Notas iniciais
Capítulo novo, essa é a semana de suspensão da Lia, a nossa querida roqueira. Temos aqui um mundo colegial, novos alunos interagindo, novos conflitos entre os adolescentes, aqui é o primeiro dia de aula da Nathali no Quadrante e ela já chega “montando banca” e provocando a turma do barulho, exigindo respeito! E, sempre surpreendente Fatinha (ela deve ser do signo de gêmeos, muda da água pro vinho!). Enfim, o capítulo está repleto de conversas interessantes e temos novidades! Viva!

A semana se arrastava, Lia continuava em casa, por algumas vezes fazia um som com sua guitarra, nada demais. Enquanto isso, no Quadrante, Rafael e Morgana sentiam falta da amiga.

–Rafito o que será que a Lia tá aprontando em casa? – A ruiva perguntou, os dois estavam sentados perto da sala dos professores e conversavam.

–Não sei Mor. – Rafael observava os alunos chegando para a aula, quando percebeu uma figura diferente. – Quem é aquela?

–Interessado em garotas agora? – Morgana soltou uma risada bem baixinha, apenas brincando com o amigo. – Olha, não sei quem é, mas tá chamando atenção!

Os dois adolescentes observavam uma garota de cabelos curtos e soltos passando por entre os alunos, chamando atenção do Orelha que conversava com Dinho. Ela tinha um andar determinado e pouco se importava para os que a olhavam com tamanha curiosidade, precisava se apresentar na coordenação.

–Opa! Carne fresca! – Orelha ficou observando. – Gostei...

–Tira o olho Orelhudo! – Fatinha chegou perto dos garotos. – Essa daí é problema! Carinha de santa, mas... Branca de neve!

–Já conheceu, foi? Apresenta! – Orelha queria conhecer a nova garota. – Tem gente aqui que ficou muito a fim de conhecer!

–A Nathali não é pro teu bico! Essa daí é uma mimada! – Fatinha não gostava muito da própria prima.

–Não interessa seu ciúme barato, tem gata melhor pra pegar que você Fatinha! – Orelha esnobava em sua grosseria. O rapaz saiu andando pelo pátio atrás da garota.

–Esse não aprende! Não consegue nem conquistar as gurias mais fáceis, vai conseguir da novata! – Dinho zoava o amigo para Fatinha enquanto Pilha chegava para na roda e Ju chegava para abraçar o namorado.

–Hum... Gostosa! – Dinho sentiu as mãos de Juliana passando das suas costas até o abdômen, quando a puxou para ficarem frente a frente.

–Namorado lindo... – Entre beijos Ju tentava dizer “bom dia”.

–Vem Chocolate! Já tô enjoada com a cena! – Fatinha se retirou puxando Pilha.

–Mas... — O garoto tentou reagir, mas foi puxado para a quadra de esportes, iriam ficar por ali mais um tempo antes do sinal tocar para a aula.

Rafael e Morgana foram interrompidos em sua conversa sobre Lia quando a novata lhes chamou atenção, parecia perdida, precisando de ajuda, e os dois pareciam ser os únicos que não ficam cochichando e fazendo algum comentário sobre a “garota nova”, que se chama Nathali.

–Oi, licença... – Nathali tentado ser simpática. – Preciso de ajuda para encontrar a coordenação.

–Ah, coordenação, você segue reto o corredor a nossa frente! – Morgana explicava. – A penúltima porta.

–Gata, você não deveria se misturar com a turma do armário! – Orelha apareceu perto dos garotos, chegou sem ao menos ser notado, procurava uma encrenca e uma aliada, talvez.

–Olha aqui Álvaro Gabriel... – Morgana levantou-se alterada, mas foi interrompida pela garota.

–Que você tem que haver com isso? Turma do armário?! – Nathali achando absurda a forma preconceituosa com que o garoto falava dos próprios colegas. – Não se olhou no espelho não?! ‘Nerdzão’! Deixa de ser ridículo!

–Você não sabe com quem tá se metendo! – Orelha ameaçou. – A turma do armário não vai ser a sua melhor escolha!

–Não tenho medo de um “bosta” como você! Ou se acha tão valentão a ponto de querer me enfrentar, hein garotinho? – Nathali sempre fora uma adolescente rebelde e não se deixaria abater por qualquer um, já tinha sido expulsa outras vezes por coisas bem mais irrelevantes.

–Nem se atreva a encostar novata! – Orelha fazendo sinal para que a garota não tocasse nele.

–Caí fora! – Nathali simplesmente deu um tapa no ombro do garoto. – Posso ser mais perigosa que você!

Orelha saiu irritado, não esperava que mais alguém lhe enfrentasse além de Lia. Dessa vez ele não iria arriscar ganhar mais algum soco, ou a briga poderia lhe ser pior do que a anterior. Assim que chegou perto de Dinho e Ju, logo foi desabafando suas penas.

–Essa daí não vale nada! Não... – Orelha olhou intimidante para o grupo com o qual havia comprado briga. – Já se uniu a Nárnia! – O garoto ria incontrolavelmente ao lembrar-se do livro que recém começou a leitura, onde as pessoas entravam em um armário.

X-X-X-X-X

Marcela chegou com Gil para a aula, os dois conversavam tranquilamente, nem mesmo parecia que há dias atrás tinham brigado.

–Mãe... Vou procurar te entender... Não quero ficar sem você... Também! – Era difícil para Gil falar sobre seus sentimentos.

–Filho... – Marcela abraçou o filho e continuou caminhando. – Eu te amo demais! É a única família que tenho! Eu jamais irei te deixar, isso é o que importa, entendeu?

–Sim... Percebi que, mãe... A única pessoa que sempre está comigo... Que me ama, é você... O pai... Ele se foi... – Gil começava a aceitar que sua mãe tinha que seguir com a vida, que seu pai havia morrido e não seria por isso que tudo a sua volta teria de continuar como estava. Marcela merecia ser feliz.

X-X-X-X-X

Nathali andava pela escola observando tudo a sua volta, tinha perguntado aos amigos – Rafael e Morgana – onde ficava a sala da coordenação, precisava de um documento para assistir as aulas. Andava tão distraída que esbarrou em alguém perto da sala da coordenação.

–Desculpa! Eu... – A garota estilo pin up olhou com um belo sorriso no rosto para Nathali, que por sua vez pareceu corar.

–Oi... – Nathali ficou parada de frente para a garota até que alguém as chamou a atenção.

–Meninas, meninas, licencinha! – Era Excelsior entrando na sala, estava carregado de livros em seus braços.

–Erika... – A garota pin up estendeu a mão para cumprimentar a nova colega, assim que o homem passou por elas. – Pode me chamar de Kika!

–Oi... Eu... Sou Nathali... – A prima de Fatinha por um momento gaguejou, parecia nervosa diante daquela nova figura que se mostrava simpática.

–Você... Não vai? – A morena pin up olhava curiosa para a garota a sua frente.

–Ah, sim... A coordenação... Vim de transferência. – Nathali falou.

–Também vim. Sou de Brasília! – Kika conversava com a garota enquanto abria a porta para entrar.

X-X-X-X-X

As aulas passaram rapidamente, Fatinha estava de saída pelo portão, tinha o trabalho na lanchonete e teria que correr ou chegaria atrasada, quando sentiu uma mão lhe segurando.

–Fatinha, calminha aí! – Orelha falou. – Precisamos conversar!

–Tenho que ir trabalhar, vai falando enquanto vamos para a lanchonete. – Fatinha sabia que devia um favor para o nerd. – E você, não estava de castigo?

–Sabe que você tá me devendo um favor, quer dizer... Não é apenas um. – Orelha ameaçava a garota.

–Que você quer dessa vez? – Fatinha nem ao menos queria ouvir, estava cansada de chantagens. – Mais garotas? Eu arrumo, mas agora me deixa em paz!

–Não. Só quero um segredo da sua priminha! – Orelha afirmou.

–Cara, eu não sei nada sobre ela. Nós nos odiamos! – A garota se mostrava irritada.

–Ah, mas você deve saber de algo sim. – O garoto nerd insistia. – Você deve conhecer alguma coisa, se não... Não estaria assim!

–A única coisa que sei é que a Nathali não sabe onde a mãe dela foi parar, ou não sabia. Agora tá lá: morta e enterrada! A garota vive com uma tutora. – Fatinha parou e olhando bem aos olhos de Orelha continuou. – E, acho melhor nem sequer tentar algo contra ela, meu caro! Ela é perigo constante.

–Doeu falar, gostosinha?! – Orelha era sarcástico. – Preciso de mais informações e você vai conseguir! E... Nossa aposta, ainda está valendo! Você vai ter que cumprir também!

–Cala a boca seu nojento! – Fatinha saiu assim que Pilha apareceu nas costas de Orelha.

–Que tá pegando para o lado da minha musa? – O futuro MC ficou observando o garoto. – Minha loura linda, vai trabalhar! Mais tarde vamos conversar sobre a apresentação. – Pilha deu um beijinho no rosto da amiga e puxou Orelha pelo braço. – Tu tá maluco meu irmão?! Mais respeito com a musa!

–Vê se me erra Pilhado! Tenho mais coisas para fazer no Quadrante! – O nerd voltou para dentro do colégio, deixado um Pilha pensativo.

X-X-X-X-X

Lia estava sentada num balanço da pracinha quando viu Ju passando, recém-saída da aula. Sua vontade era de ir até a patricinha e conversar com ela, pedir desculpas pelo outro dia, mas não faria isso, não daria o primeiro passo, não reconsideraria a sua palavra. Ficou então olhando para o chão, quando percebeu alguém se aproximar.

–Oi... Posso me sentar ao seu lado? – Era Juliana, nem ao menos precisou levantar seu olhar para reconhecer aquela voz.

–O parquinho é público... – A roqueira falou mais para ela do que para a garota que se sentou ao seu lado.

–Lia, eu... Eu... Quero me desculpar com você... – Ju olhava para a roqueira. – Eu gosto muito de você... Não quero terminar assim... Com... Com... A nossa amizade.

–Ainda é cedo para conversarmos. – Lia continuava magoada, não queria saber da patricinha, não dessa forma. – Tchau Ju. – A garota levantou e saiu, ainda tinha que acompanhar a aula de surf com os meninos carentes do Fera.

X-X-X-X-X

No Quadrante, era começo da tarde, Dinho e Orelha ficariam de supervisão. Enquanto Orelha faria a arrumação das estantes da biblioteca e catalogação dos livros, Dinho iria arrumar a quadra e locais desportivos do colégio com Gil.

–Você está atrasado Álvaro Gabriel. – Rafael retirava a poeira de algumas prateleiras.

–Agora a bichinha vai querer me dizer o que fazer? – Orelha desprezava o rapaz por sua sexualidade.

–Orelha, também não gosto da ideia de passar à tarde com você, então, por favor, o mínimo de respeito! – Rafa saiu trazendo um carrinho com alguns livros. – Esses já foram catalogados, você só tem que colocar nas estantes corretas.

Enquanto isso na quadra de futsal do colégio, Gil entregava algumas redes para troca das atuais e manutenção do pátio.

–Você só tem que trocar as redes do futsal, retirar a rede de vôlei e trocar a tabela de basquete. E as tabelas estão no final da quadra, quando terminar a troca dos aros e da rede, chama o Robson que ele irá colocar no lugar. Bom proveito! – Gil saiu de perto, sentou-se na arquibancada apenas observando.

–Cara arrogante! – Dinho falou para si, não gostou do jeito que Gil lhe tratou.

–E aí garoto? – Cezar cumprimentou Gil. – Vai fazer um bom trabalho com ele, sua mãe ficará orgulhosa.

–Sim... Eu sei. – Gil se limitou na fala.

X-X-X-X-X

Assim que Fera chegou à praia percebeu que seus alunos já o aguardavam para a aula. O grandão desceu do jipe com a amiga Lia, que o acompanharia por algumas tardes em seu trabalho.

–Galerinha, todo mundo aí? – Fera perguntou recebendo uma resposta coletiva, completamente positiva. – Beleza! Seguinte, essa é a Lia e ela vai nos acompanhar por algum tempo, ok? Sejam gentis com ela e... Lia manda a mochila pra cá!

–Sim senhor capitão! – Lia brincava, fez uma reverencia para em seguida entregar a mochila.

–Vem aqui! – Fera passou o braço direito pelo ombro da amiga e a puxou para perto. – Essa aqui manja dos skates turma! – O rapaz sorriu vendo a alegria de todos. – E, completando alegria de vocês, tem um presente no final da aula!

–Presente? – Um garotinho de uns 6 anos perguntou. – Pra nós?

–Sim, pra vocês, Caio! Mas no final! – O grandão adorava aquela turminha. – Vamos alongar? Lia também!

–Eu? Cara, você tá louco! – A garota ria sem graça, mas imitava os movimentos do Fera, fazendo os alongamentos.

Depois de alongarem Frederico mandou os garotos correrem para aquecer os músculos antes de pegarem as pranchas. Lia estava sentada na areia apenas observando a diversão dos garotos e do próprio professor deles, Fera.

–E aí marrentinha?! – Fatinha chegou pelas costas de Lia nem sendo notada a não ser quando se pronunciou. – Vai entrar na água?

–Não... Obrigada! – Lia se limitou a continuar observando o mar e a garotada correndo junto com Fera.

–Tá com medo é?! – Fatinha estava com uma bermuda e blusinha estilo praia, recém saiu do trabalho e passeava por ali, tentou provocar a roqueira. – Hein, marrentinha?! Vem, vamos... – A fanqueira puxou a mão da roqueira para perto da sua.

–Nunca! – Lia fechou a cara. – Não tenho medos!

–Não adianta ficar de mau humor perto de mim... – Fatinha sorriu. – Eu tô vendo um sorriso aí?

–Para Fatinha! – A roqueira se jogou na areia, deitando, ficou envergonhada. – Que você tá fazen... – Lia nem terminou de falar e já recebia as cócegas da fanqueira.

–Te fazendo rir! – Fatinha sorriu se levantando em seguida. – Como você não quer pegar onda... Eu tô indo, beijo! – A fanqueira ainda deu um beijo na bochecha da marrentinha.

–Essa garota é maluca! – Lia sorria confusa.

Notas finais
Então gente?! Curtiram? Compartilharam? Que tal comentar? (kkkk) Bom, a Fatinha é ótima! Eu adoro essa personagem, ela é surpreendente, fala o que pensa e tá nem aí para o que faz! Eu adoro isso nela! Lia sempre marrenta, o mau humor dela me afeta! (kkkk) Fera ensinando surf não foi o principal da cena. Daí ficou a Lia como personagem principal e de papel de fundo o Fera, já que ela teve a surpresinha do dia. *_* (kkkkk) Adoro fazer essas coisas de: SUR-PRE-SA!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.