Blogando! - O Beijo
12 Amor & Preconceito
Notas iniciais
Frederico estava surpreso e preocupado ao mesmo tempo, Marcela apareceu em sua porta com sinais de quem havia chorado bastante. Ele voltou a sala com um copo de água com açúcar, entregando-o nas mãos da loira, ajudando-a a manter firmeza naquelas mãos femininas, já que a mulher tremia.
–Você não me parece bem Marcela... – Fera ficou observando-a, esperando que ela lhe falasse algo.
–E não estou... – A mulher olhou nos olhos do moço, que apenas estendeu os braços para que ela o abraçasse.
–Quer desabafar? – Fera acariciava as costas da mulher que ele ama, era triste vê-la assim, infeliz.
–... – Marcela nada falou apenas fez “não” com a cabeça, encostando seu rosto no peito do rapaz.
–Sei que vai dizer que é cedo pra isso, mas eu te amo Marcela. – Fera queria arrancar aquele sentimento do peito, queria demonstrar. – Só quero te ver feliz.
–Mas e o meu filho? E, a nossa idade? E... – Marcela saiu do abraço do rapaz, ficando cara a cara com ele, seu choro sessou por um instante, mas ainda assim, tinha muitas dúvidas.
–Marcela... – O rapaz era tranquilo. – Quero que você entenda, eu te amo e aceito o pacote por inteiro, aceito as condições, quero que saiba... O Gil, ele é meu amigo, colega de sala. Respeito que você foi casada, sei que o seu marido morreu, respeito a memória do pai do meu amigo e ex-marido da mulher que amo. – Fera fez uma pausa, pegou as mãos de Marcela. – Eu sempre vou respeitar essa questão e não quero tomar o lugar de ninguém, quero apenas... Trazer um pouco de felicidade para essa mulher, tão especial. – Fera acariciava o rosto de Marcela. — A sua idade, não me importa, eu amo a mulher que existe aqui dentro. – O rapaz colocou a mão sobre o peito de Marcela sentindo o seu coração. — Marcela, não importam os outros... Eu te respeito e admiro, e o meu amor é seu!
–Mas... Você é jovem... E, se eu não puder te dar tudo que precisa... – Marcela pensava longe.
–Só preciso saber que me ama... Isso é tudo... – O rapaz abraçou novamente a mulher a sua frente, tomando-a em seus braços. – Você parece pensativa, quer dividir comigo? Sei que já perguntei, mas gostaria de te ajudar Marcela.
–Não... É, que... Não quero que se sinta ofendido... – Marcela sentia certo medo na pergunta, mas ainda assim a fez. — Isso não é uma aposta feita entre garotos?
–Não me senti ofendido... – Frederico mantinha o olhar firme nos olhos de Marcela. – Meu sentimento é verdadeiro, e não é uma aposta.
Assim que Fera terminou a frase Marcela com as duas mãos sobre a face do rapaz puxou-o levemente para um beijo. Os dois se entregaram aquele beijo, estavam acabando com aquela tensão que existia entre aluno e professora, para agora darem espaço para um sentimento mútuo, entre um homem e uma mulher que se amam.
X-X-X-X-X
Antes de adentrar o corredor para o quarto da Ju, Bruno parou e juntou uma blusa que estava jogada no chão. Parou em frente a porta do quarto da irmã, pensando em como iniciar a conversa, respirou aliviado ao abrir a blusa e perceber que era da Lia.
–Ju, tô entrando... – Bruno bate na porta já adentrando.
–Oi... – Ju estava deitada na cama, abraçada a uma almofada.
–Quero conversar sobre isso... – O irmão da garota colocou a blusa na frente dela. – É da Lia, não é?
–Vai me julgar também Bruno? – A garota era agressiva.
–Não Ju. Não irei julgar ninguém. – Bruno era compreensivo e calmo, ela é a pequena irmãzinha, sempre a caçulinha e iria fazer de tudo para que ela sorrisse. – Só quero que se abra comigo, desabafe, me conte o que está acontecendo. — Ele fazia carinho nos cabelos de sua irmã.
–Isso aqui é da Lia e a Ana nos pegou no sofá aos amassos, satisfeito? – Ju não estava nem ai se o seu irmão reclamaria.
–Ju, vem cá... – Bruno que estava sentado a beirada da cama ficou esperando pela reação da irmã que se sentou, olhando para ele. – Tá sendo difícil, eu sei...
–Por que tem que ser assim? – Ju estava desolada. – Esse preconceito dos outros, eu... Eu não suportaria... A Lia não entende!
–Não entende o que? — Bruno abraçou a irmã.
–A Lia sempre fez o que queria, na hora que quisesse... Eu não sou assim... Todos esperam que eu seja a garotinha perfeita, sabe? E, é o que sou... Namoro o cara popular, com grana... — Ju deixava transparecer aquele seu sentimento egoísta, mesquinho, de “patricinha do mal”. — Apesar de tudo, é dela que eu gosto! É da Lia! Já pensei em terminar com o Dinho, mas ela não entende...
–Ju, você é que tem que entender... Pensa, e se fosse com você? Diz que não faria a mesma coisa? Ela gosta de você, você está com outro e fica nesse enrolar... Ela precisa de carinho também... – O rapaz apertou a irmã no abraço. – Você pode contar comigo, tá? Só não quero que faça burrada... Essa coisa que a mamãe te empurrou para ser, não é real maninha! Não é! Ser membro da alta sociedade, se envolver apenas por laços financeiros... Ju... A Lia é uma garota bacana, não faz isso com ela...
–Obrigada Bruno... – Ju preferia o silencio, apenas ficou abraçada ao irmão.
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Lia chegou em casa bufando. Não tinha mais cabeça, queria apenas o sossego do seu travesseiro. Ju tinha ferido seus sentimentos com aquelas palavras, doeu profundamente, não queria mais pensar, foi quando seu celular tocou. Tatá ficou parada observando.
–Tá bom... Você sabe que eu ajudo, não sabe... Tá cara, a gente se fala na aula.
–Quem era? – A irmã mais nova perguntou.
–Te interessa? – Lia era malvada.
–Claro que sim... Sou sua irmã! – Tatá fez pose super mandona. – Vai me contar ou quer que eu grite?
–Ah pirralha! – Lia correu atrás da pequena para fazer cócegas, ela adorava isso, fazia se sentir bem. Quando precisava de alguém, era a irmã que aparecia, ela adorava brincar com a pequena.
–Pára Lia! kkkkkk Pára! – Tatá se contorcia de risadas.
–Ah, então a pirralha não aguenta uma sessão cócegas?! – Lia continuou até que começou a rir com a irmã.
–Você é uma boa pessoa Lia! — Tatá parou e olhou para a irmã.
–Por que você falou isso pirralha? — A roqueira ficou estática.
–Pra você se lembrar! — A pequena saiu do quarto deixando uma roqueira pensativa.
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Fazia duas semanas que Lia e Ju novamente sequer trocavam palavras, a patricinha continuava com o namorado e Lia ficava de canto, muitas vezes com a companhia de Gil, mas dessa vez Morgana e Rafa queriam um pouco da atenção da garota.
–Amiga! – Morgana chegou se sentando ao lado de Lia. – Tudo bem?
–Tá pensando em que? Você anda tão quieta Lia... – Rafael sentou-se ao lado da roqueira.
–Nada... – A garota olhava para o coturno, não queria encarar a cena: Ju e Dinho, o casal popular do colégio.
–Sério? – Rafael queria que a garota se abrisse.
–Vou deixá-los por aqui... Quero falar com o Gil... – Morgana viu o rapaz tímido entrando no colégio, enquanto Rafael pegava a mão da amiga.
–Vem comigo Lia... – Rafa puxou a garota. – Quero conversar com você e bem sei o que vem acontecendo.
–Mas Rafa! – Lia de cabeça baixa seguiu o rapaz.
Os dois foram para um local menos movimentado do pátio, passaram pelo casal popular, e Ju ficou olhando para os dois, sentia algo ruim. Quando chegaram a um local para se sentarem, Rafael fez com que a amiga o olhasse.
–Lia, eu sei o que é isso. – Ele acariciou a mão da garota.
–Sabe o que Rafa? – Lia desconfiada.
–Eu sou gay Lia, passei pelo mesmo momento que você... – O rapaz a olhava.
–Eu... Por que é tão difícil? Eu... Gosto da Ju... – Lia abraçou o rapaz, agora teria alguém com quem conversar sobre o assunto. – Fiquei em dúvida, mas é ela que... Eu quero namorar. – A garota engoliu o choro.
–Não é feio chorar... – Rafa abraçou a amiga.
X-X-X-X-X
Morgana chegou perto de Gil, pensou em uma boa maneira de abordá-lo, queria conversar com o moço, ele era sempre bem quieto, fora que ela não queria que alguém atrapalhasse a conversa de Lia e Rafael, afinal de contas a amiga dela precisava muito de uma palavra.
–Oi... Gil, acertei? – A garota chegou um tanto tímida.
–Oi. – Gil foi um tanto seco. – Sou eu.
–Eu quero conversar com você. – A ruivinha tentava manter a calma. – Sabe, você é sempre tão quieto, talvez se...
–Se? – Gil olhou para a garota, ambos pareciam nervosos.
–Queria aprender um pouco da sua arte! – Morgana falou de uma só vez. – Me ensina a grafitar?
–Não sei... – Gil não queria saber daquela conversa.
–Qual é? Tá me achando com cara de problema por acaso? – Morgana resolveu se rebelar. – Pois saiba queridinho, que eu só queria pintar um painel lá na lanchonete do meu pai!
–Calma ai garota... — Gil se sentia constrangido com a maneira extrovertida da garota.
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Fera chegou no colégio, cumprimentou os amigos, e foi rondar perto da sala dos professores, queria encontrar a dona do seu coração, quando viu Marcela seu coração disparou, a mulher conversava com Isabel. A professora de educação física fez sinal que sairia da sala, deixando a amiga paquerando com Leandro.
–Oi Frederico! – Marcela era suave, tinha certa doçura em sua voz.
–Marcela é pra você! – Fera estendeu a mão com uma flor, era um cravo rosa. – Achei tão bonita e pensei: combina com você!
–Obrigada! – A mulher acariciou o rosto do rapaz que tinha um sorriso bobo no rosto. – Realmente é muito bonita!
–Só não vou te beijar porque, é minha professora. – Fera sorriu, lembrou-se da promessa de manter em segredo, preferia que fosse assim, não iria prejudicar aquela grande mulher.
–Vamos conversar ao menos? – A mulher pôs-se a andar em direção as quadras do colégio.
–Claro, não dispenso uma boa companhia, Marcela. – O rapaz sorriu derretendo-se por dentro.
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Orelha analisava uma possível vitima no pátio do colégio. Viu separado em um canto: Lia e Rafa. Foi se aproximando vagarosamente. Não iria assustá-los.
–Já ficasse com alguma menina amiga? – Rafael perguntava sobre as descobertas de Lia.
–Só a Ju... – Lia pensou. – Mas nem fala nada... Eu, acabei ficando com ela... Eu sei que ela gosta de mim também.
–Só o tempo pode dizer isso... Você deveria experimentar beijar outras meninas... Não tem que ficar sofrendo de amores pela Ju... – Rafa era um super amigo.
–É... Você tem razão... Eu deveria ao menos tentar... – Lia ficou pensativa que nem notou alguém se aproximado.
–Mas se não é a turma GLS aqui... – Orelha passou provocando. — Ui, a bichinha e a machorra!
–Vai procurar seus amigos Orelhudo! — Rafa gritou e nem percebeu a amiga correr atrás do outro.
–Cara, volta aqui! – Lia reagiu ao que ouviu e saiu correndo atrás do rapaz.
Lia correu atrás de Orelha que chegou ao corredor perto das salas de aula e consequentemente perto da quadra do colégio. Lia empurrou o garoto que caído no chão ainda respondia com palavras de puro preconceito, fazendo a garota se irritar mais ainda e partindo pra agressão física.
–Vou fazer você engolir essas palavras! – A roqueira viu o rapaz se levantar do chão, foi para cima dele dando um murro na cara.
–Sua sapatona! Machorra, olha o que você fez! – Orelha sentiu o sangue lhe escorrer pela boca.
–O que tá acontecendo aqui? – Marcela e Fera interromperam a briga enquanto se aglomeravam os alunos perto dos dois brigões. – Leva ele daqui Fera, fazendo o favor. Lia? – Marcela se aproximou da garota que tinha o olhar perdido.
–Eu... – Lia não conseguia falar, Rafael se aproximou a abraçando.
–Rafael, leve ela para a sala de reuniões. – Marcela tocou o braço do franzino rapaz e acrescentou. – Fique com ela, quero conversar antes do diretor intervir aqui.
–Obrigada Marcela. – Lia olhava para a professora e via além dela Juliana observando assustada a cena abraçada ao namorado.
Todos voltaram as salas de aula, exceto Lia e Rafael. Até mesmo Orelha que havia apanhado, já estava em sala. A própria Marcela havia tomado o controle da situação perante o diretor. Foi a sala de reuniões e iria cobrar explicações.
–Rafael, você pode ir! — Marcela dispensou o rapaz que deu um leve tapinha de “boa sorte” na amiga e saiu.
–Então, o que aconteceu Lia? – Marcela se sentou em uma das cadeiras, ficando de frente para a estudante.
–O Orelha provocou e mereceu aquele soco! – Lia estava aborrecida.
–Quero saber o que te levou a agredir o garoto dessa maneira Lia? Você nunca foi violenta, quero te entender. – Marcela se aproximou tocando a mão da roqueira de forma a encorajá-la a falar.
–Ele já vem provocando e não é de hoje... – Lia desabafava. — Todos os dias uma piadinha de mal gosto, todos os dias o preconceito, eu não aguentei e bati!
–Certo... Mas como isso vem acontecendo e ninguém traz isso para a coordenação? – Marcela queria entender o que vinha acontecendo.
–E quem vai acreditar em mim? — Lia estava cabisbaixa. — Já estou cumprindo punição no colégio por ter pichado, tem mais outra punição que recebi sem querer, o que iriam dizer? Ah, foi a sapatona que provocou!
–Lia! Por favor, não se trate dessa maneira querida! — Marcela não queria que a aluna se sentisse humilhada ali, queria fazer apenas o que era certo: tomar conhecimento do incidente e levar a diretoria para as providencias e isso já com as possíveis resoluções para o caso.
–Marcela, eu sou lésbica! É isso! – Lia pôs-se a chorar. — Acha que é fácil?
–Lia, não precisa chorar por isso. – A professora entendeu qual era a dor da adolescente que a fez agir da maneira agressiva. – Sei que deve doer o preconceito, vamos conversar com seu pai sobre o incidente, vou brigar por você e contra a diretoria se for o caso, mas não precisa mais se preocupar com o Orelha, ele terá uma punição.
–Ele não sabe! O meu pai... Você não pode contar pra ele! — Lia se sentiu com medo nesse momento.
–Lia, querida, seu pai é um bom homem e pode te ajudar também. — Marcela era calma. — Vamos marcar uma conversar, ele, você e eu, nada de diretor, Orelha ou os pais do Orelha, tudo bem?
–Tá...
–Vou te ajudar! — Terminada a conversa, Marcela abraçou a aluna que soluçava abraçada a ela. — Não importa como, mas vou dar o máximo pra te ajudar. Vou conversar com o Orelha agora.
X-X-X-X-X-X
Orelha havia sido chamado na sala de aula, saiu indo em direção a sala de coordenação, recebeu o comunicado de uma suspensão de uma semana, voltando então para a sala com um sorriso no rosto, olhou para Lia que já estava sentada em seu lugar.
–É agora! – Pensou o garoto. – Dinho, toma! Encontrei lá fora.
–Que é isso? – Dinho abria o envelope para ver o que era. Tamanha a sua surpresa: Lia e Ju em um beijo! – Que...
–Ela tá aí... – Orelha fez sinal para Dinho olhar Lia, que não tinha a melhor expressão no rosto.
–Oh SAPATA! – Dinho levantou de sua carteira se aproximando de Lia. – Tô falando contigo aí... Sua macha! Tá afim de sentir o que a mão de um homem de verdade? – Dinho era extremamente agressivo. – Fica agarrando a namorada dos outros e acha que vai sair de santinha? EU FALEI CONTIGO!
–O que você quer? Tá pensando o que? – Lia levantou da cadeira.
–Gente! Vamos parar! – Leandro tentava acalmar aos ânimos.
Fera levantou-se ficando na frente de Dinho, pensando que o pior poderia acontecer. Lia permanecia de pé, não aguentava mais tal situação, era muito preconceito, ela só queria ir pra casa.
–Senta aí cara! – Fera ficou olhando para Dinho.
–Lia, peço que vá falar com o pedagogo. É, venha... Traga seu material. – Leandro abriu a porta da sala de aula, e gritou para dentro: – Fiquem quietos já volto!
Assim que saiu da sala, Leandro se virou para a estudante, era difícil conversar com pessoas de uma maneira amistosa sem falar em eletrostática, mas aconselharia a aluna.
–Lia, eu vou falar com a coordenação, essa semana vou te liberar da minha aula. Já vi que será insuportável os próximos dias, não que serão, mas quero que você permaneça inteira, quer dizer, com integridade física ao chegar em casa, enfim... Vou fazer o pedido pra te liberar de todas as aulas e levar ao conselho em uma reunião extraordinária, entende a gravidade do que falo, né?
–Sim professor Leandro, entendo e agradeço. — Lia era extremamente educada.
–Só me acompanha até a coordenação, por favor? — Leandro explicava. — O Excelsior pode te orientar melhor, bom, ele agora é psicologo além de pedagogo.
–Tá...
Chegando a coordenação Excelsior recebeu aos dois, professor e aluna.
–Você de novo aqui, qual é o bafão me conte! — Excelsior olhou para a garota. — Xo xo xo Leandro!
–Dispense ela de todas as aulas esta semana Excelsior e vou falar com a Marcela e o Mathias, convocação extraordinária do conselho. — Leandro saiu, mas voltou correndo. — Ah, e Lia, explique o que aconteceu.
–Muito bem, uma semana de dispensa, e não será suspensão. Qual a sua sorte menina? — Excelsior queria entender o caso.
–Sou lésbica e fiquei com a namorada do carinha popular. — Lia falou na lata. — Algum problema? Já sei que vai virar fofoca dos corredores mesmo.
–Calma aí mocinha, vamos te ajudar da melhor maneira possível e deixe de ser malcriada, ãn! — Excelsior já pressentia o drama que estaria por vir, o melhor era dar a dispensa antes do intervalo.
X-X-X-X-X-X
Fatinha que matava a aula de física andava pelo pátio sem ser notada, quando observou Lia indo embora, não acreditava naquela cena. Lia fora dispensada das aulas por uma semana, estava de saída do colégio quando uma voz lhe chamou:
–Lia! Espera! – Fatinha gritou para a garota que andava em direção ao portão, ela tinha um sentimento que pesava em seu peito, queria se desculpar, talvez...
–Veio me gozar também? – Lia segurava nas alças da mochila, puxando para frente e olhava para chão.
–Não... – Fatinha falou se aproximando da roqueira e levantando o queixo da mais baixa para que pudesse olhar dentro daqueles olhos. — Você chorou? Lia... — A fanqueira acariciava o rosto da garota.
–Não... Eu não... — Lia não sabia o que falar.
–Não precisa falar nada, garota!- Fatinha olhando para aqueles lábios rosados deu a Lia um belo beijo, fazendo com que ficasse sem ar e sem reação.
–Fatinha... — Lia olhou surpresa, continuava abraçada a fanqueira, não tinha reação.
–Tchau Lia! – Fatinha ia deixando a garota, mas não sem antes dar um beijo demorado na bochecha da roqueira, e saindo com aquele sorriso sapeca no rosto. – Fique bem!
–Tchau... Fatinha... – Lia saiu andando sem saber o que estava fazendo se aquilo foi realmente certo ou se estava pirada.
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