Blogando! - O Beijo
11 Confusões
Notas iniciais
Dois adolescentes estavam sentados a mesa conversando, já havia almoçado e resolveram aproveitar o tempo que ainda tinham. Em dado momento Rita queria saber o que se passava com o rapaz, até onde poderia levar aquele relacionamento.
–Então Rafa, você é ou não é gay? – Rita ficou observando a expressão do rapaz, ele estava tranquilo perto dela.
–Rita. Serei sincero com você. – Ele fez uma breve pausa. – Sou gay mesmo.
–... – A garota ficou chocada, esperava qualquer coisa, talvez um: Estou apaixonado pela Morgana, ou então como: Não quero nada sério no momento. Jamais imaginara a afirmação positiva para a sua pergunta.
–Rita, por favor, fala comigo. – Rafael tentou conversar com a garota, a segurou pelo braço, mas sem êxito, ela seguia para o balcão de pagamentos.
–Pode ficar com o troco. – Rita estava nervosa, triste, eram vários sentimentos ao mesmo tempo.
–Rita, por favor, vamos conversar?! – Rafael queria conversar com a garota, não iria deixa-la sair assim.
–Eu... Eu, nem sei o que te dizer... Que vergonha! – Rita não sabia o que falar, por essa ela não esperava.
–Podemos apenas esclarecer algumas coisas, não quero que fique constrangida. Por favor. – Ele olhou a garota nos olhos, sabia que era difícil dispensar alguém dessa maneira, mas era o melhor a fazer. Não iria contar de sua paixonite para ninguém, o rapaz era próximo demais para contar, mas já tinha um discurso pronto.
–Tudo bem, eu só preciso de um tempo pra digerir a informação! – Rita saiu andando apressadamente pela rua. – Não precisa falar mais nada. Tchau.
–Rita! – Rafael ficou ali parado observando a garota ir embora.
–Rapaz, parece que você se deu mal! – Era Nando, atendendo no balcão. – Vai querer mais alguma coisa? – O homem olhou a filha chegando. – Oi querida!
–Oi pai! Cadê a mamãe? – Ela ficou olhando para trás. — Rafa! – Morgana chegou pulando em cima do amigo.
–Sua mãe saiu mais cedo. Aproveitem para conversar. – Nando olhou para Rafael. – Vê se leva a minha filha pra casa.
–Pode deixar Sr. Nando. – Rafael em continência. – Vamos Morgana?
–Oba! Vamos sim... Tchau pai! – Morgana correu para o outro lado do balcão beijando o pai no rosto e saiu pulando para ficar ao lado de seu amigo. – O que aconteceu com a Rita? Achei estranho o jeito que ela saiu daqui...
–Não preciso falar muita coisa... – Rafael deu um sorriso meigo para a amiga de longa data.
–Vai dizer que ela? Não... – Os dois se olharam.
–É... Sim, é isso que você está pensando. — Rafa riu. – Você me conhece bem.
–Tô com pena da garota. – Morgana saiu de braço dado com ele. – Por que você não assume publicamente?
–Porque com quem me relaciono não deve ser publico, é a minha intimidade, ou você acha certo sair agarrando o namorado no meio da rua? Mas é claro que não escondo a minha sexualidade e você sabe bem disso. – O rapaz era um verdadeiro cavalheiro. Tratava muito bem suas companhias. – Lembra que no começo até tentei negar, mas não adianta.
–Acho que você deveria conversar sobre isso com a Lia. – Morgana como uma bruxinha do bem conhecia a áurea de cada um de seus amigos.
–A hora em que ela estiver pronta. – O rapaz entendia que o momento não era esse.
–Você sabe que ela tem aquele tropeço pela Ju... – Morgana a conhecia e muito bem.
–São as dúvidas, né? – Rafael já havia conversado sobre o assunto com Morgana, a garota tinha ajudado na sua aceitação.
–Fase 1: descobrindo e fase 2, a famosa negação... Com o tempo você assimila melhor... – Rafael conversava tranquilamente com a amiga, enquanto a levava para a casa.
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Bruno e sua namora Ana mudaram as suas intenções para a noite, resolveram jantar em um restaurante e seguiram diretamente ao apartamento onde o rapaz dividia com a irmã Ju. Ana desceu do carro, subindo diretamente para o apartamento, ela precisava de alguns materiais de aula.
Enquanto o rapaz estacionava o carro na garagem, Ana foi logo entrando na casa, abriu com calma a porta e de repente: nos amassos ao sofá estavam Lia e Ju, a loirinha tinha a blusa jogada no chão da sala, estava apenas de regata, ela estava sobre Ju, os beijos eram quentes, as duas se completavam, se encaixavam perfeitamente.
–Lia... Eu te quero... – As duas se olhavam, Ju não continha mais seus sentimentos, ela sentia algo muito mais forte pela Lia, do que aquilo que ela chamava de amor pelo Dinho.
–N-O-S-S-A! – Ana ficou chocada, simplesmente: CHOCADA! – Vocês... – Ela viu as duas garotas no sofá.
–Ana, por favor... Não é nada disso que você... – Ju tentava falar algo, levou um susto da cunhada, que entrou no apartamento do nada.
–Que você está pensando... Obrigada Ju! – Lia percebeu que na verdade nada havia mudado em Juliana, e ela não seria trouxa em pensar duas vezes, saiu dali revoltada, deixando a sua blusa xadrez, lembrou apenas da mochila. – Como eu posso ser tão idiota? Ela não, jamais vai abandonar aquele imbecil!
–Lia! Lia! – Ju correu até a porta, mas já era tarde, Lia entrou no elevador ao mesmo tempo em que Bruno saía dele.
–Ju... Você... É, acho que deve... – Ana ainda em choque, porém, agora mais calma. Pensou, pensava muito. – Meu pai! O que foi isso? Não devo me meter...
–Gente, o que aconteceu com a Lia?! – Bruno entrando pela porta. – Ela, ela parecia nervosa...
–Nada Bruno. – Ju se calou, saindo para o quarto.
–Tudo bem. Vou conversar com você mais tarde irmãzinha... – Bruno apenas ficou observando a irmã.
–Você deveria conversar com ela Bruno... – Ana começou a falar. – Acho que ela está confusa e precisando de ajuda nesse momento.
–Eu não sei lidar com isso... Sabe Ana, queria que a mamãe estivesse aqui... – O rapaz olhava o nada. – Seria tão fácil para ela, conversar com a Ju... É algo entre mãe e filha.
–Mas agora ela precisa de você... E... – Ana lembrou como era a mãe de Bruno. – Conhecendo bem a sua mãe, a gente sabe que ela não ia... Gostar nem um pouco do relacionamento das duas... Como são vocês dois aqui e seus pais em Brasília, vai lá e conversa. – Ana se aproximou do namorado acariciando a face dele e sendo compreensiva, ela queria ajudar, afinal de contas, por ela é que as duas “brigaram”?! Ela não deveria ter entrado assim. – Promete que vai conversar com ela?
–Sim... Prometo... – Bruno agarrou a namorada, lhe dando um beijo de tirar o folego. – Agora a gente precisa de um tempinho só nosso.
–Bruno, amanhã tem aula cedo... – Ana tentava escapar dos beijos de seu namorado, que começou a percorrer seu pescoço. – Só vim buscar o material de aula...
–Fica comigo essa noite? Vai... – O rapaz deu um selinho na namorada.
–Nem pensar... Vou estudar, já que você não quis ficar lá em casa... – Ana beijou o namorado, pegou uns livros que estavam sobre a mesa de centro da sala e saiu jogando um beijo no ar que logo Bruno recebeu todo bobo apaixonado.
–Ok, eu e Ju agora... – Bruno foi em direção ao quarto de Juliana.
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Fatinha havia se livrado do namorado naquela noite, não aguentava mais aquela perseguição de seus pais para saberem o que ela estava fazendo, ela precisava conversar com alguém, queria desabafar, mas não faria isso. Preferiu o silencio.
–Fatinha minha musa! — Pilha saindo do shopping encontrou a loira sentada em um banco perto do local. Ela estava pensativa e sorriu fraco quando o garoto se aproximou dela.
–Pilha! Como vai meu marrom bombom? Hein? – Ela abraçou o rapaz, tinha verdadeiro carinho por ele.
–Que foi minha musa? Tá toda encolhida e com essa roupa que nem te reconheço gata. – O rapaz era carinhoso com a garota.
– Vamos ter baile no colégio... Pensei que você iria apresentar alguma música. – A fanqueira saiu abraçada com o amigo.
–Só se a minha musa dançar comigo! – O rapaz sorriu.
–Por mim fechou! – A loira estava até que animada. – Que tal ensaiarmos nesse sábado na casa da dona Rosa?
–Quando você quiser gata! – O garoto tinha verdadeiro amor pela garota. – E precisamos de mais uma dançarina!
–Mas a Fatinha aqui já valem por três! Linda, gostosa e inteligente! Se liga no gingado! – Fatinha sambou um pouco.
–Quanta areia pra um caminhãozinho só! Meu pai! – Pilha sorriu e continuou andando com a garota em direção ao ponto de ônibus. – Quem era o cara que foi te buscar hoje lá no quadrante?
–Meu noivo! – Fatinha falou de uma só vez.
–Noivo? N-O-I-V-O? Como? Como assim? – O rapaz ficou estático, por essa ele não esperava.
–Vou te contar tudo! – Fatinha estava envergonhada com a situação. – Mas outra hora...
–Musa, o Orelha sabe de algum segredo seu? – Pilha ao perguntar percebeu que Fatinha ficou tensa. – Pode se abrir com o seu negão aqui... – Ele sorriu protetor.
–Nem tenta...
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Gil seguiu o caminho de casa, seriam em torno de três meses de punição no colégio (1 mês pela briga com Orelha – que saiu inocente na história – e 2 pela pichação feita junto com Lia), iria chegar sempre tarde, bom, ele não tinha vontade alguma de voltar pra casa naquele dia em especial, simplesmente parou em frente a porta. Ele havia adiado a conversa que teria com Marcela, sua mãe. O rapaz pensava no que dizer, em como reagir, a conversa com Lia só serviu para ficar mais irritado. A única coisa que lhe vinha em mente: “Como a Marcela caiu nessa enrascada do garotão mais novo?”.
A porta abriu cuidadosamente, Marcela como já se era esperado estava sentada na poltrona a espera do filho. Sabia que ele a evitaria, mas não iria fugir, Gil como seu filho precisaria ao menos respeitar as suas decisões.
–Filho... – A loira era tranquila, levantou-se do sofá, queria abraçar o filho, mas não faria de momento, sabia que o rapaz se esquivaria, tentou uma abordagem mais distante. – Gostaria de conversar com você.
–Não temos nada para conversar Marcela! – Quando Gil tratava sua mãe pelo nome era porque estava bravo com ela.
–Gil! Vamos conversar, queira você ou não! – Marcela precisava ser autoritária.
–Não vou aceitar que você namore um garotão! Não iremos ficar falando sobre a sua conquista! – O rapaz tinha raiva, não queria sua mãe com seu amigo e ponto final.
–Gil, não se trata de você querer ou não. – A mulher parou e retomou novamente olhando seu filho nos olhos. – Eu não vou deixar de namorar alguém porque você quer. Quero que respeite as minhas escolhas, quero que me respeite.
–Ah, Sra. Marcela, não peça respeito pra mim, tenha você respeito! Ficar namorando um garotinho. – Gil gritava. – Ficar se agarrando com um aluno! Não me peça pra gostar disso! Nem ao menos para respeitar algo desse tipo!
–Não fale assim comigo! – Marcela se alterou com a atitude do filho.
–Tenha respeito pela memória do meu pai! – Gil saiu em direção ao quarto.
Marcela deixou as lágrimas escorrerem pelos olhos, não iria aguentar essa situação com o filho. Ela não sabia dizer se valeria ou não a pena todo o sacrifício, seria seu emprego em jogo e o seu filho. Era preciso pensar e pensar bastante nas suas escolhas e na consequência que isso traria para a sua vida. Marcela escreveu um bilhete e deixou sobre a mesa de centro da sala e saiu para caminhar, ela precisava espairecer. Gil havia tocado na ferida, sabia que falar de seu pai para Marcela, a magoaria.
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Fera estava em seu apartamento, assistia ao vídeo que Orelha postou no blog. Ele não acreditava que poderia existir tanto preconceito. Fatinha parecia um tanto perdida, ela realmente estava deslocada com aquelas roupas, nem parecia a velha Fatinha fanqueira. O rapaz então ligou para o colega.
–Pô Orelha, pra quê fazer isso com a Fatinha? Cara, ela não merecia, nem ela e nem a Lia. por que?
–Não te interessa! Cara vai cuidar da tua professorinha gostosa e não me incomoda! – Orelha havia desligado o telefone.
–É ser muito infantil! – Fera ficou irritado com a situação.
A campainha toca, e o rapaz vai atender, se surpreendendo com a visita. Não sabendo ao certo como agir, viu a mulher com os olhos vermelhos e o rosto inchado do choro.
–Podemos conversar? – Marcela ainda estava com uma voz de choro.
–Marcela... Claro. – Fera abraçou a mulher levando-a até o sofá.
–Preciso saber de uma coisa... – A loira acariciava o rosto do rapaz, ela que até momentos atrás se sentia um lixo de mãe, agora era tratada com carinho.
–Vai saber tudo que quiser, deixa... Eu pegar... – Fera pensou. – Uma água com açúcar?
–Por favor... – Marcela ficou olhando o rapaz sair dali para buscar o que acabara de oferecer, ele era bem prestativo.
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