Blinding lights
6 You're the one I trust
Notas iniciais
(LEIAM PELO MENOS O QUE ESTÁ ABAIXO DAS DEFINIÇÕES NAS NOTAS FINAIS, POR FAVOR)
A umidade do lado de fora da lanchonete fazia a noite ficar mais fria e uma leve garoa caia sobre mim. Andei em direção a minha moto e percebi que seu banco estava levemente molhado, não o suficiente para encharcar minha calça quando sentei. Talvez pela minha mente tenha passado um breve pensamento suicida, mas decidi não pegar o capacete. Queria sentir a brisa congelante em meu rosto.
Passei a dirigir sem rumo, porém quando percebi estava naquele mesmo campo de futebol da noite do nosso primeiro beijo. Dessa vez eu não quis sentar na grama, então caminhei em direção às pequenas arquibancadas que o cercava. Sentei no terceiro degrau e tateei meu bolso, rendendo-me a um antigo vício: o cigarro.
A chama que saiu do isqueiro quando o acendi, aqueceu um pouco minha mão e meu rosto. A primeira tragada no cigarro trouxe o ar quente para dentro de meus pulmões, porém logo o deixei ir por entre meus lábios e o cheiro adocicado e enjoativo da nicotina junto da fumaça preencheu o ar ao redor de mim. A sensação de relaxamento se apossou de meu corpo e eu encostei a cabeça no degrau de cima para curtir o momento.
Tenho quase certeza de que se Karin estivesse aqui já teria tirado o objeto de minha boca me olhado com uma cara furiosa, mas ela não estava. Então apenas continuei tragando.
Lembro de quando tudo começou a desmoronar entre nós. Era uma noite bem diferente dessa, estava começando a fazer calor e não estava tão úmido. Eu poderia ter impedido tudo de ter acontecido, mas deixei toda a merda acontecer.
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— Meu irmão falou que quer te conhecer oficialmente como meu namorado no meu aniversário.
Eu a ouvi falar enquanto ainda acalmava meu corpo. Sua cabeça estava apoiada em meu peito, eu estava deitado de costas na cama, um de meus braços circulava seu corpo e a mão do mesmo estava descansando na base de sua coluna, já outro estava embaixo de minha nuca. Estávamos ambos nus, suados e melados, mas a preguiça era imensa para tomar banho agora. Nem o cheiro de sexo chegava a incomodar naquele momento, apesar do calor de maio piorar um pouco nossa situação.
— Tinha que vir com isso logo agora? – Gemi de frustração, mas ela me ignorou.
— Você teve sorte. Yuzu queria uma festa grande, já eu queria que fosse só um bolo. No fim a gente concordou em só convidar alguns primos e alguns amigos, além, claro, de você. – Seus dedos giravam em meu peito, fazendo alguns desenhos aleatórios.
— O que eu posso esperar do resto da sua família? – Perguntei já com medo.
— Realmente não sei. É a primeira vez que apresento um namorado. – Ela se moveu levemente para que pudesse apoiar seu queixo em mim e olhar meu rosto.
— E o seu pai? – Tirei o braço que estava embaixo de minha nuca e levei minha mão à sua bochecha para fazer carinho. Agora encarava o teto, pensativo.
— Ele não é tão direto quanto o meu irmão, mas eu sei que ele quer te conhecer melhor.
— Ele poderia ter feito isso, se você não o tivesse proibido de conversar comigo no dia da viagem. – Ouvi-a rir. – Mas ele não liga de você dormir aqui, mesmo não me conhecendo direito?
— O velho é um pouco estranho com a nossa criação, ele tem aquela filosofia de deixar os filhos encontrarem seus próprios caminhos. Oyaji até tentava controlar melhor quando eu e Yuzu éramos mais novas, mas agora nem tanto.
— Vendo o que você e sua irmã se tornaram, acho que essa tática deu muito certo.
Senti-a depositar um beijo em meu peito como agradecimento do elogio, mas aquele não foi o único. Ela foi dando selos em minha pele, desenhando um caminho até minha boca e, quando a alcançou, moveu corpo para que ficasse em cima de mim, sentada sobre meu sexo já animado. Estávamos a caminho da segunda rodada do dia.
...
Faltava menos de uma semana para o aniversário de Karin e eu estava ansioso. Já tinha conhecido a família, mas nem ao menos conversei com o pai dela e com o irmão. Eu não tinha ideia do que eles pensavam de mim. Meu lado rebelde tentava jogar “foda-se” para opinião deles, mas o meu lado mais apaixonado estava tenso e preocupado.
Além disso, eu não sabia o que dar para a morena. Por mais que eu me repreendesse por causa de pensamentos fúteis, eles sempre acabavam voltando. Eu me sentia impotente por não poder fazer algo tão incrível quanto o que ela fez para mim em meu aniversário.
— Você pode levar ela naquele motel incrível na saída da cidade. – Quase engasguei com o Milk Shake que tomava.
— Tá louca? – Falei um pouco mais alto que o normal.
— O que tem? Vai ser bom pros dois. – A loira me olhou da forma mais inocente que pôde.
Apressei meu passo, ignorando-a. Estávamos andando pelo centro, em um domingo de manhã (agora quase na hora do almoço) devido a insistência de Matsumoto para comprar um presente para Karin. Desde que as duas se conheceram, não se desgrudaram mais. Parecia que eram melhores amigas desde criança, mesmo com a diferença de idade. A loira também foi convidada para a festa, então cá estávamos nós.
— Não me ignoraaa! – Ouvi-a apressando os passos também atrás de mim. – Você sempre me ignora!
— Então pare de falar besteiras! – Virei-me para ela. – Lá vai estar a família dela toda, vai ser uma coisa séria e eu não posso...
— Rangiku?
Uma voz bem conhecida interrompeu nossa discussão. Olhamos para frente para confirmar quem era e mesmo assim o choque tomou ambos. Diferente de Matsumoto eu o havia visto tem poucos meses, porém para ela provavelmente já havia anos.
— Gin? – Olhei apressado para o rosto dela e pude ver um misto de emoções que passava por ele, mas uma delas se sobressaia: dor.
— Você parece bem. Como tem passado? – O sorriso falso habitual estampava seu rosto e neste momento eu quis tirar ele no soco.
— Bem. Muito melhor sem você.
Era óbvio que Matsumoto não se deixaria levar por emoções bobas e eu senti orgulho dela. Ela voltou a caminhar e passou reto por ele, porém seu braço foi agarrado antes que pudesse completar a ação. Eu estava prestes a arrancar aquelas mãos nojentas dela, quando ele me notou.
— Eu não vou machucá-la, Shirou-chan. – Falou com deboche o meu apelido e em seguida virou para a loira. – Eu ainda tenho algo que é seu comigo e você sabe o que é. Se quiser de volta, é só me encontrar na sexta no lugar em que nos conhecemos.
Soltou-a rapidamente e seguiu seu caminho como se nada tivesse acontecido. Estava atônito pelo o que aconteceu e, pelo rosto de Matsumoto, ela também.
— O que você vai fazer quanto a isso? – Perguntei ainda anestesiado.
— Eu... não sei.
...
A semana passou rapidamente e logo sexta feira chegou. Eu olhava para o relógio na parede quase a cada segunda, esperando, ansioso, dar 6 horas para eu poder bater ponto e ir embora dali. Hoje Karin estaria ficando um ano mais velha e logo eu estaria em sua casa cantando parabéns para ela, além de conhecer o resto da sua família.
Quando deu o horário de ir embora, arrumei tudo o mais rápido o possível e segui praticamente correndo até minha moto. Ainda teria que passar em casa rápido para tomar um banho e pegar seu presente para ir à sua casa.
Apesar de conseguir ir a pé até onde seria a comemoração, decidi ir de moto para que eu não suasse mais do que já estava de nervoso. Quase dei uns tapas em minha cara pelos pensamentos ridículos que me ocorriam, mas isso não impediria de continuar a tê-los. Iria buscar Matsumoto antes de ir, porém ela havia me mandado mensagem mais cedo dizendo que iria chegar atrasada e por isso não era para se preocupar com ela. Eu tentava me enganar afirmando que a loira não seria tão burra para ir encontrar Gin, mas no fundo eu sabia que ela iria independente de minha opinião. Evitava pensar nisso, contudo o fato de o meu celular já estar no volume máximo para caso aconteça algo, já era uma prova do quanto eu falhara.
Cheguei quase que pontualmente no horário que ela marcou para começar a festa. Sua casa por fora não estava decorada, mas o barulho alto de conversa indicava que aquele não era um dia ordinário. Respirei fundo mais uma vez antes de desligar a moto. Peguei o presente dela e de Yuzu, além dos meus outros pertences e segui em direção ao portão. Por ele estar apenas encostado, não precisei tocar a campainha ou gritar seu nome, o que era um alívio. Preferia não anunciar minha presença ainda.
Assim como o portão, a porta estava destrancada e logo que entrei pude presenciar uma cena — no mínimo — bizarra. O pai de Karin estava dando um mata leão em seu irmão e eu cheguei a tempo de ver o ruivo driblando a situação e jogando o senhor para frente. Foi inevitável minha careta ao imaginar a dor pelo barulho do baque das costas de Ishin no chão quando caiu.
— Toushirou-san! – Minha atenção da cena foi desviada para a loira que vinha em minha direção.
Com o grito de Yuzu todo mundo que estava presente se virou para a entrada e sua atenção foi inteiramente para mim. Senti meu rosto esquentando devido aos muitos olhares analíticos que recebia e minha mão passou a suar. Decidi focar na loira temporariamente e entreguei seu presente ao mesmo tempo que dava parabéns. Por sorte, ela pegou em meu braço e me puxou em direção ao que eu acreditava ser a cozinha, salvando-me temporariamente do constrangimento de cumprimentar os outros.
Antes mesmo de entrar na cozinha ouvi xingamentos e gemidos de frustração e foi inevitável o sorriso que veio ao meu rosto ao reconhecer de quem eram. Ao invadir o cômodo pude ver que Karin brigava com o congelador, tentando colocar mais refrigerantes que o espaço vazio – sem carne e potes – permitia.
A morena estava tão ‘entretida’ com sua tarefa que não percebeu que cheguei ao seu lado e apenas reparou em mim quando eu tomei um dos refrigerantes de sua mão e o coloquei no chão. O leve susto que levara logo foi substituído por um pequeno sorriso e, antes de me dar um selinho, virou-se para trás para ver se tinha espectadores.
— Você chegou cedo, eu nem terminei de arrumar tudo. – Ela apontou para a pequena desordem da cozinha e em seguida suspirou. – E aqueles dois idiotas lá da sala só pioram tudo.
— Bom, você me tem agora.
Empurrei-a levemente para o lado e passei a organizar o congelador de forma que coubesse tudo. Karin ficou alguns segundos me observando antes de ir me passando os itens para guardar.
— Toda a sua família está aqui? – Perguntei enquanto realizava a tarefa.
— Não, ainda faltam alguns primos. – Respondeu um pouco ansiosa.
— Devo me preocupar? Porque se eles forem como seu pai e seu irmão, certamente vai ser uma festa interessante. – Repeti a pergunta que fiz alguns dias antes e, antes que ela ficasse brava, complementei. – A primeira coisa que vi quando cheguei foi seu pai levando um baita golpe de judô.
— Relaxa... eles são piores. – Soltou uma risada rápida quando viu meu olhar de horror. – Você logo se acostuma.
— Espero que sim. – Falei baixo e mais para mim mesmo, mas mesmo assim Karin me ouviu.
— Olha, eu tô tão nervosa quanto você, mas sei que isso tudo é à toa. Eu vou ficar ao seu lado a noite toda, não precisa se preocupar. – Ela selou essa promessa indireta com um beijo em minha bochecha antes de continuar o que estávamos fazendo.
E levou menos de meia hora para que Karin quebrasse o que havia dito. Assim que seus amigos chegaram, ela foi praticamente roubada por eles e eu não quis interferir, principalmente quando ria tão espontaneamente. Eu estava em um canto da sala, encostado na parede, bebendo refrigerante, enquanto observava as interações da sala e percebi o exato momento no qual tanto Ichigo, quanto Ishin se levantaram para falar comigo, mas foram barrados por uma garota baixinha. Porém fora ela quem veio até mim.
— Kuchiki Rukia. – Sua mão estava estendida em minha direção e eu ofereci a minha que estava sem o copo.
— Hitsugaya Toushirou. – Ela apertou um pouco forte antes de soltar, como se estivesse fazendo o papel dos dois homens que me encaravam do outro lado da sala.
— Você e eu aqui somos iguais. – Ela esclareceu prontamente quando franzi o cenho. – Namorada do idiota ali de cabelo laranja.
— Certo. – Respondi temeroso por não saber o objetivo daquilo.
— É o seguinte: eles queriam vir aqui, dar uma de machões, te encurralar, mas não deixei que fizessem isso. Já é assustador o suficiente estar “entrando” para a família de alguém, principalmente para essa. Mas... eu realmente recomendo largar essa pose de “foda-se todo mundo” e ir falar com eles. – Seu olhar duro, mas não ríspido, direcionava-se para mim e começou a fazer sentido o receio deles de virem aqui.
— Hum... obrigado? – Respondi um pouco incerto.
— Você parece ser tão inexperiente quanto Karin nesse negócio de apresentação de namoro. Então vem.
Ela saiu me puxando em direção aos dois homens que, quando perceberam nossa aproximação, tentavam disfarçar que estavam nos encarando há poucos segundos. Rukia me puxou até uma das cadeiras vazias ali e me empurrou para baixo, sentando-me e em seguida ela se acomodou ao lado do namorado.
— Está gostando da comida? – Quem deu o primeiro passo na conversa foi ichigo, por livre e espontânea pressão de sua namorada.
— Sim, os salgados estão realmente bons. – Uma leve timidez se apossou de mim e imediatamente quis voltar para o cantinho na parede.
— É a primeira vez que a gente conversa em seis meses de relacionamento com a minha filha. – A voz de Ishin tomou uma seriedade que eu não esperava e me fez apertar levemente o copo quase vazio em nervoso.
— Um pouco mais de 7 meses se você contar com quando... – Minha fala foi morrendo quando percebi que pronunciava aquilo em voz alta. – Me desculpe.
— Por que acha que eu devo deixar você namorar com ela? – Seu olhar sério foi quebrado quando uma mão desceu certeira em sua cabeça em um soco.
— Porque essa decisão nunca foi sua, velho idiota. – Karin olhava furiosa para seu pai e, como no dia da viagem, vi a expressão do mais velho mudar para uma chorosa e bem dramática.
— Deixa eu tentar ser o pai durão, Karin-chan! – A morena apenas revirou os olhos e se virou para mim.
— Vim te salvar desses malucos. – Ela estendeu a mão e eu a peguei apenas para dar um pequeno carinho.
— Não precisa. Está tudo bem por aqui.
Não estava, mas ela não precisava saber. Lançou-me um olhar questionador antes de se virar para atender os convidados que acabaram de chegar e eu apenas voltei para Isshin, que reclamava da ‘falta de amor’ de sua filha. Ichigo continuava quieto, apenas me observando e eu percebi que Rukia tentava distrair o namorado com uma conversa sussurrado, mas ele parecia vidrado em mim.
— Você quer uma cerveja, Toushirou? – A voz do mais velho fez eu quebrar o contato visual com o ruivo e me virei para a fonte. Seu rosto agora era dominado por um sorriso de canto e uma expressão suave.
— Não, obrigado. Prefiro ficar no refrigerante. – Levantei o copo vazio, sinalizando.
— Karin e Yuzu me contaram como vocês se conheceram. – Finalmente ouvi a voz do filho mais velho. – Deve ter sido um susto e tanto.
— Realmente foi, mas Yuzu cuidou muito bem de Hinamori.
— Essa é a minha menina. – Isshin falou alto, orgulhoso.
— Eu tô curioso sobre como você e Karin se aproximaram. – Ditou com uma feição suave, mas eu pude perceber o tom felino por trás.
Antes que pudesse responder algo, tomei um susto quando Ichigo voou pelo ar devido a um chuto bem executado. Meu olhar seguiu do pé para o rosto de quem chutava e era bem evidente a semelhança entre quem estava ali e a família Kurosaki, logo assumi que eram os primos que faltavam. Eram três no total: uma mulher e dois homens. Sendo que a primeira era a dona do sapato que agora marcava o rosto do irmão de Karin.
— Tio, você não tá treinando bem seu filho. Ele nem viu eu me aproximar. – A mulher reclamou para Isshin de braços cruzados. — Por acaso você tá descascando batata no exército, Ichigo?
Os momentos seguintes foram uma confusão de gritos e brigas – inclusive, físicas – entre os membros da família. É, Karin tinha razão. Eles eram, definitivamente, piores. Aproveitei essa distração para ir em direção à entrada da casa e tentar respirar um ar fresco, bem longe daquilo tudo. Olhei para a morena e agora ela estava ocupada com toda aquela loucura, como se fizesse parte dela; e realmente fazia. Os amigos dela, assim como Rukia pareciam acostumados com aquele clima e eu já havia entendido que, se eu quisesse continuar ali, teria que me habituar também.
Aspirei o ar fresco da noite tão rapidamente como se aspirava um cigarro e aquilo me trouxe um grande alívio. Peguei meu celular e verifiquei se tinha mensagem de Matsumoto, porém havia nada. Estava em dúvida se ligaria para ela. Apesar da loira ser mais velha que eu, diante de toda nossa trajetória havia criado um grande instinto protetor com ela, mesmo que não demonstrasse.
— Você sabe o porquê de a Karin querer entrar para o exército? – A voz grave que veio por trás de mim me tirou de meus pensamentos e eu não precisava me virar para saber de quem era.
— Imagino que seja o senso de dever dela. – Respondi quando Ichigo parou ao meu lado.
— Também, mas boa parte disso veio de mim. – Virei meu rosto para fitar o seu, mas ele encarava o céu. – Como irmão mais velho, Karin sempre se espelhou em mim. O que era uma bosta durante a minha adolescência, porque eu fui um moleque bem brigão. Mas quando eu anunciei que queria entrar para a academia militar, não demorou muito para ela falar que queria também.
— Não sabia que você era militar. – Tentava descobrir qual era o rumo daquela conversa.
— Na verdade, boa parte da nossa família é. Até meu pai já foi por um tempo, mas ele decidiu sossegar depois que conheceu nossa mãe. – Ele sorriu de repente. – Ironicamente, a pessoa mais doce da nossa família, é a parte mais rebelde, quando se trata dessa tradição.
— Yuzu. – Logo conclui.
— Exatamente. Muitos pensam que a precoce é a Karin, mas na verdade sempre foi Yuzu. Ela sempre cuidou de nós todos e agora, com 21 anos, já está quase pronta para continuar a gestão da clínica. – Eu estou definitivamente muito confuso com tudo aquilo. – Mas Karin também está descobrindo o próprio caminho, mesmo que ainda bambeando um pouco.
— Eu sei que logo ela vai conseguir tudo o que quer. – Falei convicto.
— Eu também sei, e eu tento a todo segundo não interferir nessa jornada dela. – Agora ele virou seu rosto em minha direção. – Quando ouvi sobre você e tudo que elas me contaram, meu primeiro instinto foi de tentar fazer Karin desistir desse relacionamento. Antes que fique bravo, ela não me contou tudo, na verdade acho que me falou nem um terço, mas não precisa, tô acostumado o suficiente com o seu tipo para reconhecer um de longe. Caras como você são um vulcão adormecido, uma bomba relógio. Uma hora tudo está tranquilo, mas de repente explode, arrastando tudo que está ao redor.
— O que te faz ter tanta certeza de que eu vou fazer algo com ela? – A raiva borbulhava dentro de mim e eu tentava apartar pressionando as unhas na palma da minha mão com força.
— Esse é o problema: eu não tenho. E sei que você gosta dela e nunca a machucaria... propositalmente. Nunca é proposital nesses casos. – Ele olhou para baixo, em direção às minhas mãos fechadas fortemente. – Mas como eu havia prometido para mim mesmo, não vou interferir. Torço para que nada dê errado e você também deveria torcer, porque se der não vou pensar duas vezes antes de agir.
Senti sua mão em um dos meus ombros em um gesto de empatia bem falso antes que ele se virasse e entrasse de novo. Soltei a respiração que nem percebi que prendia e uma vontade de chorar de raiva tomou meu peito e fechava minha garganta, porém eu engoli tudo aquilo, tentando mirar apenas na alegria de Karin. Diante disso tudo, optei por deixar minha preocupação anterior de lado.
Quando me senti confortável e calmo para entrar, fui rapidamente interceptado pela morena na entrada, questionando-me pelo olhar o que eu estava fazendo lá fora, mas antes que eu a respondesse, meus olhos foram automaticamente para Ichigo e ele também me olhava, porém logo foi desviado para Rukia. Respondi rapidamente que tentava falar com Matsumoto, mas que não obtive resposta. Karin tentou me animar, dizendo que logo ela estaria ali.
O resto da noite passou em um borrão e eu parecia anestesiado. Não sabia o que estava sentindo e isso tudo parecia me levar, na verdade, a nenhuma emoção. Quando Karin vinha falar comigo, eu sorria e tentava parecer bem. Quando outros vinham, como Isshin, eu tentava manter uma conversa normal, mas tudo parecia algo automático. E eu só pareci acordar durante o parabéns, quando as gêmeas me puxaram para tirar fotos juntos e em uma delas minha namorada saiu beijando minha bochecha.
“Foda-se o que Ichigo pensava”. Passei a repetir esse mantra para mim mesmo a partir daquele momento e pareceu me aliviar um pouco.
Logo a maioria das pessoas foram embora e logo estava chegando minha hora também. Estava indo em direção a minha moto de mãos dadas com Karin, para nos despedir, quando meu celular tocou e o nome de Matsumoto brilhava.
— Aonde você está? – Nem dei tempo para que ela dissesse algo.
— Eu preciso da sua ajuda. – O som de música alta soava pelo aparelho e com isso a raiva que acumulei durante a noite pareceu extravasar.
— Aonde. Você. Está? – Repeti minha pergunta inicial lentamente, tentando controlar o pouco de sanidade que restava.
— Você sabe aonde eu estou. Por favor, vem logo.
Ela desligou antes que eu pudesse retrucar e a minha vontade era tacar aquele celular na mureta da casa de Karin. A garota percebeu minha raiva e por isso se aproximou devagar de mim, com cautela. Senti sua mão gelada na minha e isso automaticamente fez eu diminuir a pressão que eu apertava o aparelho.
— O que aconteceu com Rangiku? – Ela perguntou baixo em um tom comedido para tentar me acalmar.
— Ela foi se encontrar com Gin. – Olhei seu rosto e ele estava confuso. – O ex dela.
— Por que ela fez isso? – Questionou logo depois de se lembrar.
— Porque ela é um idiota, imbecil que nunca mede as consequências dos atos dela. – Gritei.
Eu finalmente explodi toda a raiva acumulada e Karin me olhou assustada, pois nunca me vira assim. Virei-me de costas para ela e respirei fundo tentando me acalmar. Ouvi seus passos se afastando e o próximo barulho foi da porta de sua casa.
Ótimo, como se não bastasse toda a situação, agora minha namorada está furiosa comigo. Quando eu pensava que estava no limite possível da raiva, novas coisas aconteciam para me provar que sempre dava para ir além. Afinal, como dizem, nada está tão ruim que não possa piorar.
Andei em direção a moto rapidamente, subi e coloquei me capacete pronto para sair, mas fui interrompido por Karin correndo até mim. Agora ela vestia um casaco e sustentava sobre seu ombro a alça de uma bolsa lateral.
— Você não vai comigo. – Falei prontamente.
— Eu não pedi sua permissão. – Respondeu ríspida. – Agora dá para sair daí? Preciso pegar um capacete.
— Nem ferrando que você vai. Você tem noção de onde ela está? – A morena negou com a cabeça. – É a boate do nosso antigo traficante.
Seu rosto se abriu em surpresa, mas ao contrário do que eu pensava, ela não hesitou, apenas se aproximou mais.
— E é por isso que eu não posso te deixar ir sozinho. Você me contou tudo que aquele lugar te fez sofrer, mas você tem a mim agora. – Disse mansa, mas determinada.
Eu não deveria ter cedido, mas naquela noite eu cedi. Logo ela estava atrás de mim, com seus braços ao redor de meu tronco. Antes de ligar a moto, senti seus seios grudando em minhas contar e ela se inclinou para falar baixo, mas em uma intensidade que eu ouvisse.
— E mais uma coisa: grite comigo de novo mais uma para você ver o que eu faço com o seu amiguinho lá em baixo.
Seu tom ameaçador me fez sorrir um pouco, mas eu não tinha dúvidas de que teriam graves consequências caso fizesse de novo. Em pouco minutos estávamos nas grandes avenidas próximas ao centro de Karakura, porém seguimos para um lugar mais afastado, quase no limite da cidade. À medida que íamos nos afastando, as ruas se tornavam cada vez mais desertas e a quantidade de prédios iam diminuindo para dar lugar a casas mais simples.
Parei minha moto em uma rua quase deserta, com poucas pessoas transitando e elas pareciam alteradas. Descemos e guardamos nossas coisas. Pedi para que Karin tirasse todas as coisas de valor da bolsa e as colocasse por dentro da calça, na parte da frente, para que o casaco disfarçasse.
De mãos dadas, seguimos para a rua perpendicular àquela, em direção à música alta que saia do estabelecimento ali presente. Logo na entrada, havia uma fila e dois guardas inspecionando quem entrava. Antes que entrássemos na fila, um dos guardas nos avistou e pediu para que entrássemos. Nem ao menos nos revistou. Pelo visto, eles já sabiam que eu estaria indo ali.
Segurei a mão de Karin mais forte assim que entramos, enquanto íamos passando pelo mar de pessoas. Assim que chegamos em uma área menos cheia, puxei-a para que pudesse falar em seu ouvido.
— Eu não sei onde ela está. Vamos ter que procurar. – Gritei para que ela me escutasse por cima da música eletrônica que tocava.
— Vamos nos separar e nos encontramos em 15 minutos no bar. – Ela apontou para o bar.
— Não, eu não vou ficar longe de você. – Disse incisivo.
— Eu sei me virar, Toushirou. Confia em mim, por favor! – E mais uma vez eu cedi.
— Tá, mas 15 minutos só. Sem mais.
Ela assentiu antes de se virar e cobrir em dos lados da boate. Virei-me para o lado oposto e passei a procurar uma cabeleira loira no meio de tudo aquilo. Quando cheguei no meio da pista da dança, olhei para todos os lados possíveis, inclusive para cima e na área VIP – que era no segundo andar – uma mão acenava para mim, mas não era quem eu queria.
Procurei a entrada para a área VIP e não tão surpreendentemente minha entrada foi liberada. Subi as escadas de dois em dois degraus devido a pressa e logo no fim dela a figura que eu procurava apareceu. Matsumoto me abraçou apertado, mas eu estava com muita raiva para fazer outra coisa a não ser empurrá-la de leve.
— Você tem merda na cabeça? – Perguntei assim que me soltou.
— Me desculpe, mas ele tinha algo muito importante para mim. – Seu olhar parecia arrependido.
— E por que você não vazou depois de pegar?
— Porque nunca é só uma coisa com Gin e eu deveria ter percebido isso.
Suspirei, agora com a raiva passando um pouco, apenas um pouco.
— Vaza daqui que eu cuido disso. – Enxotei-a em direção a escada. – Combinei com Karin de nos encontrarmos daqui a pouco no bar, vai no me lugar e fale para ela que eu vou demorar um pouco mais.
A loira apenas assentiu e em seguida se virou, descendo rapidamente os lances de escada. Assim que ela sumiu de minha vista, segui em direção à grade que impedia nossa queda daquele andar na pista de dança e parei ao lado da figura que acenava para mim anteriormente. Ele continuava parado na mesma posição e olhando para a aglomeração abaixo de si.
— Você não acha que é muita cara de pau exigir algo de Matsumoto depois de tudo que fez com ela? – Seu rosto se virou para mim e imediatamente se abriu em um sorriso medonho.
— Fala como se ela fosse inocente. Você sabe que Rangiku é tão criminosa quanto eu. – Falou calmamente.
— E quem a arrastou para esse mundo foi você. Agora que ela está se livrando de toda essa merda, você volta para estragar tudo.
— Veio aqui pra me dar esporro ou pra limpar a barra dela? – Disse raivoso diante de tudo que havia exposto.
— O que foi dessa vez? – Suspirei rendido.
— Nos últimos dias dela aqui ela já estava mais usando que vendendo. Você sabe como Aizen é, ele tolerou por um tempo a dívida e ela tava pagando lentamente, mas agora ele tá com pressa e você também sabe quais são os caminhos para pagar, principalmente para uma mulher bonita como Rangiku.
—Merda! – Levei minhas mãos ao meu cabelo e o baguncei, exasperado.
— Ele tá no último quarto privado do corredor.
Gin apenas soltou isso e saiu em direção a escada também. Já sabia que tinha que enfrentar o chefão do lugar, mas o medo passou a controlar meu corpo e minha vontade era pegar Karin e sair correndo dali. Porém meu senso de responsabilidade – e por que não afeto? – com Matsumoto fez eu mover minhas pernas para o estreito corredor presente na lateral do segundo andar e apenas parar em frente a última porta dele.
Decidi não bater- era humilhante demais -, então apenas girei a maçaneta, abrindo a porta. O interior do cômodo por luzes neons em tons frios, como verde e roxo, na lateral dele havia um sofá em L, uma mesa alta e de vidro decorava uma das paredes e no centro um cano de pole dance vazio. Estranhamente havia apenas homens ali. A maioria estava em pé ao redor da mesa e aproveitavam do self servisse de drogas e bebidas que dispunha ali.
— Toushirou! Quanto tempo não vejo esse rosto. – Uma voz cordial soou de um dos homens sentados no sofá.
— E poderia ter visto nunca mais se fosse por mim. – Respondi ríspido. É, acho que o medo tinha decidido dar uma volta.
— Ora, se quiser ir embora, a porta está logo atrás de você. Meu assunto não é contigo. – O tom cordial irritante continuava mesmo diante de falas tão duras.
— Só vamos resolver logo o que temos que resolver. – Respondi enquanto me aproximava e um sorriso felino foi surgindo no rosto odiável de Aizen.
...
Meia hora mais tarde me vi livre daquele cômodo e a sensação claustrofóbica que ele me causava foi abrandando, mas não sumiria até que meus pés estivessem fora daquela boate. Voltei para o andar de baixo e caminhei até o bar, na expectativa de encontrar as duas ali.
A cabeleira loira de Matsumoto era inconfundível, então logo as encontrei. As duas mulheres estavam em pé, encostadas na parede adjacente ao bar e em suas mãos haviam latas de refrigerantes, que – esperava eu – haviam comprado. Devido ao meu cabelo também, elas perceberam facilmente minha aproximação e com isso se desencostaram da superfície.
— O que aconteceu lá? – Matsumoto imediatamente perguntou.
— Depois a gente conversa. – Ela pareceu ofendida pela minha frieza, mas engoliu devido ao meu palpável mau humor.
— Quer? – Karin apontou a lata para mim. Ela parecia suada e um pouco agitada.
Neguei com a cabeça e olhei, agora, em direção a mão de Matsumoto e percebi que seu dedo tampava fortemente a abertura da latinha. Ignorei isso e apenas as empurrei em direção a saída querendo sair logo daquele local. Quando pisamos do lado de fora, respirei fundo, aspirando o ar limpo e fresco da noite e aquilo me trouxe um alívio momentâneo.
— Eu vou chamar um táxi ou um Uber para você. – Disse para Matsumoto assim que nos afastamos mais do local.
— Tá bom. – Apenas respondeu isso.
Olhei para trás, estranhando o fato de Karin não estar ao meu lado e o que eu vi acendeu um alerta em minha mente. Ela andava de cabeça baixa, atenta aonde pisava, como se tivesse passando em um terreno irregular, e respirava rápido. Aproximei-me dela e peguei sua mão. Ela pareceu se assustar com isso e olhou para mim da mesma maneira.
—Está tudo bem? – Perguntei olhando em seus olhos, mas eles não pareciam focar em mim.
— Sim. – E voltou seu rosto para o chão.
Sua resposta curta e sua reação aumentaram a minha preocupação. Logo estávamos junto da moto e Karin continuava da mesma maneira, mas agora que estava parada, ela olhava ao redor, parecendo estar em constante alerta.
— Melhor você pedir o Uber. Vamos esperar juntos até ele chegar.
Falei para Matsumoto sem a olhar e nem sei o que e se ela respondeu, porque toda a minha atenção estava em Karin. Agora a morena estava sentada no meio fio e olhava para suas próprias mãos, que abria e fechava, horrorizada, como se estivesse algo de errado ali.
Eu torcia para que não fosse o que eu suspeitava ser.
Aproximei-me novamente e sentei ao seu lado, mas sem a tocar dessa vez. Parado por um tempo, analisei ainda mais atentamente suas ações e todos os sintomas iam aparecendo cada vez mais fortes, porém tive que intervir quando lágrimas começaram a sair de seus olhos.
— Karin, o que está acontecendo? – Virei seu rosto para mim e pude ver melhor seus olhos úmidos. Mesmo com a pouca luminosidade do posto ali perto, ainda deu para ver suas pupilas dilatadas.
— Toushirou, minhas mãos estão derretendo! Por que elas estão derretendo!? Eu não quero perder as minhas mãos.
O fluxo de palavras saiu rápido e desesperado de sua boca. A intensidade do choro aumentou e eu fiquei sem reação.
— Matsumoto! Matsumoto! – Gritei alto pela loira até que ela me atendesse.
— O que foi? – Ela perguntou assim que chegou próximo de nós.
— Você viu se a Karin tomou ou comeu algo além do refrigerante? – Ainda olhava diretamente para a morena.
— Pelo que eu me lembre, não. Por que? – A loira perguntou confusa.
— RANGIKU-SAN VOCÊ TAMBÉM TÁ DERRETENDO! – Karin gritou, assustando a nós dois. Ela tentou se aproximar da loira, mas suas pernas falharam no processo de se levantar e ela caiu de joelhos. – O chão tá quente, acho que ele vai derreter também. – Sussurrou em pânico.
Matsumoto olhou assustada para mim e tentou se aproximar de Karin, mas antes que fizesse isso eu a impedi.
— Aonde está a lata do refrigerante? – Olhei ao redor, buscando.
— Eu não sei, acho que ela jogou fora ou deixou cair no caminho. – Matsumoto olhava horrorizada para dentro de sua própria lata.
— Puta que pariu! Como eu sou muito burro! -Gritei frustrado.
Como eu pude trazer Karin a um lugar desses sem dar o básico de como se portar ali? Matsumoto já sabia de todos os truques possíveis e impossíveis que “predadores” poderiam usar para conseguir o que querem, mas a garota não.
— Você viu se alguém se aproximou e encostou na lata? – Perguntei tentando, pela milésima vez naquela noite, conter a raiva.
— Eu não lembro, tava lotado. – A loira andava praticamente em círculos, desesperada também por respostas. – Teve uma hora que nós fomos empurradas para sair do balcão do bar, inclusive foi por isso que decidimos ficar na parede.
Era bem possível, muito possível, que tivesse sido nesse momento. Matsumoto sabia que em hipótese nenhuma deveria tirar os dedos da abertura da lata, mas Karin não sabia e não tinha o porquê de saber se ela não frequentava boates.
Aproximei-me devagar da morena, que ainda estava de joelhos no chão chorando. Coloquei minhas mãos sobre seu ombro, voltei a sentar no meio fio e a puxei para o meu colo. Ela pareceu aceitar a ação de bom grado quando me reconheceu e assim eu puxei seu rosto para meu peito, tentando tampar tudo o que estava ao redor dela.
— Tente ignorar tudo o que está ao redor.
— Tá doendo. Meu coração tá queimando, acho que ele vai derreter também. – Ela levou a mão ao coração e fungou mais uma vez. – Acho que eu vou morrer, Toush.
— Então preste atenção apenas no meu coração. Você consegue ouvir ele? – Ela acenou, acomodando sua cabeça melhor em meu peito. – Ótimo, foque apenas em mim.
Ela ficou quieta em meu colo e pouco a pouco seu choro ia diminuindo. Aproveitei esse momento de quietude para retirar sua bolsa e os itens que – milagrosamente – ainda estavam na barra de sua calça, por debaixo da blusa. Ela não protestou, apenas voltou a posição anterior e suas mãos agarraram o tecido do meu casaco em um aperto firme. Sua respiração também foi acalmando e eu não sei exatamente em quantos minutos Karin caiu no sono.
— Ela teve uma bad trip*. – Ouvi Matsumoto ao meu lado, assim que percebemos que a morena havia dormido. – O que você acha que é?
— Doce*. Karin estava tensa e um pouco brava comigo antes de vir pra cá. – Suspirei exausto pelo dia. – Chame um Uber pra mim também.
— E a sua moto? – A loira já mexia no celular.
— Amanhã eu busco, a prioridade é ela.
Peguei o celular de Karin e enviei uma mensagem para seu pai, passando-me por ela e informei que não iria dormir em casa. Não olhei o que ele respondeu quase que prontamente, mas pelo o pouco que conheço dele, não ligou muito pra isso. Eu sei que era nem um pouco correto esconder a situação que a morena se encontrava, porém contar para eles agora seria aumentar o caos, principalmente diante do que seu irmão falara comigo. Posteriormente, se ela quiser contar, não vou me opor.
Em cerca de 15 minutos um carro parou próximo a nós e logo entramos ao perceber que era o do aplicativo. O motorista nos olhou alarmado devido ao fato de termos entrado com uma garota inconsciente, porém se acalmou quando Matsumoto inventou uma desculpa qualquer.
Eu me sentia um lixo e uma vontade de chorar crescia em mim. A garota de vez em quando estremecia em meus braços e, quando isso acontecia, apertava-a mais forte. Ichigo previra certo. Eu era uma bomba relógio. Mesmo sem querer, explodi e arrastei Karin comigo.
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