Believe in Yourself
10 Agonia
Que situação. — Tails se jogou na cadeira mais próxima que pode encontrar. Por um instante o raposo apenas quis que o universo parasse pra que pudesse absorver tudo aquilo. Amy também estava confusa ao receber as novas informações, e por isso também não dizia absolutamente nada.
O silêncio então reinou.
Blaze, vendo que nenhum dos dois tomou atitude, aproximou-se da tela e disse:
— Tudo bem, Knuckles. Obrigada.
— Certo. Até logo, pessoal. – Disse o equidna vermelho antes de sumir na imensidão do monitor principal.Os três sequer se entreolhavam. Nenhum deles sabia bem o que dizer ou pensar.
Não podemos voltar agora, Sonic ainda está sumido. E agora, Mobius parece estar em grande perigo. O que vamos fazer? — Amy Rose se perguntava.
Blaze entendia as incertezas, mas não conseguia encontrar palavras certas para nenhum consolo. Eufemismos não iriam resolver nada. Declarou:
— Essa é a realidade, pessoal. Nós temos que lutar. – Saiu e embrenhou-se nos corredores.
Os dois amigos que ficaram, estavam ali apenas fisicamente. Ambos acreditavam que não pensar muito nos problemas que estavam passando ajudava pelo menos a aliviar a preocupação.
Mas a realidade era cruel.
Amy, apesar do otimismo que mantinha ao resistir a tudo que havia passado, sabia mais do que ninguém que era impossível permanecer constante. Desde que tudo começou, só surgiram mais problemas, provocações e tribulações por todos os lados. A ouriça então mirou a seu amigo e, entre seus devaneios, questionou-o:
— E agora?
O raposo amarelo suspirou. Não havia ideias, nem ações imediatas, plano B, absolutamente nada. Para ele, havia somente uma única opção perigosa e realista. Delongou antes de tomar vontade e forçar a sua cabeça a erguer-se e inclinar-se para olhar a ouriça. Seus lábios peludos movimentavam-se calmamente:
— Vamos continuar.
Amy não sabia no que optar. Talvez desistir daquela busca e voltar pra tentar proteger seu lar fosse a decisão mais sensata que poderiam tomar, ou seja, proteger aquilo que ainda era seu. Por mais que Tails inventasse uma grande e poderosa arma, mesmo assim, não seria a solução. E embora as chances fossem mínimas, a ouriça não teria coragem de deixar todo seu mundo nas mãos de alguém cruel. Não. Nunca iria resignar sem ao menos lutar. Ela havia prometido a si mesma que veria Sonic novamente, nem que fosse a última vez.
Então um ruído baixo, porém estridente começou a ensurdecer os que estavam na sala, despertando-os do transe. Tails conhecia aquele som. — Comunicação externa. — Saiu da cadeira e aproximou-se do computador onde apertou o botão que iria identificar o interlocutor. Desconhecido? — dizia a máquina. O raposo franziu a testa e logo apertou o botão que estabeleceu a chamada, no vivo a voz.
— Boa noite, jogadores.
O clima de melancolia foi substituído por um temor desconhecido. Os olhares dos dois presentes já demonstravam um visível desconforto. Ouvidos logo despertaram para identificar quem quer que fosse aquele, pois apesar de estarem em uma chamada em vídeo, a visão era inútil. No telão, havia uma figura que hesitava em revelar o rosto, sentado em uma cadeira com roupas negras, que pareciam reluzir. Seu rosto estava camuflado por uma sombra do capuz que estava sobre a sua cabeça. O local que falava também parecia imerso em escuridão, dificultando mais ainda as possibilidades de saber quem era o sujeito. Tails não hesitou em perguntar:
— Quem é você? Como conseguiu se comunicar com essa nave?
O estranho soltou uma riso baixo, maligno e debochado, despertando mais ainda as curiosidades do raposo amarelo e da ouriça rosada. Após alguns segundos, ele respondeu:
— Meu nome é Pyro, sou chefe de uma organização chamada Demolish.
Os confrontos na mente de Amy lhe fez ter uma pequena tontura. Seria realmente Demolish ali, falando abertamente? A ouriça só teve forças para chamar o nome da amiga lilás que pouco longe estava.
Assim que Blaze chegou, não perguntou absolutamente nada a eles. Apenas visualizou o mesmo telão, desconfiada. Tails após se recuperar do choque que teve ao ouvir o nome mais intrigante que já havia ouvido nos últimos dias, resolveu questioná-lo diretamente:
— O que é que você quer com a gente? Sabemos que você está com Sonic. O que fez com ele?!
— Mantenha a calma. Você irá precisar bastante. – Disse em um tom seco e ríspido. – Ouçam primeiro o que tenho pra falar antes de exigir qualquer coisa. Quero lhes propor algo.
— Propor? — Tails estava cada vez mais confuso.
— Sim. Logo no início, achei que vocês não poderiam atrapalhar meus planos. Mas fiquei sabendo que vocês descobriram sobre nós. E isso é digno de louvor, garanto. Gostaria até de saber como vocês conseguiram.
— Como você ficou sabendo que nós descob... Ah, claro, Eggman...
— Sim, infelizmente aquele velho e gordo deixou escapar informações demais, e isso vai lhe custar um preço caro. Vocês achavam que eu iria deixar aquela base para ele sem ao menos manter meus aparelhos de espionagem? Ele nem procurou desativar meu sistema. Mas agora tenho outras coisas em mente. — A figura pegou uma caneca e levou aos lábios, saboreando o que quer que estivesse nela. Continuou logo depois. — Estou com seu amiguinho ouriço, sim. Se o quiserem de volta, tenho uma oferta pra vocês. Vou lhes propor desafios. Se acertarem e cumprirem tudo o que eu mandar, eu devolverei o ouriço. Mas se não... Sumirei pra sempre com Sonic e darei um fim a sua vidinha desinteressante.
A felina fez um grande esforço para não atirar chamas e descarregar seu ódio naquele telão, demonstrando do que estava sentindo. Porém, apenas alterou sua posição de indiferença para uma mais cautelosa e firme.
— E então, o que escolhem?
A pergunta não calava. O que iriam fazer? De fato, eram duas alternativas difíceis. Na certa, Pyro deve ter um truque. – Pensou Tails. Mas se não obedecessem, poderiam ficar mais perdidos ainda, sem nenhuma informação de onde estaria Sonic, e pior: arriscariam a sua vida por mero orgulho. Aquele sacrifício lhe parecia valer a pena e o raposo havia escolhido sua decisão. Já haviam ultrapassado muitos limites e não era mais hora de desistir.
— O que temos que fazer? – Amy cortou o pensamento de Tails. Apesar da pergunta que tinha recebido, a ouriça já havia percebido que em sua mente a decisão lhe parecia óbvia até demais. Não tinham praticamente nada a perder, e as duas alternativas poderiam até mesmo levá-los a caminhos iguais.
De repente, a figura que estava à frente recomeçou a falar, como se já estivesse com um discurso pronto e arquitetado:
— O primeiro desafio de vocês será descobrir o segredo do nome da minha organização. Para isso, talvez vocês precisem perder muitas noites de sono além das que já têm perdido. — Pyro pigarreou, limpando a garganta. Sua voz parecia mais firme. — Mas posso tornar isso mais interessante pra vocês: adianto que isso poderá até mesmo ajuda-los em sua investigação sobre mim. Servirá, digamos, como um incentivo. Irônico, não? – Tails podia sentir o sarcasmo de Pyro tentar sufocá-lo. Ele continuou. — Então, se acharem a resposta, você terão que me consultar novamente e eu lhe darei novas instruções. O seu prazo será de três dias para encontrar esse significado.
Tails então sentiu por alguns instantes que iria ter um surto emocional. Deixou ser levado a falar algo que imaginou de última hora:
— Como vou saber que está falando a verdade?! Esse joguinho me parece uma grande perda de tempo. Se você estivesse com o Sonic de verdade, não ficaria desperdiçando palavras como se isso fosse nos ajudar, de alguma forma!
Pyro pareceu ter dado um suspiro de decepção o que irritou mais ainda aos três que o observavam atentamente. O desconhecido retomou a palavra e prosseguiu:
— Se eu estivesse mentindo, mostraria isso? – A próxima visão certamente chocou a todos. O telão mudou de ângulo desta vez, mostrando uma pequena mesa, onde um feixe branco e circular era a única fonte de luz. Em cima dela, estava Sonic, desacordado e seu corpo parecia estar ferido e cheio de arranhões, como se estivesse sendo usado como cobaia de experimentos. Os olhos dos amigos estavam arregalados e seus rostos apavorados diante daquela imagem.
Amy sentiu que ia explodir. Sua face ficou totalmente rubra e ela sentiu seus joelhos perderem a força. A ouriça começou a gritar em um choro escandaloso e desesperado:
— Seus idiotas! Soltem o Sonic! O que fizeram com ele?!
A ouriça repetiu estas mesmas palavras até perder o fôlego. Depois de muitas repetições, ela sentiu que iria apagar. Como já havia dados sinais que estava para desmaiar, Blaze correu e segurou-a para que Amy não caísse no chão.
— Darei tempo suficiente para pensarem. Espero uma resposta até a meia-noite. – Conexão perdida.
As luzes da grande sala pareceram falhar, aumentando o clima tenso que já estava predominado. Tails olhou para o relógio. 23:55. Seria engraçado se não fosse trágicoque teriam apenas cinco minutos para dar a resposta definitiva.
O que ele quer com tudo isso? Quem é Pyro? — As dúvidas e questionamentos ainda pairavam nas mente de Tails. Ele sabia que viver à custa do inimigo seria um fato crítico. Demolish tinha alguma intenção maldosa por trás disso, não podia negar. Mas era o único caminho.
Apesar de também quase ter explodido inesperadamente, Blaze não parecia tão irritada agora. Estava pensativa, mediante a um desafio que talvez fosse impossível, e isso poderia prejudicá-la também. Mas ela não acreditava que as coisas iriam acabar da forma que Pyro queria. Tails tinha potencial, a Amy, já acordada, mas ainda em seus braços, também era forte. Só precisava daquele incentivo. Cria que iriam descobrir uma forma de contornar a situação.
Então houve um momento em que o trio cruzou os olhares por poucos segundos. Nenhum deles demonstrou hesitação ou qualquer tipo de sentimento negativo. Somente balançaram suas cabeças levemente, demonstrando estarem prontos para as novas batalhas que surgissem. O raposo então andou até seu computador, que por sorte ainda estava funcionando e esperou em silêncio a chamada ser estabelecida com Demolish. Feito isso, em poucas palavras Tails disse a Pyro:
— Aceitamos a proposta.
Era o começo de uma guerra, mas Lively ainda esperava por eles.
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