Beyond the Vengeance

31 Queimando o ninho de Ortro


Notas iniciais
E aí galera, tudo certo? Muita coisa para falar pra vocês. Videm as notas finais. O nome do capítulo, assim como partes dele, é uma referência (tá bem fácil na minha opinião u.u) *cliquem no link no meio da história, vai ser uma dica e tanto para quem ainda não entendeu a referência =P (cliquem com o botão direito e abram em outra guia, o opção de destino do link bugou) Boa leitura.

— Como posso ter escolhido a pior arma? — perguntei.

Mike bufou irritado.

— A menos que você queira matar um urso, esse revólver não vai adiantar de nada!

Olhei pra ele sem entender.

— Escute: esse revólver foi desenvolvido especialmente para matar ursos. Ele é originalmente feito em uma empresa brasileira chamada Taurus, nós somente demos um acabamento melhor nas peças. O acabamento da original não é grande coisa, na verdade várias outras armas da marca tem defeitos.

— Ok, mas eu ainda não entendi por que eu escolhi a pior arma.

— É a pior arma pra essa situação por vários motivos. Primeiro: ela é pesada e exige certa experiência, coisa que você não tem — não havia como argumentar contra aquilo — Ela é muito poderosa. Acho que foi por isso que você a escolheu. Mas apesar de você estar certo sobre a potência da arma o resto está tudo errado. Pra um atirador novato como você, uma snub nose seria perfeita. Com pouco recuo, precisa e suficiente para vencer o duelo, já que você não tem que matá-lo. Nós usamos uma munição especial não letal. Dói bastante, mas não mata e raramente fere alguém — Mike fez uma pausa para ter certeza de que eu estava entendendo, assenti e ele continuou — Já a arma que você escolheu não é tão precisa, tem um recuo enorme e, como é pesada, vai demorar uma eternidade para você sacá-la.

Queria que Mike tivesse me dado outro soco. Naquele momento eu queria socar a mim mesmo por ter me deixado levar pela conversa de Alex e, principalmente, pelo meu orgulho.

— Você pode dar alguns tiros antes pra pegar a prática, mas não vai ser suficiente até amanhã. Aliás, você pode ficar com o revólver, mas eu vou querer a pistola de volta.

Houve um momento confuso em que eu não entendi sobre o que ele estava falando, mas logo ele se foi. A Colt M1911 ainda estava comigo, presa no cós da calça. Eu a devolvi para Mike e subitamente me lembrei do porque de estar ali.

— Mike, preciso conversar com você.

Expliquei para ele toda a situação. Falei sobre Liza, sobre seu sequestro, a pista que havia me deixado e como ela tinha me levado até ali. Falei também sobre a Ordem e o que eles andavam fazendo por aí enfeitiçando garotas. Quando terminei Mike tinha uma expressão extremamente séria no rosto.

— Isso é ruim. Por tudo que você disse e o que tem ocorrido nos últimos dias… Talvez eu tenha vendido minhas próprias armas para eles. Não tenho nada a ver com o acampamento, mas todos na minha empresa são semideuses. A maioria deles nunca foi para lá, mas alguns fugiram. Se conseguirem acabar com o acampamento e se virarem contra nós… não teremos chance.

— Temos que fazer alguma coisa — eu disse.

Mike pensou por um momento.

— Talvez tenha uma coisa — ele disse — Foi uma quantidade muito grande de armas. Logicamente eu fiquei desconfiado. Tentei saber de onde eles tiravam tanto dinheiro. Ouvi um boato de que era dinheiro de tráfico. E parece que eles têm uma fazenda, um pouco longe daqui, mas dá pra ir de carro. Talvez tenham levado as armas para lá – ele fez uma pausa — Isso é outra coisa estranha, eles mesmos vieram buscar as armas.

— Podemos ir lá verificar?

— Amanhã de manhã. Se formos enfrentar tantas armas eu prefiro pegá-los de surpresa.

Acordei extremamente cedo. Mike havia me mostrado o segundo e terceiro andares inferiores. Ambos eram dormitórios. Os quartos eram simples, com dois beliches em cada um. Como não havia tantas pessoas pude pegar um quarto só para mim. Não havia nenhum movimento nos corredores, todos estavam dormindo. Como já estava de pé, resolvi caminhar. Peguei o elevador e fui para o primeiro andar. Fui até a enfermaria ver como estava Jennifer. Ela ainda estava dormindo. Achei bom não acordá-la. Seu tornozelo não estava mais inchado e parecia estar bem. Numa mensagem de Íris com Gina, descobri que pouco poderia fazer sem um raio-X, mas que se houvesse uma melhora rápida não precisaria levá-la ao médico, bastava repousar.

— Ah, aí está você! — Mike disse entrando na enfermaria.

— Shh! — disse apontando para Jennifer. Ela permaneceu adormecida.

— Estava te procurando para irmos á fazenda — ele disse num tom mais baixo.

— Ok, vamos então.

Para alguém que tinha uma empresa daquele tamanho, o carro de Mike fazia jus ao resto. Era um incrível Dodge Charger 1970 preto com listras prateadas na traseira. Mike sentou no banco do motorista enquanto eu entrava pela porta do passageiro.

— Pronto para enfrentar um exército armado? — Mike perguntou.

— Claro que sim, senhor Toretto — brinquei.

— Retire a parte do senhor e estamos bem. Trouxe o revólver?

— Sim.

— Então pegue algumas balas — ele disse tirando-as do bolso.

Eram as maiores balas de revólver que eu já tinha visto na vida. Tinham praticamente o tamanho do meu polegar. Ainda um pouco sem jeito coloquei as balas no tambor. Cinco no total. Não pude deixar de notar em como ela estava pesada com a munição.

Mike deu a partida no carro e saímos. A cidade passava rápida por nós. Mike gostava de andar no limite de velocidade, claramente aproveitando o máximo que podia daquele motor. Não prestei muita atenção no caminho. Quando me dei conta a cidade já havia dado lugar a uma estrada um tanto solitária. Mike aproveitou para correr livremente. As poucas casas que beiravam a estrada deram lugar para o mato. Mike virou em uma estrada de terra e parou.

— Daqui pra frente é melhor sermos silenciosos — ele disse.

Concordei e estava pronto para seguir pela estrada, mas Mike voltou para o carro para pegar algo no porta-malas. Dei uma olhada no que ele estava mexendo.

— Você não pode estar falando sério!

Mike sorriu ao me entregar um dos “dispositivos”. Era basicamente uma comprida lata pressurizada com um cano preto na frente da saída do produto. Havia um pequeno pedaço de arame com algodão na ponta do cano. Eu não fazia ideia do que tinha dentro das latas, mas só podia ser algo inflamável.

— Lança-chamas? — perguntei.

— Vamos atacar onde mais doí neles, no bolso. A última coisa que quero é que consigam mais armas com dinheiro de tráfico.

Assenti lentamente compreendendo o plano de Mike. Ele pegou uma mochila e me entregou.

— Tem outras latas aí dentro e um isqueiro, se precisarmos. Você as carrega, mas se ouvir um tiro abandone a mochila e corra. Se alguém te acertar a mochila vai virar uma bomba instantânea. Eu vou dar cobertura e voltamos para o carro assim que pudermos.

Sinalizei que havia entendido e nos pusemos a andar. A estrada de terra era longa, mas em pouco tempo conseguimos ver a fazenda. O sol havia acabado de nascer e lançava raios alaranjados em uma grande plantação. Como Mike havia previsto, uma plantação de maconha. Esgueiramo-nos pelos cantos da plantação tentando avistar a única casa que havia ali. Uma casa de madeira de tamanho considerável. Calculei que poderia abrigar uma dúzia de pessoas facilmente.

— Parece que não há ninguém — Mike disse.

A casa parecia deserta, assim como o resto da fazenda. Tudo estava quieto. Mike ajustou o lança-chamas nas mãos.

— Pronto pra queimar alguns milhares de dólares?

Make it Bun Dem!

Corremos para as plantações. Elas estavam dispostas em várias fileiras. Mike e eu nos dividimos um em cada fileira. Rapidamente apanhei o isqueiro na mochila e coloquei fogo na ponta do algodão. Mirei nas plantas e apertei a ponta da lata pressurizada, liberando um forte jato de algo que pegou fogo instantaneamente, lançando uma enorme coluna de fogo nas plantas. Em questão de segundos tudo a minha frente estava carbonizado e o fogo se alastrava para as plantas mais próximas. Girei para outra fileira e ateie fogo na mesma. O ar se infestou com o cheiro de maconha queimando. Gotas de suor se formavam em minha testa devido ao calor. Avistei Mike correndo para outra fileira e começando a queimar a plantação. Algo grande e rápido corria em sua direção, ele não havia visto.

— Mike, cuidado! — gritei.

As chamas atrapalhavam minha visão. Através delas vi uma grande silhueta atacar Mike. Ele tentou se esquivar, mas a coisa o acertou na perna e ele caiu. Mike usou o lança-chamas para afastar a criatura, mas sua carga estava quase no fim. Corri para ajudá-lo.

Num primeiro momento achei que tinha visto um cão infernal, mas estava errado. Era um cachorro enorme, os dentes tão afiados ou mais do que os de um cão infernal, mas as semelhanças acabavam por aí. Nunca pensei que veria um cão infernal com um olhar agradável, mas aquele cachorro tinha um olhar dez vezes mais raivoso. Andava com os grandes dentes afiados à mostra. Porém o mais horripilante era sua cabeça… ou o par delas. Duas cabeças idênticas e raivosas mirando em Mike. Estava longe demais para usar o lança-chamas. Tudo aconteceu rápido demais.

O cão raivoso atacou. Larguei o lança-chamas e saquei o revólver. Engatilhei-o rapidamente e atirei, não tive muito tempo para mirar.

— Ah! — gritei largando a arma.

Uma incrível dor tomou conta dos meus dedos. Era como se eles tivessem sido esmagados por uma porta no batente. Por um momento achei que havia quebrado algum osso, mas consegui movimentá-lo normalmente.

Mike se arrastava na minha direção, sua perna esquerda machucada. O cão havia caído de lado com o impacto da bala. Ele gania horrorosamente enquanto se debatia e um lado para outro tentando ficar em pé.

— Precisamos sair daqui! — Mike gritou chegando perto — Jogue a mochila fora! E se precisar atirar use as duas mãos dessa vez. E segure firme.

Comecei a tirar a mochila, mas vi que o cão havia levantado. Ele rosnou para nós começando a correr. Livrando-me da mochila, eu a atirei na direção do cão. Apanhei o revólver novamente e o segurei com as duas mãos. Mirei e atirei. Minha mão foi novamente jogada para trás com violência, mas dessa vez eu estava preparado. A bala atingiu a mochila no momento que o cachorro passava por ela. Houve uma grande explosão que espalhou as chamas por toda parte. O cão se desintegrou em pó. Mike e eu ficamos chamuscados pelas chamas da explosão. Ajudei-o a levantar e começamos a andar precariamente. As chamas quase nos cercaram por completo, deixando um pequeno espaço para passarmos. Quando finalmente saímos de lá, pudemos olhar o que havíamos feito: praticamente toda a plantação estava em chamas e o fogo se alastrava cada vez mais. A casa de madeira estava perigosamente perto do fogo, mas parecia não haver ninguém lá.

— Não é à toa que não há ninguém — comentei — colocaram o cão de guarda mais feroz da antiguidade para proteger a plantação.

Chegamos ao carro em alguns minutos. Mike havia sido arranhado pelas garras do cão e a dor o impedia de pisar firme no chão. Tive que dirigir de volta, embora Mike tivesse que me indicar o caminho. A primeira a nós receber foi Sarah, a secretária de doze anos. Ela ficou completamente maluca ao ver Mike ferido, mas ele a acalmou dizendo que estava bem. Ela nos ajudou a chegar ao elevador, todos queriam ver como Mike estava, mas isso foi justamente o que nos atrapalhou. Porém Sarah demonstrou um talento nato para gritar, xingar e empurrar. Ela quis descer junto, mas Mike disse para que ela voltasse ao trabalho, assim como todo mundo.

Descemos no primeiro andar e levei Mike até a enfermaria. Jennifer se espantou com o estado de Mike, mas no fim me ajudou a achar tudo que precisava. Como ela mesma havia dito, passando tanto tempo lá sem nada para fazer ela acabou memorizando onde ficava cada coisa. Quando finalmente terminei de cuidar do ferimento de Mike, ele me agradeceu:

— Obrigado por cuidar da perna inútil. Tem certeza de que não quer ficar aqui na enfermaria? Já é o segundo paciente que você atende.

Não soube dizer se Mike estava dizendo a verdade ou brincando.

— Não diria isso se algum de vocês morrer com alguma infecção.

Mike deu uma risada fraca, ainda incomodado com a dor.

— Pegue aquelas muletas pra mim — ele disse apontando — Não vou ficar aqui parado de jeito nenhum.

Fiz o que ele pediu e entreguei as muletas para ele. Sem dizer mais nada ele saiu da enfermaria, deixando Jennifer e eu a sós. Ela olhou para mim com um olhar sério.

— Terry, acho que sei de onde podemos tirar nossa próxima pista.

Notas finais
Primeiramente eu queria muito a agradecer ao Instituto Defesa: https://www.defesa.org/ Grande parte dos meus conhecimentos sobre armas de fogo veio deles, então fica a dica para quem se interessar. O site tem praticamente de tudo sobre o assunto. Mudando de assunto: estamos em tempos (sombrios) decisivos para a fic, estou tendo alguns problemas pessoais, profissionais e, como eu tenho muita sorte, no meio de tudo isso surgiu um bloqueio de escritor (não tinha como ficar melhor, né?). E sim, eu só continuo a postar porque tinha capítulos adiantados. Eu já tinha pensando em fazer isso muito antes de toda essa merda acontecer, eventualmente eu desisti porque vocês (seus lindo(as)) me deixaram animado o bastante para escrever todo o dia, mas agora eu tô bloqueado e eu pensei em tomar essa medida novamente, que seria parar a fic por um tempo, meio como o fim de uma "temporada". Enfim! Ainda temos alguns capítulos pela frente e eu vou pensar direitinho no que vou fazer. E eu espero muito a opinião de vocês sobre isso, na verdade sobre tudo, porque vocês que fazem tudo isso acontecer. Aproveitando o assunto: se você, por algum motivo, não quer deixar nada nos comentários, ou quer falar sobre outra coisa qualquer, vocês podem me contatar via MP, respondo todos, sem exceção. Ou se você preferirem eu tenho o meu Twitter, o link tá lá no meu perfil. Principalmente nesse tempo que a fic tiver parada vai ser bom para eu ter um meio de contato com vocês para dar alguns avisos. Se você leu até aqui (você é um mestre em paciência) muito obrigado pela atenção e por ler o capítulo. Espero o feedback de vocês, por qualquer meio, não necessariamente um comentário. Muito obrigado e até a próxima!