A água quente parecia ótima, seu corpo estava implorando por isso, o sabonete com cheiro de rosas deslizava em seu corpo, o deixando mais leve e limpo. Depois de se enxugar, Santana se secou, passou um creme hidratante que tinha no banheiro, que tinha cheiro de morango, em seu corpo, se enrolou na toalha e saiu do banheiro, entrando no quarto que havia escolhido para dormir. Ela se perguntava do porquê de não ter colocado roupas intimas em sua mochila, afinal, roupas intimas são importantes. Alguém bateu na porta do quarto, Santana colocou suas roupas sujas na pia do banheiro e sentou na cama, ouvindo mais uma batida.

– Entre!

Quinn abriu a porta lentamente e sorriu ao ver que Santana já tinha tomado banho.

– Trouxe algumas roupas para você, assim você escolhe quais lhe agradam.

– Obrigada, Quinn.

Santana se levantou e pegou a sacola da mão de Quinn, olhou dentro sem nem ao menos mexer e sorriu, ao ver um conjunto de lingerie da cor branca. Ela se sentiu grata por sua amiga ter se lembrado das roupas intimas, mas para Quinn não foi tão fácil. Embora elas já tivessem se visto nuas, principalmente por elas já terem tomado banho juntas, Quinn achou constrangedor escolher roupas intimas para Santana usar. Não era normal uma amiga fazer isso, era? Santana desenrolou a toalha de seu corpo e começou a se vestir, colocando apenas uma camiseta, já que ela iria dormir. Quinn se preparou para sair do quarto, sentindo seu rosto corar, Santana colocou a sacola com as roupas no chão, pendurou a toalha na cadeira que tinha no quarto e sentou na cama.

– Aonde vai? – Santana perguntou, se arrastando para baixo do cobertor.

– Hum... Escolher um quarto, tomar banho e dormir.

– Dorme aqui?

– Por quê?

– Porque esse quarto é grande demais, porque está acontecendo um apocalipse zumbi lá fora, e porque talvez eu esteja com um pouco de medo de dormir sozinha.

– Está bem.

Ela tirou seu casaco, seu tênis, junto com as meias e foi direto para o banheiro. Santana não estava com muito sono, então resolveu esperar Quinn, como ela sempre fazia, quando dormia na casa da loira. Depois de poucos minutos, Quinn saiu do banheiro, com o mesmo cheiro de Santana, colocou uma lingerie da cor preta que ela havia “comprado” e colocou uma camiseta, ficando igualmente à Santana. Ela apagou a luz do quarto, deixando a do banheiro acesa, correu para a cama e se deitou, ficando de barriga para cima. Santana podia ver que Quinn estava de olhos fechados, mas ela sabia que sua amiga não estava dormindo, assim como ela.

– Quinn... – Santana sussurrou, se encolhendo um pouco. – Ainda está acordada?

– Uhum...

– Você quer mesmo ir para a Austrália?

Quinn se virou de frente para Santana e abriu seus olhos, vendo Santana lhe encarar.

– Sim.

– Eu também.

Elas ficaram em silêncio, ouviram o barulho do vento batendo na janela e Santana fechou os olhos.

– Eu vou te proteger. – Quinn sussurrou, acariciando o rosto de Santana. – Como eu prometi.

– Eu também vou te proteger.

As duas sorriram ao mesmo tempo, Quinn beijou a testa da Santana e fechou os olhos, sentindo os pés gelados de Santana encostarem os seus.

***

Seus olhos estavam arregalados, suas mãos e pernas tremiam, ela suava frio, seu coração parecia saltar para fora. Aquela arma estava em direção à Santana, e ela sentia que à qualquer momento poderia ser baleada. Lindsay estava limpando a arma, ela não sabia o porquê, já que não estava suja, mas mesmo assim a garota estava limpando, e a arma estava indo em sua direção.

– Você precisa mesmo fazer isso? – Santana perguntou, ainda encarando a arma.

– Eu não tive tempo de limpá-la, então sim, eu preciso fazer isso.

– Poderia virá-la para o outro lado?

Lindsay desviou seu olhar para ela e sorriu, voltando a limpar a arma.

– Está sem balas, eu as tirei antes de limpar.

– Isso é bom.

Brittany buzinou um pouco, assustando as duas na traseira, Quinn riu e continuou cantarolando uma música rápida.

– Está vendo? – Lindsay perguntou, se acalmando. – Se eu não tivesse tirado as balas, você estaria morta agora.

– Obrigada por avisar isso.

Lindsay riu, colocou as balas na arma e a colocou de lado.

– Então, Santana... qual é a sua?

– Como assim? Qual é a minha?

– Você tem, ou tinha namorado?

– Não.

– Namorada?

– Não!

– Gostava de alguém?

– Eu gostava de um garoto, mas... ele era popular e não gostava de mim.

– Azar o dele.

Elas ficaram em silêncio, Brittany parou o carro lentamente em frente à um mercado e saiu, junto com Quinn.

– Nós vamos pegar algumas garrafas de água e alguns alimentos, vocês querem vir? – Quinn perguntou.

– Não. – Lindsay respondeu. – Ficaremos aqui, caso alguém queira roubar o carro.

– Quem iria querer roubar o carro? – Santana perguntou, rindo. – Acho que somos as únicas vivas nesse lugar.

As duas riram, Quinn revirou os olhos e pegou a grande bolsa de Brittany, entrando em seguida com a outra loira. Seus objetivos eram pegar as águas, alguns salgadinhos e biscoitos e sair. Brittany foi na frente, com seu pé de cabra nas mãos, Quinn a seguia com a sacola.

– Podemos levar sorvete? – Brittany perguntou, vendo a geladeira na parte dos frios, repleto de sorvete.

– Ele vai derreter rápido.

– Não tão rápido, já que está frio.

– Nem tanto.

Brittany revirou os olhos e se aproximou de uma das geladeiras.

– Só um pote, nós o comeremos rápido.

Quinn resolveu deixar, afirmando com a cabeça, sabendo que se não deixasse, Brittany reclamaria o tempo inteiro. Elas se conheciam à pouco tempo, mas Quinn já sabia alguns dos defeitos e algumas das qualidades dela, como ela saber animar uma pessoa que está triste.

– Quantas garrafas quer que eu pegue?

– O quanto couber na bolsa. – Brittany respondeu, indo até a sessão de biscoitos. – Quinn!

– O que?

– Vende bonecos de porcelanas no mercado?

– O que? Por quê?

Quando Quinn parou ao lado de Brittany, viu um garoto deitado no chão. Ele tinha os lábios rosados, e seu rosto estava um pouco corado, por conta do frio.

– Acha que ele está morto?

– Não vejo sangue. – Quinn se aproximou dele. – Pode estar dormindo.

– Devemos acordá-lo?

– Não sei. E se ele querer nos matar?

– Não acho que ele irá querer isso.

Com a conversa entre as duas, o garoto começou a abrir os olhos, sentindo o frio lhe atingir cada vez mais. As duas loiras lhe olhando com curiosidade o deixou um pouco com medo, afinal ele não via alguém vivo à três dias.

– Oi. – Brittany disse, sorrindo para ele. – Meu nome é Brittany.

– Brittany, não diga seu nome para ele. Você não sabe se ele vai te matar.

– Me desculpe. Meu nome não é Brittany.

Quinn revirou os olhos, o garoto sorriu e se sentou.

– Sou Kurt. – ele respondeu, olhando de Brittany para Quinn. – E eu não vou matar vocês.

– Como pode provar isso? Talvez você espere nos virar e nos esfaquear. – Quinn disse, dando um passo para trás de Brittany.

– Eu não tenho uma faca comigo. – ele se levantou e abriu seu casaco. – Pode me revistar, se quiser.

Brittany e Quinn se entreolharam, Quinn se escondeu um pouco mais, fazendo Kurt rir.

– Meu nome é Brittany e essa é Quinn.

– Você está sozinho?

– Sim.

– Onde estão seus pais?

– Minha mãe morreu quando eu era pequeno e meu pai... ele está por aí, atrás de carne viva.

– Como conseguiu se esconder aqui, sem ser pego?

– Na verdade não sei.

– Estamos indo para Austrália. – Brittany comentou, sorrindo ainda mais. – Quer vir conosco?

– Hum... Essa garota não vai me matar, vai? – ele perguntou, apontando para Quinn.

– Ah, não... Ela é um pouco esquentadinha, mas não faz mal.

Kurt sorriu e afirmou com a cabeça, cruzando os braços em seguida. Santana tirou suas luvas por um tempo e prendeu seus cabelos em um rabo de cavalo. O vento forte fazia com que seus cabelos tampassem seus olhos, por isso ela estava os prendendo.

– Você já beijou a Quinn? – Lindsay perguntou, se encostando no carro.

– Não. Por que eu faria isso?

– Nem como um beijo de amiga?

– O que é um beijo de amiga?

– Feche os olhos que eu te mostro.

Santana olhou para a porta do mercado, um pouco hesitante, voltou a olhar para Lindsay e respirou fundo, fechando os olhos em seguida. Ela sentiu os lábios carnudos de Lindsay tocando os seus cuidadosamente. Não era um beijo longo, mas também não era tão curto, apenas um tocar de lábios. Antes que Lindsay se afastasse, Quinn, Brittany e Kurt apareceram, para poderem presenciar esse marco importante. O primeiro beijo de Santana estava sendo com Lindsay, mesmo que não fosse um beijo de verdade.

– Meninas. – Quinn chamou a atenção, vendo as duas se afastarem. – Esse é Kurt.

Santana sorriu envergonhada, Lindsay mordeu seu lábio inferior e acenou para Kurt.

– Sou Lindsay e essa é Santana.

Brittany colocou as coisas na traseira do carro e foi até o lado do volante, Quinn segurou o braço do Kurt e sorriu, aproximando seu rosto do dele.

– Você vai na frente comigo, certo Kurt?

– Hum... Se você não se importa. – ele respondeu, um pouco confuso.

– Me importar? Eu adoraria sua companhia!

Ela o puxou para dentro da picape, Lindsay soltou uma pequena risada e olhou para Santana, a mesma estava corada, e seus cabelos, novamente soltos pelo vento, escondia parte do seu rosto, e de seu sorriso envergonhado.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.