Blinding lights
1 You don't even have to do too much
Notas iniciais
?” Para evitar que vocês fiquem confusos, nessa história Isshin vai ser veterinário e ele não conhece o Toushirou.
?” Decidi que nessa fanfic eu iria focar muito mais nos pensamentos do Toushirou e nos sentimentos que na descrição dos lugares. Fui muito menos detalhista. Então deixo a cargo de vocês imaginarem os cenários.
?” A fanfic inteira vai ser narrada em primeira pessoa pelo Toushirou, não vai ter pov da Karin.
?” Sobre a estrutura: vão ter 7 capítulos (talvez 8, ainda tô refletindo), cada um com uma memória diferente e alguns podem ter um distanciamento maior de tempo que outros.
?” Pretendo postar um capítulo por semana, no sábado ou no domingo. Hoje foi exceção.
?” Quero já deixar claro que durante a história vão ter algumas menções ao uso de drogas ilícitas, mas eu NÃO concordo com o consumo delas e NÃO recomendo que usem. Inclusive nos capítulos que isso acontecer, vou deixar nas notas finais o link do site do Narcóticos Anônimos e, caso você use ou conheço alguém que use, assim poderá acessar para ver se há reuniões na sua cidade.
(Por favor, leiam as notas iniciais.)
O calor da caneca esquentou minha mão gelada imediatamente quando a peguei e o vapor que saia dela preencheu minhas narinas de forma gostosa e nauseante ao mesmo tempo. Olhei para a estante no fundo da lanchonete 24 horas e considerei misturar um pouco de vodka naquele café de origem duvidosa, mas eu não queria ficar bêbado, pelo menos não hoje.
A tela do meu celular brilhou na mesa gordurosa, indicando-me o horário e a mensagem que havia acabado de chegar. 1:17 da manhã. Será que ela já está dormindo? É provável que sim. A decepção veio quando vi de quem era a mensagem e o conteúdo nela. Talvez, no fundo eu ainda tivesse esperança, porém era apenas mais um convite para uma festa qualquer.
— Senhor, quer algo além do café? – Perguntou-me a única garçonete do lugar. Ela me olhava com expectativa e tenho quase certeza de que quando cheguei os botões da blusa dela não estavam tão abertos.
— Não, por enquanto quero apenas isso. – Respondi frio.
Ela tentou disfarçar, mas pude ver que ficou decepcionada com a minha resposta. Ajeitando-me na cadeira, pude reparar nela enquanto voltava para trás do balcão. Os cabelos negros e longos me chamaram a atenção, mas eles não pareciam tão brilhosos e macios quanto os daquela que detinha a razão de eu estar numa lanchonete cheia de bêbados e drogados, tomando café de madrugada. Se fosse outro dia é provável que a servente conseguisse alguma coisa.
Suspirei e encarei a tela do meu celular mais uma vez. Não resisti e deslizei, desbloqueando-o, somente para ver de novo a mensagem que recebi mais cedo (ontem na verdade). A foto da garota ruiva e sorridente preenchia a espaço a lado do nome dela. Ainda me pergunto como as duas podem ser gêmeas se são tão diferentes, talvez a ciência tenha alguma explicação, mas eu não ligo o suficiente para pesquisar.
“Ela está indo a serviço amanhã à noite para as ilhas Senkaku*.
Se você for fazer alguma coisa, faça logo, porque ela vai ficar 8 meses lá.”
(* As ilhas Senkaku são ilhas presentes no chamado Mar da China e elas são alvo de disputas geopolíticas entre o Japão e a China, cada um alegando pertencimento das ilhas por justificativas diferentes)
Por que eu deveria me importar? Já não a vejo tem mais de um mês. Inclusive, fico feliz que ela tenha sido promovida. Desde que a conheci ela sonhava com isso.
Tomei mais um gole do café, enquanto refletia. Quem diria que tem um ano desde o nosso primeiro encontro, que foi, certamente, um caos.
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Deixei minhas chaves na mesa da cozinha depois de trancar a porta, junto da minha carteira e dos documentos da moto. Abri a geladeira e... nada (N.A.: famoso ambiente perfeito pra fazer fotossíntese, só água e luz). Droga. Vou ter que sair amanhã para fazer compras. Odeio ir a supermercados.
— Hinamori! Cadê você? – Gritei, mas obtive nenhuma resposta. – Hinamori!
Chamei mais algumas vezes seu nome, enquanto a procurava pelo apartamento velho. Continuava sem respostas. Que estranho! Procurei em todo canto da cozinha, lavanderia, sala e o silêncio reinava. Foi assim até ouvir um baixo gemido canino vindo do meu quarto. Corri para lá curioso com o que estava acontecendo e encontrei a fonte deles debaixo da minha cama.
— O que você está fazendo aí? Vem cá.
Hinamori apenas olhou para mim e ignorou, ainda gemendo. Ela estava encolhida em uma pequena bola e parecia tremer levemente. Preocupado, puxei-a da forma mais delicada que pude e, assim que a coloquei em meu colo, confirmei minhas suspeitas: sim, ela estava tremendo e parecia quente. Era só o que me faltava! Minha cachorra estava doente e já passava da meia noite.
Certo! Pensa com calma. Não dá para levar a cachorra na moto e o centro de Karakura – onde tem veterinário 24 horas, de acordo com o meu ceular – está muito longe para ir a pé. Teria que ser um lugar mais perto. Porém, se bem me lembro, recebi em panfleto na caixa de correio de uma clínica a alguns quarteirões daqui. Será que tem alguém lá? Será que eles atenderiam a essa hora? Não importa, eu tenho que tentar.
Abri todas as minhas gavetas da cozinha – lugar no qual eu geralmente amontoava os panfletos que recebia e achava interessante – e logo encontrei o bendito papel com o endereço. Enrolei Hinamori em um dos meus casacos e praticamente corri até a porta, pegando apenas as chaves. Sai afobado, mal conseguindo trancar a porta, mas eu não ligo. A pessoa que decidir roubar minha casa certamente é uma idiota. Nem comida tem direito.
O ar gelado batia no meu rosto. Adoro frio. Em outro momento apreciaria a brisa fria que balançou minhas mechas brancas, contudo a minha maior preocupação agora é minha melhor amiga tremendo em meus braços. Deveria ter a enrolado em um casaco mais grosso.
Evitando correr para não machucar minha cachorra, cheguei o mais rápido que pude. Droga. Droga. Droga! Está tudo apagado, inclusive a casa em anexo por trás da clínica. Desculpem-me, mas vou ter que fazer isso.
Segurando Hinamori apenas com uma mão toquei a campainha diversas vezes e bati na porta de vidro, fazendo um estardalhaço. Se realmente tiver alguém dentro da casa, essa pessoa com certeza tem que ter ouvido. Passados alguns minutos que eu tocava a campainha desesperadamente, vi uma luz acendendo em um dos quartos e a janela foi empurrada de forma violenta por uma pessoa claramente irritada.
— OE! VAI INCOMODAR SUA VÓ, CABELO DE ALGODÃO. — A janela foi fechada da mesma maneira que foi aberta.
Que? O que foi aquilo? O torpor daquela reação me tomou por alguns segundos, mas logo foi substituída por raiva.
Quem aquele projeto de ser humano achava que era para gritar assim comigo?
Não iria ficar assim, não mesmo, mas agora não era hora para lidar com aquilo. Quando me virei para sair dali a porta da casa foi aberta e por ela saiu uma garota loira. Analisei-a para ver se iria gritar comigo também, mas ela apenas me deu um sorriso gentil e se aproximou do portão. Tomei aquela oportunidade para explicar a minha situação antes que fosse ‘expulso’ de novo.
— Me desculpe por ter te acordado, de verdade, mas a minha cachorra está doente e eu não tenho ideia do que é. – Mostrei Hinamori enrolada no casaco. – Sei que aqui é uma clínica veterinária, então, por favor, pode dar uma olhada nela? Pago mais se você quiser.
A loira me encarou por alguns segundos pensativa e em seguida abriu um sorriso.
— O dono dessa clínica é meu pai, mas ele teve que viajar, então não temos veterinários disponíveis agora. Me desculpe. – Decepcionado, estava pronto para agradecer a atenção e sair dali, porém ela continuou. – Mas eu estou na faculdade de Veterinária. Ainda não sou formada, mas se você tiver muita urgência posso dar uma olhada.
— Claro! – Melhor que nada, certo? – Valeu mesmo!
Ela me pediu para aguardar um pouco aqui fora, enquanto abria a clínica e trocava de roupa, já que estava de pijamas. A porta de vidro foi aberta uns 5 minutos depois, porém não foi pela garota loira. Uma menina (mulher, na verdade) morena, que não escondia seu mau humor e parecia ter a mesma idade que a outra, apenas abriu e entrou de novo, nem se dignando a dizer um ‘oi’. Que mal educada! Será que é parente da loira? Não parece.
Entrei e fechei a porta de vidro, sozinho, já que a morena saiu dali. Sentei nas cadeiras da recepção aguardando, de novo, a aparição da loira, mas quem veio foi a irritada.
— Yuzu falou para levar a cachorra para o consultório. – Apontou com o queixo para uma porta branca.
Observei-a antes de ir para o local indicado. Ela vestia um conjunto de moletom que, certamente, não era do seu tamanho, seu cabelo preto estava bagunçado como se tivesse acabado de acordar (e era isso que provavelmente tinha acontecido) — não parecia se importar com a aparência -, as mãos estavam para dentro do bolso do casaco e sua postura oscilava entre irritação e sono. Pelo tom de voz, era a mesma pessoa que gritou comigo pela janela.
Ela era odiável. Essa foi a minha primeira impressão sobre ela.
Mas quando ela me trouxe uma xícara de café quente naquela madrugada fria e sentou do meu lado, calada, enquanto eu esperava aflito pelo término do exame de Hinamori, tive uma segunda impressão sobre Karin.
Notas finais
E aí? Gostaram? Angustiados? Eu sei que é meio tenso história que já começa do fim (???), porque você já sabe se deu bom ou ruim. Mas relaxa, recheei ela de muitos momentos fofinhos.
Demorei um pouquinho para escrever, principalmente a parte final, mas deu tudo certo, consegui terminar do jeito que queria. Claro que algumas coisas fugiram do planejamento, nada que atrapalhe.
Mas vocês acreditam que o mais difícil pra mim foi fazer a capa? Odeio admitir isso, mas eu sou praticamente uma analfabeta digital kkkkk. E o pior é que eu inventei que eu queria uma capa estilo anos 80, aí lá vai a Carol aprender a mexer em editor de foto para fazer do jeitinho que ela quer.
Inclusive aqui vai uma pequena história engraçada: depois de horas mexendo na imagem, deixando ela do jeitinho que eu queria (para algumas coisas eu sou muito perfeccionista)- só faltava mover um pouco as letras - o programa que eu tava usando travou e fechou sozinho, e o pior é que eu ainda não tinha salvado. Como sou uma pessoa muito calma, centrada e ponderada comecei a chorar. Fiquei uns 20 minutos chorando, porque achei que tinha apagado tudo, mas aí depois o programa abriu sozinho e lá estava a imagem da mesma maneira de antes do bug.
Ficou longo né? Desculpa. Espero que gostem e deem um feedback nos comentários :D
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