Better Days Will Come
5 Lindsay's Story
Notas iniciais
Seus dedos pareciam pedras de gelos, seu casaco não a esquentava tanto quanto deveria, mas Quinn não ligava muito para o frio, afinal, ela tinha coisas piores para se preocupar como, zumbis, Lindsay e Brittany. Não que ela odiasse as duas garotas, aliás, Brittany parecia ser mesmo uma garota legal, apesar de estar em um “apocalipse zumbi”, ela parecia se divertir o tempo inteiro, seja com um pássaro voando no céu, uma borboleta pousando no capô da picape ou com Lindsay pegando no pé da Santana por a mesma parecer mais corajosa que Quinn. Mas a garota parecia uma ameaça para ela, assim como Lindsay. Frannie sempre lhe ensinou que, nunca deveria confiar em pessoas desconhecidas, às vezes, nem mesmo em sua própria família. Quinn duvidava dessa pequena regra que Frannie havia criado, mas pareceu entender, depois dos dez anos, quando seu pai passou a lhe tratar diferente, como se Quinn fosse culpada por tudo que acontecia em sua casa.
– Deveríamos parar em algum lugar para passar a noite. – Santana disse, olhando para o céu.
– E para onde vamos? – Brittany perguntou, batucando no volante com seus dedos cobertos por uma luva de lã verde.
Quinn sentiu inveja dela naquele momento. Até pediria as luvas de Santana emprestado, mas ela sabia como sua amiga era quando se tratava de emprestar suas coisas, principalmente se tratando de roupas, afinal, ela já pegou uma camiseta de Santana emprestado e a encolheu na máquina de lavar dois dias depois. Santana ficou tão furiosa, que Quinn achou que Santana fosse como o Hulk, era só a irritar que esse outro lado aparecia.
– Podemos procurar por uma casa vazia, ou um hotel vazio.
– Não podemos simplesmente seguir em frente? – Lindsay gritou da traseira da picape.
Ela fez questão de ir na traseira do carro, para usar sua pistola o mais rápido possível, caso algum zumbi atacasse o carro. Na verdade, Lindsay queria atirar em alguém, nem que seja alguém já supostamente morto. Sua história de fugir de casa com a arma de seu pai não foi aceita por Quinn. Quero dizer, Quinn também poderia ter pego a arma de seu pai, que ela havia descoberto no Natal passado, quando seu pai estava bêbado e entrou em seu quarto a segurando, como se tivesse algum estranho estuprando sua menina, mesmo que no quarto estivesse apenas Quinn, Santana e Frannie, que contava uma história de terror para deixar as meninas com medo de dormir, mas a história foi deixada de lado, assim que as três entraram em pânico ao ver aquela arma sendo mirada para elas.
– Nós precisamos dormir um pouco, Lindsay. – Santana respondeu. – À não ser que você queira passar a noite inteira acordada, dirigindo pela estrada, enquanto nós dormimos.
– Isso parece bom para mim.
– Não mesmo. – Brittany reclamou, parando em frente um hotel três estrelas, como contava na placa. – Esse carro é importante para mim, então ninguém, repetindo, NINGUÉM além de mim, o dirigirá.
– Isso soa egoísta, Brittany. – Quinn disse, tirando o cinto de segurança.
– Esse carro era do meu tio, o qual morava comigo na fazendo, junto com sua esposa, ele o amava tanto quanto amava minha tia, acho que até mais que isso, então o carro é importante.
Quinn revirou os olhos e saiu do carro, sendo seguida por Santana. Lindsay já estava na porta do hotel, com sua arma pronta para atirar em qualquer ser, seja ele vivo ou morto. Depois de minutos de revista, Lindsay voltou com uma carranca no rosto, pronta para reclamar de algo.
– Então? – Santana perguntou, pegando sua mochila.
– Vazio. – Lindsay respondeu, ajudando com as coisas. – Sério, essa coisa de apocalipse zumbi está mais chato do que nos jogos de vídeo games. Não há um ser morto para atirar!
– Talvez eles estejam se protegendo do frio. – Brittany respondeu, distraída.
– É mais fácil nós morrermos de frio, do que eles. – Quinn resmungou, entrando com sua mochila arrastando no chão.
Ainda não parecia que iria escurecer, mas já passava das seis da noite, então acharam que era melhor parar antes de escurecer, antes que as coisas piorassem. A primeira coisa que Santana procurou foi por um banheiro. Ela sabia que tinha pelo menos um banheiro no local, mas ela queria ter certeza, para poder tomar um banho decente, sem ter alguém reclamando que ela estaria demorando demais, ou que estaria gastando água demais.
– Quanto nós temos de água? – Brittany perguntou, colocando as coisas no chão do hall do hotel.
– Algumas garrafas. – Lindsay respondeu, olhando na grande bolsa de Brittany, onde elas guardavam as garrafinhas de água. – O suficiente para mais um dia.
– Precisamos repor. – Santana disse, sentando em um dos sofás pretos. – E precisamos de roupas limpas.
– Há uma loja de roupas por aqui. – Quinn disse, elevando seu queixo, dando um ar de autoridade. – Creio que não será um problema em ir até lá e pegar algumas roupas.
– Ótimo! – Lindsay comemorou, já empunhando sua arma. – Eu irei rapidamente até lá, pegarei o máximo de roupas que puder e depois vocês as vestirão.
– Você não sabe o nosso tamanho. – Quinn resmungou, cruzando os braços.
– Sei sim. Eu sou do mesmo tamanho que Britt, então é só pegar roupas que caibam em mim, quanto à você, vejo que é do mesmo tamanho que Santana, então...
– Não somos do mesmo tamanho. Eu sou mais alta que Santana.
– Certo. O que você quer, senhorita sabe tudo?
– Santana e eu iremos até lá, e vocês ficam aqui, vigiando as coisas.
– Não mesmo. Quando eu finalmente consigo uma chance de atirar em alguém, você quer me tirar disso? Eu irei, você querendo ou não.
– Que tal... – Santana começou, recebendo a atenção das duas. – Vocês duas irem até essa loja e escolhem algumas roupas, enquanto Brittany e eu ficamos aqui cuidando das coisas?
– Não mesmo! – Quinn gritou, se afastando de Lindsay. – Não quero arriscar minha vida à uma garota que quer atirar em qualquer um.
– Querida, se eu fosse atirar em você, já teria feito isso desde que lhe encontrei no posto de gasolina.
– Ela tem razão, Quinn.
– Você está do lado dela agora, Santana?
– O que? Não! Eu só estou dizendo que...
– Pare de enrolar, loira oxigenada.- Lindsay resmungou, empurrando Quinn até a porta de vidro. – Pegue sua arma improvisada e vamos até a loja.
Quinn pegou a barra de ferro, resmungando o tempo inteiro, as duas saíram, Lindsay olhou em volta e correu para o outro lado da rua, se ajoelhando no chão em seguida, pronta para atirar em alguém, Quinn revirou os olhos e se arrastou atrás de Lindsay, achando a garota mais idiota do que qualquer outra pessoa. As duas entraram na loja, com Lindsay arrombando a porta com seu pé, Quinn foi até um dos corredores onde ficavam algumas roupas, Lindsay acendeu as luzes da loja e sorriu, ao ver um zumbi se arrastando até o balcão de atendimentos. Sua sorte parecia chegar aos poucos, suas mãos tremiam por aquilo, era o que ela precisava para se sentir melhor. Lentamente ela mirou na cabeça do ser meio morto meio vivo, mordeu seu lábio inferior e fechou um dos olhos, para mirar certamente, então atirou, acertando perfeitamente na cabeça. Quinn deu um grito com o barulho, correu para perto de Lindsay e tentou respirar fundo.
– Você ficou louca? Avise da próxima vez que atirar em alguém! Eu não quero morrer de infarto!
– Cale a boca, Quinn. Procure logo por algumas roupas, e dê uma olhada nas botas.
– Por que botas?
– São perfeitas para isso, ou você quer que algum zumbi mastigue seu tornozelo?
– Não.
Ela realmente não queria que algum ser estranho a matasse pelo tornozelo, então resolveu seguir o conselho de Lindsay.
– E elas devem ser de couro. – Lindsay continuou, olhando algumas jaquetas. – De preferência, pretas.
– Por que pretas?
– Para combinarem com essa jaqueta!
Quinn olhou para Lindsay e bufou. A outra segurava uma jaqueta de couro vermelha, com alguns detalhes de uma banda de rock qualquer, que Quinn não fazia questão de conhecer.
– Horrível!
– Quem liga para moda em um momento desses?
– Eu.
– Qual, é! Podemos usar jaquetas iguais, e seremos um quarteto imbatível!
– Você só conseguiu atirar em um zumbi agora, senhorita imbatível.
– E você já matou algum, antes de nos encontrarmos? – Quinn ficou calada, fazendo Lindsay sorrir. – Ótimo! Usaremos jaquetas iguais.
– Qual é a graça nisso?
– Se nos perdermos, saberemos quem será, pela jaqueta vermelha.
– Nos perdermos? Nós passamos mais tempo naquela picape do que em qualquer outro lugar.
– Não seja chata, Q.
Lindsay jogou a jaqueta nela e voltou para pegar mais, Quinn olhou atentamente para a jaqueta, não era exatamente bonita, mas parecia confortável, esquentava e, as salvaria. Quinn pegou duas calças do mesmo tamanho, ambas da cor preta, foi até a sessão de sapatos e pegou as botas que Lindsay indicou. Apesar de não querer admitir, Quinn estava se divertindo um pouco, com coisas fora do normal. Seus únicos dias permitidos para sair de casa eram os finais de semana, e mesmo assim não eram de grande aproveito, já que ela podia sair apenas se acompanhada de Eduard, seu primo de terceiro grau, que insistia desde pequeno ser apaixonado por ela, mas Quinn nunca gostou dele realmente. Não que ele fosse feio, pelo contrário, Eduard era o garoto mais bonito de sua escola, até mesmo Santana se apaixonou por ele aos quinze anos, mas Quinn apenas achava que ele não era o garoto certo.
– O que acha dessas camisetas? – Lindsay perguntou, amostrando duas camisetas diferentes.
Uma delas era rosa, com mangas até os cotovelos, havia algumas borboletas nela, com um cachorro tentando pegá-las. A outra era simplesmente verde, sem detalhes ou algo parecido, mas também tinha as mangas até os cotovelos.
– Perfeita para Brittany. – ela respondeu, apontando para a rosa. – Mas não para Santana, porque ela odeia rosa. A verde parece boa e confortável, mas pelo que entendi, Brittany não gosta de verde.
– Estou perguntando para mim, Quinn.
– Acho que a rosa.
– Por quê?
– Tem um ar infantil, mas ao mesmo tempo patricinha.
– Você me acha patricinha?
– Você é loira. Toda loira parece patricinha.
– Você também é loira.
– Eu sei.
Lindsay olhou para as duas camisetas e optou por levar as duas, Quinn olhou algumas camisetas para ela, Lindsay apareceu com uma sacola grande com a logo “Victoria’s Secret”, Quinn colocou as roupas que segurava dentro da sacola e voltou a olhar algumas camisetas.
– Qual é a sua história com Santana? – Lindsay perguntou, se fingindo de distraída nas roupas.
– Como assim?
– Vocês parecem... próximas demais.
– Santana é minha melhor amiga.
– Certo...
– Nos conhecemos quando tínhamos 12 anos, Santana estava brigando com uma garota da escola, eu achei que ela iria perder a briga, então sabotei para que ela ganhasse.
– Ela sabe disso?
– Não, e espero que nunca descubra.
As duas ficaram em silêncio, Quinn pegou duas camisetas brancas e colocou na sacola.
– E você, Lindsay?
– Eu o que?
– Qual é a sua história de vida?
Lindsay ficou em silêncio, Quinn esperou pela resposta, mas parecia que ela nunca viria, então começou a olhar alguns acessórios.
– Eu morava com minha mãe e meu padrasto até os 14 anos. – Lindsay disse, pegando alguns brincos. – Meu pai mora em Nebraska com meu irmão, eu não os via à muito tempo e... meu padrasto não gostava muito de mim, sabe? – Quinn parou o que fazia e olhou para Lindsay. – Quando eu fiz 14 anos, minha mãe pensou em fazer uma festa para mim, com pula-pula, escalada, entre outras coisas legais, mas meu padrasto disse que não deveriam gastar tanto dinheiro com tudo aquilo, afinal, ele não trabalhava, minha mãe ganhava pouco e, a pensão que meu pai mandava para mim, era suficiente para fazer as compras. – Lindsay parou de mexer nas coisas e olhou para qualquer outro lugar. – No dia do meu aniversário, meu pai mandou um dinheiro à mais como presente, mas meu padrasto pegou o dinheiro de mim e comprou bebidas. Ele tinha essa arma no armário, que eu não sabia, bem, até ele aparecer bêbado no meu quarto com a arma na mão. – Quinn mordeu seu lábio inferior, a imagem de seu pai com a arma na mão assustando ela, sua irmã e Santana, veio à sua mente. – Minha mãe não estava em casa, ela trabalhava como faxineira de uma loja de roupa, então eu sempre me trancava no quarto à noite, mas naquele dia, eu havia esquecido, então ele entrou. Eu fiquei confusa sobre suas reais intenções, eu achava que ele não gostava de mim por eu ter toda a atenção da minha mãe, mas...
– Você não precisa continuar, Lindsay. – Quinn disse, vendo os olhos da outra se encherem de lágrimas.
– Ele rasgou minha camisola preferida, a camisola que eu havia recebido de presente da minha avó, antes dela morrer. Eu queria sair de lá, queria que minha mãe estivesse lá, mas ela não estava, e eu não podia sair de lá, porque ele era pesado, e eu estava com medo da arma. Meu padrasto fez de tudo, Quinn... Ele... Eu achei que ele era um homem bom, achei que ele fosse um bom padrasto, e que seríamos uma família feliz, mesmo que eu estivesse longe do meu pai.
– Lindsay...
– Depois que ele... abusou de mim, ameaçou me matar, se eu contasse para a minha mãe, então eu não contei. Eu comecei a ter pesadelos durante à noite, não conversava mais com a minha mãe e, tentava ficar o mais longe dele possível. Em uma noite, quando eu não conseguia dormir, ouvi-lo chegar em casa bêbado novamente, eu rapidamente me certifiquei de que havia trancado a porta do meu quarto, então eu ouvi mais vozes. Uma mulher. Não era minha mãe, e eu sabia disso. Depois que todo o barulho acabou, eu saí do meu quarto, entrei no quarto da minha mãe, sem que eles soubessem e, peguei a arma de dentro do armário e jurei para mim mesma que não deixaria nenhum homem se aproximar de mim ou da minha mãe, então eu... o matei.
– V-você...
– Eu achava que era necessário, para que aquele idiota não enganasse mais nenhuma mulher, e para que não nos atormentasse. A mulher que estava com ele fugiu com medo, mas eu não ligava para ela. Os vizinhos chamaram a polícia, minha mãe me julgou ser culpada por todo o momento, então eu fui presa. Fiquei três anos presa, depois disso, fui morar com meu pai, mas meio que não deu certo, porque eu tinha me apaixonado pela namorada dele, então eu mesma pedi para voltar à morar com minha mãe.
– E ela aceitou isso?
– Não, mas eu não liguei, sabe? Por tanto que aquele homem não estivesse mais com ela.
– Hum... Eu sinto muito, Lindsay.
– Não tem problema, Quinn. Eu só peço que você não diga isso para as meninas, não quero que elas achem que eu sou uma louca.
– Eu não vou dizer.
– Obrigada. – Lindsay pegou um par de luvas de lã da cor rosa e jogou em Quinn. – Use essas, combinam com você.
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