito prejudicada pela falta de seu quase irmão.
Bateu palmas em frente ao portão de madeira. Por mais que Jellal fosse simplista, não gostava de correr riscos. A segurança era boa o bastante: duas câmeras instaladas ali mesmo e um enorme cadeado protegia o portão, que, assim como os muros, era muito alto para mesmo duas pessoas escalarem em escadinha. Como ele não parecia ter ouvido, levou os dedos à boca e assoviou o mais alto que pôde. Não tardou a ouvir o barulho das correntes e ver a porta se abrindo. Abriu um sorriso, com saudades do amigo, e ele murchou assim que viu as olheiras adornando os olhos ocre, os ombros caídos e a expressão fechado.
— Lucy, olá.
— Há quanto tempo não venho aqui, certo? — deu um sorriso leve, se aproximando para um abraço.
— Sim.
Ele devolveu o sorriso, este ainda mais imperceptível, e se afastou. Algo estava mesmo errado. Seguiu com ele, andando rente ao riacho, brincando de se equilibrar como uma criança. Aquilo sempre fazia com que se sentisse livre.
— Sai daí, menina. Você vai acabar caindo.
— Que na–
Assustada com sua própria distração em não perceber uma pedra, Lucy se calou, tentando se equilibrar. O amigo logo puxou-a, quando começava a pender para o lado do riacho. Acabaram abraçando-se, como queriam, porém ele parecia irritado.
— Acabei de falar!
— Desculpa, desculpa! Vou tomar mais cuidado da próxima vez. Mas Jel...
— Quê? — perguntou, mal-humorado.
— O que há de errado?
Ele suspirou e nem mesmo entraram. Sentaram-se, ali mesmo, à beira do riozinho, para conversar com calma. Só porque eu queria pular na cama dele, pensou Lucy, censurando-se em seguida.
— Ultear vai para a Lacombe.
— Lacombe? — questionou, confusa.
— É uma cidadezinha em Alberta1.
— Ah...! Entendo. Por que isso? Quando?
— A tia dela faleceu. — suspirou novamente. — Ela vai cuidar da prima adolescente.
— E o pai da garota?
— Não sabem quem é. A mãe estava muito bêbada em uma festa, aparentemente. É em uma situação deprimente, devo dizer.
— E como vocês vão ficar? – Lucy perguntou, acariciando as madeixas azuladas com ternura.
— A questão é: vamos ficar? Um relacionamento a distância é muito complicado, Lucy. Mas eu a amo. A amo como a ninguém, de uma maneira tão intensa... Como eu vou ficar sem ela?
— Eu não sei... Ei! Você tem a mim e Levy. E a Erza, também. Independente do que for, vamos estar com você, tenho certeza.
— Erza? Como você conhece a Erza?
Deitaram na grama, olhando para o céu, que no momento trazia nuvens em formatos fofos e divertidos.
— Longa história. Ela é amiga do Natsu. Só descobri hoje que vocês eram amigos.
— Verdade, quando você disse o nome de Natsu para mim, sabia que era familiar. Ela deve tê-lo dito.
— Olha ali. Aquela nuvem não parece o Yoshi? — Heartfilia perguntou, rindo.
Percebendo que o amigo não enxergava o que dizia, segurou a cabeça dele com as duas mãos e inclinou-a para a esquerda, soltando-o e apontando a respectiva nuvem. Ele começou a rir, em resposta.
— Agora eu vejo. Aquela ali parece com você.
— Aquela ali? Por quê? — Ele riu.
— Pequena, com duas bolas na frente e gorda.
A loira deu um tapa nele, rindo também, no entanto se sentindo um pouco chateada pelo gorda. Logo quando não estava se preocupando com isso... Mas para que ele falasse, não seria uma ofensa, certo? Então era só uma brincadeira. Nada para se preocupar. Percebeu quando o riso morreu e os lábios cerraram-se. Jellal engoliu em seco, mexendo os olhos sem foco algum.
— O que foi?
— Acho que eu preciso de um tempo fora de Magnólia. — A declaração pegou-a de surpresa.
— Por quê?!
— Preciso de tempo para mim. Viajar pela Europa, não sei. Mochilar por aí.
— Você sempre arranja motivo para ficar distante. — bufou.
— Desculpa, irmãzinha. — Foi a vez dele de fazer cafuné. — Não vou passar de dois meses.
— Ai ai ai, Fernandez. E nós, como ficamos? A Levy não vai gostar disso.
— Fala com ela, por favor. — pediu, manso. — Tenho mais um pedido.
— Que seria?
— Você pode cuidar da Wendy nesse tempo? Meu pai é o que se pode chamar de negligente, sabe. Ele não busca ela na escola, por mais que ela já volte sozinha quando precisa, ele não ajuda a fazer a comida, não faz com que ela interaja, nem nada. Então muitas vezes eu passo o tempo em que não estou na faculdade cuidando dela. Tuas aulas começam em... o que, dez dias?
— Oito.
— Pois bem. As dela também. — explicou.
— Acredito que eu possa, sim. Ela está com quantos anos, mesmo?
— Quatorze.
— O único porém é que não estou morando em casa nem no meu apartamento, e sim na casa do Natsu. Isso por uns... problemas com meu pai. — hesitou na hora de falar, fazendo a atenção de Jellal prender-se a isso. — Preciso ver se ela pode ficar lá.
— Claro, eu entendo. Afinal, que história é essa de não estar em casa por problemas?
— É o seguinte...
[x]
— Alô? Natsu?
— Qual é, tia? Eu queria conversar com a senhora...
— Algo errado? – O tom da mulher se tornou alarmado.
— Sim, mas... Não comigo. A senhora lembra que eu falei da minha amiga, a Lucy?
— Lembro, sim. Ela está com problemas?
— Com o pai. Ele queria obrigá-la a se casar com o ex-namorado dela, que era um canalha, então ela meio que... fugiu de casa. E queria um lugar pra ficar. Queria saber se ela pode ficar aqui. — Assim que terminou de falar, ouviu a tia suspirar.
— Olha, Natsu... É óbvio que eu a aceitaria de braços abertos se estivesse aí, se ela precisa de ajuda. No entanto, não estou. É complicado você, um jovem sozinho, enfrentar um dos grandes nomes da Columbia Britânica, não, do Canadá, sem minha presença. Estou de acordo que ela fique aí. Contudo, ela já é grandinha. Está na hora de enfrentar o pai, ele não tem esse direito sobre ela e ficar fugindo não vai adiantar.
— Eu sei, eu sei. Tenho medo, mesmo assim. Aquele homem é nojento.
— Vai ficar tudo bem, meu menino. Não tardará muito e estarei aí. – Ela disse para acalmá-lo, sem saber que isso em nada o confortava. Um mês era muito.
— Obrigado, tia. Como está sendo a viagem?
— Exaustiva, eu diria. Acredita que, nesses dois dias, essa é a primeira vez que deito em uma cama?
— Caramba! Eu deveria te deixar dormir, né? — Natsu não gostava de ligações curtas.
— Eu preferia que não. Meu corpo discorda de mi– Ora, estou recebendo uma outra ligação, querido. Deixe-me ver quem é... Atlas? – Natsu ficou atento após ouvir esse nome. – Querido, vou desligar, certo?
— Tudo bem, tia. Até mais e descanse.
— Amo você. Até logo.
Ele suspirou, encerrando a ligação e seguindo para a cozinha. O suco de laranja que havia preparado durante a manhã ainda existia, contido em um copo sobre a mesa, e um singelo sanduíche de peito de peru com salada o aguardava em cima de um prato. Sorriu.
— Essa Lucy...
Pôs-se a comer, a caminho do escritório. Com a porta aberta, a garota estava sentada sobre uma cadeira aveludada, o laptop apoiado na escrivaninha. Seus dedos percorriam pelo teclado com delicadeza e agilidade, surpreendendo-o. Sabia que ela escrevia com velocidade, pelo dia em que eles conversaram no site de bate papo. Ele, pelo contrário, digitara muito devagar, pois ao mesmo tempo em que conversava com a loira, trabalhava em algumas coisas importantes.
— Tá com pressa, loira?
— Ah! Natsu, você me assustou. — Pôs a mão no coração e olhou feio para ele. Logo em seguida sorriu, ao ver que ele devorava o lanche que deixara para o mesmo.
— Você escreve como se o mundo fosse acabar amanhã! ‘Tá em um bate papo?
— Nah. – fez um gesto com a mão, descartando a possibilidade. – É só que quando estou escrevendo, me perco em outro mundo, sabe?
— Escrevendo o quê? Não me diga que você é o tipo de garota que escreve fanfic! — Heartfilia corou e encheu as bochechas de ar, enquanto ele explodiu em gargalhadas. — Nossa, Luce, isso é pra garotas sem vida social, fãs daqueles desenhos japoneses e que não têm boca pra beijar.
Lucy tacou uma almofada nele, quase acertando o prato. Natsu desviou por pouco, ainda rindo muito.
— Não seja tão prepotente!
— Ei, eu tava brincando. — Ele sorriu abertamente, coçando a nuca. — Suas fanfics devem ser boas, deixe-me ver. E fanfics são legais. — comentou, brincalhão.
— Por mais que eu escreva fanfics e um conto ou outro, não é isso. Esse é um livro que escrevo, baseado em um livro que minha mãe lia para mim quando eu era pequena. E bastante em uma eu do passado, na realidade. Tem a ver com minha boneca de infância, Michelle, e as voltas da minha vida em tenra idade... É bobo vendo por esse ângulo, e muito sentimental. Na realidade, não sei que tipo de livro é. Não sei se é bom. Mas eu gosto muito de escrevê-lo.
— E qual é o nome dele?
— Seeking For The Clock2. Juro que faz sentido. — riu, rubra.
— Não, do livro que a sua mãe lia. Gostei desse.
— Key of The Starry Heavens3. Não é tão difícil de achar na internet, ou posso contar a história para você.
Tomando o último gole de suco, Natsu depositou o copo e o prato na escrivaninha e subiu na rede, balançando-se levemente e aproveitando para tocar os fios loiros da amiga com suavidade.
— Estou pronto para ouvir.
— É uma história sobre uma garotinha, que fica sabendo que poderá se tornar feliz se conseguir reunir seis chaves especiais, então ela vai atrás dessas chaves. Mas no fim, as pessoas ao seu redor se tornaram infelizes. A primeira chave abre uma jornada. A garotinha parte em uma jornada para encontrar as cinco partes restantes. E ela as encontra em vários lugares... No fim, ela chega em uma igreja, onde encontra a sexta chave. O que significa que, se essas chaves estiverem juntas, o caos cairá sobre o mundo. Gostou? — Lucy olhou para o amigo. — Ah, Natsu...
Ele caiu no sono. Heartfilia acariciou os fios róseos e continuou escrevendo, até ser vencida pelo sono. Levantou-se e andou preguiçosamente, até o quarto ao lado. Jogou-se na cama do melhor amigo, acolhida pelo cheiro forte dele.
— Boa noite, Natsu. — sussurou.
E então seus olhos pesaram, o sono tomando conta de todo seu ser e levando-a para terras mágicas no mundo dos sonhos.
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