Beyond the Vengeance

32 É hora do duelo!


Notas iniciais
E aí galera, tudo certo? Infelizmente esse será o penúltimo capítulo desta temporada, mas não darei a fic como terminada. Será simplesmente uma pausa. Boa leitura.

— Como é que é?

— Alex veio me incomodar enquanto vocês saíram — Jennifer disse — Foi completamente repugnante, mas depois de ameaçá-lo com a faca duvido que chegue muito perto novamente. Mas isso não foi o problema. Ele me falou sobre onde vocês tinham ido. Ele disse saber algumas coisas sobre as pessoas que compraram as armas. Pensei que ele estivesse dizendo isso apenas para me irritar, mas ele sabia demais. Sabia sobre a Ordem, o que eles andavam fazendo, o que pretendiam… — ela suspirou — Porém não disse nada relevante, mas tenho certeza de que ele sabe de algo.

Refleti um pouco sobre aquilo. A escolha da arma tinha me ensinado a tomar cuidado com Alex. Mesmo que ele não representasse grande perigo, ele sabia me provocar, e isso poderia ser muito prejudicial. Se quisesse obter a informação dele teria que permanecer calmo. Sabendo da minha necessidade de saber daquilo ele nunca me diria. Tinha que pensar em algo.

Falando no diabo… Alex abriu a porta da enfermaria. Trazia duas latinhas de refrigerante nas mãos. Seu olhar era uma mistura de desprezo e deboche. Dessa vez estava pronto para não me importar com nada do que ele dissesse.

— Sua majestade me pediu para entregar isso para seus fiéis escudeiros — ele disse num tom de deboche. Jennifer e eu ignoramos.

Ele deixou as latinhas numa pequena mesa ao lado da maca. Senti seu olhar sobre mim, quase podia ver mais alguma provocação chegando. E foi o que aconteceu.

— Por que está tão quieto? — ele perguntou a mim — Não está nervoso pelo duelo, está?

Em resposta lancei um olhar hostil em sua direção. Não pude deixar de notar que aquilo havia o deixado contente, mas eu o decepcionaria com o pequeno sorriso que surgiu em minha boca ao perceber o que deveria fazer.

— Nervoso? Não. Na verdade eu mal posso esperar. Estava até pensando em deixar o duelo mais interessante… é claro, se você tiver coragem.

Ele não gostou nada da provocação, mas permaneci com a mesma expressão.

— Que tal uma aposta? — continuei.

— Aposta? E o que você teria para apostar?

— Eu aposto tudo! Todas as minhas armas, todo o meu dinheiro e tudo que você quiser entre minhas coisas.

Alex fez um gesto de desdém.

— Suas armas não vão ser de grande proveito e não quero nenhuma tralha sua. Dinheiro eu até posso querer, mas duvido que tenha muito.

Ele se virou para sair da enfermaria, mas antes de alcançar a porta lancei minha última cartada.

— Ah, é claro! — disse dando um tapinha na testa para representar minha “falta de memória” (gesto deveras teatral) — Esqueci de mencionar o apartamento onde eu moro em Nova Iorque. Bem espaçoso e mobilhado. Um apartamento de cobertura e muito bem localizado.

Se estivesse com uma arma Alex teria duelado ali mesmo. Ele se virou automaticamente quando disse “apartamento de cobertura”.

— Se está querendo perder tudo nessa aposta por mim está ótimo!

— Muito bem! Porque se você perder você vai ter que me dizer tudo que sabe sobre a Ordem e entregar todo o seu dinheiro.

Ele ficou um pouco surpreso, mas não hesitou.

— Eu não ligo, vou ganhar de qualquer forma.

Dizendo isso ele saiu da enfermaria confiante, um pouco demais para a minha opinião. Jennifer olhou pra mim num ar de divertimento.

— Chama aquilo de apartamento? Ele nem mesmo é seu.

— Eu não disse que era meu — me defendi — disse que morava nele. Tecnicamente não disse nenhuma mentira.

Jennifer riu.

— É uma forma de ver as coisas. Faça o favor de acabar com ele.

— Pode deixar! — respondi apanhando uma latinha de refrigerante. Jennifer fez o mesmo com a outra — E como está seu tornozelo?

— Acho que está bem melhor — ela disse. Inconscientemente levei a latinha até a boca, tomando praticamente metade da lata em poucos goles. Até aquele momento não havia notado o quanto estava com sede, mas ao mesmo tempo notei que o refrigerante parecia ter um gosto estranho — Vou tentar andar hoje mesmo. Vou ver o tal duelo que vocês tanto falam. Não aguento mais ficar aqui — ela levou o refrigerante até a boca.

Jennifer estava prestes a tomar um gole quando a latinha voou de sua mão com o tapa que dei. O refrigerante se espalhou pelo chão da enfermaria.

— Qual o seu problema?!

Olhei para minha própria latinha.

— Não acha estranho ele nos entregar latinhas abertas?

Jennifer arregalou os olhos, subitamente compreendendo.

— Não pode ser…

— É — respondi — Acho que caí em mais uma armadilha dele.

Mike estava comigo no andar mais abaixo. O lugar era um grande estande de tiro com duas fileiras de cabines divididas uma para cada lado. Para cada cabine havia um alvo no formato de uma pessoa. A parede atrás do alvo era coberta por pilhas de pneus que formavam uma camada a mais para as balas. Mike me explicou o funcionamento da arma, como destravar o tambor com trava dupla e como alimentar o revólver com as balas de forma correta. Até agora tudo que eu havia feito era ter a sorte de conseguir executar mais ou menos ou processo, mas somente naquele momento começava a entendê-lo. Ele também me ensinou posturas de tiro e dicas gerais sobre o assunto. Eu sabia que os filmes não contavam nem metade da história, mas o assunto era bem mais complexo do que parecia. Por fim recebi as balas.

— Coloque apenas uma — ele disse — Por segurança comece a atirar uma de cada vez. Além de evitar acidentes vai te treinar em outros aspectos além do tiro em si.

Concordei com a cabeça e me posicionei em uma das cabines. Após colocarmos óculos de segurança e abafadores de som Mike sinalizou para que eu começasse. Com calma destravei o tambor do revólver e coloquei uma bala. Fechei o tambor, engatilhei e mirei no centro do alvo. Quando atirei achei que o recuo faria a arma escapar novamente da minha mão, mas consegui mantê-la firme. Porém quase tinha errado o tiro, fazendo a bala pegar de raspão no alvo. Repeti todo o processo e atirei de novo. E de novo. Mike ficou ao meu lado por todo o tempo, apoiado nas muletas. Durante o último tiro senti um cansaço estranho, quase que um sono inexplicável. Quando atirei, senti uma tontura e quase caí para o lado, me apoiando na parede da cabine.

— Você está bem? — Mike perguntou.

— Estou — respondi depressa — Foi só o recuo da arma. Me surpreendeu um pouco. Só isso.

Qualquer pessoa poderia perceber que o recuo da arma não tinha nada a ver com aquilo, mas Mike deixou passar. Fosse o que fosse que Alex tinha me dado, estava começando a fazer efeito e a hora do duelo estava cada vez mais próxima. Tinha que achar uma solução para aquilo ou estaria perdido. Pedi a Mike para darmos uma pausa nos tiros e fui para o elevador. Desci no primeiro andar. Pretendia ir a enfermaria procurar algo que pudesse me ajudar, mas quando as portas do elevador se abriram outra tontura me atingiu. Cambaleei para o lado no meio de um passo e quase caí. Apoiei-me na máquina de café tentando me manter consciente. Estava cada vez pior. Quando me firmei de pé novamente tive uma ideia. Não sabia se daria certo, mas era tarde demais para tentar qualquer outra coisa. Tinha que dar certo.

Estando ou não pronto, o duelo iria começar. Mike tinha me falado que seria na parte de trás da fábrica, um pátio praticamente vazio e sem grandes perigos de acidentes. Estava saindo pelo pequeno escritório de antes quando avistei Jennifer me esperando na porta de saída. Ela parecia perfeitamente bem, exceto pelo olhar sério que me lançava. Sarah não estava no escritório, provavelmente também já estava no pátio atrás da fábrica.

— Você já está bem? — perguntei.

— Tive que usar muletas pra sair, mas quando consegui usei a energia do sol para me curar por completo. Já posso andar normalmente.

— Ótimo, então podemos ir…

Ela se pôs na frente da porta.

— Não posso deixar você sair.

— Por que não?

— Você sabe muito bem. Não está bem para o duelo.

— Estou bem o bastante, obrigado — disse contornando-a e abrindo a porta.

— Espere! — Jennifer disse segurando meu ombro — E se ele tentar mais alguma coisa? Ele já colocou alguma coisa naquela bebida, o que garante que ele não vai usar balas de verdade?

— Se não for ao duelo ele nunca vai contar o que sabe — disse simplesmente, dando as costas para ela.

Caminhei até o pátio. Todos já estavam esperando, formando duas fileiras paralelas. Apenas Alex e Mike estavam no meio das duas. Respirei fundo e fui até eles. Jennifer se limitou a ficar assistindo junto a uma das fileiras. Alex e eu nos encaramos. Mike estava sério. Ele se aproximou e entregou uma bala para mim e outra para Alex.

— As regras são simples: o tiro mais fatal ganha. Em caso de empate podemos dar mais um tiro para cada um. Eu vou contar até dez e vocês irão dar dez passos em direções opostas. Após o último passo eu irei autorizar o tiro, só então vocês podem atirar. Entendido?

— Sim — Alex e eu respondemos juntos.

Ficamos um de costas para o outro. Mike foi para perto de uma das fileiras. E disse para começarmos. A bala que ele tinha me dado parecia ser de plástico, embora eu soubesse que não seria possível e o peso não correspondesse ao material. Eu a coloquei no tambor. Alex fez algo parecido, mas estava com uma pistola e não com um revólver. Mike começou a contar: um, dois, três… Dei os passos correspondentes a cada vez que ele falava. Esperava que os efeitos da droga que Alex me dera não surtissem grande efeito. Sabia que não havia resolvido o problema, mas esperava ter diminuído os efeitos. Quatro, cinco, seis… Uma tontura me atingiu e por pouco não me fez errar o passo. Consegui me recuperar rapidamente, mas foi o suficiente para Mike parar a contagem.

— Está tudo bem? — Mike perguntou.

— Sim — respondi.

Quase podia sentir Alex sorrindo com o meu passo em falso. Concentrei-me em me manter firme, mas a droga que ele me dera ainda surtia efeito. Mike voltou a contar. Sete, oito, nove... Fique firme, fique firme, comecei a repetir para mim mesmo.

Dez.

Quase tão rápido como falou o último número, Mike também gritou: atirem! Girei rápido, posicionando a arma e engatilhando para poder atirar tão rápido como Alex. Estava confiante que conseguiria acertá-lo, mas outra tontura me atingiu no último instante do giro. Senti que me corpo caía para o lado. Ao ouvir o tiro de Alex também apertei o gatilho. O recuo da arma somente ajudou para que eu fosse ao chão ainda mais rápido. Senti algo me passar como um raio renta a minha bochecha. E caí no chão. Uma escuridão ameaçou tomar conta de minha visão, mas balancei a cabeça com força. Precisava me manter acordado.

Ainda meio aturdido, avistei Mike parado a alguns metros de mim. Ele tinha dado um passo à frente, saindo da fila, mas parecia um tanto confuso. Olhava de um lado para o outro, sem saber o que fazer. Não entedi o porquê até olhar para Alex. De alguma forma ele também havia caído, estava estirado no chão, aparentemente inconsciente. Vi Mike indo até ele e depois até mim.

— Parabéns — ele disse — Você ganhou.

— Ótimo… — fui tudo o que consegui dizer antes de desmaiar.

Quando acordei estava de volta à enfermaria. Jennifer estava ao meu lado. Ela deu um pequeno sorriso ao me ver consciente.

— Bem-vindo de volta — ela disse.

Levantei ainda cansado, esfregando os olhos com força. Era como se eu tivesse passado dias sem dormir e acordado minutos depois de adormecer. Demorei um tempo para conseguir focar a visão em Jennifer.

— O que aconteceu? — perguntei ainda confuso.

— Você ganhou o duelo — ela disse. Vagamente notei um pequeno curativo em minha bochecha, aonde a bala tinha passado — Mas também desmaiou, provavelmente foi aquela coisa que o Alex te deu.

Ao ouvir o nome dele fiquei completamente desperto. Onde ele estava? Precisava das informações o quanto antes. Olhei em volta. Em outra maca, aparentemente ainda inconsciente, estava Alex. Não parecia ferido, mas havia uma imensa mancha roxa no meio de sua testa. Ainda não acreditava que tinha acertado o tiro ali.

Sem o consentimento de Jennifer, me levantei e fui até ele. Na mesa ao lado da maca onde estava havia um copo com água. O revólver também estava lá, do lado do copo. Sem pensar duas vezes apanhei o copo e despejei todo o conteúdo na cara de Alex. Ele acordou assustado, balançando a cabeça e tossindo por causa da água. Esperei que olhasse pra mim.

— Desembucha! Você perdeu a aposta. Está na hora de me contar tudo sobre a Ordem. Inclusive o que se gabou de saber com Jennifer.

Ele fez uma careta e desviou o olhar, como se recusasse a contar qualquer coisa. Antes que percebesse apanhei o revólver, puxando o cão para trás. Apontei para ele encostando (sem nenhum cuidado) o cano do revólver na mancha roxa de sua testa, o que deveria ter doído à beça considerando o tom da pele. Alex soltou um gemido. Olhou com medo para a arma. Ela devia estar sem nenhuma bala, mas ele havia acordado há pouco tempo e não sabia disso.

— Você tem cinco segundos. É melhor começar a falar.

Ele hesitou.

— Quatro…

Nesse momento Mike entrou na enfermaria. Ficou surpreso por ver aquela cena, mas foi tudo o que fez. Alex pediu socorro com o olhar para Mike, mas ele se limitou a sentar-se em umas das macas com os braços cruzados. Provavelmente também sabia que a arma estava descarregada.

— Três...

— Tudo bem! Eu falo, eu falo. Sei aonde eles levaram as armas.

— Onde? — Mike e eu perguntamos ao mesmo tempo.

Ele falou um endereço. Mike pareceu ficar inquieto.

— Você sabe onde fica? — perguntei.

— Sei. É um dos lugares que vi quando estava procurando um local para estabelecer a fábrica. É um depósito abandonado. Quase o escolhi, mas achei um pouco demais para começar. Se os negócios crescessem um pouco mais rápidos eu provavelmente abriria outra fábrica lá. Não sabia que já estava ocupada.

— Como sabe disso? — perguntei me virando para Alex.

— Fui eu quem entregou as armas. Não queriam revelar a localização, mas só tinham um carro para carregá-las. Me ofereceram 100 dólares para não dizer a ninguém o endereço. Quando Mike perguntou disse que tinham levado as armas por conta própria.

Se Mike tivesse visão de calor Alex estaria em chamas nesse momento, mas eu precisava saber de tudo.

— E o que mais?

— Eu ouvi trechos de conversas. A maior parte do que descobri eu disse pra ela — ele disse apontando para Jennifer — Mas se entendi direito essa não foi a primeira compra de armas deles.

— Não quero mais saber! — Mike disse se levantando — Apenas saia da minha fábrica. Está demitido! — ele tirou a carteira do bolso, apanhando algumas notas de 50 dela — Aqui está o que te devo pelos seus serviços, agora saia!

Alex não ousou fazer nada além de aceitar, resignado. Porém apanhei as notas antes que ele o fizesse.

— O dinheiro também faz parte da aposta, se lembra? Isso inclui os 100 dólares que você recebeu para guardar segredo — disse estendendo a mão. Alex olhou para o chão.

— Eu já gastei — ele disse saindo.

Não cheguei a acreditar nele, mas não tinha a mínima vontade de revistá-lo. Quando ele fechou a porta Mike olhou para mim.

— Jennifer me contou o que aconteceu. Como conseguiu se manter acordado tanto tempo?

— Eu me entupi de café — confessei.

Mike não pode evitar a risada.

— Eu disse que ela é o ponto alto do andar, não disse? — ele desviou o olhar para o revólver — Gostou da arma? — ele perguntou.

— Gostei — respondi sinceramente.

— Se quiser pode ficar com ela — não pude evitar sorrir com o presente. Nos últimos dias ela tinha sido essencial — Vou querer fazer uma pequena modificação nela… é claro, se você permitir.

— Você é o mestre de armas aqui — disse entregando o revólver a ele — Tenho que encontrar esse depósito o quanto antes. Quando voltar pego a arma.

— Tem certeza que quer ir sozinho?

— Quanto menos pessoas, mais fácil de passar despercebido — respondi.

— E ele não vai se livrar de mim tão fácil — Jennifer completou.

— Certo — Mike disse — Quando voltarem podem contar com a minha ajuda.

— Obrigado.

Enquanto me arrumava rapidamente para sair não conseguia parar de pensar em Liza. Senti-a cada vez mais próxima. De alguma forma sabia que algo me esperava naquele depósito, talvez não apenas Liza. Terminei de arrumar a mochila. Não a levaria, mas era sempre bom deixá-la pronta para viagem. Respirei fundo. Finalmente encontraria Liza. Não podia perder nenhum segundo.

Notas finais
É isso galera, espero que vocês tenham gostado. Não se esqueçam de comentar, dizer o que vocês acharam do capítulo. No próximo capítulo darei alguns avisos finais para vocês. Obrigado por lerem e até a próxima!