Between Light and Dark - Pride
11 Thomas Blackheart

A reação de Lauren foi ainda quase melhor que o sonho. Ela enrubesceu violentamente e cambaleou, obviamente não esperando por essa resposta. Além de ter ficado boquiaberta, claro. Thomas não aguentou e começou a rir.
– Não ria, seu idiota! — reclamou Lauren.
Ela ficava agressiva quando ele dizia algo fofo.
– Certo, desculpe. — disse Thomas ainda sorrindo.
– Me conta logo esse sonho!
– Depois. Agora temos que ir, as atividades já vão começar. — replicou ele, piscando.
– Ah, verdade. Só um momento, por favor. — disse ela se inclinando para ele.
Thomas não tardou a completar o restante da trajetória até seus lábios e os dois ficaram se beijando intensamente por alguns minutos até que ouviu-se um barulho de pés correndo e se afastando na grama atrás deles. Estavam sendo espionados.
– Droga! — disse Thomas e começou a correr na direção dos passos, com Lauren atrás.
Não demorou muito para ele avistar uma silhueta magra com uma cabeleira loira e brilhante.
– Volte! — gritou o filho de Hades.
Mas o garoto continuou correndo. Após apenas dois minutos correndo, o loiro desistiu e parou colocando as mãos nos joelhos. Obviamente, ele não possuía treinamento e Thomas logo soube quem era.
– Henry, o que está fazendo aqui? — perguntou Lauren atrás do namorado.
– Nos espionando, não é óbvio? Agora, diga o porquê! — gritou Thomas segurando o romano pela gola da camisa.
– N-não foi nada — gaguejou Henry — S-só estava passando por aqui e a-acabei vendo…
– O que você viu? — gritou Thomas, agora o chacoalhando no ar.
– Thomas, acalme-se. Não precisa de tudo isso. — disse Lauren.
Thomas, contrariado, colocou Henry no chão ainda o segurando.
– A-acabei v-vendo tudo. Me d-desculpe!
– POR QUÊ?
– N-nada! Só por ver.
Henry percorreu o olhar pela camiseta de Thomas — o que ele achou muito estranho, pois estavam com camisetas iguais — e parou em um ponto em sua barriga, fazendo Thomas olhar para ver se estava sujo.
– O que está olhando? — perguntou Lauren.
– N-NADA!! DEIXE-ME IR!! NÃO CONTO PRA NINGUÉM SOBRE ISSO, EU JURO PELO RIO ESTIGE!
Alguns instantes se passaram e, embora Thomas quisesse fazer algumas perguntas, Lauren deu a permissão:
– Deixe-o ir.
Thomas soltou Henry que se levantou e saiu correndo em direção aos chalés. Thomas estava ligeiramente aborrecido.
– Amor, se acalma — disse-lhe Lauren
– Eu ainda descubro o que aquele filhinho de Apolo estava fazendo nos espionando — respondeu ele.
– Depois você faz isso. Agora vamos fazer nossas atividades. Até porque ele estragou todo o clima.
Thomas respirou fundo, deu a mão para Lauren e disse:
– Que tal começarmos com esgrima?
– Estou totalmente de acordo — disse Lauren com um sorriso.
***
Chegando lá Thomas não se arrependeu de ter sugerido esgrima. Nero estava lutando contra cinco campistas, e com alguma vantagem, o que só aumentou a sede de sangue que sentiu. Nunca foi com a cara de Nero. Desde que o romano chegou ao acampamento, sempre quis mastigar seus olhos e empalá-lo vivo. Porém, não pôde fazer isso por conta dos preceitos éticos. Malditos preceitos éticos.
Nero — por mais que Thomas odiasse admitir — brandia seu gládio com maestria, enquanto portava a espada de Lian na cintura. Ver aquela espada na bainha de um romano — ainda mais de Nero — tirou-o do sério, mas tentou ficar calado. Thomas possuía fama de brigão, não sabia exatamente o porquê. Talvez por se irritar muito facilmente. Mas no fundo, ele era um filho de Hades e, bem, filhos de Hades não são muito de ficar sob os holofotes.
Porém, naquela hora, sua cólera era tão grande — afinal, Nero havia matado Lian, um filho de Hermes querido pelo Acampamento inteiro — que não se conteve. Tirou seu arco do ombro, ajeitou uma flecha na corda e — já que Lauren surpreendentemente não o impediu — atirou.
Nero, por sorte, desviou da flecha por um raspão tendo um tufo do cabelo cortado. Nero parou de lutar, e olhou fixamente para Thomas, que sorria discretamente. Assim que Nero parou, os outros semideuses os quais ele lutava também pararam.
O que fez com que quem assistia a luta olhasse para Thomas também. Tudo isso foi tão rápido que ele não teve tempo para se esconder ou caminhar pelas sombras como fazia quando queria sair rapidamente de cena.
Nero encarou Thomas por um tempo, olhou para Lauren e novamente para Thomas. Se endireitou e lançou-lhe um olhar feroz. Thomas começou a encarar Nero — mas não do mesmo jeito que o outro o encarava — ele encarava Nero exalando raiva até pelos seus poros.
– Como ousa tentar me ma… — Nero não pode terminar a frase pois teve que se defender pulando de encontro ao chão, de uma flecha que ia diretamente ao encontro do seu coração.
– Quer terminar a frase, romanozinho? — Perguntou Thomas quase rosnando.
Nero não respondeu, estava um tanto quanto abismado para isso.
– Eu imaginei que não iria falar nada. Vocês romanos são assim, se acham os maiorais. Mas quando aparece alguém que os desafia… Aaaaah, aí vocês correm para se esconder — Continuou Thomas
Nero ficou quieto, olhando para Thomas que andava em volta dele. Thomas percebeu que tinha apoio dos outros campistas que a pouco assistiam Nero achar que era o melhor esgrimista do acampamento.
Nero abriu a boca para falar algo, mas Thomas mirou uma flecha para ele.
– Nem ouse dizer uma palavra. O que você fez com Lian foi imperdoável.
– O quê? — Brincou o romano — Matar um inimigo em uma luta?
Thomas disparou a flecha, enquanto Nero rolava para frente e tentava uma estocada. Thomas passou o arco pelo braço, pendurando-o no ombro e bateu na parte plana da lâmina do gládio com a palma da mão para desviá-lo do corpo. O grego então passou uma rasteira no oponente enquanto torcia a mão do gládio,fazendo com que Nero o soltasse. Nero então tateou o cinto em busca da outra espada.
– Espada? — perguntou Thomas — Estou desarmado, quem está sendo covarde agora?
E chutou o cinto, junto com a kopis de Lian, para longe.
– Corpo-a-corpo? Que técnica mais ultrapas...
Antes de deixá-lo terminar, Thomas desferiu-lhe um soco muito forte logo acima do nariz, fazendo com que Nero perdesse os sentidos por um milésimo de segundo, fazendo-o cair no chão.
O romano logo levantou. Até porque, se ficasse muito tempo caído no chão, ficaria vulnerável para Thomas matá-lo. Agora seu nariz sangarava e ele limpou o sangue com a camisa do Acampamento Meio-Sangue que tinha recebido.
– Está vendo isso daqui? — perguntou Nero apontando para o sangue na camisa — É assim que a sua camisa deveria estar. É assim que a camisa de todos aqui deveria estar. Suja, com o sangue de cada um de vocês.
– Olha, o viadinho virou homem! Ta machinho agora é? Me responde só uma coisa: se é tão ultrapassada assim, por que está perdendo? — perguntou Thomas delirando de raiva e ódio. — Pensei que os romanos praticassem luta greco-romana. OPS. Ta aí, essa é mais uma coisa que os “roxinhos” copiaram de nós gregos.
Todos ao redor acharam engraçado. Eles riam, não só riam, gargalhavam. Podia-se ouvir gritos como “Pega ele Thomas”, “Isso aí Thomas, se fudeu romanozinho de merda”. E só de olhar, percebia-se que Nero estava claramente desesperado.
O filho de Mercúrio estava ganhando moral. Conseguira derrotar cinco gregos ao mesmo tempo apenas com uma espada, e agora, todos que a pouco o aplaudiam e ficavam surpresos com sua habilidade, o vaiavam, xingavam e queriam matá-lo. É, até Nero tinha que admitir que essa era uma grande reviravolta.
– Está com medo, Romano? — Perguntou Thomas com certo tom de desprezo.
– Ér… Hm… Não, não tenho medo. Muito menos medo de você — Rebateu Nero
– Não tem é? Bom, quando eu cheguei achavam que eu era filho de Fobos.
Thomas usou as sombras para andar até a lateral de Nero, técnica que havia aprendido com seu meio-irmão Nico di Angelo, fazendo com que Nero se assustasse.
– Até porque, sou como um ninja, uma hora estou aqui, outra ali — disse Thomas aparecendo em um segundo no outro lado de Nero.
Thomas só estava conseguindo fazer isso pois agora estavam embaixo da sombra de uma enorme árvore que crescera ao lado do descampado — que na verdade era a arena de esgrima- , e Nero, bom, Nero estava claramente morrendo de medo.
– Isso aí ér… Isso aí já é trapaça — disse Nero quase engasgando nas suas próprias palavras.
Thomas soltou uma risada alta e gostosa.
– Você me falando de trapaça? — riu Thomas novamente — Olha, eu tenho que admitir, você realmente tem senso de humor.
Nero engoliu a seco. A escuridão aumentava gradativamente ao redor de Thomas.
– Um filho de Mercúrio sendo contra a trapaça. Olha, você me surpreendeu agora. Nunca vi um filho de Hermes ou Mercúrio ser contra essa “técnica”, até porque seu pai é o deus das trapaças não é mesmo? Mas, engraçado né, não foi trapaça então você matar Liam sem dar a ele chance de se defender? — perguntou Thomas.
– Ele foi morto em uma batalha — respondeu Nero.
– Mentira. MENTIRA — Thomas agora berrava — Você o matou inutilmente, e não venha me dizer que foi em batalha porque John e Sophie em seus depoimentos falaram que você o decapitou apenas por ele ter citado o nome de Mercúrio. Vocês romanos são irracionais, não pensam antes de atacar, agem por impulso. Depois falam dos gregos. Ah, mas a morte dele não vai ser em vão!
Thomas estava extremamente furioso. O campo todo estava mais escuro e as plantas iam morrendo ao seu redor. Ele viajou pelas sombras e pegou a espada que outrora fora de Lian. Ele encarou Nero, que estava com medo, muito medo. Thomas exalava uma força sobrenatural que provavelmente é originária de seu pai Hades.
– Olha, eu sinceramente não sei como Percy e Annabeth conseguiram deixar você aqui. Logo você que matou o filho deles — Thomas golpeou o ar com a espada — Agora, você vai pagar por essa sua arrogância, por ter matado Lian e também simplesmente por você ser um mísero e estúpido romano. — continuou ele.
Sem que Nero percebesse o que fazia, Thomas viajou pelas sombras posicionando-se na parte traseira de Nero, ele posicionou a espada na mão e mirou o pescoço de Nero. Feito isso ele berrou:
– AGORA VOCÊ VAI PAGAR COM A PRÓPRIA VIDA.
Ele levantou a espada na altura do pescoço de Nero, preparando-se para cortar-lhe a cabeça. Quando chegava perto de Nero, com a espada levantando aos poucos para decepar-lhe a cabeça, alguém gritou:
– THOMAS. BLACKHEART!
Era Percy Jackson acompanhado de Annabeth e uma outra garota que Thomas não sabia o nome. Parou quase que imediatamente. Tudo acontecera tão rápido que Nero só foi perceber que Thomas estava a menos de dez centímetros dele quando virou-se para trás para achar a origem da bufada que ele ouviu assim que Percy gritou.
Thomas largou a espada, olhou para Lauren, que estava completamente irritada com Percy, e depois para Percy, que vinha em sua direção. Todos abriam espaço para que o filho de Poseidon passasse. Thomas o encarava, e Percy o encarava de volta.
Quando ele passou por Lauren ela tentou falar com ele, porém o mesmo se demonstrou frio como Thomas nunca tinha visto ele ser, muito menos com Lauren. Simplesmente a ignorou e continuou andando, fingindo que não era com ele.
Annabeth se virou para olhar para Lauren, porém ela já tinha saído atrás de Percy. Annabeth tentou segurá-la, mas Lauren desviou de sua mão e continuou andando.
– Percy Jackson você não pode simplesmente me ignorar! Eu sou sua irmã! — disse Lauren postando-se na frente dele.
Percy a ignorou novamente, desviou e continuou andando.
– Escuta aqui — disse Lauren agora andando ao lado dele — Thomas ia matá-lo. Ia vingar Liam.
Percy nem olhava para ela, continuava andando, encarando Thomas.
– Ele ia vingar a morte de Liam, seu filho. Que foi morto por esse romano desprezível.
Percy parou, respirou, olhou para ela e disse:
– E você acha que eu não sei? Quero ele morto tanto quanto a maioria aqui. Mas se o matarmos seremos tão assassinos quanto ele.
Percy tirou os olhos de Lauren e encarou Nero.
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