Black's Justice
2 Marcos
Notas iniciais
4 de Março de 2021
— Full House, cavalheiros!
— Muito bem, mas acho que um Straight Flush é uma boa pedida para uma aposta grande, não acha?
— Isso é sério? Porra, eu não consegui nada!
— Uma dupla de Reis, e dupla de Damas, é tudo o que tenho, e vocês estão reclamando?
— Eu reclamo sim, um Full House! Quem tem a habilidade de perder com Às e Valetes fazendo um Full House?!
— Mais sorte na próxima, quem sabe uma aposta maior te dê mais sorte.
Um homem abre a porta para chamar-me.
— Dog, o chefe tá te chamando, tá na hora.
— Depois de perder com um Full House eu vou com prazer.
— Sismou com o Full House né?
— Fica quieto aí que você nem tinha nada.
— Dog!
— Tô indo!
Dog, um bom apelido aqui dentro, obviamente esse não é o meu nome, mas apelidos pegam rápido aqui, então poucas pessoas me conhecem pelo nome, e quem fala meu nome normalmente tem uma certa afinidade ou superioridade. Marcos, eu sou o Marcos, bem vindo a maior máfia da cidade de Sphynx, estou aqui há 2 anos, pode-se dizer que eu cresci um pouco rápido aqui dentro, mas não o como eu queria, parei aonde estou há mais ou menos 5 meses, não consigo mais subir aqui dentro desde então, e isso está começando a me frustrar.
— Me chamou chefe?
— Marcos! Sim, chamei você, precisamos conversar, sente-se! Como foi o jogo?
Uma cadeira de couro em uma sala bem grande, o chefe estava em uma cadeira atrás da sua mesa, atrás dele tem uma janela com vista para a cidade, está tarde, e o tempo não é o dos melhores, estava chovendo um pouco, mas não estava difícil de ver a cidade. O chefe nem mesmo olhava para mim, estava hipnotizado com vista da chuva sobre a cidade.
— O jogo foi mal pra mim, tenho quase certeza que o Michelangelo está trapaceando, ele conseguiu um Straight Flush bem com aposta alta! Eu tinha um Full House, como alguém tem tanta sorte assim?
— Esqueceu do porque o nome dele é esse?
— Acabei de lembrar...
Michael é um mestre da enganação, o faz de uma forma imperceptível, sempre atento aos mínimos detalhes, sempre que o chamamos de trapaceiro, ele diz a mesma coisa, "Trapaceiro não, artista!". Um silêncio ficou por um tempo, o chefe parecia estar com um crucifixo na mão, eu já não sabia direito o que esperar.
— Não me chamou apenas para perguntar sobre o jogo, né? — Ele virou para mim na mesma hora.
— Marcos sabe qual a coisa que mais me fascina na Igreja Católica? — Fiquei em silêncio — O fato de que a igreja passou por diversas eras, diversas dificuldades, e conseguiu se moldar para não cair, perceba, ela está aqui até hoje. Eu quero que minha família seja ainda maior do que a igreja católica, apenas não maior do que Deus em si. Estamos passando por momentos difíceis Marcos, a estrutura da minha família está sendo ameaçada e precisamos nos moldar. Compreende?
— Compreendo sim, mas não entendo o que eu devo fazer.
— Seu setor, a área a qual eu confiei a você para cuidar, sofreu mais um ataque ontem, por sorte nada importante estava lá, mas você tem alguma ideia do quão importante é isso?
— Se algo importante estivesse lá seria algo preocupante...
— Acho que você não entendeu, eu estou pouco me fudendo se tinha algo importante lá, há alguém desafiando a máfia diretamente, desafiando a minha família, já tem 2 semanas que esse mesmo cara ataca o SEU setor, e eu quero saber o seguinte, por que ele não está morto ainda! — Não sabia como reagir, apenas abaixei a cabeça.
— Perdoe-me senhor, vamos matá-lo, eu prometo. — O chefe sorriu e me olhou.
— Não faça promessas as quais não pode cumprir, o que você vai fazer? Nada, eu presumo. Você não passa de um cão, faz jus ao seu apelido! Eu já liguei para nosso pessoal na polícia, eles já estão cuidando disso, por sorte, ninguém sabe que o lugar atacado era nosso. Mas não foi nada graças a você.
— Entendido, chefe...
— É bom que você tome alguma providência, se não eu te jogo de volta no buraco de onde veio, ou pior. Agora, saia daqui e cuide disso agora!
— Sim senhor...
Sai da sala frustrado, eu imaginei que a essa altura eu já sabia que não conseguiria ir para frente de forma alguma, eu precisava fazer algo a respeito, mas o que fazer? Michelangelo estava me esperando do lado de fora.
— Deixa eu adivinhar, você não cuidou daquele cara e o chefe está emputecido com você, acertei?
— Na mosca...
— Se quiser uma ajuda, meu setor é o do seu lado, posso mandar um pessoal para lá.
— O chefe só brigaria com você, seu setor ficaria desprotegido, e o seu é um dos mais importantes, então não, vou ter que cuidar disso sozinho.
— Qualquer coisa, tem minha proposta, eu me viro depois, e não vou ser atacado, a sorte está sempre mais comigo do que com você, não é?
— Você trapaceia, não é ter sorte.
— Apenas faço as melhores obras de arte, e cuidar de dois setores por um amigo, é um trabalho e tanto.
— Te ligo qualquer coisa então.
— Se cuide, vai saber de quem esse cara aí está atrás.
— Eu sei, você também amigo
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