Blondie and Cotton Candy
13 Capítulo 12 — Em Busca de Entrosamento
Notas iniciais

Capítulo 12 — Em busca de entrosamento
Anteriormente:
Enquanto Lucy e Erza conversavam e separavam pratos e talheres para comerem o bolo, Natsu ligava para o melhor amigo, sentindo-se animado como nunca. Finalmente seus amigos estariam todos juntos.
[...]
— Ultear vai para a Lacombe.
— E como vocês vão ficar? — Lucy perguntou, acariciando as madeixas azuladas com ternura.
— A questão é: vamos ficar? Um relacionamento a distância é muito complicado, Lucy. Mas eu a amo. A amo como a ninguém, de uma maneira tão intensa... Como eu vou ficar sem ela? [...] Acho que eu preciso de um tempo fora de Magnólia. Você pode cuidar da Wendy nesse tempo? Meu pai é o que se pode chamar de negligente, sabe. Ele não busca ela na escola, por mais que ela já volte sozinha quando precisa, ele não ajuda a fazer a comida, não faz com que ela interaja, nem nada. Então muitas vezes eu passo o tempo em que não estou na faculdade cuidando dela.
— Acredito que eu possa, sim. [...] O único porém é que não estou morando em casa nem no meu apartamento, e sim na casa do Natsu. Isso por uns... problemas com meu pai. — hesitou na hora de falar, fazendo a atenção de Jellal prender-se a isso. — Preciso ver se ela pode ficar lá.
[...]
— A senhora lembra que eu falei da minha amiga, a Lucy?
— Lembro, sim. Ela está com problemas?
— Com o pai. Ele queria obrigá-la a se casar com o ex-namorado dela, que era um canalha, então ela meio que... fugiu de casa. E queria um lugar pra ficar. Queria saber se ela pode ficar aqui. — Assim que terminou de falar, ouviu a tia suspirar.
— Olha, Natsu... É óbvio que eu a aceitaria de braços abertos se estivesse aí, se ela precisa de ajuda. No entanto, não estou. É complicado você, um jovem sozinho, enfrentar um dos grandes nomes da Columbia Britânica, não, do Canadá, sem minha presença. Estou de acordo que ela fique aí. Contudo, ela já é grandinha. Está na hora de enfrentar o pai, ele não tem esse direito sobre ela e ficar fugindo não vai adiantar.
— Eu sei, eu sei. Tenho medo, mesmo assim. Aquele homem é nojento.
— Vai ficar tudo bem, meu menino. Não tardará muito e estarei aí.
____x____
— Bom dia, Natsu.
Essa foi a primeira coisa que o rosado ouviu ao sair do escritório, esfregando os olhos remelentos. Lucy estava com o cabelo preso em um rabo de cavalo alto, uma espátula na mão. O cheiro era, inegavelmente, de omelete, e logo ouviu seu estômago roncar muito alto, a boca enchendo-se de saliva.
— Bom dia, Luce. Acordou animada, hein. Nada como minha cama.
— Como não? Tenho que me mostrar grata, não acha, bonitão? — A loira piscou, sorridente. — Agora, por que não vai lavar essa cara enquanto eu termino aqui?
Ele resmungou algo, dirigindo-se para seu quarto. Heartfilia ouviu um xingamento, ficando curiosa. Serviu a omelete em um prato grande e levou a jarra para a mesa.
— O que temos para o café? — Um Gray apenas de cueca perguntou, subitamente perto demais.
— Wow, calma aí,, garotão!
A loira pulou, assustada, e empurrou o rapaz pelo peito, observando o corpo definido.
— Você acha sensato andar pela casa dos outros, quando há uma garota com quem você não tem quase intimidade, sem roupa?
— Eu não estou sem roupa. E nós já somos quase amigos, Lucy. — riu.
— Faça-me o favor... Me ajude a colocar a mesa, nudista.
E puseram o leite e o cereal, o prato com a omelete, a salada de frutas e a torrada com maple syrup.
— Por sinal, por qual razão o Natsu estava xingando?
— Eu tinha tirado toda minha roupa sem querer. — Ele disse, displicentemente, dando de ombros.
— E você acha isso normal? Gray, você me assusta. — deu um sorriso torto. — Pra ser sincera, eu quase não percebi que você tinha dormido aqui. Quando fui para o quarto, não vi o colchonete, estava tarde e eu estava tão cansada...
— Me pergunto o que você estava fazendo lá no escritório, com o Natsu.
Ao ver o sorriso do rapaz, a loira corou e começou a socá-lo. Cena que fazia total sentido para Natsu, que por uma segunda vez apareceu na porta de seu quarto.
— Gray, para de importunar a loirinha!
— Importunar? Quem está fazendo isso aqui? Não vejo nada. E loirinha? Que loirinha? — Gray olhou para os lados.
Uma conversa recheada de risos e alfinetadas se iniciou entre os amigos, que comiam com prazer – o que rendeu alguns elogios e cordiais a loira. Estavam há no mínimo uma hora a mesa, quando o celular de Gray tocou. Este nem ao menos olhou o nome no visor.
— Alô?
— Senhor Gray? – Gray imediatamente deixou as pálpebras caírem, a expressão suavizando.
O sorriso de Natsu mal surgiu, já se alargou consideravelmente. Tanto que Lucy apertou os olhos, desconfiada. Não precisou de muito segundos para fazer a conexão. A ligação durou pouco mais que dois minutos, e durante ela a expressão do moreno mudara muitas vezes. Os olhos arregalaram-se, as sobrancelhas curvaram-se, enfezadas, um riso ameaçou sair. Por fim, desligou.
— Vou chutar. Era a rolinho?
— Cala a boca, olhos pontudos! — As bochechas dele tingiram-se de róseo. — Por que acha que era?
— A cara de apaixonado, duh.
— Que apaixonado, o quê! Ela é minha ficante o-ca-sio-nal. Apenas isso.
— Rolinho? — Lucy cortou a possível discussão. — Achei que fosse a garota de cabelos azuis da Karyuu.
— E é. Juvia.
— Então por que rolinho?
Ambos os rapazes riram.
— Ela usava um penteado de rolinho. Lisos e com cachos enormes na ponta. Depois deixou ao natural, o que ficou beeem melhor. — Natsu quem explicou.
— Olha, eu queria muito ficar, mas quando uma mulher chama e significa... bem, significa, você tem que ir.
— Babaca. — A loira revirou os olhos. — Até mais.
— Té!
Assim que Fullbuster se foi, Lucy começou a revirar seu cereal, os olhos baixos. Natsu sabia que ela queria falar algo, e torcia para que não fosse nada preocupante.
— Vai ficar olhando o vórtex ou comer?
— Ei! — deu a língua para ele, em seguida levando a colher cheia a boca.
— Eu 'tava brincando, mas algo te incomoda?
— Hm, você sabe que ontem eu fui ver meu amigo. Ele está com uns problemas e sair do país um pouco. – Ele abriu a boca. – Não se preocupe, juro que não é nada ilegal! E, bem, ele pediu para eu cuidar da irmãzinha dele. O pai é negligente e tudo o mais. Então ele queria que eu pudesse leva-la a escola, busca-la e passar um tempo com ela. Preparasse as refeições quando pudesse e levasse para ela e, se possível, ela ficasse todo final de semana aqui.
— Serão só quatro finais de semana até minha tia chegar, então acho que tudo bem. Depois disso, veremos.
Lucy arregalou os olhos, absolutamente surpresa com a falta de relutância pela parte dele. Isso o fez rir.
— Que foi? Achou que eu não ia querer?
— Err... Sim. Me parece uma resposta natural. Aceitar um desconhecido na sua casa e tal...
— Qual é, Luce. É um favor que você está me pedindo. Como eu diria não?
— Ah, Natsu...
E a loira levantou, andando até a cadeira do amigo e o abraçando com carinho. Ele era seu salva-vidas, sempre. E o amava mais ainda por isso.
[x]
— Quer dizer que Jellal vai se mandar, é? — Levy não disfarçou seu descontentamento. A amiga confirmou, de forma que ela apenas suspirou. — Bem, que seja. Não é como se porque fosse fazer alguma diferença na minha vida. — Silêncio, provavelmente alguém dizia alguma coisa do outro lado da linha. — Não, Lucy, eu não quero desculpas por ele. O Jellal não se importa mais comigo e... E eu cansei dessa amizade unilateral. Deixa que, se ele quiser, a gente se resolve. Eu vou desligar, gata. — E não esperou.
A pequena se jogou na cama, as costas batendo na superfície gelada. Estalou a língua, desgostosa, e bufou. Odiava Jellal naquele momento. Seu celular vibrou. Virou-se de costas para ele, sem querer falar com a amiga insistente. Levou o dedo a boca, mordiscando-o. Não queria ver a mensagem. Queria. Não queria.
Fechou os olhos, na tentativa de dormir. Uma tentativa frustrada. Mais de vinte minutos se passaram nessa brincadeira, até que resolveu olhar. Era bem verdade que Lucy havia mandado uma mensagem, mas a que chamou sua atenção foi a de Gajeel. Oops.
E aí, baixinha?
Oi, Gajeel.
Tudo beleza?
Nah. Mas nada que vá
te interessar.
Deixa de ser besta. Que
manda?
Meu amigo. Se é que
ainda é meu amigo...
A azulada pôs se a explicar, conseguindo se abrir com o garoto com o qual tinha tão pouca intimidade, mas que há muito já representava tanto para ela. Para ela, isso não parecia um problema. Para ele, era mais que surpreendente o quanto se sentia tentado a conversar abertamente com ela.
E em algum momento em que Levy não percebeu, a chateação se fora e um sorrisinho tomava sua face.
[x]
— Lucy, qual é o seu curso?
— Psicologia e o seu? — Erza sorriu, bebericando sua batida de morango.
— Scarlet! Onde já se viu...
Uma mulher de aproximados sessenta anos e cabelos róseos gritou, a expressão fechada. A ruiva abaixou a cabeça respeitosamente quando esta se aproximou, contudo permaneceu sentada.
— Posso saber por que motivo a mocinha não está no caixa?
— Perdão, senhora Polyuska, pedi que Kinanna me substituísse para que eu desse uma atenção a minha amiga. Acredito que foi errado da minha parte e, por isso, me ofereço para pegar o próximo turno de sábado.
— Tsc. Esses jovens de hoje acham que tudo pode ser resolvido depois de fazerem besteira. Pois bem, aceito sua proposta, Scarlet. Te esperarei cedo.
E Polyuska se afastou, assim que seu celular tocou. “Makarov?”, disse, chamando a atenção da ruiva por um breve momento. Sorriu, carinhosamente, a mente viajando em anos anteriores.
— Erza? Terra para Erza! — Lucy passou a mão na frente do rosto da outra.
— Oh! Desculpe. Onde estávamos? Ah, sim. Administração. Meu trabalho aqui é um estágio. Eu cuido de toda a parte administrativa do bar, então trabalho em casa também... enquanto tenho que fazer coisas da faculdade, como estudos e trabalhos. É puxado, viu.
— Imagino, já estou preocupada. E você pretende, então, criar seu próprio negócio?
— A ideia é me especializar em diversas lutas nipônicas e criar um dojô. Me interessa muito. — A ruiva explicou.
— Que interessante! Você faz alguma luta, então? — questionou, mordendo seu sanduíche.
— De bujutsu eu já fiz budo taijutsu, com 2º kyu, ou seja, a segunda maior graduação e ainda estou fazendo kenjutsu, para dominar. De Budõ eu eu fiz aikido, parando no sandan da faixa preta e atualmente eu treino karate, tenho uma ponta na faixa roxa, mas não tenho muito tempo, então já tem um ano que parei aí.
— Wow, calminha aí. Não entendo nada disso, moça. — riram. — Erza, você podia estar bebendo no horário de trabalho?
— É batida sem álcool, sua doida. Eu conheço minhas restrições. Olha, Lucy, desculpa ter sido um pouco preocupada de perder o Natsu mais uma vez, para você. Você é muito legal, tenho gostado de estar contigo, e faz bem para o Natsu. Perdão.
— Relaxa, Erza. Minha intenção nunca vai ser roubar seu amigo.
Terminaram suas respectivas refeições e Mira veio recolher. Ela e Erza não se separavam, pelo visto, e trabalhavam juntas. Scarlet olhou para Lucy e logo em seguida desviou o olhar, fazendo com que a loira arqueasse uma sobrancelha.
— Er–
— Falando em amigo... como está Jellal? Fiquei preocupada. — cruzou seus pés.
— Ele e a Ulter provavelmente vão terminar, ela têm algumas situações que precisa resolver. Então ele deve dar uma volta pela Europa. Parte em alguns dias.
As duas emudeceram, as conversas acaloradas ao seu redor parecendo absurdamente mais altas.
— Ei, o que foi?
— Ele ainda não me falou nada sobre isso. — A mulher se levantou. — Desculpe, preciso voltar ao trabalho. Obrigada pela companhia.
— Ei, Erza!
E o chamado foi ignorado. A loira pagou, se despediu de Erza e Mira, e foi para casa.
[x]
— Atlas ligando... Deve significar algo.
Natsu encarava o laptop, sentado em sua cama, o olhar sério e perscrutador, um fone no ouvido. A porta de entrada bateu.
— Oi, Nats!
Ctrl + W. Save. Alt + Tab. O rapaz deu play em O Jogo da Imitação, nos vinte minutos finais. Não demorou mais que trinta segundos até sentir mãos macias e pequenas em seus ombros, a cama afundando com peso dos joelhos femininos.
— Ei, seu algodão doce grosso.
— Oi, Luce. — Ele pausou o filme. – Digo, loirinha. — sorriu.
— Assistindo o que? Ow, Benedict! É O Jogo da Imitação? Esse filme é demais!
— Concordo, 'tô curtindo até agora.
Como se ele já não tivesse assistido antes.
— Posso ver com você?
— 'Cê já até sentou. — Natsu alfinetou.
Comentaram um pouco o filme, até que acabou e permaneceram apenas conversando. Em dado momento, o olhar da loira se fixou no criado mudo, a fotografia em família que ali se encontrava. Levantou-se e pegou o porta retrato. Natsu não deixou de notar. Seu punho se apertou.
— Por que você nunca fala deles, Natsu? — Ele não respondeu. — Sua mãe era linda. — passou o dedo pela face minúscula na festa. — E você era tão fofo e alegre com eles... Quando vai me contar sobre?
— Quando eu estiver pronto, Lucy.
Lucy instantaneamente se arrependeu. O olhar magoado dele, direcionado para a foto, mostrava como era um assunto delicado para o Dragneel. Ele também levantou, segurando o porta retratos por cima das mãos da amiga. Ele repousou o queixo na curva do pescoço da loira, suspirando.
— Você quer ver alguns álbuns de fotos? Aposto que vai achar bem engraçado.
— Eu adoraria, pinky.
— Ei! — mordiscou o trapézio dela, fazendo com que ela se arrepiasse. — Vem cá.
Foram até o escritório. Em uma prateleira alta, havia uma caixa de papelão. Natsu desceu ela e eles abriram-na, três álbuns empilhados. O mais embaixo era dos Looney Tunes. Lucy sorriu, sabendo que era o álbum da tenra infância.
— Vamos ver o mais antigo primeiro?
— Você ainda pergunta? Eu estou absolutamente louca para ver essa carinha rechonchuda e desdentada do pequeno Natsu.
As fotos confirmaram o que Natsu sempre disse para a amiga. Os cabelos eram naturalmente róseos. Inicialmente, os fios ralos eram levemente enrolados. e se sorriso era grande e puro desde então. Heartfilia implicou muito com o garoto.
— Olha esse segundo aqui, você já tinha o que? Uns nove anos?
— Entre isso e doze. — confirmou.
— Ah! O céu cinzento da Inglaterra. E você, com esse uniforme de baseball? Olha, tem seu nome. Mas isso não parece um “N”. Talvez um “A”...
O rosado virou a página, com certa rispidez.
— Deixe p'ra lá, é a distância. Passa p'ra próxima.
Lucy continuou olhando as fotos, ainda que desconfiada da atitude. Riram mais um pouco, até que o celular do rapaz tocou.
— Um instante.
— Quem é? — Lucy perguntou, com naturalidade. Queria aproveitar aquele momento sem interrupções.
— Minha tia.
— Ah!
Dragneel se afastou um pouco, indo para a sala, a voz familiar da tia soando em seus ouvidos.
— Alô?
— Oi, tia. ‘Tá tudo bem?
A pergunta de Natsu era perfeitamente compreensível, uma vez que em 98% das vezes que se comunicaram por celular ou telefone, a ligação partia dele e não dela.
— Tudo certo, meu menino. No entanto, vou te preparar para uma notícia que talvez bagunce as estruturas que você tem.– soltou, receosa.
— Essa é a hora que digo que não estou gostando disso ou a que eu provo que me adapto bem a mudanças?
— Você, talvez. Sua amiga eu já não sei.
— Epa, epa. O que isso tem a ver com a Lucy? — Natsu trocou o celular de mão, confuso.
E, logicamente, ao ouvir seu nome, a loira se aproximou silenciosamente, se prostrando a porta.
— Sting vai precisar morar aí por um tempo.
— Sting, é? — repuxou o lábio. — Quanto tempo seria isso, mais ou menos?
— Indefinido. Ele está a negócios, de acordo com seu tio. Sabe que todas essas coisas suspeitas e confusas não são amplamente do meu conhecimento, Natsu.
— Bem. Não existe como eu me opor, afinal. Farei meu melhor para recebê-lo e conciliar a estadia dele e de Lucy aqui. E de–
— De?– A tia inquiriu, sem entender.
— Nada, eu iria me referir às vindas de meus amigos, que tornaram a ser constantes.
— Isso, acredito eu, não será problema. Você e Sting tem uma idade semelhante e são bastante parecidos.
— Talvez esse seja o problema. — resmungou. — Certo, e quando o Tigre Luz chega?
— Não quero ouvir o rugido que você chama de grito, então diga-me você.
— Ah, não... Amanhã, não. — O rosado esfregou a testa.
— Algo do tipo. Ele chega às 3h da matina. Você vai buscá-lo no aeroporto. Seja hospitaleiro.
— É... É isso aí.
— E você, meu menino? Como está?– Ela questionou, genuinamente preocupada.
— Eu 'tô legal. Mas... 'tava vendo meus álbuns. Sabe como é, me deixa um pouco triste.
— Ah, Natsu...
E se puseram a conversar. Lucy olhou para os pés, sentindo-se culpada por fazer ele revirar o seu passado misterioso. Deveria tornar essa atividade prazerosa. Enquanto ele ainda estava no celular, voltou para onde estava e continuou folheando os álbuns, deliciando-se com os sorrisos caninos do rapaz. Dessas fotos, por volta de 16 eram com Lisanna e isso fez seu peito apertar. Pegou o terceiro álbum.
Uma foto do enterro. Quem diabos guardaria uma foto assim?! Nunca vira o rosado tão sério e tão sofrido. E aquilo apenas por uma foto. Como teria sido pessoalmente? Nas fotos seguintes, Natsu não sorria. Foram apenas dez dessa forma, talvez porque poucas fossem tiradas, talvez porque logo ele tivesse usado sua força, aquela de seguir em frente com alegria, aquela de se mostrar forte para os outros como uma forma de buscar forças dentro de si. Ali, Lisanna se tornou uma constante. Mostravam-se íntimos. Aos poucos, Gray, Erza e Mira foram surgindo, até mesmo Juvia. Haviam umas poucas com um senhor baixinho e com um ruivo alto e forte.
Nas sete últimas fotos, claramente recentes, o sorriso de Natsu era menor, a pose mais desleixada. Não havia Lisanna, em apenas uma estavam seus amigos. Ali, estava aquela casca de Natsu, da qual ela não gostava tanto. A última era com sua tia, nesta ele estava mais novo, provavelmente 16 anos. Retirou essa do plástico e ele adentrou novamente.
— Desculpe a demora, estávamos matando as saudades.
— Tudo bem, tudo bem. Por essa foto aqui, eu diria que vocês são bem próximos. — mostrou a ruiva e o rosado.
— Ela é um pouco ausente, mas somos sim.
— Qual é o nome dela, afinal? — Era verdade, Lucy não o sabia.
— Camille. Tenho que te falar algo.
— Teremos companhia, certo?.
— Sim, fuxiqueira. — Natsu deu um empurrãozinho nela, sorrindo. — Meu primo, Sting. Vou busca-lo no aeroporto às 3h. E é isso. Ele ficará por tempo indefinido.
— Você fala como se ele fosse ruim.
— É porque ele é. Boa gente. Seja legal e vocês terão uma boa convivência. – garantiu, ao que ela cruzou os braços.
— Teremos uma boa convivência se ele for legal, isso sim. Farei o meu melhor se ele fizer a parte dele.
— Essa loira é difícil, viu...
Ela devolveu o empurrão.
— Sabe o que eu acho?
— O que, loira?
— Que eu deveria mandar revelar as nossas fotos. — Lucy sorriu. — Assim você pode guardar elas também.
— Claro. — bagunçou o cabelo dela.
— E a propósito... Acho que amanhã vou ligar para o meu pai. Tentar conversar com ele e arranjar um encontro. Isso depende de como ele reagir à ligação. Farei o possível.
— Boa, garota. Ele iria acabar nos achando mesmo. Agora vem cá.
Abraçaram-se, compartilhando por meio deste suas preocupações e tentando confortar-se mutuamente. Isso durou lentos dez minutos, até que a loira se afastou e puxou o rosado para a cozinha. Era hora de jantar.
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