Bleach S

2 O novo capitão!


— WAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHH. Nhaw. Nhaw.. – bocejava Kenshin, sonolento.

O rapaz de cabelos lisos e negros abria os seus olhos castanhos esverdeados de maneira brusca como se tivesse tido um pesadelo. Tentou levantar-se rapidamente, mas a dor nas costelas acabou fazendo-o se contorcer no futon e bater a cabeça no travesseiro.

— Aaaaahhh, aiiiiiiii, o que será que aconteceu? Por que estou todo quebrado? – murmurou para si mesmo. – E onde estou?

— Bom dia, Ryota-kun. — a voz doce vinha da porta.

Olhando atentamente, de baixo para cima, Kenshin avistou uma linda mulher de cabelos cinza com entonações azuis claras, olhos constantemente fechados e uma feição tão doce quanto misteriosa. As vestes da mulher indicavam que ela era uma das treze capitãs que protegiam o bem estar de toda Seireitei.

Cada esquadrão possuía em média 200 shinigamis, sendo um capitão e um tenente no comando de cada batalhão que segue sua própria filosofia e maneira de trabalhar. Apesar das diferentes funções, opiniões e maneira de agir, todos lutavam em pró de manter a ordem na Soul Society. Kenshin não fazia ideia da imensa responsabilidade que teria dentro de poucas horas.

— Essa capa branca por cima do kimono negro... Você é uma capitã? Co... Como sabe o nome de um oficial ralé como eu? – indagou o rapaz, arqueando a sobrancelha. — E o que estou fazendo aqui? Eu estava...

As lembranças vieram como um choque na sua cabeça e o rapaz ficou em estado de transe; perdido em milhões de pensamentos. Lembrava de cenas da árdua luta que travaram contra o Vasto Lorde no dia anterior – na verdade haviam se passado oito dias, mas ele perdeu completamente a noção do tempo enquanto esteve desacordado.

— Deixaremos as explicações para depois, capitão do décimo terceiro esquadrão. Por favor, vista-se assim que assim melhorar. – a capitã sutilmente indicou as vestimentas que estavam penduradas: kimono negro e a vestimenta branca utilizada somente por um capitão.

— Ca...Capitão? Moça, er, digo, capitã-san, você não está me confundindo? Eu sou o oitavo oficial do décimo terceiro esquadrão, Kenshin Ryota. – sorriu sem graça, tentando explicar o mau entendido.

— Então você ainda não está sabendo... – falou calmamente, ajoelhando para sentar-se sobre as pernas ao lado do rapaz. – O décimo terceiro esquadrão não existe mais. Todos, com exceção de você e mais um shinigami, foram mortos pelo Vasto Lorde. Você, Kenshin Ryota, é o novo capitão e responsável por reconstruir o décimo terceiro esquadrão do falecido Hayato Kyubei. A sua apresentação oficial será hoje, as 14 horas, na sala de reunião dos capitães. Por favor, descanse bem e não se atrase.

— Não pode ser... Então aquilo não foi só um sonho... Hayato-sama morreu. Eu, agora, sou mesmo um capitão... – colocou as mãos no rosto e respirou fundo, permanecendo em silêncio nos minutos seguintes.

Entendendo a vontade do jovem de ficar sozinho para absorver o impacto do que houvera, a capitã do quarto esquadrão fez uma reverência e se retirou cuidadosamente para não fazer barulho.

O tempo passou e faltavam apenas dez minutos para as 14 horas. Estava atrasado! Chegar atrasado nos locais era um estilo de vida do ex-oitavo em comando, porém, agora com novas responsabilidades, isso deveria mudar. Apressado, ele se enrolou todo nos lençóis do futon ao tentar se levantar. Vestiu rapidamente o uniforme de capitão e ficou fazendo poses na frente do espelho com a zampakutou em mãos.

— Eu sou o capitão do décimo terceiro esquadrão, Ryota Kenshin. – engrossou a voz e fez um movimento, quebrando o espelho e a parede sem querer.

Fazendo expressão de “fudeu, fiz merda”, o jovem saiu correndo ao se lembrar de que teria que estar na reunião em... 1 minuto! Correndo desesperadamente, utilizando o shumpo (passo relâmpago) para acelerar, finalmente chegou em frente da porta da sala de reunião.

— Toc, toc. – balbuciou dando duas batidas na porta.

— É sério que ele tá batendo na porta? – comentou o capitão do oitavo esquadrão, com desprezo. – Que idiota.

— Ele é novo, não sabe das regras. Você queria que ele entrasse chutando a porta, idiota? Ao contrário de você, ele tem educação. – retrucou a capitã do sétimo esquadrão.

— Como é que é, sua...

— Silêncio! Não irei tolerar discussões e ofensas neste recinto. Entre, Ryota Kenshin. – ordenou o comandante.

Embora a discussão tivesse cessado entre Tatsuya Ken, capitão do oitavo esquadrão, e Kyoretsuna Hanabira, capitã do sétimo esquadrão, os dois trocavam olhares ameaçadores por estarem enfileirados de frente pro outro. Ambos tinham conflitos há alguns anos por diferenças de opiniões, personalidade forte e um certo incidente envolvendo a irmã mais nova da capitã.

— Com licença... Me desculpe pelo atraso, general-sama, eu estou com as costelas tão doloridas que não consigo andar direito. – não foi por este motivo que se atrasou, mas havia um fundo de verdade em suas palavras.

— Sabemos bem das suas condições, jovem. Como pode ver, ao entrar nesta sala os capitães devem fazer duas filas de seis para que possamos conversar. Vá para o final da fila onde há cinco capitães. – instruiu Riki.

Seguindo as instruções do general, Kenshin andava timidamente para o lado da capitã do sétimo esquadrão. Com todos aqueles olhares curiosos, e outros hostis, em sua direção, o rapaz ficava um pouco acanhado. Ele era do tipo de pessoa reservada, antissocial e que preferia evitar contato com outras pessoas, por isso não sabia muito bem lidar com situações em que as atenções eram voltadas para si.

— Capitães, este é o novo capitão do décimo terceiro esquadrão: Ryota Kenshin. Indicado pelo antigo capitão, Hayato Kyubei, tendo como testemunhas oculares de suas habilidades a capitã do quarto esquadrão, Mizuki Amaya, e eu, comandante do Gotei 13, Riki Genryuusai, ele terá como responsabilidade reformular o extinto décimo terceiro esquadrão. – lançou seu olhar firme como o de um leão para o jovem.

— Ah... Oi? Muito prazer, eu acho... – coçou o queixo e olhou para baixo por um momento.

— Seja muito bem vindo. – sorriu simpaticamente a capitã do quarto esquadrão.

— Relaxa, garoto! Nós não mordemos! Podemos sair daqui e tomarmos um saquê para nos conhecermos melhor, o que acha? Mas os novatos é que pagam... Há, há, há. – brincou a capitã do nono esquadrão.

— Comandante, ele é forte? Posso testá-lo? – indagou a mulher de voz rude e chamativa. Seus olhos lilás eram como os de um predador.

— Negativo. O objetivo desta reunião não é esse, capitã do décimo primeiro esquadrão. A propósito, eu já disse que fui testemunha ocular do poder dele.

— Tsc. – reclamou, mas silenciou-se, embora mantivesse o fascínio doentio por aquela pessoa.

A reunião prosseguiu normalmente com as instruções do general sobre como iriam reconstruir o esquadrão aniquilado pelo Vasto lorde. Outro assunto em pauta foi a segurança da Soul Society, já que o ataque dos Hollows havia se multiplicado nos últimos meses. Sempre bem participativa e com opinião forte, a capitã do sétimo esquadrão expos as suas ideias e foi ordenada pelo comandante a prestar apoio para Kenshin na reformulação da sua equipe.

Após o final da reunião, Tatsuya Ken sussurrou nos ouvidos de Hanabira em tom ameaçador:

— Um dia irei matá-la. Guarde bem essas palavras.

— Ameaça é coisa de covardes. O dia que você tiver coragem de agir, eu irei esmagá-lo. – respondeu a capitã com firmeza.

Observando tudo silenciosamente, Kenshin andou em direção da porta para sair daquele ambiente o mais rápido possível. Ainda mantendo seus olhos fixos no rapaz que matou um Vasto Lorde, Kenpachi Akuma, capitã do décimo primeiro esquadrão o seguiu silenciosamente para não despertar atenção dos outros.

Lá fora, alguns metros distante do quartel general, Kenshin se aproximou da floresta vazia que era território do décimo terceiro esquadrão, quando fora surpreendido por um ataque que rasgou o solo na sua frente.

— Pegue a sua zampakutou. Quero provar o seu sangue e quero que prove do meu. Quero sentir o seu poder, assim como quero que sinta o meu. Mostre-me sua intimidade, capitão. Revele seu poder. – o tom de voz de Akuma era tenebroso, assim como seu olhar sádico e fixo no rapaz.

— Ei, Ei... Que papo é esse de mostrar minha intimidade? Apesar de ser um pouco pervertido, eu sou um homem de respeito, He, He, He. – fez uma piadinha com o linguajar da Kenpachi. — Por que não deixamos isso pra outra hora, hein? Eu ainda estou...

Sem que pudesse responder, desembainhou a zampakutou com muita agilidade e no reflexo parou o ataque agressivo de Kenpachi, que o lançou vários metros para trás com a força do impulso.

— Ufa... – respirou fundo. — Isso foi perigoso. Você realmente tentou me matar!

— Nada mal, mas eu gostaria que você se mantivesse essa boca fechada e lutasse mais. Não gosto de vítimas tagarelas. – falou Akuma com um sorriso demoníaco entre os lábios.

— Então vou falar pra caramba! – retrucou mais uma vez ironicamente.

No momento em que Kenpachi usou shumpo para aparecer atrás de Kenshin e golpeá-lo, uma zampakutou interferiu o trajeto da sua e parou o seu ataque. Saltando para trás e murmurando de desgosto, Akuma guardou a zampakutou na bainha e encarou a mulher de cabelos curtos e loiros e o jovem capitão.

— O comandante proibiu lutas entre capitães, Kenpachi Akuma. Não é capaz de lidar com os seus instintos? – advertiu Hanabira com firmeza, tanto na voz quanto no olhar.

— Não tenho interesse em você, capitã. – olhou para o rapaz de maneira psicótica – Quanto a você, capitão... Tome cuidado quando estiver sozinho.

Desapareceu com o shumpo. Segura de que estavam a sós, Hanabira guardou a zampakutou na bainha e olhou para o rapaz de maneira rígida.

— Por que não se virou para defender, hein? Se eu não tivesse aparecido...

— Se você não tivesse aparecido, eu teria me defendido sozinho. Eu imaginei que fosse interferir quando senti sua reiatsu por perto, então confiei em você. – o rapaz sorriu ao responder. — Creio que essa tatuagem diz muito sobre você: Bela como uma flor, perigosa como um espinho.

— Hum... ? – ficou corada com o elogio e virou o rosto para o lado. — RUM! Não fale assim com a sua sempai!

— Ah, foi mal! Eu não estava te cantando, há, há. O seu nome é...? – indagou, sem graça.

— Não memorizou meu nome? Como espera ser um bom capitão sendo tão distraído? Kyoretsuna Hanabira, capitã do sétimo esquadrão.

— E eu sou...

— Ryota Kenshin, capitão do décimo terceiro esquadrão. Você já se apresentou, lerdo. – interrompeu Hanabira.

— É verdade, há, há, há. Bom, eu estou indo, Hana-sempai. Obrigado por se oferecer a me ajudar nesta tarefa difícil.

Fez uma referência rápida e desapareceu com o passo relâmpago. A capitã ficou estática durante alguns momentos pensando nas palavras do rapaz, que fora o primeiro a decifrar o significado da sua tatuagem, assim como era surpreendente o fato dele tê-la notado a distância e ter confiado que esta pararia o ataque de Akuma. Ele era um rapaz realmente misterioso.

Notas finais
Bom, talvez existam leitores (como eu) que tenham dificuldade em imaginar os personagens sem ver imagens. O protagonista, Ryota Kenshin, está sendo desenhado originalmente pela minha namorada e futuramente será postado. A capitã Hanabira também está sendo desenhada. A aparência da capitã do quarto esquadrão, Mizuki Amaya, foi inspirado na personagem Choun Shiryu do anime Ikkitousen. No mais, obrigado por lerem a fanfic!