Blogando! - O Beijo
7 A Volta a Cidade
Notas iniciais
Fatinha estava sentada debaixo de uma árvore, observando o mar, estava vestida com biquíni por baixo da bermuda e camiseta rasgada, com um tênis de trilha. A garota estava cansada daquele acampamento, se sentia solitária. Ali talvez tivesse um pouco de paz para pensar na vida. Ela viu Lia vindo da trilha, mas não deu a devida importância que deveria, e só descobriria isso mais tarde.
–Eu sei de tudo Fatinha. – Era Orelha sentando ao lado da piriguete.
–O que você quer orelhudo? – O garoto irritou a loira.
–Por enquanto nada, mas vou ficar de olho em você. – Orelha se levantou e junto com ele Fatinha.
–Escuta aqui! Quem você pensa que é pra... –Fatinha nem mesmo terminou de falar e foi interrompida.
–Escuta aqui você! Eu conheço os seus segredos minha cara! – Nessa hora chega alguém.
–Tudo certo por aqui? – Fera apareceu do nada dando um susto no rapaz.
–Tudo cara. – Orelha saiu resmungou.
– Quer conversar?- O grandão tentou abraçar a garota que fugiu de seu braço.
–Não Fera. – Fatinha tinha o olhar fixo nas ondas do mar, percebendo que havia algo errado.
–Se precisar conversar, estarei aqui... – O rapaz ficou ali em silencio enquanto via uma Fatinha se livrando de seus calçados.
–Tem alguém se afogando garoto! – A loira correu pela areia, tirando a camiseta e se jogando na água.
–Fatinha! Nada por fora da corrente. – Fera correu atrás da garota. – Droga! Espero que ela consiga! – As correntes eram fortes, as ondas chegavam a quebrar na praia com certa violência naquela manhã.
Fatinha saiu nadando chegou perto de quem estava se afogando, viu que era Lia, ao invés de se desesperar, tomou coragem para puxar a garota para a areia.
–Nem acredito no que vou fazer. Salvar a sua vida. Sua doida! – Fatinha continuava nadando agarrada a uma Lia inconsciente.
Na areia, Dinho e Juliana caminhavam, viram Fera perto da água, olhando para o mar. O grandão explicou o que ele tinha presenciado, e que Fatinha havia se jogado no mar para salvar alguém. Naquele momento eles sabiam apenas que Fatinha faria uma boa ação: salvar alguém, mas não sabiam exatamente quem era a pessoa que seria salva. Ninguém acreditaria se não estivesse vendo a garota vir em direção a areia trazendo consigo alguém.
Quando a piriguete chegou a parte rasa da água, Fera correu para ajudar, pegou no colo a garota Lia, e saiu até a areia. Repousando o corpo da garota e verificando os sinais vitais. Ju estava apavorada com a situação, enquanto Dinho voltava correndo para o acampamento para avisar aos professores responsáveis do ocorrido.
–Isso deve ter sido por sua causa, né PA-TRI-CI-NHA? – Fatinha chegou bem perto da chorosa Ju.
–Eu... Não queria! – Ju falava entre soluços.
–Não queria, mas agora ela tá aqui! – A piriguete estava nervosa.
–Por favor, garotas! – Fera chamou a atenção. – Tem que ser feito o boca boca, ela ingeriu muita água e...
–Fica quieto aí! – A piriguete mandou, Fera simplesmente ficou quieto e atendo ao resgate da roqueira.
Fatinha nem pensou, sabia como tinha que fazer, assim como Fera ela também era um peixe. Sabia muito bem nadar e aprendeu alguma coisa na escolinha de surf que é a vida, sabia perfeitamente como salvar uma pessoa afogada. A garota se posicionou, fechou as narinas da roqueira, abriu a boca da outra e pôs a oxigenar, parou por um instante, olhou novamente para a garota ali inconsciente e voltou a repetir o mesmo procedimento por 3 vezes, até que Lia recobrava a consciência.
–Não quero que ela saiba que fui eu. – A piriguete falou saindo da praia.
–Mas... – Fera olhou a garota ir embora enquanto se preocupava em acompanhar a colega que recobrava os sentidos pouco a pouco.
Agora Lia abria os olhos vagarosamente, ao mesmo tempo em que expelia a água que havia ingerido. Quando Lia abriu os olhos, Fatinha não estava mais ali. Ju observava a amiga.
–Você tá bem Lia? – Ju se aproximou olhando para Lia, e se ajoelhando ao lado da garota e a abraçando firme contra seu peito.
–Eu... Tô... Precisando de ar. – Lia tentava tomar ar.
–O que aconteceu aqui? – Marcela correu em direção a Lia.
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Os professores mandaram os alunos recolherem o acampamento assim que Dinho voltou da praia anunciando o incidente. Ali havia terminado o acampamento. Com o incidente haveria muito trabalho a ser feito, dali Lia partiria para o hospital junto com Marcela que tomou para si essa responsabilidade. Enquanto isso, Cezar e Robson organizavam a volta dos alunos do acampamento para a escola.
Fatinha chegou ao acampamento e todos estavam desmontando as coisas e guardando. A garota toda encharcada não passou despercebida por Orelha, que logo foi encontrar a piriguete trocando de bermuda ali mesmo, na frente de todos, já que estava de biquíni por baixo da roupa.
–Olha, então perdemos o seu dia de heroína?! – O rapaz era sarcástico.
–Cala a boca garoto! – A piriguete não aguentava mais o orelhudo. – O que vai querer?
–Você bem que podia me descolar umas gatas no funk, né? – Ele parou observando a garota que agora desmontava a barraca que dividia com a professora Marcela.
–Não! Nem adianta fazer suas chantagens Orelha! Pra mim chega! – Fatinha nem se quer se deu ao trabalho de ouvir mais alguma coisa.
–Estou preparando algo especial para você! – Ele saiu ameaçando a garota. Talvez ele realmente tivesse algo a fazer contra ela.
De lado, Gil observou a cena, sabia que onde o Orelha se metia não existia coisa boa. Ele ficou pensando no que poderia ser. Talvez alguma proposta indecente, já que todos os garotos desejavam ter Fatinha ao seu lado, mas juntando as peças ele conseguiu decifrar o que acontecia ali, pelo menos em parte.
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Todos saíram do acampamento e foram deixados no colégio. Um único pai não pode buscar a filha, e este era o Dr. Lorenzo. Ele esperava a garota no lado de fora do colégio, próximo ao ônibus quando Nando chegou perto dele com a filha Morgana abraçada ao mesmo.
–E aí doutor?! – Nando chegou cumprimentando o vizinho.
–Boa tarde, Nando. – Lorenzo olhava para o ônibus e ninguém mais saia dele. Seu coração de pai dizia alguma coisa. – Desculpe perguntar, mas será que a Morgana viu a Lia?
–Morgana, você sabe alguma coisa da filha do meu amigão? – O roqueiro era super tranquilo.
–Dr. Lorenzo. – A garota tinha um olhar assustado, não sabia o que falar naquele momento. –É... A Lia... Bom... Ela...
–Desembucha logo filha. – Nando tentava dar um empurrãozinho.
–Ela foi parar no hospital, a única coisa que eu sei é que a Marcela acompanhou de ambulância, e a gente só tá sabendo que ela se afogou. –Morgana falou tudo de uma vez.
–Ai meu deus! – Lorenzo colocou a mão na testa, e pôs a andar de um lado para o outro. – O que deu nela dessa vez?
–Lorenzo, por favor, cara! Véio na boa, nem deve ser algo grave! – Nando tentava acalmar o vizinho.
–É, qual o hospital? – O médico olhou para Morgana.
–Aquele em que o senhor trabalha. – Mal a garota terminou de falar e ele saiu correndo para o carro.
–Só espero que ele chegue com o próprio carro. – Nando saiu carregando as mochilas da filha.
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No hospital Marcela estava no quarto conversando com Lia enquanto Fera, Gil e Ju estavam sentados na sala de espera, Fera e Ju sentados lado a lado e Gil na frente dos dois.
–Como assim? Vocês não vão contar pra Lia que foi a Fatinha que salvou ela? – Gil preferiria não escutar o que viria.
–A Fatinha havia pedido lá na praia. – Ju tentava se defender.
–E logo que chegamos ela ligou pedindo para não fazer, porque ela tem problemas demais e não queria mais encrenca para ela. – Fera explicou o que estava acontecendo.
–Isso é errado! – Gil não se conformava. – Ela vai ficar achando que foi você Fera!
–Acho que isso é o que menos importa. – Falava a patricinha.
–Vocês são dois mentirosos, isso sim! Ela é amiga de vocês, sabiam? – Gil voltou-se totalmente para Ju. – Ou pelo menos sua melhor amiga Juliana!
–O melhor é não falarmos nada. – A garota continuou de braços cruzados e com a expressão de emburrada.
–Cara, você não vai contar pra ela? – Fera olhou para o rapaz.
–Não. – Gil pensou. – Não, nesse momento.
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Alguns dias haviam se passado, Lia já tinha se recuperado e a galerinha tinha voltado as aulas no colégio, e é claro que tínhamos que falar no Pilha que estava: PILHADO! O garoto resolveu fazer mais um funk, o funk da musa, e lá estava ele em seu local de trabalho. O interessante era a sua inspiração em locais inapropriados ou pelo menos assim ele pensava. Ele cantava durante o trabalho, era algo natural, saia sem que ele quisesse e assim estava: O rapaz cantava, enquanto se balançava pela loja de esportes, a sua dança chamava a atenção das pessoas que por ali passavam.
–Tcha tchara catchbumm... É a mina do verão, garota sensação... Chega sensual, vem pra cá dominar geral, meu coração... tchummmm Cair na pista e arrasar! Eu tô facim... Mas se for assimmmm... Eu quero você pra mimmmmmm! É a musa sensaçãooooo... Que arrasou meu coraçãoooooo... tcha tchararara... Eu quero te namorar... – O rapaz arrumava algumas caixas, e a clientela da loja só aumentava, foi aí que passou o gerente da loja.
–Moleque! – O cara chamou atenção do rapaz. – Seu apelido é Pilha, né?
–Sim senhor! – Pilha prontamente respondeu. – Em que posso ser útil?
–Você tá chamando atenção demais clientes... – O gerente olhou pra ele, já tendo umas ideias.
–Tudo bem, eu irei parar. Não precisa chamar a minha atenção novamente senhor. – Pilha estava envergonhado, queria muito manter seu emprego.
–NÃOOOO! Que é isso, você pode continuar, tá bom isso... Essa música que você faz. – O gerente era simpático, precisava de um funcionário assim, alto astral e pronto para atender. – Quero que você seja o que você realmente é, um rapaz eficiente no atendimento e alto astral. As pessoas gostam meu jovem.
–É... Obrigado! – Pilha saiu contente e ao mesmo tempo encabulado com o elogio. – Tchumtchutchuuu.. Essa loira é de arrepiar. É a namorada, o amor desse carnavaaaal... Tarachummm...
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Fatinha saía de uma lanchonete quando foi abordada por um garoto bem arrumado, gel no cabelo, bermudão, camiseta gola V, relógio no pulso, celular de ultima geração no bolso.
–Tô gostando de ver, Facinhaaa... – Ele tinha a mesma voz, estava diferente sem seus óculos.
–Não enche garoto! – Fatinha estava ajeitando o material da aula em seus braços.
–Tá me obedecendo direitinho... – Orelha não queria apenas ficar ali enchendo a garota com suas esquisitices.
–Olha aqui, oh moleque abusado! – A garota ia dar de dedo no Orelha, porém sabia que ainda estava em frente ao seu ambiente de trabalho. Bom, Fatinha trabalhava para manter certos luxos que ela tinha, como manicure, algumas roupas, calçados.. – Garoto! Você me paga!
–Não antes de você sair daqui de mãos dadas comigo... Namorada! – Orelha deixou bem claro que quem tinha cartas que poderiam tornar o jogo muito mais interessante do ponto de vista dele, e iria jogá-las se necessário.
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Lia já estava em casa, seu pai havia levado um grande susto. Sorte que a roqueira foi salva antes que algo pior acontecesse. Bom, tudo por causa de um amor, nada resolvido. Juliana iria visitar Lia naquela tarde, resolveu deixar Dinho de lado e ir atrás da amiga. Chegou ao apartamento da amiga, e claro que quem atendeu foi a dona Rosa, que lhe explicou onde encontraria Lia naquele fim de tarde.
Lia se divertia balançando a irmã no brinquedo. Juliana observava de perto de umas árvores que tinham ali na pracinha da rua onde moravam. A patricinha sorria ao ver a alegria de Lia brincando com a irmã menor, pensando: “Lia, como é bom te ver sorrindo! Queria te ver sempre assim!”. Ju ficou ali até que percebeu Paulina fazendo sinal para a neta adolescente, que olhou a amiga.
Ju e Lia se aproximavam aos poucos. Pararam uma de frente para a outra em silencio, ficaram longos segundos assim até que a roqueira resolve quebrar aquele momento.
–Então cara, que te deu? – A loirinha ficou esperando a reação da amiga que apenas se jogou sobre ela, jogando seus braços sobre o ombro da roqueira.
–Não quero te perder Lia! Quero você viva! Sempre! – Ju chorava no ombro da garota.
–Eu tô viva e isso já me basta! Graças ao Fera! – Lia fazia carinho nas costas da patricinha tentando acalmá-la.
–Amo seu sorriso infantil, sabia? – Ju permanecia com a cabeça apoiada no ombro da ‘amiga’, sentindo a pele da roqueira descoberta naquela região, já que a garota adorava camisetas de ombro caído.
–Agora sei. – Quando Lia fez menção de se separar do abraço, Ju depositou alguns beijinhos sobre o ombro da amiga que estremeceu ao toque dos lábios em seu ombro. – Acho melhor ir descansar.
–Lia, vou te esperar para ir pra aula amanhã. – Ju sentiu o seu corpo se separar da garota que tanto ela amava e sentia medo de assumir os seus sentimentos.
–Tudo bem então. Vó, tô subindo! – Lia gritou.
E ali ficou Juliana observando a loirinha se dirigir até em casa, sua cara era de boba ao ficar olhando para Lia não deixava dúvidas sobre seus verdadeiros sentimentos. Naquele mesmo momento seu coração sentia um aperto. Sabia que deveria contar sobre quem salvou a vida dela, ela tinha pleno conhecimento que se não contasse agora, algo poderia acontecer e aquilo viria a tona de uma maneira que a faria se sentir uma pessoa ruim, e que talvez perdesse a confiança de Lia.
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