Blogando! - O Beijo
13 Cicatrizes Amargas
Notas iniciais
Lia saiu do colégio com a autorização dada por Excelsior. Agora ela pensava no que o amigo havia comentado de ficar com outras garotas, de experimentar outras paixões. Fatinha tinha lhe deixado confusa com aquele beijo. Lia pensava consigo mesma:
–Afinal de contas, o que aquela garota queria? Numa hora com preconceito, em outra me agarra?! Devo estar ficando louca...
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Horário do intervalo, aos alunos não foi permitida a saída de sala de aula. Pelo menos não na turma em que Lia estudava. Os professores queriam manter a ordem. O lanche deveria ser feito dentro da própria sala de aula, durante quinze minutos. Haveria um controle maior das atividades daqueles adolescentes em específico! Eram três turmas de terceiro ano e aquela estava dando um trabalho extra aos professores.
Na sala de aula, Rafael havia se encolhido em sua carteira que ficava na primeira fileira encostada na parede, Morgana tinha puxado sua carteira para o lado dele e conversavam tranquilamente entre eles, chegando até a comentar o sumiço da sala de aula por Fatinha. A fanqueira sentava logo na carteira atrás do garoto e ao lado do Fera.
Ao fundo da sala de aula Dinho e Orelha conversavam, o playboy continuava nervoso, ainda não conseguia acreditar naquelas fotos que o nerd encrenqueiro havia lhe mostrado. Ju e Lia estavam realmente se beijando?! Ele tinha ficado com Lia e agora namorava a patricinha.
–Cara, é verdade! Eu tô te dizendo! — Orelha falava. — Eu mesmo que tirei essa foto!
–Como assim, porra?! — Dinho estourava com aqueles acontecimentos. — E você sabia desde quando?
–Isso foi antes do acampamento que fizemos, um pouco antes eu peguei as duas se beijando na praia... — Orelha falou apenas para o amigo.
–E, foi só ali? Ou tem mais? — Dinho queria saber bem o que estava acontecendo e que todos comentavam as suas costas.
–Que eu tenha registros, somente essa vez! — Orelha escondia algo, ele sabia mais coisas, mas o “amigo” não precisava saber agora. Haveria um momento especial para isso.
–Que... Safada! — O playboy ficava cada vez mais irritado. — A Lia não espera pelo que vem! Ela merece uma surra pra aprender a não dar em cima da mulher dos outros.
–Vingança?! Que acha?! É interessante, meu caro... — Orelha já arquitetava novo plano contra sua vítima favorita, e ele sabia bem o que poderia fazer nesse momento, em seus pensamentos já planejava algo: — Bom você achar que é a Lia que fica dando em cima da Juliana, melhor assim! MuaHAHAHAHA!
Enquanto isso, do lado de fora da porta Fatinha iria entrar na sala de aula quando viu Juliana se aproximando, a garota teria ido até a biblioteca e vinha em direção a loira.
–Olha só... Tá fazendo tese de bulimia dessa vez A 'modelo'? — A fanqueira deu enfase ao “A modelo”, num tom de deboche e provocação.
–Que foi Fatinha?! — Juliana falou com desdém chegando mais perto da porta da sala de aula onde deveria estar no momento da dispensa da amiga. — Algum problema comigo?
–Olha só... Se achou a importante! — Fatinha não dava bola para a patricinha, queria mais é que ela se explodisse ou fosse parar em Urano! — Aff! Garota esnobe!
Quando Juliana forçou entrar na sala de aula, a loira apenas olhou bem no fundo dos olhos da outra deixando as claras o que ela queria realmente e falando: — Melhor não fazer a Lia sofrer!
–Veremos quem fará isso, Maria de Fátima, do quê mesmo?! — Juliana se fez de desentendida.
–Pra você é dos Desprazeres, querida! — Fatinha entrou na sala de aula seguida da morena patricinha.
–A minha musa voltou minha gente! — Pilha se levantou todo animado ao ver Fatinha na porta da sala de aula. -Dá uma voltinha gata?!
–Pilha, Pilhado! Vai com calma aí... Sou musa, mas não abusa! — Fatinha sorria ao ver a alegria do amigo, os dois se davam super bem, e ali havia cumplicidade.
–Você vai ensaiar hoje lá no morro né?! — O moreno parecia muito animado, tinha que mostrar o seu trabalho para a garota que viraria a dançarina na sua apresentação no Quadrante.
–Não sei, eu ainda vou para a lanchonete! Chocolate, não fica triste não que se eu conseguir dou uma fugidinha! — Fatinha se sentou na carteira, percebendo que havia algo de errado na sala. — Rafa, ei... — A fanqueira cutucou o colega da frente. — Rafael... Depois da aula nós podemos conversar?
–Claro... Mas, o que aconteceu? Você.... — Rafael achou estranho, mas foi interrompido.
–Falamos depois da aula. — A garota continuou conversando com o amigo Pilha, que se sentou sobre a carteira da fanqueira.
Juliana foi ao fundo da sala, Dinho a puxou pela cintura fazendo-a sentar em seu colo, puxando para um beijo profundo até demais.
–Saudade da minha gata! Demorou na biblioteca... — Dinho comentou.
–Mas eu trouxe os livros para fazermos o trabalho hoje a tarde! — Juliana falou.
–Claro... Deixa eu ver... — Dinho fingiu folhear o livro dando um beijo dessa vez desmedidamente cheio de tesão na namorada.
–Tem MOTEL pra isso gente! — Fatinha gritou das carteiras da frente fazendo muitos rirem com a cena, até ela própria.
–Fica quieta oh gostosinha! — Orelha retrucou.
–Oh o respeito com a minha musa! — Pilha se levantou não achando o mínimo de graça com a brincadeira.
–Gente! Gente! Olhem os ânimos! Vamos a aula de biologia galerinha! — Cezar gritou ao entrar na sala de aula com uma roupa um tanto formal (camisa meia malha verde água e calça social preta) fazendo a turma se acalmar por um momento.
–Tá causando assim professor! Pinta de galã! Daí fica difícil concentrar na matéria! E, que matéria, hein?! — Fatinha brincava de se abanar.
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Assim que desembarcou no Rio de Janeiro, Raquel foi diretamente a um hotel, precisava descansar depois de horas e horas de viagem. Tinha uma pessoa que ela precisava visitar antes de ir em busca de sua família. Sabia que seria difícil, que talvez nem fosse certo, mas havia prometido algo e tinha que cumprir.
Ao se instalar em seu quarto no hotel, Raquel tirou algumas roupas daquela grande mochila e, por um momento ficou analisando um retrato que havia retirado junto com as roupas. Via naquela foto um dos momentos mais felizes de sua vida, até então.
–Você faz tanta falta! — Raquel deixou as lágrimas correrem pelo seu rosto assim que juntou aquela foto, em seu peito algo queimava, ardia. — Como seria diferente com você aqui...
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Lorenzo não estava em casa pela manhã. Voltaria mais tarde e com Tatá para casa. Dona Paulina estava na sala descansando e Rosa preparava o almoço. Tudo estava normal até então, exceto pelo momento em que Lia passa pela porta e sua avó a olha com curiosidade.
–Lia querida, o que aconteceu? Parece assustada e... Tão pálida! — Paulina pôs-se de pé, esperando a neta que seguiu até o sofá jogando a mochila no chão e recebendo um abraço reconfortante da avó.
–Fui dispensada das aulas dessa semana... — Lia apenas falou e se jogou no sofá. — O professor Excelsior permitiu a minha saída até que saia a reunião da coordenação.
–Querida, por que essa dispensa repentina? Você fez algo de errado? — A avó estava preocupada.
–Fiz, bati num garoto e já falei com a Marcela. Ele mereceu! — A roqueira ficava revoltada ao falar do garoto Orelha. — Cansei daquelas brincadeiras de mal gosto! Eu tinha que fazer algo!
–Mas Lia, bater não é certo! — Paulina assustada esperando o pior.
–Foi dispensa vó... Pode ver! — Lia entregou a folha. — Ele anda causando tumulto com todos os alunos. Eu só me defendi.
–Querida... — A senhorinha queria uma resposta melhor da neta e não deixaria por isso. — O que levou a isso? Ao uso da violência?
–Ele me ofendeu! — A roqueira foi seca.
–Como assim? Mas o que ele falou foi tão ruim? — Paulina tinha um sexto sentido.
–Vou falar... Cansei mesmo... Tô cansada de todos ficarem falando e falando! Eu sou apaixonada pela Ju e na escola ficam me chamando de sapata, de lésbica, de machorra! Eu cansei e bati! — Lia ficou esperando uma reação mais brusca da avó que apenas pegou em sua mão.
–Lia... Minha neta, se você é apaixonada por ela... As pessoas não tem nada haver com isso, e o respeito deve ser mantido, mesmo que os alunos não gostem! Esse comportamento preconceituoso é inadmissível! — Paulina era branda, calma.
–Vó... Eu... Sou apaixonada pela Juliana! — A garota esperava por outra maneira de a avó falar.
–Já sei... E, espero que você seja feliz com quem lhe faça bem! — A senhorinha era compreensiva. — Sempre eduquei meu filho assim, você e a Tatá! Não quero nenhum mal para vocês! E, é bom que você assuma seus sentimentos minha neta... Ao menos, seu coração estará de bem com você!
–Obrigada! — Lia se sentia reconfortada com a avó.
–Ai Lia... Lia... Preparar seu pai agora! Espero que ele seja compreensivo! Melhor você assumir que gosta de outra garota a ficar se enganando e torturando a si mesma... – Pensava a avó de Lia.
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A aula havia passado rápido. Todos estavam de saída. Dinho e Orelha estavam de um lado do pátio planejando algo. Enquanto isso, já no portão, Fatinha e Pilha conversavam.
–Oh chocolate, vem cá... — Fatinha olhava a cena de Dinho e Orelha. — O que os dois tão aprontando?
–Não sei Fafá... Mas coisa boa não deve de ser... — O garoto olhava desconfiado. — Você não viu o que aconteceu... De o Dinho gritar com a Lia, né?
–Claro que não... Eu vi foi a briga da Lia com aquele prego do Orelhudo... — A fanqueira falou. — Mas conta que que deu?
–O que eu sei foi das fotos... Aquelas que saíram no blog do Orelha... A Ju e a Lia se beijando. — Pilha estava “ligado” nos fatos e contava para a amiga. — Depois ele queria bater nela...Oh, o Fera teve que ficar no meio dos dois, minha musa! Foi o “mor” espanto!
–Mas o Dinho é um ogro mesmo! — A fanqueira falou com desdém em sua voz. — Opa, opa! Rafa vem aqui! — Fatinha viu o garoto saindo pelo portão e foi logo se despedindo do amigo Pilha para conversar com Rafael.
–Oi Fatinha... — Rafael estava até curioso para saber o que a fanqueira queria com ele, mas resolveu parecer o mais natural possível.
–Quero falar contigo, garoto! Tchau Pilha, mais tarde vou lá no morro dá um “alô” pra dona Rosa! — A garota foi logo puxando Rafael para a lanchonete onde trabalhava.
–Parece ser muito importante... Não quer me adiantar? — Rafael percebeu a pressa.
–Tenho que confessar algo! E... Você é o único que conseguiria me dizer algo... — Fatinha parecia incomodada com algo.
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Juliana havia se despedido do namorado, e ia para casa acompanhada do irmão que tinha vindo lhe buscar. Bruno percebeu que algo de estranho acontecia, preferia deixar a irmã se confessar a forçar uma conversa.
–Oi Bruno... — Ju olhava para o nada. — A Ana não veio com você?
–Não, ela ficou estudando... — Bruno abraçou a irmã por cima do ombro e foram andando até o carro. — Você parece aborrecida ou só impressão?
–Nada Bruno... Nada... Só... Só que, a Lia foi suspensa de novo... Por causa do Dinho... — Juliana tinha um olhar triste e vazio, não entendia o que estava acontecendo com ela, com o seu namoro, com a amiga por quem ela nutria um sentimento forte.
–Você deveria primeiro se aceitar mana! — Os dois irmãos entraram dentro do carro e foram conversando para casa. — Depois você deveria procurar a Lia e conversar com ela... Você gosta dela... Olha só o jeito que tá falando da garota!
–Bruno! Você sabe que não quero decepcionar a mamãe! — Ju continuava com aquela história de “não decepcionar”, já que o preconceito era latente e ela não queria encrencas para o seu lado.
–Você está sendo egoísta e sabe disso! — O irmão de Ju queria fazê-la aceitar a ideia de que não eram os planos de seus pais que fariam o futuro da irmã, mas parecia difícil naquela momento.
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O Conselho de Professores se reuniu naquele dia para serem inteirados sobre o que havia acontecido dentro da escola durante o período de aula matutino. Estavam presentes Leandro, Jorge, Sônia, Marcela, Isabela e Cezar. Marcela se assegurou que as informações necessárias fossem passadas aos professores, de tal maneira que pudessem decidir o futuro dos três envolvidos nas agressões – verbais e físicas. Marcela defendia Lia de tal maneira que demonstrou a parcialidade, fazendo alguns professores recuarem quanto a decisão dela.
–Penso que o correto seria: Álvaro se dedicar todas as tardes a organizar a biblioteca do colégio! — Isabela iniciou a sua ideia, sendo complementada em seguida por Leandro.
–O Adriano poderia prestar assistência junto ao grupo de idosos que utiliza as quadras para ginástica nos finais de tarde. — O professor de física se manifestou.
–E quanto a Lia? Não podemos mais deixá-la no colégio a tarde! — Jorge falou preocupadíssimo com a situação de deixar os três na escola e lembrando aos demais que Lia poderia ser o estopim para uma nova briga.
–Já sei! — Excelsior quase saltou da cadeira. — A Lia está sob a supervisão do Frederico, correto?
–Sim, mas o que isso teria haver com esse nosso problema? — Sônia se manifestou. — Ela continuará tendo que prestar os serviços comunitários como uma forma de repreender atos de vandalismo contra a escola.
–Sim, mas já tenho em mente o que fazer... — O pedagogo do grupo voltou com a sua ideia. — O que penso em fazer: Já que, Frederico supervisiona o Gilberto, que por sinal já está liberado da sanção... A Lia acompanhará o dia de treinamento dos meninos carentes do Frederico!
–Gostei da ideia! — Cezar manifestou apoio. — Dessa maneira todos estarão envolvidos com algo, ocupando a mente ociosa.
–E, quem podem ser os supervisores? — Marcela perguntou esperando manifestação dos professores.
–O Álvaro será responsabilidade da Juliana e o Adriano será do Rafael. — Sônia falou com autoridade.
–Não concordo! — Isabela se pronunciou. — A Juliana não deveria passar a tarde aqui, o Adriano é namorado dela.
–Concordo com a Isabela! — Cezar no mesmo sentido.
–Eu também concordo com os dois! — Leandro sabia bem o porquê e não seria esse o motivo, sabia que a encrenca era maior. — A Rita poderia ficar como responsável pelo Álvaro Gabriel.
–Ou mesmo o Gil. — Jorge falou.
–Ok pessoal. Mais alguma manifestação? — Marcela perguntou.
Terminada a reunião decidirão pelo melhor, que no presente momento seria: Álvaro Gabriel (Orelha) sendo supervisionado por Rafael e Adriano sob a supervisão de Gil. Sendo tomada esta decisão após Excelsior, Marcela e Leandro decidirem contar sobre o motivo das agressões reiteradas a Lia – a recente descoberta da paixão homoafetiva pela aluna.
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Juliana resolveu passar a tarde na casa dos Martins. Ela queria resolver tudo, não poderia ficar se culpando de ter ficado com Lia, afinal de contas ela sentia apenas uma atração, nada demais, que com o tempo passaria, ou pelo menos ela pensou ser assim.
–Oi dona Paulina... Posso falar com a Lia? — Juliana estava na porta do apartamento aguardando para que pudesse entrar.
–Lá no quarto e vê bem o que você vai falar para a minha neta. — A avó estava preocupada com a sua garotinha, ela já era rebelde o suficiente para ficar pior.
Assim que a patricinha tomou coragem entrou dentro do quarto da roqueira, que prestava atenção em sua coleção de figurinhas sobre rock. Quando Lia sentiu o perfume conhecido, virou-se para a porta do quarto, levantando-se em seguida.
–O que você quer Ju? — Lia se mantinha na defensiva, os últimos acontecimentos tinham lhe aborrecido.
–Quero te pedir desculpas... — A patricinha tinha olhar baixo. — Nós não deveríamos nos envolver dessa maneira... Sabe?
–Que maneira? Quando você de repente chega perto de mim, me abraça, beija e na hora seguinte saí correndo com medo de se apaixonar? — A roqueira era sarcástica. — Ah, porque você realmente se importa com que os bobalhões vão pensar!
–Lia... — Juliana sentiu doer em seu coração. — Não podemos... Eu tenho um namorado maravilhoso e que me ama.
–E você, hein? — Lia se aproximou da patricinha. -É ele que você quer? — A roqueira provocava, queria ver até onde a patricinha levaria aquela história.
–Eu... — Ju estava muito próxima da boca de Lia, seus sentimentos, seus desejos de adolescente, aquela paixão toda gritava: BEIJA! Mas sua consciência dizia: SOU HETERO!
–Droga! Beija logo! — Lia agarrou a garota, o beijo era agressivo, possessivo, a roqueira queria mostrar a Ju que isso não significaria nada. — Era isso que você queria? Pronto! Já teve! — A roqueira se distanciou de Ju, fazendo sinal para que a mesma saísse.
–Lia... — Juliana ficou esperando por algo, mas aquele olhar da roqueira a fazia em pedaços por dentro, sabia que a amiga iria inevitavelmente chorar. — Por favor, quero ficar aqui com você!
–Saí daqui Juliana! Eu não sou seu brinquedo! Saí! — Lia gritou, fazendo Dona Paulina ficar em alerta.
Por fim, Juliana se deu por vencida e saiu do quarto de Lia, passou pela sala onde a dona Paulina olhava a cena. A patricinha saiu chorando porta afora.
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Já era o entardecer. Lia havia “fugido” de casa, horas depois de seu pai voltar do hospital, esperou ele ir descansar e saiu de fininho, sem ser notada pela sua família. Encontrou-se com Gil no meio do caminho que trilhavam até o Quadrante, onde fariam uma grafitagem, nada que pudesse fazê-los parar na diretoria novamente. Os dois entraram encapuzados dentro do colégio, estavam caminhando tranquilamente e em silêncio até a quadra de esportes.
–Cara, olha lá! — Lia apontava para alguém que pichava parte da arquibancada da quadra de esportes.
–Quem será que é? — Gil ficou observando. — Vamos embora, antes que nos peguem, Lia! Pode ser armação! Vem... — O garoto pensou se tratar em encrenca, algum tipo de armadilha da direção do colégio.
–Não! — A roqueira foi firme. — Vou ver quem é! — Lia correu pela escuridão, a figura se apressou e correu antes. — Quem é você? Volta aqui!
Lia correu atrás da figura encapuzada, dava o seu máximo para descobrir quem era a figura que vinha pichando o local, Gil fora logo atrás. Ao pular o portão perceberam que havia acontecido um encontrão! A figura esbarrou em outros dois estudantes que passavam pelo local.
–Calma aí! — Pilha segurou a figura que pulou logo em cima de sua musa. — Pensa que esbarra assim na minha musa e vai andando?!
–Ei, espera aí... Tem mais gente... — Fatinha ficou olhando as figuras pulando o portão. — Lia?! Gil?!
–Tira o capuz! Temos que ver quem vem pichando o Quadrante! — Lia se pronunciou tentando tomar fôlego após a corrida.
–Então vamos descobrir quem deixou você levar a culpa! — Fatinha ficou ao lado de Lia. — Vai lá Chocolate! Mostra pra sua musa quem é o bandidinho que anda aprontando com essa marrentinha.
Gil apenas ficou quieto observando a cena, queria mesmo saber quem estava no local pichando. Lia estava parada com uma Fatinha segurando o seu braço.
–Pode ver quem é! — Pilha fez sinal para o outro rapaz tirar o capuz.
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