Best Friends
3 Convicção
Notas iniciais
Pov's Pe Lanza
Acordei com os primeiros raios de sol que entravam pela janela. Me virei na cama e parei para olhar meu amigo que roncava sonoramente na cama ao lado.
A noite anterior havia me deixado intrigado. Por que ele me fitara tão assustado? E por que ele tinha saído alegando-de novo-que estava com dor de cabeça?
Decidido a arrancar uma resposta me levantei e sentei-me ao seu lado. Sacudi-o com força.
-Thomy, hora de acordar- eu sabia que ele odiava esse apelido.
Ele abriu um pouquinho os olhos.
-Não me chame de Thomy! E não fique me sacudindo.
-Então levanta. Eu quero falar com você.
Ele meneou a cabeça.
-Mais tarde.
-Ok. Então eu vou ficar pulando na sua cama até você me dar atenção.
Ele se sentou de má vontade e esfregou os olhos.
-O que você quer?
Fitei-o, sério. Seus olhos estavam inchados e havia olheiras sob suas pálpebras.
-Você andou chorando?
-Não te interessa- sua resposta foi seca.
Respirei fundo antes de continuar.
-Eu sou seu melhor amigo, é claro que me interessa.
-Eu não sou obrigado a dividir tudo com você, Pedro.
Pedro? Desde quando ele usava meu primeiro nome?
-Tom, o que tá acontecendo? Desde ontem você está estranho.
-Eu estou ótimo- ele respondeu de cabeça baixa.
-Não está não!-explodi- Ontem estava tudo bem entre nós. Você estava encostado no meu ombro e pedindo pra eu ficar com você, e hoje você me trata desse jeito? Porra! O que eu te fiz?- eu sentia a raiva fluindo por todo meu corpo.
Ele ergueu os olhos e me fitou irritado.
-Você não é ninguém pra falar assim comigo! Eu não te devo explicação nenhuma.
Senti como se uma faca estivesse sendo enfiada na minha traquéia. Tirei a corrente com mãos trêmulas e a joguei sobre sua cama.
-Então o "ninguém" aqui está saindo de cena. Acabou.
Saí do quarto e bati a porta com força. Pe Lu e Koba estavam na ponta da escada.
-O que aconteceu? Ta dando pra ouvir os gritos lá da cozinha- disse Koba.
-Posso usar o quarto de vocês?- perguntei com os olhos embaçados pelas lágrimas.
-Vai lá- disse Pe Lu.
Agradeci com um aceno de cabeça e corri para o quarto da extrema direita. Assim que fechei a porta e me larguei na cama comecei a chorar convulsivamente.
Suas palavras ainda doíam, queimavam. A dor era pior do que qualquer coisa que eu já tivesse sentido antes. Nós já havíamos brigado algumas vezes, mas nunca havíamos pronunciado palavras tão duras.
Puxei o cobertor até a altura do queixo e me enrosquei numa posição confortável, o cansaço era tanto que eu sentia todos meus músculos pesarem. Deixei os raios de sol entrarem em contato com o meu rosto e fechei os olhos. Poucos segundos depois, adormeci.
-Lanza, hora de acordar.
Abri os olhos lentamente e deparei com Pe Lu e Koba ao meu lado.
-Que horas são?
-Hora do almoço- respondeu Pe Lu
Estremeci e puxei o cobertor até a boca.
-Tá frio.
-Frio? Tá um calor insuportável aí fora- disse Koba.
Pe Lu pôs a mão sobre minha testa.
-Caramba! Você tá queimando em febre. Koba, vai lá na sala e pega o kit de primeiros socorros.
Meu amigo obededeu rapidamente.
-O que mais você está sentindo?
-Dor no corpo- murmurei.
-Mas você não pode ter pego gripe de uma hora pra outra
Me ajeitei melhor no travesseiro.
-E o Thomas?
-Ainda não saiu do quarto.
Koba voltou com o kit e Pe Lu tirou de dentro da caixa um termomêtro.
-Abre a boca- ordenou.
Obedeci e ele colocou o aparelho ali
Um minuto depois ouvimos o apito e Pe assoviou.
-Quase 39º
-A gente precisa de um médico- disse Koba.
-Nem pensar!- protestei.-Isso não é gripe, é só uma reação ao nervoso que eu passei
-E o que a gente faz?- perguntou Koba.
-Me deem um analgésico.
Pe tirou um comprimido vermelho de dentro da caixa e me entregou.
Tomei-o com um gole d'água e voltei a me deitar.
-Por que vocês não foram falar com ele?
Meus amigos se entreolharam.
-Bom, a gente não sabia o que tinha acontecido então decidimos deixar quieto- disse Koba constrangido.
Suspirei. Eu sabia que eles estavam loucos para ouvir a história.
-Nós brigamos porque ele não quis me contar o que aconteceu ontem.
-E você tirou a corrente só por causa disso?- perguntou Pe.
-Não. É que ele foi muito duro com as palavras, me magoou.
-Isso explica os gritos- murmurou Koba.
Mordi o lábio com força.
-Estou me sentindo tão vazio.
Pe acariciou meus cabelos.
-Vai passar.
Eu queria chorar, queria gritar, queria estar com Thomas naquele quarto e obrigá-lo a me dizer a verdade.
-Dorme um pouco- disse Koba.
Não foi difícil seguir seu conselho. Minha cabeça girava e o analgésico já começava a fazer efeito, não demorou muito pra que eu caísse num sono profundo.
Acordei muitas horas depois numa escuridão total. Tateei meus óculos sobre o criado-mudo e acendi o abajur
-Você quer que eu acenda a luz?
Meu coração disparou. Ele estava ali, na cama ao lado, me fitando fixamente.
-Ahn... não.
Uma sombra de sorriso perpassou seus lábios.
-Sente-se melhor?
-Sim. Mas ainda estou um pouco zonzo.
-Provavelmente porque você não comeu nada- censurou-me.
-Não estou com fome- me afastei um pouco para lhe dar espaço.-Senta aqui.
Ele deitou-se ao meu lado e nós pudemos ficar um de frente pro outro.
-Quem te contou?- perguntei.
-Pe Lu. Quando ele falou que você estava doente eu fiquei desesperado.
Sorri.
-Culpa é um problema grave.
-Não foi culpa. A ideia de que pudesse acontecer alguma coisa contigo...- senti-o estremecer
Me aproximei alguns centímetros e pude ver que ele estava com as duas correntes.
-Você falou muito enquanto estava dormindo- comentou.
Engoli em seco. Minha péssima mania de falar durante o sono sempre me rendeu momentos vergonhosos.
-Eu disse algo interessante?
-Não muito. A maior parte do tempo você só ficou chamando meu nome.
Senti meu rosto arder. Ainda bem que estava escuro.
-Eu quero a verdade- sussurrei.
-Não posso te contar, Lanza. A nossa amizade vem em primeiro lugar
Segurei nossos pingentes entre as mãos e formei o coração inteiro.
-Não foi o que pareceu hoje de manhã. Você preferiu brigar comigo a me contar o que está acontecendo.
Ele começou a brincar com alguns fios do meu cabelo.
-Você vai me odiar se eu te contar.
-Eu quero saber- finquei pé.
Nós ficamos calados depois disso. Ele me olhava fixamente, como se quissesse ler todos os meus pensamentos, e eu retribuía da mesma maneira.
-Thominhas...
-Shiu!-ele colocou o dedo indicador sobre meus lábios- É que eu não sei por onde começar
-Pelo começo, de preferência.
Seu riso ecoou baixinho.
-É que não tem um começo, esse é o problema.
-Então vá direto ao ponto- eu estava começamndo a ficar apreensivo.
Ele suspirou.
-Está bem, então lá vai: eu estou apaixonado por você.
Eu esperava tudo, menos aquilo. Abri a boca sem emitir nenhum som e pisquei repetidas vezes. Depois veio a sensação inesperada: a alegria. Thomas, desejado por milhares de garotas, estava apaixonado por mim. Sorri pra ele.
-Quando você descobriu?
-Ontem- ele me fitava desconfiado.- Não era pra você estar em choque ou algo parecido? Tipo, eu acabei de deizer que te amo! Eu quero te tocar, te beijar, dormir no seu colo e...
Colei meus lábios aos dele brevemente.
-Nós já passamos por todas essas fases, inclusive a do beijo.
-Mas você não me ama! Quer dizer, você me ama como amigo, mas...
-Quem disse?-interrompi-o- Você sabe o que eu senti quando a gente se beijou? Desejo, muito desejo. Eu fiquei doente por sua causa Thomas! A ideia de perder sua amizade, de ficar sem você um minuto que seja quase me deixou maluco! Se isso não é amor eu não sei o que é.
Ele se aproximou um pouco mais, colando nossos corpos. Agora nossos rostos estavam muito próximos.
-Você tem cereteza?
-Absoluta- respondi sem pestanejar.
Ele colocou uma das mãos em minha nuca e colou nossos lábios com uma certa urgência. Foi automática minha reação de entreabri-los e deslizar minha língua para dentro de sua boca, sendo correspondido no mesmo momento. Enrosquei uma das mãos em seus cabelos e deixei a outra vagar por dentro de sua blusa. Ele gemeu baixo entre meus lábios. Senti meu membro pulsar violentamente sob a bermuda, eu queria mais! Parei de beijá-lo e deixei meus lábios escorregarem para seu pescoço, explorando cada milímetro de sua pele com vontade.
Thomas me afastou delicadamente.
-Vamos com calma. Que tal a gente descer pra você comer algo?
Fitei-o meio decepcionado, mas cedi.
-Está bem.
Ele se levantou e puxou-me pela mão.
De repente senti uma pontada de dúvida.
-Thominhas, nós estamos ficando?
Ses sorriso fez meu coração disparar.
-Ha! Até parece que eu vou te dividir com outra pessoa- ele colocou a mão sobre a minha e olhou fundo em meus olhos.- Você quer namorar comigo?
Notas finais
Espero que tenham gostado deste, é o meu preferido.
Mandem reviews!!!!
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