Mobius era um vasto planeta, colorido e vívido. Tinha uma diversidade incrível em sua fauna, com vários elementos presentes também em outros planetas. Possuía continentes e inúmeras ilhas, mas sua superfície podia ser dividida em três grandes blocos diferentes: um deles, extremamente desenvolvido tecnologicamente, era centro comercial, habitado por todos os tipos de animais e criaturas que existiam no universo – inclusive alguns humanos. A segunda parte, era a mata virgem, formada em sua maioria por ilhas e arquipélagos onde, as criaturas não-racionais costumavam viver sem grande interferência. A terceira e última parte, ligeiramente menor, se tratava de uma pequena região inabitada onde Robotnik, vulgo Dr. Eggman, havia dominado por completo após uma primeira implantação da sua tão sonhada Eggman Land. Uma explosão de um reator nuclear durante uma batalha travada entre ele e Sonic, causou tamanha destruição que a região é ausente de qualquer tipo de vida inteligente a não ser o próprio cientista, que abriga seu laboratório no subsolo.

Tails não tinha muita ideia da sua origem ou lembranças do seu nascimento e infância. Apesar de Tikal ter lhe contado muito e mais um pouco sobre seu passado, ele sentia como se tudo aquilo não fosse parte dele, como uma realidade distante, longe de qualquer relação consigo. Mas independentemente de ser descendente de uma linhagem real ou não, ele sempre sentiu um amor descomunal por proteger aquele planeta – o seu planeta.

Por mais que não tivesse muita vantagem em força física, ele fazia questão de ajudar o quanto pudesse com sua inteligência. Os demais também estavam se esforçando ao máximo. Rouge, com seus contatos importantes, conseguiu planejar com o governo, uma ação imediata de evacuação para abrigos no subsolo, caso a situação de fato afete civis que não podem lutar. Cream já se mostrava interessada em engenharia e robótica aprendendo tudo que Tails tinha a lhe passar. Os Babylon Rogues saíram convocando aqueles cidadãos que desejassem se juntar ao exército de heróis.

Aos poucos, tinham um esquadrão. Agora, em frente ao bom e velho Tornado – obviamente melhorado – Tais esperava a hora da batalha e pensava em como estava satisfeito, pois mesmo se aquilo fosse o fim, ele estava dando o seu melhor.

Lembre-se por que você está aqui! – As palavras de Tikal ecoaram em sua mente.

– Tails! – O raposo ouviu a voz de Cream vindo de dentro do laboratório. O raposo correu e ao chegar lá, se deparou com todas as suas máquinas em sinal de alerta.

– Caramba...

– Tails, ‘cê tá aí? – No seu comunicador havia um chamado de Knuckles.

– Sim, Knuckles. Pode falar!

– Eu ia dizer que a Esmeralda Mestre apontou um corpo estranho atravessando a atmosfera de Mobius. Mas pelo barulho, acho que suas engenhocas já lhe avisaram. O que faremos agora?

– Espere, Knuckles. – Tails apertou alguns botões no seu comunicador para estabelecer uma mensagem coletiva.

– Atenção, todos! Acredito que DEMOLISH acaba de entrar em nosso planeta. Vamos começar a formação para nosso plano!

Os próximos minutos foram de extrema movimentação. Todos se apressaram a ir até o ponto de encontro: a grande planície de Mystic Ruins. Os primeiros a chegar foram Shadow e Rouge, e logo após, Amy, Tails, Knuckles e Shade. Os demais conhecidos e desconhecidos foram aparecendo aos poucos. Evitavam conversar, estavam mantendo a formação original do plano. Quaisquer erros poderiam causar danos catastróficos. Então, no horizonte do crepúsculo, surgiu uma forma flutuante. Agora Tails podia entender tudo. Sua superfície lembrava a lua, como se tivesse sido construída com pedaços de astros. Claro! Esse era o meteoro que tanto falavam! Essa nave pode muito bem se passar por um! – Entretanto, aquilo não parecia ser algo muito diferente do que Tails já havia visto em toda sua vida. A espaçonave era silenciosa, havia uma espécie de tremor crescente que se intensificava à medida que o veículo se aproximava.

O tempo foi uma variável não-absoluta. Para alguns, a aproximação ocorreu em poucos minutos. Mas para outros, a ansiedade era tamanha que tudo pareceu ter acontecido por uma eternidade. A nave desacelerou e o mínimo ruído e a vibração cessaram. Metros abaixo estavam todos preparados para combate. A tensão era palpável. Todos observavam temerosos ao que poderia acontecer naquele lugar. Poderia ser uma vitória ou uma tragédia. Talvez as duas coisas. Era um momento solene e terrível. Mas alguns estavam otimistas, sim, já haviam passado por maus bocados:

– E aí cabeça-oca? Com medo? – disse Rouge à Knuckles, que observava à nave atentamente.

– Veremos quem está com medo, sua ladra.

Próximo dali, Silver tentava comunicar-se com Blaze. Vamos, Blaze! Responda! O que está acontecendo?

Cream estava ao seu lado:

– Será que a Sra. Blaze está bem?

Com o silêncio dramático, Silver sentiu um apertar no peito.

– Não sei ainda, Cream. Mas se eles tocarem nela... Vão pagar caro.

...

– Meu lorde, as turbinas e reatores estão estabilizadas. Estamos em sobrevoando a grande planície de Mystic Ruins há um exército lá em baixo.

– Ótimo.

– Quer que eu inicie o ataque?

– Sim. Mande-os para baixo. Mantenha o ódio.

...

Amy fitou os rostos presentes ali. Ela só visualizou heróis e heroínas dispostos a lutar com a vida pra eliminar qualquer ameaça. Eles que são os verdadeiros guardiões. Nós vamos conseguir. Pensou ela.

Alguns segundos depois. Um som como um enxame de abelhas gigantesco distante se ouviu. Todos olhavam ansiosamente o que iria acontecer. Pontos pretos e coloridos no céu se transformaram em formas diversas. Logo, dava pra se avistar o que era aquilo afinal: Eram muitos, mas não o suficiente para desarmá-los completamente. Havia criaturas que voavam. Os que não podiam voar vinham em cima de robôs que pareciam grandes gafanhotos. Eram medonhos, mas a expressão engessada dos seus rostos de metal era conhecida:

– Eggman! – Knuckles e Tails quase falaram em uníssono. Claro, o design entregava todo o esquema – Eu não acredito. Mesmo depois de tudo que Pyro fez com ele! Esse velho gordo já passou dos limites – Knuckles estava nervoso e Tails via seus punhos se contraindo.

– Relaxa, Knux. Lembre-se do plano.

Os robôs pousaram em terra firme, e aqueles que estavam nos ombros saltaram e, soturnos, fitaram a todos. Tails franziu a testa. Eram morcegos, raposas, garotos-planta, criaturas comuns com olhares sombrios. O que está acontecendo? Pensou o raposo.

Naquele lugar, um silêncio mortal se estabeleceu. Nenhum dos dois lados se manifestou. Apenas se olhavam como adversários antes de uma perigosa luta. Pyro então finalmente decretou:

– Agora.

Os instantes a seguir foram suficientes pra realizar uma mudança completa do cenário visto anteriormente. Os robôs possuíam poucas armas à distância e tinham mais facilidade em lutar corpo a corpo com golpes rápidos. As demais criaturas lutavam com o que tinham; e se tinham poderes, os usavam sem nenhum padrão aparente. Pareciam decididos a destruir qualquer coisa que viesse à frente.

...

– É estranho, lorde. Eles não estão se movimentando, nem tampouco destruindo meus robôs... Estão apenas... se defendendo.

– Hmm, é realmente estranho. Mas que continuem, uma hora eles se renderão.

– Meu lorde, tem alguma coisa errada.

De repente, todos os heróis que estavam naquela planície simplesmente sumiram. Como se tivessem caído em buracos. Os inimigos olhavam confusos para todos os lados. Então, o campo da mata se abriu, revelando o grande Blue Typhoon que saíra do seu esconderijo subterrâneo, mas com uma alteração crucial que pegou Pyro de surpresa. Havia uma enorme plataforma onde deveria estar havia a pista de pouso.

– O que?! Não é possível! – Pyro fora surpreendido por uma reviravolta impressionante. A plataforma onde estavam apenas criaturas inimigas e robôs de Eggman, transformara-se em uma gaiola enorme, aprisionando todos. Logo atrás do Blue Typhoon, havia três aviões Tornados que iniciaram uma ofensiva aérea à grande aeronave Demolish.

– Lorde, permissão para atacar. – A voz de Eggman soou fraca e abatida demais para a reação que o cientista teria em meio a uma investida como essa.

– Ataque agora! E providencie mais de seus robôs. Vamos passar para o plano final. Eles não irão resistir. Quero Tails e Amy na palma da minha mão.

...

– Silver! Está me ouvindo?

– Estou sim, Tails. Câmbio.

– Ataque pela direita, ele está usando uma arma lateral pra atingir a gaiola. Eu vou pela esquerda. Câmbio.

– Entendido, câmbio desligo.

– Shade? Você está aí?

– Sim, Tails! Câmbio.

– Shade, eles estão mandando mais robôs para o Blue Typhoon, quero que você e Mighty impeçam o maior número de robôs possível. Ataque com o vórtice de energia do Tornado. Câmbio.

– Entendido. Câmbio desligo.

Os três aviões estavam fazendo um trabalho fenomenal. O dois Tornados da ofensiva — onde estavam Tails e Amy no primeiro, e Silver e Rouge no segundo – atacavam todas as armas possíveis que tentasse atingir o Blue Typhoon. O terceiro Tornado, tentava impedir que os robôs-gafanhoto chegassem até os demais.

A ideia de trazer uma nave tão grande pra batalha, fora justamente desviar atenção de Pyro, pra que ele não causasse danos ao planeta. Apesar disso, um comunicado oficial do governo decretou uma evacuação imediata de todos que não desejassem lutar. A G.U.N. estava a postos, caso Demolish ousasse entrar nas cidades. Alguns soldados e atiradores estavam ali também, atingindo alguns dos robôs nas gaiolas, deixando apenas as demais criaturas imobilizadas. O que preocupava Tails era a munição daquela aeronave que parecia nunca acabar. Em contrapartida, ele olhava para baixo e via aquelas criaturas. Não eram monstros. Eram como ele, mas tinham em seus olhos o ódio presente de Lumina:

– Não faz sentido, Amy! Todas essas criaturas são conhecidas de algum lugar do universo, algumas até parecem ser daqui mesmo de Mobius! O que está acontecendo? Porque elas estão agindo assim? Não parecem ser capangas.

– Não sei, Tails. Só estou com um pressentimento muito ruim.

– Amy, Tails?! – Shadow parecia berrar pelo comunicador.

– Shadow? O que foi? – Amy respondeu logo que imediatamente.

– Amy, eu não sei se vi direito, mas há duas criaturas agindo de uma forma diferente dos outros dentro da gaiola. Estão gritando, pedindo socorro! E uma delas é uma criança! Essa menina morcego parece está realmente assustada com tudo que está acontecendo! O que devo fazer?

Tails não hesitou em responder:

– Tire-os daí e coloque eles na sala B1 do Typhoon, mas tranque a sala!

– Entendido! – Shadow desliga. Teria de ser muito rápido – Chaos Control!

Lá em cima Amy e Tails estavam tensos. Amy não desgrudava os olhos do painel lateral. Uma barra de carregamento apontava finalmente o que eles tanto queriam.

– Tails! O reator absorveu toda energia possível. Quando você quiser.

Tails sentiu um calafrio percorrer todo seu corpo:

– Tudo bem! Vamos para a segunda fase do plano. Quando eu sinalizar, você liga o canhão!

O plano que ele estavam falando foi omitido por horas. Amy e Tails se predispuseram a invadir a nave Demolish. E mesmo se Sonic não estivesse lá, Tails iria fazer Pyro cuspir as localizações de Sonic, Blaze e Quake.

– Amy? Quando eu disser já.

Para Amy era tudo aquilo muito importante. Aos poucos, a seu nervosismo ia sendo substituído por um sentimento de lealdade que excedia qualquer medo. Ela estava preparada.

– Já!

Em apenas oito segundos, muita coisa aconteceu.

Oito. Sete. Seis.

O canhão de energia disparou contra a lateral da espaçonave.

Cinco.

Uma grande cratera se abriu. Era o bastante pra fazer o tornado passar.

Quatro.

Tails acelera o tornado pra que entre o mais rápido possível por aquela brecha.

Três.

Amy grita, mas não era por medo. Ela pede que Tails olhe pra direita. Ele o faz.

Dois.

Ele não tem certeza do que vê. Mas diante de seus olhos estavam Sonic e Blaze.

Um.

Escuridão. Eles estavam dentro.