Blinding lights

7 I will never let u go this time


Notas iniciais
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAA nem acredito que eu chegamos ao fim dessa fanfic. Amei cada comentário e interação que vocês tiveram comigo! Ainda não tive chance de responder os comentários, mas pretendo fazer isso em breve. Inclusive queria agradecer à maravilhosa e cheirosa da Sato Yuzuna pela recomendação ♥

Quando voltei a realidade, quase metade do cigarro já tinha ido embora e, devido a minha posição, as cinzas caiam pelo meu pescoço, sujando-o. Endireitei meu tronco, inclinei-me para frente e apoiei os cotovelos nas coxas. Fumava o resto do maço com calma.

Minhas mãos sem luva já protestavam devido ao vento frio que soprava no campo, assim como minhas orelhas, mas aquela sensação gelada era, de certa forma, reconfortante. O frio me lembrava que ainda estava vivo, mesmo diante da letargia que minha vida tomara desde que ela saiu da minha rotina. O estremecer de meu corpo atestava isso.

Os últimos dois meses eu fazia tudo de maneira automática, não sentia mais emoção alguma. As poucas vezes que fugia disso era quando visitava Haru, mas eu percebia seu olhar de preocupação sobre mim e sempre escapava quando as perguntas surgiam.

Muitas vezes eu me pegava desejando fugir daquela realidade da pior maneira possível, porém dessa forma eu admitiria, mais uma vez, que Ichigo estava certo. Karin nunca me vira daquela forma, nem mesmo depois que tudo aconteceu, mas eu me via e sabia que minha presença era garantia de mais problemas.

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A força de seus socos fazia meus braços doerem quando me defendia e o som oco do impacto ecoava por toda a academia. Era uma sexta feira de noite, o calor amistoso de setembro refletia em nossos estados atuais. Mesmo não sendo eu quem estava fazendo o maior esforço, minha blusa estava ensopada de suor e minha respiração estava irregular. Já Karin parecia melhor que eu, não parecia tão desgastada.

— Podemos dar uma pausa? – Perguntei assim que ela deu uma brecha.

— Claro.

Virei-me em direção às nossas garrafas, ouvi o som do velcro se soltando e em seguida o baque das luvas caindo no chão. Antes que eu pegasse, tirei as minhas próprias luvas, levei até ela a água e me sentei no centro do tatame ao seu lado.

— Você tá melhorando, Toushirou. – Ela sorria para mim, parecendo orgulhosa.

Desde maio eu treinava junto com ela quase todos os dias de noite. Para alguém que era sedentário, o começo é bem difícil, mas o fato da sua namorada ser a sua “treinadora” impedia minha desistência. Karin era faixa preta em boxe e judô, além de saber o básico de vários outros estilos de luta. Claramente sua família tinha influência nisso.

— Daqui a alguns meses eu te derrubo. – Falei ainda recuperando meu fôlego.

— Vai sonhando!

Suas mãos envoltas pelas ataduras me empurraram de leve, mas ficou apenas por isso. Apesar de Karin tentar passar a imagem de que tudo estava bem, eu sabia que não estava. O dia após seu aniversário foi um caos. A garota acordou tarde, com muita dor de cabeça e apenas passou quando tomou analgésico próprio para enxaqueca. Junto disso, sua sede e fome era imensa. Pulou direto para o almoço.

Ela se lembrava com detalhes de tudo o que aconteceu e me confidenciou que recorda até da sensação de seu corpo derretendo. Nossa conversa foi longa nesse dia devido a minha preocupação, porém Karin me garantiu – mentiu – que toda aquela situação havia sido nada, então também não contaria para sua família, apenas tentaria procurar quem a havia drogado. Meu lado egoísta e mesquinho comemorou, porque eu definitivamente não queria perde-la.

Contudo, bastaram apenas alguns dias para que as consequências, sobretudo em seu psicológico, viessem à tona. Quando voltamos à boate em busca das filmagens, seu corpo começou a dar sinais de medo logo na entrada, mesmo que fosse de dia e estivesse vazia, mas ela entrou comigo. Aizen estranhamente nos mostrou as gravações e, por mais que tivessem de vários ângulos, foi inconclusivo devido ao tanto de pessoas que havia ali.

Tentei insistir nas buscas, mas Karin optou por deixar de lado, insistiu, na verdade. Pude ver em seus olhos que queria esquecer tudo aquilo e apenas seguir em frente. Mesmo contrariado, fiz o que pediu, porém isso refletiu diretamente em seu comportamento. A morena se afundou em seus estudos e em seu treinamento, afastou-se um pouco de mim e de sua família. Ela não parecia querer isso realmente, inclusive negava que estava acontecendo, mas seu corpo respondia de outra forma.

Tentei me reaproximar de formas sutis, como quando pedi para que me ensinasse a lutasse, deu certo em alguns aspectos, porém não era o suficiente. Sua família também percebeu e passaram a ficar ainda mais cautelosos perto dela e de mim, mas cada vez que perguntavam, Karin se irritava e mudava de assunto. Com isso, eu já não tinha conseguido criar laços fortes com seu pai, agora procurava evitar completamente, devido a culpa que sentia.

Por recomendação de Haru, insisti para que procurasse um psicólogo, mas ela negava veemente. Acredito que a negação faz parte do trauma e constantemente eu tinha que policiar para que não o agravasse, sobretudo durante o sexo, que — ao contrário do que muitos imaginam -aumentou a frequência. Em nossos momentos íntimos, Karin parecia procurar constantemente por controle, coisa que foi tirada de si na fatídica noite, e talvez ali e quando se dedicava às suas atividades na academia, ela sentisse que estava no comando total de seu próprio corpo. Porém logo quando acabava, ela se fechava de novo.

Sentia que estava constantemente pisando em ovos com Karin.

— Acho que por hoje já tá bom, vamos só fazer um alongamento final. – Senti o tapa dela em minha coxa como estimulo para levantar dali. Ela levantou e estendeu a mão para mim.

Após o fim do treino daquele dia rapidamente arrumamos tudo e fechamos a academia. Treinávamos em uma academia de luta que Karin fazia parte quando criança. Devido a velhice do dono, ele apenas abria de dia, porém, pelo vínculo emocional dos dois, a morena o convencera de deixar aberto apenas para os dois. O idoso confiava na garota e ali havia câmeras, então ele deixou desde que arrumássemos, trancássemos tudo e entregássemos a chave diretamente em sua casa, que era no andar de cima.

A rua da academia estava vazia e eu senti Karin se aproximando cada vez mais de mim. Nós estávamos de mãos dadas, seu aperto era forte e eu tentei retribuir para passar segurança. Logo estávamos na moto – que para minha alegria não sofreu danos na noite que a deixei na rua –, fizemos todo o ritual de colocar o capacete e subir para logo em seguida dar partida.

Chegamos na casa da morena pouco tempo depois. Ela nem me convidou para entrar, apenas seguiu direto em direção a porta. Antes de entrar, acenou para mim e não esperou minha resposta. Assim que ela sumiu da minha visão, suspirei e baguncei meu cabelo, frustrado. Eu sabia que era minha culpa, mas não podia impedir esse sentimento. Sentia muita falta de nosso relacionamento antes disso tudo.

— Toushirou-san! – Ouvi a voz fina de Yuzu e com isso voltei meus olhos em direção a casa. Ela vinha em minha direção, suavemente. – Posso falar com você por um momentinho?

— Claro.

— Vou aproveitar que Karin já entrou no banho, por isso não posso demorar muito. – A loira parecia apreensiva. – Eu quero me mudar com Karin para um novo lugar.

Ela notou minha feição de surpresa, mas ainda assim continuou.

— Eu não sei o que tá acontecendo com ela ultimamente. Karin tá se abrindo cada vez menos comigo e só faz isso quando estamos sozinhas. Ichigo também já notou e está cada vez mais a pressionando para que fale e eu vejo que quanto mais ele faz isso, pior fica. Papai está tentando lidar com isso dando espaço. – Yuzu soltou tudo de uma vez, rapidamente. – Eu já vinha pensando nisso tem um tempinho. Moramos aqui desde que nascemos, nunca vimos como é ficar longe. Não que eu queira isso, mas experimentar coisas novas talvez seja bom.

— Bom, eu não sei. Talvez realmente seja. – Ainda estava muito surpreso. – Mas tem certeza que vão ficar bem sem o pai de vocês? São bem unidos.

— Desde que eu tenha Karin ao meu lado, tenho certeza de que tudo vai dar certo. Papai vai ficar chateado e fazer drama por um tempinho, mas logo supera. Ele passou anos se dedicando apenas para os filhos, acho que é hora dele começar a viver outras coisas também. – Seus olhos marejaram um pouquinho, porém segurou. – Desde que mamãe morreu ele nunca se relacionou com outras pessoas. Apesar de fazermos companhia, eu sei que ele precisa de algo além dos filhos. Agora, pelos menos, vai ter casa para isso.

— Entendo. – Respondi apenas isso, pensando. Não sabia como era passar por isso, pois nunca precisei sair da casa dos pais. – E você tem algum lugar em mente?

— Alguns. Não podemos pagar muito caro, pois só eu estagio e Karin não trabalha. Vamos ter que pedir ajuda para nosso pai no começo. – Vimos a luz do banheiro apagar e Yuzu ficou agitada. – Só estou te falando isso, porque Karin vai ficar relutante quando eu propor. Então gostaria que tentasse a convencer.

— Tudo bem, eu tento fazer isso.

Assim que aceitei, Yuzu se despediu rapidamente de mim e entrou. O caminho todo até meu apartamento passei pensativo. Concordo com a loira que talvez seja bom tentar sair do ninho para ter o gosto da independência, mas eu sabia que era nada fácil. Morar sozinho parece ser legal em filmes, mas a realidade é outra. É muito difícil, sobretudo nos primeiros meses. Além disso, duvido que Karin vá querer sair do lado de seu pai.

Assim que passei pela porta, Hinamori veio correndo em minha direção e ficou pulando de animação. Abaixei-me para dar carinho nela e me sentei. Encostado com as costas e a cachorra entre minhas pernas, refleti mais um pouco. Será que aquele seria o momento para Karin fazer isso? Devido aos meus erros, ela estava frágil e talvez sair de casa não fosse a melhor opção.

...

Uma semana depois de conversar com Yuzu, eu acompanhei Karin, mesmo a garota estando bem receosa, em algumas visitas para ver apartamentos. Naquele mesmo dia a loira falou com sua irmã e, como esperado, a morena negou inicialmente, porém após muitas conversas, inclusive comigo, ela decidiu, pelo menos, ver algumas opções.

O apartamento que visitávamos agora foi o favorito de Yuzu, porém ela ainda não teve tempo livre para andar com Karin, por isso me pediu para que a acompanhasse. A corretora parecia animada em nos mostrar, mesmo que o lugar em si fosse bem simples. Localizava-se no centro, o prédio era bem simples — não era velho e nem novo -, não havia porteiro, ou mesmo algo que barrasse a entrada além das fechaduras da porta. Nesse aspecto era parecido com o meu. Contudo, o que interessara a loira foi que, apesar do prédio ser simples, os apartamentos contavam com dois quartos e o aluguel era relativamente barato.

— O que você acha? – Perguntei para Karin, assim que a corretora se afastou.

— Um desperdício de esforço.

Seu humor estava azedo e o meu estava ficando também, tanto pela sua atitude, quanto pela fome. Eu estava em meu horário de almoço e a visita estava tomando todo o tempo livre. Provavelmente, teria que comer uma bobeira antes de voltar ao trabalho, pois teria ainda que deixar Karin na academia. Falando nela, estava com seu típico uniforme militar do local em que estudava, além de sua mochila nas costas. Suas vestes e sua feição rígida assustou por um momento a corretora, porém esta logo disfarçou.

— Então por que você está aqui? Não te obriguei a vir. – Não ser ríspido, mas saiu antes mesmo que me desse conta.

— Porque eu magoaria Yuzu se não viesse. – Ela se virou e caminhou em direção à porta, saindo dali irritada.

Sorri sem graça para a corretora e pedi licença antes de seguir minha namorada furiosa. Encontrei-a já para o lado de fora do prédio, caminhando em direção a moto.

— Se você não quer fazer isso, fale de uma vez para ela. – Pude perceber que me ouviu, mas me ignorou e continuou seu caminho. – Eu entendo que você tá passando por um momento difícil, mas...

— Você entende nada, Toushirou! – Ela gritou, assustando-me.

Karin se virou para mim e pude ver dor em seus olhos. Abri e fechei a boca várias vezes surpreso pela sua atitude, não sabendo o que responder. Fora a primeira vez em meses que ela me mostrou seus verdadeiros sentimentos.

— Me desculpe, eu não deveria ter gritado com você, mas será que pode me levar logo para a academia? Não estou com paciência hoje para ver apartamentos.

Logo sua feição voltou à mesma que exibia durante os últimos meses e mascarou qualquer resquício da explosão para meu pesar. Decidi não insistir e talvez esse tenha sido mais um dos meus erros.

...

Após a nossa pequena discussão fingimos que havia acontecido nada e nossa rotina voltou ao normal. Karin ainda relutava com a ideia de sair de casa, mas Yuzu a convencia mais e mais a cada dia. Eu havia decidido não me meter mais e apenas esperaria o que elas decidissem.

Esperava a morena do lado de fora da academia para a levar de volta para casa. Naquela noite não iriamos treinar, pois Ichigo aparentemente os visitaria e passaria alguns dias ali. Devido a isso, nosso treino pelo restante da semana estava suspenso. Karin parecia um pouco mais animada e, por mais que eu odiasse a ideia de encontrar o ruivo de novo, isso me deixava feliz. Apenas o evitaria e tudo sairia certo.

Não esperei muito até que Karin saísse pela porta da academia e viesse em minha direção. Quando chegou próximo de mim, roubou-me um selinho e logo se arrumou, sentada na moto. O caminho até sua casa foi calmo, sem trânsito e até gostoso. Por alguns instantes eu senti que Karin relaxou atrás de mim como não fazia há meses, porém em poucos minutos chegamos ao destino.

— Quer entrar? Aposto que Yuzu fez comida pra sobrar por uma semana. – Karin pegou em minhas mãos logo após guardar seu capacete embaixo do banco e esperou pela minha resposta.

— Esse é um momento seu com a sua família. Aproveita.

Sorri gentilmente e soltei uma de minhas mãos das suas para passar pelo seu cabelo, em um leve carinho. Ela pareceu gostar e inclusive inclinou um pouco mais a cabeça em direção ao toque. Karin parecia um gatinho feliz pelo singelo contato.

— Karin, tem uma coisa que quero te falar já tem um tempinho. – Olhou-me para mim preocupada. – Não é nada ruim, antes que pense besteira. É só algo que eu não achei que precisava colocar em palavras, mas agora eu quero realmente falar.

Seus olhos brilhantes e pretos como o céu sobre nós me olhava com uma curiosidade clara e naquele momento e quis realmente beijá-la, mas eu me segurei.

— Eu te amo. – Seu rosto se iluminou em surpresa e ela parecia estar sem palavras. – Não me importo se você vai me responder agora, ou não, e se sou retribuído. Tome o tempo que precisar e se quiser esse tempo, claro. – Minha mão deslizou de seu cabelo para seu rosto.

— Karin!

Ouvimos a voz de Ichigo a chamando da porta e ela olhou para trás um pouco assustada por ter sido duplamente pega de surpresa. Ela voltou seu rosto para mim e parecia indecisa pelo que faria. Se ficaria ali comigo ou entraria.

— Vai lá. Depois a gente conversa.

Tentei parecer calmo e gentil, mas meu interior era o inverso. Ela assentiu ainda relutante e me deu um selinho meio atrapalhado, acredito eu pela vergonha, e correu em direção a sua casa. Antes de entrar, olhou para mim mais uma vez preocupada por me deixar ali após a declaração, mas entrou mesmo assim. Ichigo, que olhou toda a cena mesmo sem saber o contexto dela, agora me encarava. Ele também parecia em dúvida se viria até aqui para falar comigo, mas eu tomei a decisão por ele.

Coloquei meu capacete, sentei na moto e a liguei, saindo rapidamente dali. Desde o aniversário de Karin, nas poucas vezes que nos encontramos, ele sempre parecia atento a qualquer movimento meu e da garota. Acredito que ele suspeite que algo deu errado naquela noite e provavelmente já deve ter insistido muito com sua irmã, mas, pelo visto, ainda não conseguiu arrancar algo dela e eu sempre fugia rapidamente de sua mira.

...

Era uma quinta feira de noite e eu estava em casa, pois Ichigo ainda continuava na casa de Karin, então não havia treino. Estava no sofá comendo um macarrão que havia cozinhado, com Hinamori ao meu lado e eu via um filme qualquer na televisão. Meu foco foi tirado da tela quando meu celular apitou devido a chegada de notificação. Peguei-o e me deparei com uma mensagem de Karin, pedindo-me para ir até sua casa. Estranhei, mas como estava fazendo nada, decidi ir.

Fui a pé mesmo por não estar tão tarde e aproveitei o vento fresco da rua. Em poucos minutos estava em frente à casa de Karin e me arrependi quase que instantaneamente por ter ido. A porta e o portão estavam abertos dando visão perfeita para a sala de Isshin e com isso pude ver que a morena estava no centro do cômodo discutindo fervorosamente com seu irmão e Ichigo, por sua vez, rebatia tudo da mesma maneira.

Para meu azar eles me notaram na entrada e mal percebi quando Ichigo chegara perto de mim, mas o soco que ele me deu senti quase que instantaneamente. Ô se senti. O ruivo visivelmente era forte e isso ficou bem comprovado em meu rosto. O gosto de ferro invadiu minha boca e acredito que meu nariz também havia começado a sangrar, mas isso foi irrelevante devido à sequência de golpes que seguiram o primeiro.

Eu tentava me defender minimamente com tudo que Karin me ensinara e com os meus anos de experiência em briga de rua, mas eu não era páreo para o ruivo, que treina desde pequeno. Tive um descanso quando a morena entrou na minha frente para me defender.

— Vai bater em mim também, Ichi-nii? – Não pude ver seus olhos, pois ela estava de costas para mim, mas eu tinha certeza que eles estavam ferozes.

— Como você pode defender esse merda depois de tudo que ele te fez? – Ichigo parecia uma besta de tão furioso.

— Ele fez nada comigo e você sabe disso. Fui eu que insisti para que fosse à boate.

— Ele não te fez nada? Pode até não ter tido culpa direta, mas se não fosse por ele, você não teria ido lá, não teria sido drogada e não teria quase sido estuprada! – Ele gritou em plenos pulmões, chamando a atenção dos vizinhos para a situação.

Andei para trás me na tentativa de encontrar o muro da casa em frente a de Karin para me escorar, porém nesse processo cai e acabei direcionando os olhares de ambos para mim. Karin se aproximou de mim e me ajudou a levantar, mas antes que completasse a ação, seus braços foram agarrados pelo seu irmão.

— Você tá me machucando! – Ela gritou também para Ichigo, sem se importar com os arredores, tentando se soltar do aperto.

— Eu não vou deixar você se aproximar de novo dele.

Os dois se encaravam novamente, sem desviar o olhar, em uma clara batalha de resistência. Isso apenas foi quebrado quando Isshin saiu de dentro da casa junto de Yuzu e se aproximou. Soltou a mão do filho que estava apertando o braço de Karin.

— Isso está indo longe demais, Ichigo. Entendo sua raiva, mas não machuque Karin! – O mais velho também parecia furioso, porém bem menos que seu filho.

Yuzu chegou próximo de mim e fez o que sua irmã não conseguiu: me levantou. Os três estavam tão envolvidos na discussão que nem notaram o que a loira estava fazendo. Delicadamente ela segurou meu queixo e empurrou minha cabeça para que eu inclinasse para trás e assim pudesse ter uma visão melhor dos machucados em meu rosto.

— Yuzu, se afaste dele também! – A loira pareceu se assustar com mais um grito de seu irmão.

— Vai brigar com ela também, Ichigo? – Karin demonstrou sua raiva no fato de não usar o apelido carinhoso com o ruivo.

— Eu não precisaria estar fazendo isso se você não tivesse se envolvido com um marginalzinho como esse. – Ele apontou para mim e eu quase me encolhi de vergonha. – Você deveria ter pulado fora a partir do momento que percebeu que tipo de pessoa ele era, mas agora isso sobra para eu resolver.

— Eu não sou mais uma criança para você se meter em meus problemas! Quando você vai entender que eu já sou uma adulta?

— Filha, vamos levar isso lá pra dentro, já tá chamando muita atenção. – Isshin tentou intervir mais uma vez, porém foi ignorado.

— Eu tentei confiar em você, tentei acreditar que você já era uma pessoa madura, mas olha só no que deu! Você é uma adolescente rebelde e mimada que por causa de um garoto se colocou em risco.

— E quem é você para falar de mim? Eu sei de tudo que você fez quando era adolescente, de todas as brigas, das várias confusões. – Seus olhos pareciam marejados, mas ela segurou as lágrimas. — Também achei que você era um adulto, mas o que fez hoje foi ainda mais imaturo. Ou você acha que pegar o celular dos outros escondido para ler as conversas não é ser infantil?

— Esse era o único jeito de saber o que estava acontecendo contigo. Tem meses que você anda estranha e nunca se abre. Tava na cara que algo estava errado!

— Mas você não tinha esse direito!

— Quando se trata de você eu tenho sim. Eu sou seu irmão mais velho e vou intervir sim se for preciso para te proteger. – Ele apontou para Yuzu que estava próxima de mim. – Faria o mesmo por Yuzu, mas pelo visto ela já tem mais juízo que você.

— Ichigo! Isso tá indo longe demais. Não vê que tá magoando a Karin. – Isshin se pôs entre os dois novamente.

— E como você pôde ficar tranquilo com Karin saindo com esse bosta? Você até deixou ela viajar com ele! – O foco da discussão havia mudado para Isshin.

— Eu sou o pai aqui, garoto, e você ainda me deve respeito! – O mais velho tomou uma postura séria raramente vista nele.

— Você sabia que elas pretendem se mudar da sua casa? – Ele apontou para Yuzu. – Também li a conversa de Karin com Yuzu, combinando visitas em apartamentos. Você já perdeu o respeito tem muito tempo.

— Isso é verdade? – Isshin pareceu ferido quando alternou o olhar entre as duas filhas.

— Sim. Não! Aaaa. – Karin pareceu sem jeito para responder.

— Isso era algo que ainda estava discutindo com Karin, pai. Ainda não havíamos decidido. – Foi Yuzu quem tomou a dianteira da discussão agora. – Iriamos falar com o senhor assim que tomássemos uma decisão, mas seria em um momento calmo e adequado.

Agora Yuzu parecia com raiva, enquanto olhava para Ichigo, porém não espumava como o resto da família.

— Vocês não estão mais felizes aqui? Eu fiz algo de errado?

— Não! Nós somos muito felizes aqui. Nunca duvide disso, pai! – Karin evitou usar termos pejorativos naquela situação, como geralmente fazia com seu pai.

— Apenas acho que está na hora de sairmos do ninho. – Yuzu complementou.

— Mas aqui vocês têm tudo que precisam. Não tem necessidade! – Isshin ainda parecia magoado e um pouco perdido.

— Não é só por nós, é por você também. – Yuzu parecia determinada, mesmo que seu jeito doce ainda prevalecesse. – Desde que mamãe morreu, você só tem vivido por nós. Não nos entenda errado, é um pai maravilhoso e justamente por isso merece algo além dos seus filhos.

— Mas eu tenho tudo que quero aqui, com vocês!

— Mas você pode ter muito mais, pai. – Dessa vez foi Karin quem se pronunciou. – Você não vai nos perder, continuaremos sendo suas filhas mesmo longe daqui. O máximo que poderia acontecer é adicionar.

— Se o adicionar que você diz é esse merda... – Ichigo apontou para mim. – Então é melhor nem adicionar.

— Cala a boca, Ichigo! Você tem nada haver mais com isso. Saiu daqui com a mesma idade que nós. – A morena cortou logo seu irmão.

— Eu sai daqui para não precisar mais preocupar o papai com o meu trabalho, mas você nem conseguiu passar no teste da academia. Só quer se mudar de fogo.

Ichigo tocara em mais uma ferida de Karin, que apenas eu sabia o quanto machucava, pois fui seu confidente. A morena abriu e fechou a boca várias vezes, não sabendo como responder verbalmente, então sua resposta foi ir para cima do irmão.

— Você disse que não tinha problema, que me apoiaria independente de quantas vezes eu falhasse! – Praticamente cada palavra era seguida de um soco que Ichigo defendia.

— E eu te apoiei todos esses anos, mas eu não posso mais fazer isso quando está prestes a falhar mais uma vez por causa desse cara. – O ruivo falou enquanto segurava os punhos da mais nova, que tentava os puxar de volta.

— Como você sabe que eu vou falhar? Além de babaca, virou vidente agora? – A língua feroz da morena voltou quando percebeu que a violência física não daria certo.

— Meu Deus! Quantas vezes vou ter que separar os dois hoje?

Isshin interviu mais uma vez, tirando os punhos da filha que eram apertados fortemente pelo primogênito.

— Cansei disso tudo! Você vai pra casa. – O mais velho falou diretamente para Ichigo e complementou quando isso pareceu querer contestar. – Se continuar aqui, uma hora vai acabar batendo na sua irmã e aí sim você vai ver o que é uma briga de verdade!

O olhar do pai era ameaçador para o filho e este, diante da ameaça, preferiu não revidar.

— Você vai para dentro, lá vai me contar direitinho sobre esse negócio de se mudar. – Apontou para casa, enquanto olhava para Yuzu e essa, que evitou intervir, rapidamente obedeceu. Agora se virou para Karin. – E você lide com ele, mas não demore muito, porque te quero junto durante a conversa e, olha, contigo o papo não vai ser só sobre sair.

Imediatamente ela entendeu que o “ele” se referia a mim e apenas acenou para o pai. Ichigo — ainda reclamando — voltou para dentro de casa, pegou suas coisas, foi em direção ao carro e saiu dali cantando pneu. Após a saída dramática do filho, o mais velho apenas olhou uma última vez para mim e para Karin antes de entrar.

— Me desculpe por toda a confusão. – A morena se aproximou de mim, receosa. – Foi Ichigo quem te mandou mensagem, apenas vi que fez isso depois.

Não respondi, não queria responder. Minha única vontade era sair dali, voltar para meu apartamento e enfiar debaixo das cobertas para ver se esquecia isso tudo. Porém, além das dores em meu corpo devido a surra que levei, eu sabia que teria que conversar com Karin.

— Não liga para o que meu irmão disse. Você não é culpado, eu sei disso. – Ela continuou.

— Ele está certo. – Respondi apenas isso.

— Como? – A morena parecia incrédula. – É óbvio que ele não está!

— Você sabe que ele está – Rebati em um tom moderado, pois tudo doía e ainda éramos observados pelos vizinhos.

— O show foi bom? Espero que tenha sido do agrado de vocês! Pena que ele acabou!

Karin gritou irônica para os vizinhos quando percebeu a mesma coisa que eu. Todos eles pareceram envergonhados ao serem notados e prontamente saíram das janelas e das portas.

— Você deveria entrar. Já está tarde. – Quebrei o silêncio desconfortável que se instalou entre nós logo após perdermos a “plateia”.

— Você tá muito machucado, vou te acompanhar até em casa. – Karin ditou e passou por mim, subindo a rua em direção ao meu apartamento.

— Eu não quero que você me acompanhe. – Falei baixo, sem sair do lugar, mas ainda assim ela me ouviu.

— Vamos! É tranquilo o caminho até lá. Não precisa se preocupar. – Ela sorriu gentil.

—Isso está errado, Karin. – Soltei aquilo que pesava em mim desde o começo daquela situação toda.

— Como assim? – Seu olhar era confuso e ela se aproximou de mim novamente.

— Nós, Karin! Nós estamos errados. – Seu rosto assumiu uma expressão chocada para mim. – Seu irmão está certo, isso nunca deveria ter começado. Olha só o seu estado!

— Do que está falando, Toushirou? – Karin estava séria agora.

— Estou falando do fato que eu fiz você ficar traumatizada. – Ela pareceu querer responder, mas não deixei. – Você está sim. Não adianta negar!

— E daí se eu estiver? O que isso muda no nosso relacionamento?

— Tudo! Há meses você não se abre comigo e nem com a sua família e isso tudo é culpa minha. – Apontei para mim. – Se não fosse por mim você estaria feliz, vivendo normalmente.

— Eu estou vivendo normalmente! – Seu tom aumentou um pouco, mas não gritava

— Vivendo com constante medo! – Suspirei preparado para as consequências. – Isso já foi longe demais, Karin.

— O que foi longe? Eu não tô te entendendo! -Os olhos negros como o céu marejaram e eu quase recuei.

— Você tá sim. – Apertei minhas mãos, tomando força. – Não tem espaço para mim na sua vida e nem o porquê de eu estar nela, por mais que eu te ame.

Passei por ela, seguindo em direção à minha casa – mesmo que cada passo doesse meu corpo e meu coração — e já estava a uns quatro metros dela quando ouvi.

— VOCÊ É UM COVARDE! – Seu grito ecoou por toda a rua e eu sabia que em breve os vizinhos voltariam a aparecer. Ignorei-a e continuei a andar. – QUEM AMA NÃO ABANDONA!

— Você sabe que não é bem assim. – Voltei-me para ela, ainda mantendo a distância.

— Você quer verdades? – Seu olhar voltou a ficar furioso mesmo com as lágrimas. – A verdade é que você falou de mim e de meus traumas, que devo tratar eles, mas nunca tratou os seus. Você vive nessa... bolha de autossabotagem e baixa autoestima, sempre se depreciando e deixando que os outros façam isso.

Doeu, doeu muito.

— Você não tem coragem para sair dessa bolha e se conforma com isso! – Algumas lágrimas desceram e ela as limpou rudemente. – Você não aceita que os outros possam te amar e se acha indigno disso, mesmo que inconscientemente. Sei que até hoje ainda duvida um pouco de tudo que Haru fez por você, ainda que se sinta grato e a ame.

Aproximei-me sem que percebesse e não conseguia rebater.

— Não aceita que eu te amo e agora tenta me convencer de erros que você não fez. – Seu choro pareceu aumentar e sua raiva diminuir. – Todos esses meses eu pensei que poderia lidar com o que aconteceu, porque tinha você do meu lado, me aguentando e me dando suporte.

— E eu estava ao seu lado! – Não percebi quando comecei chorar, mas as lágrimas já molhavam meu rosto.

— Você estava, porque sente culpa pelo que fez! Eu sei que você me ama e é isso que me deixa com mais raiva. Não precisava de nenhuma desculpa para ficar do meu lado, apenas sendo você era o suficiente. – Fungou antes de continuar. – Quer saber? Acho que você está certo. Esse relacionamento não iria para frente do jeito que estamos. Nós dois temos muito o que lidar primeiro.

Ela saiu em direção a sua casa e me deixou ali sozinho, com muita dor no corpo e um buraco no coração.

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Fui desperto pelo toque de meu celular e no visor aparecia o nome de Matsumoto. Pensei em ignorar, mas não consegui. Talvez no fundo eu quisesse conversar com alguém.

— O que foi? – Respondi mal humorado, apertando a ponta do cigarro já finalizado na escada de concreto que eu estava sentado.

— Você sabe que Karin-chan vai embora amanhã, né? – Havia me esquecido que Matsumoto permaneceu amiga da morena mesmo após nosso término.

— Sei.

— E? – Ela parecia querer que eu complementasse.

— E o que? – Já estava sem paciência.

— Você vai deixá-la ir embora assim? – Ela também parecia sem paciência.

— Eu não sou mais namorado dela e muito menos dono. – Suspirei. – Você não sabe o quanto ela deu duro para conseguir isso.

— Não estou te dizendo para impedir que ela vá, estou te pedindo para que pelo menos conversem. Vocês se amam e isso é muito óbvio.

— Apenas amor não sustenta um relacionamento, Matsumoto. Você deveria saber disso.

— Uau, você consegue ser incrivelmente escroto de vez em quando. – Ouvi-a suspirar também. – Eu tô na casa da Haru, vem pra cá.

— Já passou de duas da manhã, tá muito tarde para ir aí. – Não havia uma pessoa naquela praça ou próximo daqui.

— Só vem.

Dito isso, Matsumoto desligou na minha cara. Tentei ser alguém educado e joguei o cigarro recém apagado em um lixo próximo dali e segui em direção à moto. Não entendi o porquê de ela querer que eu vá à casa de Haru, mas também não estava afim de negar.

Em poucos minutos eu estava em frente ao pequeno muro da casa simples que Haru morava e eu não precisei chamar, pois Matsumoto já me esperava na porta. Ela disse nada, apenas entrou e eu prontamente a segui para o interior. Para minha surpresa a dona da casa também estava acordada, mesmo sendo já madrugada.

— Chegou rápido, Toushirou-chan. – Haru sorria para mim, sentada no sofá.

— Não tem trânsito de madrugada. – Até eu me surpreendi pela pequena brincadeira sem graça. – Por que está acordada? Geralmente você dorme cedo.

— Me empolguei vendo um filme com Rangiku-chan.

Agora que eu reparei na TV ligada. As pernas da senhora estavam cobertas por um cobertor e acredito que anteriormente Matsumoto também estava.

— Já contei para ela que Karin vai embora e que você é um tremendo bebê medroso. – Ela sentou ao lado de Haru e puxou a ponta livre do cobertor para suas pernas.

— Isso não é da sua conta! – Conti meu tom de voz, mas senti uma veia dilatar em minha testa.

— Me desculpe, Toushirou-chan, mas ela está certa. Desde que você terminou com ela anda pelos cantos cabisbaixo. – A voz suave da idosa me acalmou, por mais que ela estivesse carregada com palavras duras.

— Parece um cachorrinho choramingando pelo dono. – Ok, a calma não durou tanto assim.

— Vai se foder, Matsumoto!

— Toushirou-chan e Rangiku-chan! Já é madrugada, se vocês brigarem vão acordar os vizinhos. – A feição de Haru era dura, como uma mãe chamando a atenção dos filhos, mas logo voltou ao normal. – Eu não gosto de ver você assim. Karin te faz muito bem.

— Queria que isso fosse para os dois lados, mas não é. – Sentei em uma das poltronas que havia ali.

— É sim, só você que não percebe isso. – Haru não deu tempo para eu protestar. – Você é um menino de ouro e muito batalhador. Admito que cometeu muitos erros, mas quem não comete? Mesmo diante de toda a sua história você continua firme, sempre buscando melhorar mais a cada dia e é isso que faz de você alguém muito especial.

Meus olhos se encheram de lágrimas, mas eu as segurei.

— Eu consigo enxergar isso, Matsumoto consegue enxergar e Karin também consegue. Só você que não! Quando vai começar a se ver como realmente é?

Eu não conter as lágrimas por muito tempo e logo uma pequena e solitária escorreu pela minha bochecha. Haru me encarava esperando por uma resposta e Matsumoto me olhava, quieta, dizendo pelo olhar que concordava com tudo que a idosa dizia.

— Mas graças a mim Karin está mal. – Praticamente sussurrei, mas foi alto o suficiente para que elas ouvissem.

— Você considera o fato dela estar finalmente realizando o sonho dela como “estar mal”? A única coisa que deixou aquela menina realmente para baixo foi o término de vocês. – Olhei-a assustado. – Ela continua me visitando, mas em horários que você não está. Ela é realmente uma garota adorável. A gente conversa bastante e por mais que tente não entrar no assunto, sei que ela também sente sua falta.

— Você é trouxa por deixar um mulherão daquele ir. Nem todas conseguem aguentar sua chatice. – Matsumoto se pronunciou novamente e minha vontade era de xingá-la da mesma forma.

— Rangiku-chan! – Chamou a atenção mais uma vez da loira e ela se aquietou novamente. – O que eu estou querendo dizer é que eu não sei o que exatamente aconteceu entre os dois e se foi realmente ruim para Karin como você diz ser, mas o que eu sei é que você quem parece estar preso nos acontecimentos. Tenho minhas dúvidas se Karin teria conseguido passar no teste dela se não fosse pelo seu apoio.

— Karin é forte, ela conseguiria comigo ou sem mim ali.

— Será? Você a apresentou um novo lado da vida. Um lado muito bonito por sinal. Ela me contou que você foi o primeiro amor dela, o quanto se sentia bem ao seu lado e confiava em você. Ao meu ver, vocês dois se somam e se fortalecem juntos.

— A família dela me odeia, eu só acabaria criando mais conflitos entre eles. – Lembrei-me da surra que levei de Ichigo e a briga entre ele e Karin.

— Pelo que eu saiba, você se relaciona com ela e não com a família.

— Mas...

— Caramba, Toushirou! – Fui interrompido pela loira, que parecia sem paciência. – Quantas desculpas a mais você vai inventar?

— Por favor, não perca essa oportunidade de ser feliz por bobeira, Toushirou-chan. Você merece isso!

Haru sorriu gentilmente para mim e um bolo se formou em minha garganta. Todas as lembranças que invadiram a minha mente essa noite mexeram comigo e eu sentia falta de cada sorriso, de cada brincadeira, de cada beijo que trocávamos. Ainda não me achava merecedor, acho que eu teria que trabalhar muito nisso, mas dessa vez eu queria ser egoísta e era isso que eu seria.

Mal me despedi das duas e corri em direção à moto. A caminho dela mandei mensagem para Yuzu, perguntando o endereço do apartamento da duas e ela prontamente respondeu. Para minha surpresa era aquele que nós vistamos e acabamos brigando.

O caminho até o prédio foi rápido, mas pareceu muito demorado para mim. Meu coração estava acelerado e minha mãos suavam. Pela minha mente passavam várias coisas que eu queria dizer para ela, mas nenhuma delas pareciam boas o suficiente. Tinha medo de até mesmo acabar gaguejando pelo nervosismo.

Quando parei a moto em frente ao prédio, a figura de Yuzu já apareceu diante de meus olhos. Ela estava parada na calçada de moletom e apenas carregava o celular e a carteira na mão. Tirei o capacete rapidamente e desliguei a moto para ir falar com ela.

— Ela está acordada? – Perguntei nervoso.

— Sim. Não contei para ela que você estava vindo. Vou deixar vocês conversarem em particular.

— E você? – Reparei na rua vazia e perigosa.

— Falei para Karin que a mãe de uma amiga minha passou mal e que eu iria dar apoio a ela. – Ela sorriu para mim antes de continuar. – Não se preocupe, eu pedi para Jinta-kun vir me buscar.

Eu não tinha noção de quem era Jinta, mas esse questionamento logo foi respondido por um carro que se aproximou de nós e parou ao nosso lado. O vidro se abaixou e a figura de um garoto ruivo se revelou. Yuzu se apressou para entrar no lado do carona e antes de se sentar ela me desejou boa sorte.

Assim que o carro deu partida, decidi subir ao andar de Karin. Como o prédio era simples, não havia porteiro, então não precisei anunciar a minha presença. Eu subia os lances de escada de dois em dois devido à pressa e o nervosismo. Meu coração continuava acelerado e eu acho que continuaria assim pelo resto da madrugada.

Quando cheguei em frente a porta de Karin, meu corpo travou e por um momento estive tentado a desistir da ideia, mas respirei fundo tentando me acalmar. Passei a mão no cabelo na tentativa de o ajeitar, porém desisti. Essa aparência era o melhor que eu tinha a oferecer, então seria assim.

Não havia campainha, então tive que bater na porta. Na primeira vez que bati, não obtive resposta — ou talvez eu estava ansioso demais para esperar uma resposta — já na segunda vez ouvi um “já vai” bem irritado lá de dentro e mesmo abafado pelas paredes, sabia muito bem de quem era a voz. Ouvi a tranca sendo aberta e logo em seguida um rosto mal humorado se apresentou, mas logo ele foi tomado pela surpresa ao perceber quem lhe chamava. Tomei coragem e falei:

— Posso entrar?

Notas finais
Sim, a fanfic vai terminar assim. Podem me chamar de doida, mas eu gosto de finais abertos. Dá tanta margem para imaginação! Quero saber de vocês! Na imaginação de vcs o que aconteceria com os dois? Será que a Karin perdoaria o Toushirou? Os dois iriam juntos ou seria um namoro à distância? Tem tantas possibilidades e quero muito ler o que acham. Eu estou surtando aqui por ser a minha primeira fanfic concluída. Que delícia apertar o bortão da "história concluída"! Amei muito essas semanas com vocês. Foram 63 páginas e 33317 palavras - de acordo com o Word- muito especiais para mim. E sobre o extra que eu tinha falado: quero focar agora em escrever ECG. Vamos ver como vai ser minha rotina. Como prometido no último capítulo, trouxe algumas informações sobre como o andamento da reescrita. Ainda não comecei a pôr as palavras no word, mas já planejei ela toda, capítulo por capítulo. Não vou dizer o número de capítulos, pq isso pode mudar ao longo da escrita. Para mim parece incrível, mas a minha opinião é bem imparcial né kkkkkk. Mantive várias coisas do começo, por mais que não tenha gostado tanto de antes, mas reescrevendo acho que vai dar uma cara nova. Decidi deixar o tom cômico de lado e adotar apenas o tenso. Anotei várias coisas do mangá enquanto lia para usar na história, então já adianto que tem muito do original, mas obviamente vou dar a minha própria cara ao plot. Também tem uma coisa que eu quero conversar com vcs. Eu escrevi "Blinding lights" inteiramente antes de começar a postar aqui e foi isso que me permitiu postar toda semana (por mais que nessa última essa frequência quebrou). Então o que eu tava pensando é em escrever ECG inteira, ou pelo menos boa parte, antes de postar aqui. Desse jeito não teria atrasos grandes, talvez apenas alguns eventuais, porém isso levaria bastante tempo. Não sei ao certo quanto, mas pelo menos aparte mais difícil - a inspiração e o planejamento - já tá resolvido. O que vcs acham? Mas é isso aí. Não tô aguentando de tanta felicidade ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!