Better Days Will Come
1 The Start
Notas iniciais
A rua estava deserta, o céu estava nublado, era época de outono, bem próximo ao inverno, e Santana não sabia o que fazer naquele momento. Ninguém sabia como aquilo havia começado, mas estava infestando todo o país. Ninguém tinha chance de sobrevivência, nem mesmo os pais da garota tiveram, mas Santana estava ali, sentada no chão da sua casa, encolhida embaixo da mesa de jantar, vendo seus pais caídos no chão, ambos mortos. Santana não era uma garotinha medrosa, ela já tinha 16 anos, sabia sobre o que queria da vida e o que gostava, mas ver seus pais caídos no chão naquele momento, a deixava com medo. A televisão estava ligada, mas nada passava, apenas chiados baixos, suas lágrimas já não caíam mais, mas seu corpo ainda tremia de medo, seus olhos ardiam e sua respiração estava pesada. Seu rosto estava um pouco sujo por causa das lágrimas, mas Santana não se importava.
Santana queria saber o porquê de aquilo ter acontecido com ela, quero dizer, ela sempre foi uma garota boa para a família, evitava se meter em problemas, e quando fazia, escondia da família, para não ser rebaixada à pior da família. Seus primos sempre a maltratavam, ela não sabia o porquê, mas não dizia isso para os seus pais, para não parecer medrosa.
Seus olhos se fecharam lentamente, mas ela evitou dormir. Santana estava cansada, mas dormir em um lugar daqueles não era apropriado. Seu olhar rodou todo canto que podia, não havia sinal de algo morto, ou algo meio morto, ou o que quer que tenha matado seus pais. Lentamente ela saiu de baixo da mesa, seu olhar foi até seus pais, que ainda pareciam imóveis. Santana sabia que devia sair dali, já que era perigoso, mas para onde ela iria? Se dentro de casa era perigoso, fora era ainda mais, por existir milhares daqueles. Sua única amiga poderia estar morta naquele momento, ou meia morta, Santana ainda não entendia aquilo.
Lentamente, Santana subiu as escadas, evitando o máximo de barulho, entrou em seu quarto e pegou sua mochila, desceu as escadas, entrou na cozinha e pegou alguns dos pacotes de biscoitos e garrafas de água, os colocando na mochila. Ela pensou em pegar algo como, sorvete, pasta de amendoim, iogurtes, mas esses estragariam rapidamente, e Santana não sabia quanto tempo ficaria sem repor sua mochila. Depois de alguns segundos colocando o que podia em sua mochila, Santana ajeitou seu cachecol no pescoço, apertou o cadarço se seu tênis e saiu, tomando o máximo de cuidado para não achar algum ser morto.
O vento gelado batia fortemente em seu rosto, seus cabelos voavam por todos os lados, hora ou outra tampando seus olhos, seu corpo parecia petrificar à qualquer momento, mesmo que Santana estivesse completamente coberta. Seus olhos vagaram por todos os lados, com medo de algo lhe atacar à qualquer momento. Seu destino no momento era chagar à casa de sua melhor amiga, tentar a sorte de encontrá-la viva, e se manter perto dela o tempo inteiro, pois sabia que essa cuidaria dela com unhas e dentes.
Depois de minutos de caminhada, Santana parou em frente à uma casa branca com uma porta de madeira da cor preta, a mesma estava aberta, então Santana deduziu que, ou todos daquela casa conseguiram fugir, ou todos já estavam mortos. Lentamente se aproximou da porta, tudo estava silencioso, não havia nem sinal de Spocky, o São Bernardo que sua melhor amiga ganhou, quando completou 12 anos.
— Olá... – ela sussurrou, tentando obter resposta.
Quem iria ouvi-la com aquele tom? Ela se perguntava no momento em que entrou na sala, mas logo se arrependendo. O local estava completamente sujo de sangue, alguns objetos estavam caídos no chão, Spocky estava deitado no sofá, mas Santana não conseguia ver se ele estava apenas dormindo. Ela saiu da sala lentamente e foi até a cozinha, a mesma parecia como sempre, obtendo apenas alguns insetos, que Santana tinha nojo. Em seguida entrou no corredor estreito, olhou para dentro do banheiro, nada. Se aproximou do quarto de sua amiga e suspirou, ao vê-la colocando algo em sua mochila de acampamento.
— Quinn... – ela gemeu de alívio.
A garota loira se virou rapidamente e sorriu, ao ver que Santana estava perfeitamente bem. As duas se abraçaram desajeitadamente, Santana fechou os olhos e respirou fundo.
— Está tudo bem agora. – Quinn sussurrou, acariciando o rosto da amiga. – Eu estou aqui.
- Eles estão mortos, Quinn. – Santana choramingou, escondendo o rosto com as mãos.
— Eu sinto muito. Os meus pais também se foram.
— Até Frannie?
— Sim. Todos estão mortos no quarto dos meus pais.
Santana se sentiu mal pela amiga, afinal, Frannie era mais que uma irmã para ela, Frannie era uma melhor amiga, tanto para Quinn, quanto para Santana, que era filha única.
— O que faremos agora? – Santana perguntou, sentando na cama.
— Eu não sei, mas não podemos ficar aqui.
— Acha que, nos acharão aqui?
— Não sei, mas não devemos nos arriscar.
Quinn se virou para pegar um de seus casacos em seu armário e o colocou em sua mochila.
— Mas para onde vamos? O país inteiro está assim, um caos!
— Eu não sei, Santana. Eu queria saber lhe responder, mas não sei.
- Então iremos andar por aí, tentar nos manter vivas com os alimentos que pegarmos e, se tivermos sorte, morrer velhinhas?
— Essa é uma boa ideia.
Santana revirou os olhos e tirou seu cachecol, já sentindo seu pescoço suar. Quinn pegou dois livros diferentes e os colocou na mochila.
— Você precisa mesmo de livros?
— Eu precisarei me distrair com algo.
As duas ouviram um barulho vindo do lado de fora, Quinn fechou sua mochila rapidamente e a colocou nas costas, colocou um boné branco na cabeça, as duas correram até a sala e viram Spocky andando pela sala, deixando as duas confusas.
— Ele estava morto... – Quinn murmurou, sentindo seus olhos se encherem de lágrimas.
Um barulho veio do quarto de seus pais e as duas se assustaram, ao ver Frannie sair do quarto, com nenhum sinal de pupila nos olhos, os deixando totalmente brancos. Quinn não sabia o que fazer, Frannie era sua irmã, não devia ter medo da mesma.
— Quinn. – Santana a chamou. – Quinn, o que faremos?
— Nós... nós temos que sair daqui.
— Mas para onde vamos?
— Eu não sei!
Os dois mortos que, agora andavam, se direcionaram às duas, Santana paralisou ao perceber isso, já prevendo seu fim. Quinn segurou sua mão rapidamente e a puxou para fora, correram até o quarteirão seguinte e pararam, apenas para tranquilizar o corpo.
— Nós vamos morrer. – Santana choramingou, sentando no chão.
— Não, nós não iremos morrer. Eu estou aqui, então nada irá acontecer com você. Eu prometo.
— Achei que você não fizesse promessas.
— Eu não faço promessas que não posso cumprir.
— E como tem tanta certeza que cumprirá essa?
— Porque eu sou Quinn Fabray.
Santana revirou os olhos, Quinn a puxou para levantá-la e ajeitou sua mochila nas costas.
— Eu estou com frio.
— Onde está seu cachecol?
— Droga! – Santana deu um tapa em sua própria testa e bufou. – Eu o esqueci em seu quarto.
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