Blogando! - O Beijo
2 Fora do Ar
Notas iniciais
Ju queria realmente falar com Lia, mas não sabia como, não sabia se o faria depois da grosseria feita contra a loira. Estava confusa e sem reação. Resolveu desligar o computador e deitou-se na cama. Ouviu o irmão passar pelo corredor, bem provável que ele estava indo tomar o banho, e depois ela não escaparia de um interrogatório do mais velho.
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Enquanto isso, na casa da Lia entrava em pânico, Tatá mantinha a calma e tentava alguma solução. Quanto a vovó Paulina, bom, ela estava atenta ao que as netas aprontavam, afinal de contas o pai das meninas, o Sr. Lorenzo estava de viagem marcada.
–Droga! Droga! Droga! Cara, agora mesmo que a coisa não anda. Ferrou com tudo maninha!!! — Lia estava desesperada e nada a acalmava.
–Maninha?! – Tatá olhou para a irmã. – Você não está nada bem...
–Será que tem alguma solução pra isso? – Lia andava de um lado pro outro.
–Tenho, mas você vai me prometer não contar para o papai, nem mesmo pra vovó. – Tatá olhou novamente para o blog. – Caraca! Tá bombando!!! Tem mais de 20 acessos só agora! Imagina até a noite, porque tem menos de 5 minutos!
–Prometo, mas cara, tira isso logo do ar! – Lia interrompeu a irmã, já se jogando na cama.
–Ok, manobra de segurança, combinado com tirar site do ar. – Tatá entrava em contato com algum amigo do outro lado do computador. Estaria tirando um site do ar com a ajuda e sabotagem de seu grande amigo. – Lia, vai pro notebook e faz o que eu te mandar. – Tatá entendia de websites e softwares. – Quero que encontre um ponto fraco de passagem de vírus para o servidor do site.
–Entendido. Agora me diz quantos anos você tem pirralha? – Lia também entendia desses comandos de hacker, mas o seu forte nunca foi invasão de sites e computadores, ela conseguia detectar os pontos de infecção, mas não sabia como fazer para implantar o vírus, portanto, conhecimentos se completam nessas irmãs. *E, diga-se de passagem, que a Tatá me dá medo. Garota prodígio! Nem parece uma inofensiva criança*.
–Não vem! Você sabe que eu quero continuar pequena, é muito difícil ficar chata que nem você! – E mostrou a língua.
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Voltemos ao nerd Orelha, ele estava morando em uma república, sendo assim, seu quarto era constantemente invadido. Mas enquanto isso, ele analisava a notícia, existiam 25 usuários anônimos vendo a foto do beijo. Era sensacional o que ele conseguia fazer em pouco tempo contra as garotas, vez que ele tinha certa inveja de Lia. O porquê da inveja? Somente o próprio poderia nos responder.
–Então cara... Isso é verdade mesmo? – Gil olhava a foto.
–Tais vendo?! Pois é tudo verdade, não tem nenhuma montagem nessas fotos. – Orelha se orgulhava do que estava fazendo.
–E aí? – Um garoto de boné, moreno e de moletom foi entrando no quarto onde estavam os garotos.
–Entra aí cara! – Gil foi chamando o amigo para entrar. – Vem ver uma notícia.
–Opa! Notícia é? Deixa eu ver! – Pilha olhou e... – Mas! Cara! – Ficou sem reação alguma.
–É, e isso é pura verdade! – Gil simplesmente falou.
–Cara, e o Dinho, ele já viu? – Pilha perguntou na inocência.
–Oi gente! – O rapaz entra no quarto e todos ficam olhando.
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Voltando ao apartamento dos irmãos ‘bonitos’ da trama. Bruno tomou um banho, tinha um trabalho para apresentar, fez um lanche com suco e foi para a sala. Sentou-se na sala com o notebook ligado. Ju precisava conversar com o irmão, entrou quieta na sala, estava com os olhos inchados de choro.
A garota se sentou ao lado do irmão, que largou o notebook na mesinha de centro e deu atenção a sua irmã, afinal de contas, às vezes ele podia ser bronco, um tanto ciumento, mas ainda assim amava a sua irmã.
–Ju... – Bruno tentava encontrar as palavras certas, queria demonstrar sua compreensão pela primeira vez. — Quer me contar porque a Lia estava do lado de fora do nosso apartamento? E... Por que você estava chorando? – Bruno olhou para a irmã que apenas o abraçou.
–Se eu falar... – Ju soluçava. – Você vai querer... Vai ter um ataque. — Ju estava com uma voz triste e seu irmão
percebeu.
–Tudo bem, se não quiser contar. Entenda uma coisa Ju. – O rapaz fez uma pausa. – Eu te amo, você é minha família, está aqui comigo, vive nessa mesma casa, e eu realmente não gosto do Dinho. Ele não vai te fazer feliz maninha! Poxa, eu tenho que aprender a lidar com as suas escolhas Ju. – Bruno apertou ainda mais a sua irmã no abraço e lhe deu um beijo na cabeça.
–Promete ficar calmo, que não vai explodir? – Ju olhou o irmão nos olhos, ela estava com uma expressão assustada.
–Claro. Eu quero te entender. – Ele foi sincero e tentava passar segurança a irmã. Depois de tempos vivendo sobre o mesmo teto com a irmã, sempre tomando conta dela, uma vez que os pais estão vivendo em Brasília e os dois irmãos no Rio.
–Vou te contar o que aconteceu naquele dia na praia. – Ju olhou o irmão que ficou confuso.
–Praia? Tá meio estranho, mas vai lá, quero ouvir. – Ele segurou a mão dela dando apoio.
–Eu e Lia, somos amigas há muito tempo. Só que, depois que ela ficou com o Dinho. – Ju falava ao irmão.
–Que mau caráter! — Bruno ficou indignado com a questão de Dinho ter traído sua irmã.
–Por favor... – Ela queria continuar a contar. — Eu achava que o ciúme era por causa dele, mas eu me enganei. Eu estava gostando mais da Lia. – Ju falava e o irmão prestava atenção.
–Quer dizer que você é lésbica? – Bruno se espantou com a situação. – Vocês não... É...
–Não Bruno! Eu sou, é... Nem sei, a única coisa que eu sei é que... Tô gostando da Lia. E não, eu e Lia, não chegamos... – Ju continuou explicando.
Ju prosseguiu contando o que ela sentiu ao beijar a amiga e todo aquele dia na praia e que ainda está confusa em relação a Lia e que decidiu se afastar da garota e deixar espaço para Gil tomar conta da loirinha. Ju explicou que continua com Dinho, nessa parte o irmão não concordou com a garota. Bruno reagiu bem ao que a irmã contou afinal ele havia prometido a ela que iria compreender, não iria brigar, nem nada parecido.
–E agora você deveria correr atrás dela. Eu até que gosto da Lia. – Bruno falou com certo ciúme da irmã.
–Não sei Bruno. Ainda não sei. – Ju pegou o sanduiche do prato que o irmão deixou na mesinha.
–Eu, é que não sei. Ah, tá com fome é... – Bruno resolveu brincar para quebrar o clima tristeza e fazer a irmã sorrir.
–Eu tô... – Ju estava com a boca cheia de comida, e sorriu ainda assim.
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Um rapaz grita!
–TIRARAM DO AR?! COMO ASSIM?! Que merda grande!!! Só pode ser coisa daquelazinha! Pô tiraram meu site do ar. Pelo menos ainda... Tenho a foto. Eu não tenho a foto?! Eu não tenho a foto! Droga! Droga! Droga! Apagaram meus arquivos! – Orelha ficou irritado com o que viu, sabia que a obra tinha sido bem efetuada, e sabia bem por quem. Dessa vez ele não conseguiu manter seu blog no ar com as fofocas mais fresquinhas do colégio.
–Se deu mal foi? Chora não bebê! – Fera, que chegou para pegar um CD com o colega, ficou fazendo gracinha com Orelha.
–Eu vou conseguir recuperar... O pior é que a câmera... Bom... Resolvi formatar a memória dela. – Orelha tinha dado uma de esperto, mas nem tanto. — Oh, o CD.
–Enquanto isso... Chora bebê! Kkkkkk... – Fera saiu tirando uma com o Orelha.
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Tatá aparece na sala super hiper mega feliz. Havia conseguido o maior de seus feitos hackers. Tinha apagado a foto que tinha nos arquivos do ultrabook de Orelha, tirou o site do ar, bem como detonou com o servidor. Orelha ficaria algum tempo para tentar voltar com o site.
–Eu sou demais! Eu sou demais! Uhul! Demais! – Tatá vinha rebolando e se quebrando toda.
–O que aconteceu querida? – Vó Paulina sentada no sofá assistindo as receitas em seu programa favorito.
–Eu posso contar Lia? – Tatá virou para trás e sua irmã apenas fez que sim.
–Tirei um site do ar, aí depois tirei o servidor do ar e apaguei alguns arquivos importantes do computador do carinha. – Tatá contou tudo de uma vez só.
–Respira querida. Agora eu quero saber o porquê disso tudo. Podem me contar! – A avó ficou esperando pela resposta completa, mas fez-se o silencio. – Então não vão me contar?
–Conta aí Lia! – Tatá não queria se intrometer nesse assunto e saiu.
–Tá bom. – Lia sentou-se no sofá, olhou pra vó e contou tudinho, realmente tudo! Foi incrível que a avó apenas a abraçou e deu apoio.
–E tá esperando o que pra ir atrás dela? – A avó olhou nos olhos da neta. -E com seu pai, eu me entendo depois. Quanto a ele, não se preocupe, tá bom minha neta?
–Valeu vó! Mas eu prefiro deixar passar algum tempo antes de ir conversar com a Ju. – Lia estava quieta, estava triste por toda a situação.
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Rafael e Morgana estavam sentados em um cybercafé, com um tablet. Rafael estava lendo algumas notícias, e resolveu abrir no blog do Orelha. Nesse mesmo tempo passava por trás da mesa que estavam ele e Morgana, Fatinha.
–Olha só. É a Ju e a Lia?! Será verdade mesmo Rafa? – Morgana olhava o link.
–Sei não. Mas dou o maior apoio para as duas serem felizes, se for real. – Rafa não deu muita atenção a notícia e continuou comendo o sorvete.
“Olha só! As duas! Gostei! Sempre desconfiei dessa sapatona da Lia, agora a Juliana! Adorei!”. Fatinha saiu sorrindo em direção aos computadores do cybercafé.
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