Blackwhite

16 Capítulo 18


Notas iniciais
Feliz Natal pessoal!!!
Aqui está meu presente para todos vocês! DEsculpa ai se demorei muito, eu sei, e desculpa também se vocês vão me odiar por esse capitulo.
De qualquer jeito, aproveitem e feliz Natal e Ano novo!
Eu talvez só poste agora em fevereiro, pois vou viajar em janeiro. DEsculpem.
Beijos!

…:Ikuto POV:…

- Ikuto!! – me viro a tempo de pegar Amu em meus braços, e girá-la, fazendo-a rir. Deus, amo essa risada.

- Alguém aqui está muito feliz, não? – sorrio, depositando um beijo em sua testa.

- Sim! – ela sorri, me abraçando com mais força – O pessoal ontem me levou para um monte de lugar e foi tão divertido, Ikuto! Estou tão feliz que eu posso falar com eles de novo. Ah, ah! – ela pula excitada – Você não vai adivinhar! O Shinbashi, o Ren-kun e o Shou-chan estão namorando e vão pedir a namorada deles em casamento! E adivinha! O Kouta-kun trabalha na empresa do seu pai. Não é incrível?

- Hmm… — sorrio, sentando no sofá.

- E o Jun-kun disse que a irmã dele se tornou médica e que ela teve um filho. Ele me mostrou umas fotos e o bebe era tão fofo, Ikuto! Ele disse que foi ele quem escolheu o nome.

- Hmm…

- Ikuto? Você está bem? – ela me olha, preocupada e eu suspiro. Droga, pensei que estava escondendo bem.

- Não é nada. Só coisas da gangue. – sorrio.

Admito, to meio que falando só metade da verdade. É verdade que to cheio de problemas por causa da gangue. Esses últimos dias recebi vários pedidos para sair da gangue e o pior de tudo é que são todos pelos mesmos motivos. Os caras querem sair porque tem alguém ameaçando as pessoas próximas deles, tipo a irmã ou a namorada. E pelo que Kei e o Kakeru me contaram, ta acontecendo com eles também. Os números tão baixando consideravelmente e se isso continuar assim, bem, vou ser obrigado a tomar medidas drásticas e anunciar uma guerra.

A outra metade da verdade e a que eu não contei é que ontem era para ser um dia supostamente meu e da Amu. Um dia que seria apenas eu e ela e mais ninguém. Sem interrupções. Mas ai esses caras chegaram e levaram ela. Lógico, ela, sendo a pessoa mais maravilhosa que existe, disse que tinha me prometido o dia e o resto da semana, mas eu não podia simplesmente acabar com a felicidade dela daquele jeito, então eu disse que ela podia ir, já que a gente teria o resto da semana juntos. E os olhares assassinos na minha direção eram bem… convincentes. Não que eu estivesse com medo. Eu, com medo? Nunca. Não mesmo. Sem a menor chance.

- Ikuto… Diz a verdade para mim… — ela me abraça, preocupada.

- Está tudo bem, Amu. São só problemas da gangue, mesmo. – sorrio novamente.

- Você está bravo por causa de ontem?

- Eh? Clar… — paro de falar ao ver o olhar dela que dizia “Não adianta mentir, já sei que é isso” – Okay, tudo bem. É por causa disso. Mas eu não estou bravo. Só…

- Só…?

- Eu pensei que eu teria você para mim o dia inteiro. Só estou um pouco desapontado.

- Hm. Sinto muito. – ela beija minha bochecha.

- Acho que isso não é o suficiente, Amu. – sorrio, desviando o olhar – Sabe, eu estou realmente muito desapontado – ela me da outro beijo na bochecha – Hmm… Acho que você não está arrependida. — um selinho – Ainda não… — um beijo na boca. Um beijo que eu aproveito e assumo o controle, deitando o corpo dela no sofá e ficando por cima dela. To nem ai se o Tadase, Nagihiko e Kukkai e todos os outros estão aqui no clube, para mim, só o que importa é a Amu.

- Você me perdoa? – ela sussurra sem fôlego, e com as bochechas completamente vermelhas.

- Com certeza. – sorrio, beijando-a mais uma vez.

- Mas que diabos! – vejo o Kukkai se levantar rapidamente do sofá, surpreso.

- Olá, garoto. Onde está seu chefinho? – escuto uma voz familiar, mas ainda assim estranha. Olho por cima do sofá e vejo um grupo de cinco homens, parados, olhando para mim. Então eu olho para a Amu, que sorri culpadamente.

- Eles disseram que queria conhecer você.

- Por que?

- Queríamos conhecer o namoradinho da minha… — alguém tosse — …nossa Amu-chan. – o mais alto fala, o chamado Kuu – Meu nome é Kuu. Esses são Ren – os de cabelos pretos e porte bem alto acena com a cabeça – Shou – um loirinho me olha — Minami – um cara branquelo e de óculos sorri – e o Ryu – um garoto de cabelos pretos e olhos verdes acena.

- Ikuto. Prazer em conhecer. – digo educadamente. Acredite, só to fazendo isso pela Amu.

- Você não parece ser muita coisa. Bonitinho? Sim. Mas só isso. Amu-chan, por que escolheu ele? – ele fala como um papai que está vendo a filha ser levada pelo marido.

- Kuu! – ela reclama – Não seja malvado com o Ikuto. Ele é muito esperto também, e é muito bom de luta. E além disso, eu gosto muito dele. Se você maltratá-lo, nunca mais falo com você. – ela ameaça, mas sei que está só blefando.

- Hey, Kuu, certo? – sorrio e ele me olha, estranhando – Você sabia que a Amu fala de vem em quando enquanto dorme?

- Obvio que sim! Ela é minha irmãzinha.

- E você sabia que ela gosta de comer sorvete de morango com cobertura de chocolate?

- É obvio que sabemos disso. – o loirinho responde e eu sorrio maliciosamente.

- Então vocês devem saber que ela adora dormir de preto.

- De preto? – Ren, eu acho, me olha.

- Yep. Lingerie preta, cheia de babados, e só com uma camiseta branca, quase transparente por cima. Sabe, se você ficar observando, tem horas que a camisa sobe de um jeitinho bem legal… — sorrio maliciosamente, fazendo a demonstração na própria camisa da Amu, que estava ficando mais vermelha a cada segundo – ah, é, e ela adora dormir agarradinha com alguém. É muito bom quando ela me aperta contra si mesma. Dá para sentir tudinho…

- Seu desgraçado!!! – um deles avança para cima de mim, e eu desvio, pulando por cima do sofá.

- Ops – sorrio maliciosamente, mas fingindo culpa – Parece que você não sabia disso.

- Eu vou matar você! Como ousa…! – ele fica vermelho de raiva — Como ousa tocar na minha….

- Nossa!

- Nossa Amu-chan enquanto ela dorme?!

- Mas eu não fiz nada disso. – respondo calmamente, desviando dele com facilidade – Ela quem me tocava. Sério, algumas vezes pensei que fosse ser estuprado enquanto dormia. Ela é tão pervertida.

- Não sou! Não sou pervertida! Ikuto, seu idiota! – Amu grita, vermelha de vergonha – Minami-kun! Bate nele! Ele foi mal comigo! – ela reclama, abraçando o de óculos.

Eu paro, segurando o punho do Kuu e olho para o garoto. O imbecil ta com o rosto vermelho!

- Você. – empurro o Kuu, virando meu corpo para o quatro-olhos – É, você mesmo. Você está imaginando o que acabei de falar, não é? Você está imaginando a minha…

- Nossa!

- MINHA Amu dormindo com você e a blusa dela levantando não é? – dou passo por passos em direção a ele, meus punhos queimando para destruir a cara dele.

- Para com isso, Ikuto. Minami-kun não gosta de mim. – Amu diz, vermelha.

- O que?! Olha para a cara dele! Ta na cara que ele ta imaginando você… Ahrg, eu vou mata-lo! – avanço, pegando-o pelo colarinho e jogando-o contra a parede.

- Ikuto! – Amu grita, correndo para o amiguinho dela.

- Saia de perto dele, Amu. Esse idiota vai morrer hoje. Como ousa imaginar a minha Amu…

- Hey, garoto. – viro o rosto, furioso, vendo só o borrão de um punho e quando vejo estou no chão. Desgraçado! – Estamos quites agora.

- Ikuto! Oh meu Deus, por que os garotos tem que ser tão estúpidos?! – olho para a Amu, sem entender nada.

- Relaxa cara, o Minami joga para o outro time. – o loirinho diz, sorrindo.

- Outro ti… Ah, ele é gay.

- Ikuto! Não seja mal-educado e peça desculpas.

- Foi mal cara. Sabe como é, protegendo o que é meu. – estendo a mão, ajudando-o a se levantar.

- Está tudo bem. Se não fosse assim, não seria digno dela. – ele sorri e puta merda, esse cara tem uma força do cacete!

- Você pode largar minha mão agora. – digo, forçando um sorriso e arrancando minha mão da dele. Maluco.

- Bem, bem, quem diria que esse molenga azul seria um homem.

- Quem diria que um otário como você seria só um otário. – sorrio ao ver o sorriso dele virar um forçado.

- Língua bem afiada para um moleque, não?

- O que fazer? Sou bonito, esperto e gostoso. Não se sinta muito mal. A vida é injusta as vezes. – sorrio maliciosamente.

- Belo narcisista você foi arranjar ai, Amu-chan. – Ren, eu acho, sorri para ela.

- Eu sei! – ela sorri orgulhosa e eu sorrio.

~Alguns dias depois~

- Cara, você não ta entendendo! Ele mandou três caras para atacar minha namorada! MINHA namorada!

- Você já repetiu isso mil vezes. Não sou surdo.

- Então o que vai fazer?! Eu dei sorte porque estava com ela na hora e pude defende-la, mas ele ta fazendo isso com todos os caras da nossa gangue.

- Kakeru, será que da para se acalmar? – Kei pede e eu suspiro. Esse cara fala mesmo demais.

- Olha, a única coisa que podemos fazer agora é pedir para que tomem cuidado. Não vou obrigar meus caras a permanecerem na gangue quando sei dos perigos. Isso só me deixaria com um motim nas mãos. – falo calmamente.

- Você está muito calmo. Será que ainda não percebeu quão grave é isso?

Acredite, to tudo menos calmo. Faz dias que não consigo parar de pensar no que poderia acontecer com a Amu se um desses caras viesse atrás dela. E o pior é que não posso ficar do lado dela o tempo inteiro. Ela trabalha e eu também. Pois é, to trabalhando agora. Troquei isso por um pouco mais de liberdade para a Amu com meu velho. Deu uma briga feia no começo, mas eu acabei cedendo. Mas pelo menos eu não tenho que ficar na empresa. O assistente do velho me manda tudo que preciso e eu só faço as coisas. O bom é que vou ganhar uma graninha também.

- Olha, nós precisamos fazer alguma coisa antes que isso saia do nosso controle.

- Já saiu do nosso controle. – Nagihiko diz – Akira-kun está atacando com tudo, mas nós não podemos fazer nada porque não temos provas concretas de que isso é ação da gangue dele.

- Olha, eu não me importo se a culpa é dele ou não, vamos acabar com isso!

- Acabar com o que? – viro o rosto vendo a Amu entrando no clube. O que diabos é esse curativo nas pernas dela?

- Amu! – me levanto, correndo até ela – O que é isso? O que houve? Como se machucou?

- Eh? Ah, isso? – ela levanta uma das pernas – Não foi nada demais. Eu estava correndo e acabei caindo. É só uns arranhões, mas como estava sangrando um pouco fiz esses curativos.

- Correndo? – olho para ela, desconfiado. – De quem estava correndo?

- Eu estava atrasada. – ela ri sem graça – Mas Ikuto, por que você parece tão estressado? Está tudo bem?

- …Bem. Está tudo bem. Apenas… — pego ela no meu colo e sento no sofá, mantendo-a bem perto de mim – Fique aqui um pouquinho comigo, ok?

- Hm… — ela se encosta em mim, bocejando.

- Pode dormir. Vou cuidar de você, Amu. – sussurro, acariciando seus cabelos. – Sempre cuidarei de você.

- Hmm…

- Vê? – Kakeru sussurra – É disso que eu to falando. E se fosse os caras que tivessem pegado ela? Olha, se você não quer agir, eu vou fazer alguma coisa.

- Kakeru! Você sabe que não temos chance se formos separados. – Kei diz e Kukkai concorda.

- Não me importa! Eu vo…

- Não se preocupe. Ninguém vai encostar um dedo na Amu. Vou me garantir disso. Prestem atenção. Amanhã. Às 10 em ponto da noite. No parque abandonado.

- Amanhã? Ikuto, amanhã você vai passar o dia com a Amu-chan. É o dia dos namorados. Pensei que fosse passar a noite com ela também.

- Não. Amanhã, escutaram? Preparem tudo. Ah, um aviso. – sorrio malignamente – O Akira é meu.

...:Normal POV:...

- Oi, minha gatinha. – Amu cora violentamente ao ouvir a voz e sentir os lábios de Ikuto nos seus.

- O-oi. – ela gagueja, nervosa. Era sua primeira vez em toda sua vida que iria comemorar mesmo o dia dos namorados. Os outros anos, ela sempre ficava com o Kyou e seus amigos, bem, com os que não tinham namorada. Mas esse ano, ela ficaria com o Ikuto! O dia inteiro, só os dois. E acredite, ela estava tão ansiosa que quase não conseguira dormir a noite passada.

- Pronta? – ele sorri, entregando-a o capacete de sua moto.

- Sim! – ela sorri animadamente, colocando o capacete o mais rápido possível em sua cabeça, tão rápido que enganchou em seu cabelo. Ela gemeu de dor, atraindo a atenção do namorado, que sorriu, vendo a ansiedade dela.

- Tsk, tsk – ele sorri mais ainda ao vê-la lutando contra o capacete – Amu, você não precisa ficar tão ansiosa. O dia será inteirinho nosso. Ninguém irá interromper.

- M-mas… Mas eu quero aproveitar ele todinho! – ela diz, ainda tentando tirar o capacete de sua cabeça, mas ele não estava exatamente colaborando.

- Não se preocupe. O que importa é ficarmos juntos, certo?

- S-sim. Desculpe, é que eu estou ansiosa mesmo. É minha primeira vez. – ela murmura envergonhada, sentindo os dedos dele em seu cabelo, tirando o capacete e recolocando-o com perfeição.

- Pronto, linda como sempre. – ele sorri.

- O-obrigada. – ela sorri timidamente, assistindo ele se virar para subir na moto, mas de repente ela puxa o braço dele, virando-o e sapecando um beijo na boca dele. Corando ao ver o olhos surpresos dele, ela sussurra – Obrigada por passar o dia comigo.

- De nada. – ele sorri, puxando-a e beijando-a mais uma, ou melhor, várias vezes.

Em apenas meia hora, eles estavam em frente a um gigante parque de diversão. Amu estava sorrindo de ponta a ponta, tanto que pensou que seus lábios partiriam. Ela estava tão feliz! Passar o dia inteiro com Ikuto no parque de diversões seria tão incrível. Mas como será que ele sabia que ela gostava tanto de parque de diversões? Ela o olha, curiosa e então vê o sorriso no rosto dele enquanto a olha.

- Sabia que gostaria. – ele segura sua mão.

- Ahãm! – ela balança a cabeça vigorosamente, olhando para os lados, tentando decidir em qual poderiam ir primeiro – Qual você quer ir?

- Ali. – ele aponta para um brinquedo a alguns metros da montanha russa, sorrindo maliciosamente ao ver o sorriso no resto dela sumir.

- N-na casa do t-terror?

- Yep, lá. – ele me olha – Medo?

- N-não… — vejo a sobrancelha dele se erguer — Não estou! — ele continua olhando-a — Ikuto, não estou com medo! Para de me olhar desse jeito! – ela bate o pé como uma criança zangada, fazendo-o rir – Não r-ria!

- Hahah… Vamos, Amu – ele diz, puxando-a pela mão, mas ainda sorrindo, um resquício da risada.

- Ikuto? – ela chama, seus olhos sempre olhando para frente, sem coragem de encará-lo.

- Yeah?

- Não solte a minha mão.

- Nunca, Amu. Nunca vou soltar você. – ele responde num sussurro, apertando com força sua mão e fazendo-a ter certeza de que o que disse é verdade.

~Horas depois~

- Por favor?

- Sem chance.

- Mas Amu!

- Eu já disse não, Ikuto. – ela vira o rosto, ignorando o hálito de menta e chocolate que estava bem pertinho de seu rosto.

- Por que não?

- Todo mundo está vendo!

- Então está tudo bem se ninguém ver? – ele sorriu, satisfeito por ter encurralando-a.

- S-sim… Se ninguém v-ver… tudo bem. – ela admite, vermelha.

Eles já tinham se beijado algumas vezes aquele dia, mas por alguma razão, ela sentia como se não tivesse sido suficiente. Ela queria mais. Mais beijos, mais abraços, queria sentir mais o toque de Ikuto e escutar a voz dele em seu ouvido, sussurrando coisas pervertidas. Claro, ela ficava muito embaraçada quando isso acontecia, seu coração acelerava tanto que ela tinha certeza de que ele podia ouvir e suas pernas ficavam bambas, mas ela gostava. Por que? Porque era o jeito dele de dizer que ela era especial, que se importava com ela e que a amava. Mas ela nunca, nunquinha, diria isso a ele.

- Vamos. – ela sente um puxão em sua mão, e o segue, olhando para o chão.

- Onde estamos indo?

- Um lugar em que ninguém nos veja e eu possa beijar tanto você que o vermelho nas suas bochechas vai ficar permanente. – ele sorri maliciosamente, e mesmo não olhando, sabia que a garota já estava corada.

- Seu pervertido!! – ela grita, mas não faz nada pra impedi-lo.

As horas passam, os dois se divertiam, Ikuto a beijava e recebia um corado em troca, Amu o chamava de pervertido, ele ria, e a beijava de novo. Ambos já haviam ido em todos os brinquedos, exceto a roda gigante, a qual Ikuto havia feito questão de deixar por último. A vista lá de cima da cidade era sempre mais bonita a noite e ele queria que aquela fosse a última memória dos dois no parque.

- Ikuto? – ele vira o rosto, olhando para a garota em seu colo.

- Hm? – ele sorri.

- Obrigada por me trazer aqui hoje. Eu me diverti muito.

- Eu também, Amu. – ele beija seus lábios – Eu também.

- Ikuto? Posso pedir uma coisa?

- O que? – ele a olha, curioso.

- Feche os olhos.

- Você vai me atacar, Amu-koi? – ele pergunta maliciosamente, mas fingindo estar chocado.

- Não, seu pervertido! – ela resmunga, batendo em seu peito – Apenas feche os olhos!

- Okay. – ele fecha, esperando.

- Não abra de jeito nenhum, viu? – ela avisa e ele sorri.

Ikuto escuta um barulho de algo se abrindo, e então o barulho de algo parecido com papel sendo amassado, sentindo um doce cheiro invadir seus sentidos. Um cheiro tão bom quanto o de Amu.

- Não olhe. – ela diz de novo, mas dessa vez ela parecia estar com algo na boca.

- Amu, o que voc… — ele é interrompido pelos lábios da garota nos seus, a língua dela abrindo caminho em sua boca, entrando e se enroscando na sua de uma maneira que ele nunca havia pensado ser possível dela fazer. O gosto de chocolate invadiu sua boca e ele logo reagiu ao beijo, agarrando a cintura da garota com uma mão e o pescoço com a outra, trazendo o corpo dela para mais perto do seu, tão perto que ele podia sentir o ‘thump, thump’ de seu coração. E caramba, ele amou aquilo.

Suas línguas batalhavam, eles lutavam contra a necessidade de respirar, querendo continuar ali para sempre, unidos por aquele beijo de chocolate. Infelizmente, seus pulmões não concordavam.

- Owo… — Ikuto suspira, sentindo o ar retomando a seus pulmões com toda força, forçando-o a ofegar. Ele olhou para Amu, vendo em um mesmo estado, talvez um pouco pior, já que ela não estava tão acostumada com beijos desse tipo. Ele sorriu, pensando em como ela era a única que podia fazê-lo ficar literalmente sem ar.

- Você… gostou? – ela pergunta timidamente, ainda com dificuldade para respirar.

- Acho que deveríamos praticar mais até não sentirmos falta de ar. – ele responde maliciosamente, fazendo a garota corar. – Isso é um não?

- N-não…

- Não? – ele ergue a sobrancelha, surpreso.

- Eu quis dizer sim… o beijo… mais. – ela sussurra, aproximando-se dele, que desfaz a distância, selando seus lábios.

O mundo pareceu se desfazer lentamente enquanto se beijavam. Amu não conseguia ouvir, ver ou sentir nada que não fossem os lábios e as mãos de Ikuto. Ela adorava quando o garoto acariciava seus cabelos enquanto a beijava. Mas algumas vezes, os dedos dele tocavam um ponto em sua nuca que criava uma corrente elétrica em sua espinha, fazendo-a estremecer e soltar leves gemidos.

- Não tenho nada contra continuar beijando você – Ikuto murmura, seus lábios roçando no dela, que estavam vermelhos por causa dos vários beijos – Mas se quiser ir na roda gigante, deveríamos ir agora, se não o parque irá fechar.

- Okay… — ela sussurra, vermelha, levantando-se e observando o garoto imitá-la, mas ao invés de andar, ele continuou parado – Ikuto?

- Por que as pessoas estão olhando para nós? Não tem nada de errado com um casal se beijando no dia dos namorados. – ele fala, passando um braço ao redor dos ombros dela e lançando um olhar irritado e ameaçador para o homens que encaravam sua Amu.

- Não estão olhando para nós. É para mim. Mais cedo alguns fãs me reconheceram. – então ela percebeu os olhares femininos, e eles não pareciam nada com um olhar de admiração e respeito. Estavam mais para desejo e luxuria.

Sorrindo, ela agarrou a cintura de Ikuto, que estranhou imediatamente, mas percebeu a razão e sorriu. Se ele apenas soubesse antes que a única coisa que precisava fazer para ela agarrá-lo era fazê-la sentir ciúme…

- Vamos. Lá dentro será só nós dois, sem ninguém olhando nem interrompendo. – ele a olhou, sorrindo maliciosamente – Só eu e você. Num pequena cabine.

- P-pa-para com i-isso! Seu pervertido!

- Eu apenas disse os fatos. Se você pensou em algo mais, bem, a pervertida é você, não, Amu-koi? – o garoto sussurrou seu nome em seu ouvido e imediatamente o rosto da garota corou.

- E-eu não estava p-pensando em n-nada! Va-vamos logo! – ela o solta, andando na frente e ignorando-o completamente. Ikuto sorriu, observando a garota a sua frente, mas não era um sorriso feliz.

Após alguns minutos, eles estava dentro uma cabine, com dois bancos, um de frente para o outro e subindo. A vista se revelava de uma forma maravilhosa, com todas as luzes da cidade ligadas, os prédios se erguendo um atrás do outro e formando uma espécie de labirinto de concreto, e para completar, a lua cheia, para iluminar todo o céu e fazer os olhos de Amu brilharem em admiração. Como algo tão bonito como aquilo podia existir?

- É tão bonito… — ela sussurra, com as mãos no vidro. Era a única coisa que lhe impedia de pular para fora daquela cabine e testar a sua capacidade de voo, para ver se conseguia flutuar sobre a cidade. Bem, isso e o fato de que ela com certeza morreria se tentasse.

- É realmente muito bonita. – ela se vira ao ouvir a voz de Ikuto, ficando imediatamente vermelha ao perceber que ele a olhava e não a cidade.

- V-você acha que nós vamos parar no topo?

- Yep. – ele sorri – Venha aqui, sente do meu lado, hm? – ele bate no espaço ao seu lado e timidamente a garota obedece.

- Ikuto? – ela sussurra após um tempo. O necessário para eles já estarem quase no topo.

- Hm? – ele a olha. Topo.

- Feliz dia dos namorados. – ela sorri, esticando o pescoço e beijando seus lábios. Quando estava se afastando, Ikuto a agarrou, abraçando-a com força. Era quase imperceptível, mas Amu podia ter quase certeza de que o garoto estava tremendo.

- Eu amo você, Amu. – ele sussurra, com uma voz que parecia quase desesperada – Eu amo você. Nunca esqueça disso, ok? Nunca esqueça que eu te amo. Não importa o que aconteça, não importa o que eu diga ou faça, por favor, não esqueça que eu amo você e sempre amarei. Sempre. – a cada frase ele a apertava com mais força contra seu peito, quase como se esperasse que seus corpos se fundissem.

- I-ikuto? – ela sussurra, feliz com a confissão, mas ainda assim confusa. Por que soava tanto como um adeus?

- Eu amo você, Amu. Eu amo você…

A volta para casa foi tão silenciosa quanto poderia ser. Nenhum dos dois falou nada, nem mesmo sorriu e se pudessem, acho que não teria respirado também. Era como se qualquer barulho fosse quebrar todo aquele momento, destruindo-o em pedaços irreparáveis. Para falar a verdade, Amu ainda estava pensando na confissão de Ikuto dentro da roda-gigante. Fora tão bonito o que ele falara, mas ainda assim tocou um aparte de seu coração que não era para ter sido trocada. Uma parte que a fazia temer o que estava por vir. Quase como se aquilo tivesse sido o presságio de algo ruim. Ela realmente não gostava disso. Sentia como se estivesse desrespeitando os sentimentos de Ikuto ao sentir medo quando devia estar explodindo de felicidade, mas ela não conseguia evitar. Ela realmente desejava estar apenas imaginando aquilo tudo. Quer dizer, ele tinha dito que a amava e que sempre o faria. Ela estava feliz. Muito. Mas ainda assim aquilo não parecia normal. O garoto não tinha feito nenhuma de suas brincadeiras e provocações pervertidas as quais ela tinha certeza de que ele faria uma vez que estivessem dentro da cabine; ele não tentou beijá-la nenhuma única vez, apenas ficou ali, segurando-a em seus braços, como se esperasse que o tempo congelasse naquele momento e eles ficassem eternamente juntos. Se fosse possível, ela com certeza aprovaria isso, parar o tempo para eles, para viverem para sempre naquele amor, nos braços dele, sentindo sua fragrância masculina, sua respiração quente em seu pescoço, seus cabelos azulados, quase da cor do céu da noite, roçando em seu rosto; suas mãos, uma em sua cintura e a outra em seus cabelos, acariciando-os. Era a melhor sensação do mundo estar nos braços de Ikuto.

Quando seus pais morreram junto com sua irmãzinha, uma parte de seu coração fora com eles. Então ela encontrou Kyou e pensou ser capaz de viver sem esse pedaço, mas ele também a deixou, e novamente outra parte de seu coração a deixou. E então chegou Ikuto. Com seu sorriso malicioso, sua arrogância naturalmente atrativa, suas brincadeiras e provocações, seu modo de agir como se não desse a mínima para os outros e para o mundo e só se importasse com o que queria.

No começo, pensou que ele era apenas mais um filhinho de papai, mimado e arrogante que pensava que o mundo girava ao seu redor. Mas então foi conhecendo-o, vendo seu lado carinhoso e preocupado, seu lado tímido e pervertido, sua possessividade com o que amava e o quanto se esforçava para proteger seus amigos, sua irmã e todos os que lhe eram de alguma forma importante. Ele podia até ser meio arrogante e teimoso as vezes, mas ei!, aquela era sua maneira de ser. Todo mundo tem defeitos. E foi exatamente isso que fez Amu se apaixonar perdidamente por ele. Ela…o amava.

- Chegamos. – a voz fria de Ikuto a desperta de seus pensamentos e ela olha ao redor, vendo sua casa. Amu desce da moto, tirando o capacete e dando para ele.

- Muito obrigada pelo dia, Ikuto. Foi muito divertido. – ela lhe mostra seu melhor sorriso, realmente feliz por ter podido passar tanto tempo com ele.

- Que bom que gostou. – ele sorri, mas logo fica sério, com uma expressão sem sentimentos e fria – Porque não acontecerá de novo.

- Eh? – ela recua, surpresa com a mudança de clima.

- Exatamente o que escutou. Essa vai ser a última vez que levo você para qualquer lugar. Na verdade, seria a última vez que nos veríamos, mas como estudamos na mesma escola e você é amiga da minha irmã, não posso dizer isso.

- I…kuto? E-eu nã-não entendo… O que…

- Sério, para a primeira do colégio, você é bem lenta, não? – ele sorri sarcasticamente – Eu vou ser mais direto para você poder entender: Eu estou terminando tudo com você.

- Eh? – os olhos da garota se arregalam e ela o encara sem palavras.

- Você não vai chorar, vai? Eu odeio quando vocês garotas choram feito uma desesperadas, gritando que me amam e que eu não posso fazer isso. – ele fala para si mesmo, revirando os olhos.

- Ah… — ela começa a rir, no começo sem sentimento, mas então ri mesmo – Entendi! Isso é uma brincadeira né? Você ta só brincando, não é Ikuto?

- Brincando? – ele ergue uma sobrancelha – Yeah, eu estava brincando com você. Mas ficou chato e to caindo fora.

- Muito engraçado Ikuto, mesmo. – ela sorri – Pode parar.

- Se esse é seu jeito de se consolar, vá em frente. Não quero perder meu tempo aqui.

Então ela percebeu. Ele não estava brincando. Nem um pouco. Seu rosto estava muito sério. Ele realmente queria terminar tudo com ela.

- Eu não…entendo. F-foi alguma coisa que eu fiz? Por que você está fazendo isso?! – as lágrimas já estavam se formando em seu rosto, mas ela não as permitiria cair.

- Diversão. Fiz uma aposta que conseguia levar você para a cama em três meses. No começo até que era legal, mas ai ficou chato e eu resolvi desistir. Sabe, tem muitas mulheres que simplesmente vem rastejando até mim para poder dormir comigo. Para que perder tempo com isso? – ele da de ombros, como se fosse a coisa mais obvia do mundo.

- M-mas… Mas e quando você ficou com ciúme? E quando disse que…me amava?

- Ah, isso? Eu estava só atuando. Tinha que conquistar você, ne? E que melhor jeito do que dizer coisas melosas como essa? – ele sorri – Sou um ótimo ator, não é? Você não suspeitou sequer por um segundo. Agora sabe porque o Kazuma sempre perdia para mim, ainda perderia se eu competisse com ele hoje.

- F-foi tudo m-mentira? – ela gagueja, sentindo sua visão falhar por alguns segundos – Tudo? Quando disse que me amava, quando sorria para mim, quando disse que eu era a melhor coisa que tinha acontecido na sua vida… Você mentiu sobre tudo isso?

- Pois é. Ah, por favor, não começe a chorar. – ele reclama arrogantemente – Não é como se você esperasse que a gente ficasse junto para sempre, ne?

- Não posso acreditar… Você mentiu para mim. Todo esse tempo…Tudo foi mentira…

- Você agora provavelmente me odeia agora e quer chorar a noite inteira, me xingar e mandar pragar para mim. Bem, pense antes: a culpa é sua por ter acreditado tão facilmente assim em alguém.

- …também?

- O que? – ele pergunta, sem ter escutado.

- Hoje também foi mentira? Todos os beijos, tudo o que me disse? Toda as vezes que repetiu que me amava na roda gigante?!

- Ahh, você finalmente ta entendendo as coisas. Que bom, um avanço nunca é ruim.

- Por que…? Por que fazer tudo isso por alguém que você nem gosta?

- Ah, eu senti pena de você. — ele da de ombros – Olha, você é legal e tudo e foi divertido no começo, mas agora… é hora de partir para outra. Entendeu?

- …

- Ótimo. – ele liga o motor da moto e sem lhe lançar nem mesmo um olhar, ele acelera e desaparece na escuridão, levando consigo outra parte do coração de Amu.

Notas finais
Reviews? Feliz natal e ano novo!!!