Blogando! - O Beijo
14 Rebeldia Adolescente
Notas iniciais
A turma do Quadrante formada por Lia, Fatinha, Gil e Pilha estavam na frente do colégio. Naquela noite Lia tinha pego que vinha pichando a escola, Gil jamais seria, pois ambos saiam juntos para as aventuras artísticas da madrugada. Pilha segurava a figura de maneira que a pessoa se debatia contra seu peitoral. Gil se aproximou da figura e logo puxou o capuz, para a surpresa de todos.
–Cara! Como assim? Prima? — Fatinha gritou. — Nathali, você?! A Antônia tá sabendo disso?
–Não! E não vai ser você quem vai contar! — A garota de cabelos castanhos, pele clara estava parada na frente de Fatinha. Pilha já havia largado depois da reação de sua musa.
–Ela é sua prima Fatinha? — Gil perguntou indignado. -E por que veio pichar logo aqui?
–Não te interessa moleque! — Nathali era rebelde, vivia na defensiva, principalmente quando agia com agressividade.
–Vai com calma aí garota! — Lia se pôs entre a nova garota e Fatinha. — Não te conheço e isso que você tá fazendo também não é legal!
–Olha quem fala?! — Nathali olhou para a outra com desdém. — Você pichou grande parte desse colégio, pensa que eu não sei?!
–Você contou pra ela Fatinha? — Lia se virou para a fanqueira.
–Tais brincando né? — Fatinha fez cara de surpresa. — Essa daí conversando comigo? Tá tirando com a minha cara é marrentinha? — A fanqueira se indignou com a “suposta” pergunta de Lia que soou mais como uma afirmação.
–Vamô parando cambada! Vou tocar o terror se não se mandarem daqui! — Um guarda que passava pelo local avistou os adolescentes e passou a dispersar qualquer briga que pudesse ocorrer naquele local.
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Lorenzo chega em casa tarde da noite, vai dar boa noite as filhas, mas somente Tatá está no quarto, passa a imaginar que Lia novamente se encontrava em encrenca. Ela jamais conseguiria passar muito tempo sem ser a roqueira rebelde.
O bom homem foi até a sala aguardar pela chegada da filha. Ficaria plantado na sala até que ela entrasse por aquela porta no meio da madrugada, pensava ele: “De hoje não passa, a Lia me desafiando novamente”.
–Ainda acordado, meu filho? — Dona Paulina apareceu na sala após ter se levantado para pegar um copo com água.
–A Lia gosta de me desafiar! — Lorenzo estava visivelmente preocupado, suas mão estavam postas de uma maneira em que se unissem em oração. — Em que lugar ela foi se enfiar numa hora dessas?
–Meu filho, a Lia está crescendo! — Dona Paulina sempre amorosa. — Precisa de um pouco de espaço.
–Sei bem disso dona Paulina! Mas, é a minha filha e tem que se comportar! — Lorenzo era um pai protetor, tinha zelo pelas filhas e sua preocupação sempre foi maior para com Lia do que para Tatá, já que a filha mais velha sempre se metia em confusões.
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Os adolescentes caminhavam juntos para casa. A primeira a se despedir era Nathali que morava num desses apartamentos com segurança extrema, já que morava com sua tutora, a Dra. Antônia D' Lis, uma mulher que cumpria rigorosamente horários, tinha um trabalho até certo ponto de risco, para ela e para seus familiares – que não tem.
Parando em frente ao grande prédio com grandes portões e câmeras espalhadas pelo entorno da muralha que o cercava, do lado de fora Nathali encarava o interfone para digitar a senha de entrada.
–Tchau perua branca! — Fatinha gritou para a prima que já ia entrando pelo portão do residencial. — Mal educada! Nem responde!
–Também, você vem com essa grosseria! — Lia falou por falar.
–O que você lá sabe sobre grosseria oh, garota?! — Fatinha parou e pôs a mão na cintura esperando resposta.
–Musa, isso não é hora de ficar parando no meio da rua! — Pilha puxava Fatinha que se negava a andar.
–Não! Essa daí vai me explicar tudinho! Ninguém fala assim comigo não Chocolate! — A fanqueira falou para o amigo.
–Lia, pede desculpas, vai... — Gil falou baixinho para a amiga.
–Quê que tá cochichando aí oh metido a grafiteiro! — Fatinha ficou emburrada.
–Musa... Minha linda musa! Vamô bora! — Pilha tentava.
–Pilhadinho, Pilhadinho... — Quando a fanqueira pôs-se a falar, Lia saiu de onde estava, se postando ao lado de Fatinha.
–Você vai andar! — Lia puxou a outra garota pelo braço. — Nem que eu tenha que te arrastar! — A garota se irritou com a fanqueira.
–Ai, deixa de ser rude garota! — A outra reclamou do aperto no braço que a roqueira lhe deu. — Tá doendo, sabia?
–Rude?! — Lia revirou os olhos e bufou. — Tá doendo é?! Pois saiba que podia ser pior!
Seguiram assim, num silêncio que reinava entre os quatro. Pilha e Fatinha ficariam na casa de Fera, a fanqueira havia conseguido despistar os pais sobre o que faria e onde ficaria, Pilha avisou dona Rosa, já Lia e Gil moravam por ali, em apartamentos de frente um para o outro.
–Então galera! É isso aí! — Pilha ia saindo, mas sua musa continuava parada. — Você... -Gil fez sinal para Pilha não interromper e sair de fininho, Lia continuava segurando o braço de Fatinha, que por sua vez tentou sair daquele desconforto.
–Lia... Pode me... — A fanqueira tentava se soltar. — Largar...
–Você não merece. — Lia apenas falou, aquele contato físico com Fatinha e a proximidade lhes deixavam mais tensas.
–Não mereço?! Você é que não merece! — Num misto de surpresa e indignação Fatinha consegue se soltar, vira as costas para sair, Lia sendo mais rápida lhe puxa, esbarrando corpo a corpo, ficando de frente uma para a outra.
–Fatinha... — Lia com uma mão nas costas de Fatinha lhe puxando para mais perto de seu corpo, iriam se beijar.
–Musa! — Pilha com seu instinto enciumado gritou, fazendo muitos moradores acordarem e Lorenzo espiar da sacada.
–Ah, o sogrão ali! — Fatinha envergonhada se afasta de Lia e dá um tchauzinho para o médico. — Melhor você entrar.
–Isso foi por mais cedo... — Lia continuava com suas mãos agora na cintura de Fatinha, dando um beijinho tímido na bochecha.
–Musa... Como?! O que a Lia tem que eu não tenho? — Pilha ficou inconformado. — Ela nem gosta de funk...
–Pilha, eu acho que estou começando a gostar dela. — Fatinha se limitou a isso enquanto caminhavam para o outro lado da rua.
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Nathali chegou em casa, não sabia que encontraria sua tutora sentada de frente para a porta lhe aguardando. Antônia, uma bela mulher a flor da idade, com seus quase 40 anos, e uma profissão de dar inveja a muitos, exceto pelos perigos que corria como juíza da vara criminal de júris, a mulher estava sentada na sua poltrona com cara de poucos amigos, tinha que lidar com uma adolescente rebelde e Índia não havia lhe deixado um manual de instruções, odiava-se mentalmente por ter aceito a tarefa, mas seu coração sempre fora grande demais.
–O que a senhorita pensa que estava fazendo até uma hora dessas lá na rua? Sabe muito bem que temos que manter certas regras nesta casa! — Antônia era incisiva.
–Ah Antônia! Não me enche! Porre! — A adolescente foi para o andar de cima do duplex, fazendo a mulher lhe seguir furiosa pelas palavras.
–Olha aqui, sua ingrata! Eu estou lhe dando tudo! Quero que você cresça e tenha algo nessa vida além de desprezo por mim! Tá entendendo? — Antônia agora se alterava, odiava ter que fazer isso, mas o momento lhe exigia.
–Não quero saber disso! Cansei! Eu quero ficar sozinha! — Nathali bateu a porta do quarto e se trancou.
–É assim?! Você resolve tudo se trancando aí?! Eu não tenho culpa por sua mãe! — Ao gritar a última frase, Antônia se deu por vencida, há alguns anos vem tentando entender a adolescente, mas ela não lhe dá o mínimo de abertura para uma conversa tranquila, talvez, até porque ela mesma não conseguia falar da mulher que fora a mãe de Nathali. Ela sempre acabava pensando: “Ai Índia, ai Índia, você me deixou uma garota difícil de lidar...”.
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Raquel continuava acordada, aquela madrugada prometia, ela estava com insônia, bebia um vinho qualquer que havia pedido para o serviço de quarto. Aquela mulher, grande médica, agora se via como mãe de família novamente. Demorou a perceber que precisava voltar para suas filhas, Lorenzo teria que compreender e que a separação já bastara, ela precisava mais das filhas do que as filhas precisaram dela nesses anos todos, agora ela sofria, talvez com medo de perder as pessoas que ama.
–Droga.... Por quê?! — Raquel chorava enquanto bebia e olhava para o porta-retratos em sua mão. — Você não poderia ter me abandonado! Isso... Não poderia ter acontecido!
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Lorenzo aguardava a filha entrar pela porta, sabia bem que o elevador havia chego ao andar, sua postura ereta voltado para a porta de entrada do apartamento. A maçaneta girou e ele apenas acenou para Lia.
–Então, quer me falar por que estava na rua até essa hora? — O médico tinha um tom de voz tranquilo e suave.
–Eu... Saí com o Gil... Encontramos o Pilha e a Fatinha... Viemos andando até em casa... — Lia não queria se encrencar com o pai. -É... O senhor viu...
–Sim, vi vocês, mas quero saber onde a senhorita se meteu? — Lorenzo era compreensivo, fazia você se sentir culpado até de não ter feito nada quando não deveria ter feito mesmo. — Senta filha. — Fez sinal para a garota sentar no sofá e sentou-se ao lado da filha.
–Eu... Estava andando com o Gil para ficar mais calma, pegar um ar... — Lia olhava para o nada.
–Você quer me contar algo? Não sei... Sobre aquela garota lá embaixo... O que... O que vocês... — Lorenzo não sabia exatamente como perguntar, era complicado ter esse tipo de conversa, não sabia o que falar direito.
–Pai! A Fatinha é uma colega apenas... — A roqueira fez menção de levantar, fazendo Lorenzo a impedir.
–Filha, você sempre poderá contar comigo, tudo bem? — O médico era compreensivo e amoroso com sua família, queria que as filhas crescessem num ambiente saudável, cercadas de carinho e bons exemplos.
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Assim que chegou ao apartamento que vivia com a mãe, Gil percebeu que Marcela dormia no sofá, procurou não fazer barulho e pegar uma coberta para cobri-la.
–Dona Marcela! — O rapaz levou a mochila para o quarto voltando com um edredom e cobrindo a mãe. — Te amo muito! — Ele fez carinho no cabelo da mãe, dando um beijo na testa e indo de volta para o quarto.
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Fatinha e Pilha não trocaram nenhuma palavra até chegar ao apartamento de Fera, depois de tomarem banho e ficarem em silêncio para não acordar o amigo, Pilha resolve conversar com sua Musa. O MC vai até o quarto de hospedes onde Fatinha estava ajeitando a cama para dormir.
–Podemos conversar minha musa? — Pilha entrou no quarto sem fazer muito alarde.
–Oi Pilhadinho. Entra aí... — Fatinha sentou-se na cama. — Fale...
–Você disse que tá gostando da Lia... Bom, e... Você não tinha um noivo? — Pilha queria entender toda aquela situação.
–Chocolate... Eu tenho um noivo, nunca fui apaixonada por ele, meus pais acham que ele é o partido ideal para eu casar, mas não quero! — Fatinha explicou a primeira parte.
–Mas e os garotos? O funk musa? E... A Lia onde entra? — Pilha perguntava tudo, estava curioso.
–Garotos... Ai Pilhadinho! — Fatinha riu. — Gosto, mas gosto da Lia também! É algo diferente! Não consigo definir agora. A Lia... Garota especial...
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