Believe in Yourself
11 Coroa
— Estamos chegando! — Tails anunciou a chegada em Lively.
Amy e Blaze foram ao encontro do amigo, afinal, das janelas da sala de controle conseguiriam ter uma visão privilegiada do planeta.
O que a ouriça dissera estava bastante correto: O planeta possuía uma beleza inestimável. Mas nada se comparava a o componente que oferecia charme e graça a ele: Os anéis com coloração dum branco limpíssimo, deixando os três de queixo caído.
— Esse é Lively. Apesar de ser um planeta de muita produção, ele é um dos mais bonitos de toda galáxia. Aparentemente, o relevo é dominado apenas por grandes planícies e algumas poucas montanhas. O território é dividido em três continentes, onde dois são imensos e o outro um pouco menor que os demais. Contudo, em apenas um dos grandes o verde diminui de tom. – leu Tails, no computador. – Ele tem uma dinâmica interessante. Para não extinguir sua flora de muita formosura, resolveram separar um dos continentes para o progresso socioeconômico enquanto os outros dois permanecem sem a ação das máquinas. Este planeta não possui sol, mas cinco luas que alternam a cada 4 horas do dia. Uma Branca, ao fim da noite e raiar da manhã; Uma Amarela, quase em todo dia. – chamam-na de pequeno sol de Lively; Uma laranja; anunciando que o fim da tarde está chegando; Uma Violeta, na noite; e finalmente uma Lua Azul-Celeste, a mais bela de todas, na madrugada do planeta; Às vezes há encontros entre luas diferentes, são dias bastante coloridos e bonitos — Tails terminou de ler. Logo começou a falar por si mesmo. – Dizem que é um lugar perfeito para viver. Eles conseguem manter todo o bem estar do povo sem maltratar a natureza.
— Quanta sabedoria. – Admitiu Blaze. – Mas, na minha infância, ouvi histórias que num tempo atrás eles já passaram por problemas com desequilíbrio ecológico intenso. Havia mais uma lua e era avermelhada, mas acabou perdeu seu brilho. Acho que perceberam que o planeta e seus satélites são muito sensíveis a mudanças ambientais, resolveram tomar essa decisão.
— Mesmo assim, é muito bonito o que fizeram. – Retrucou Amy ainda admirada. Ela queria que Mobius também tomasse esta atitude de conscientização. O planeta a cada dia perdia mais de suas belezas naturais. Era de se admirar que não tenha passado por problemas ecológicos. Em Mobius havia um Sol e alguns diziam ser o mesmo do Sistema Solar já que aquela parte da galáxia era perto da galáxia deles. Já a lua, era uma Branca, parecida com a de Lively.
— Aqui também diz que é um dos planetas do Eixo Rosa Negra. – Completou o raposo.
— Eixo Rosa Negra? – Questionou Amy.
— Sim. – Respondeu Tails. – São quatro planetas que têm a mesma distância um do outro e cada um no seu lugar forma uma espécie de rosa dos ventos, um fica no "norte", outro no "sul" e mais dois no "leste" e "oeste". Isso dá uma efeito interessante na contagem dos dias e nas características ambientais em cada um deles.
— E quais são os outros? – Perguntou a ouriça rosada.
— Shield, Denfire e Mobius. – Respondeu Tails.
Apesar de não ser uma informação nova para Blaze, as imagens do computador, lhe fizeram entender algumas coisas interessantes. Saber que o seu planeta e o de seus amigos, ou seja Denfire e Mobius, respectivamente, eram dois de um eixo, respondia algumas de suas curiosidades. Talvez isso fosse o motivo de ambos serem opostos em quase tudo. Enquanto em Mobius o ano todo era dominado por altas temperaturas e muito verde, Denfire — apesar do nome — era frio em muitos meses, além de ter vários desertos e poucas florestas.
— Vamos aterrissar em um local específico. Vou mandar um chamado solicitando algum lugar do planeta em que possamos pousar. – Avisou Tails.
...
O raposo conseguiu comunicar-se poucos minutos depois, conseguindo permissão para pousar em uma floresta que possuía um espaço no tamanho apropriado para o Cyclone.
A Floresta Cálida era um dos poucos grandes locais verdes do continente da tecnologia. Contudo, foi preciso um pouco de paciência para conseguir encontra-la.
Aproveitaram um pouco para observar algumas características do local. Era curioso como cada província era dividida com perfeição. Cada cidade possuía um número escrito na superfície e assim, os que voavam podiam encontrar qualquer local com facilidade.
Quando encontraram a floresta perceberam que tinha uma vegetação exótica. Suas árvores davam frutos com cores variadas e algumas poucas árvores eram completamente azuis. A temperatura era de 25 graus, típico para aquela floresta. As descrições diziam que aquele era o lugar mais agradável e perfeito do continente e Amy já concordava plenamente.
Assim que saíram da nave, todos ficaram ficou muito surpresos com toda aquela beleza vista de perto. Para a ouriça, era demais para seus olhos. O que mais lhe chamou a atenção foi algo mais bonito ainda.
Em um canteiro minúsculo ao lado de alguma das árvores, Amy encontrou suas flores preferidas: Rosas, de todas as cores que podia imaginar. Mas a que mais lhe admirou foi a rosa do centro. Aquela rosa! Esta se destacava diante as outras. Uma rosa lilás que cintilava um pouco à luz da lua laranja. Amy simplesmente não conseguia tirar seus olhos verdes daquela linda rosa. O motivos que levaram a tomar a decisão de pegá-la para si foram bem distintos: a beleza daquela flor lhe proporcionava boas lembranças; ela poderia estar atrapalhando o brilho das outras rosas com toda aquela exuberância. Para alguns, até parecia loucura, mas para Amy, aquilo começava a fazer bastante sentido. Todos merecem brilhar.
De acordo com as poucas informações que Amy conhecia, as rosas lilás brilhantes de Lively são as mais raras do planeta e só nascem em condições mais especiais que as outras rosas coloridas. O seu tempo de crescimento é de aproximadamente 5 anos, e ela brilha mais ainda quando se expõe à lua branca. Sorte que em Mobius também tinha uma lua branca.
Amy resolveu pegá-la depois. Teria que preparar um local adequado para guarda-la. Quando voltasse da missão, faria tudo de acordo. Ela estava tão impressionada que mal percebeu quando Tails chamou-a para combinar os próximos passos. Correu ao amigo e fixou sua atenção nele:
— Nós vamos ter que agir com naturalidade. Ficar andando por aí com uma nave gigante, pode assustar ou gerar desconfiança na população daqui, mais do que já causamos. Então vamos levar só o N-Tornado com a gente. Nos hospedaremos em um hotel, onde levarei tudo que a gente precisa para a procura. Vamos encontrar o Silver!
...
Os próximos minutos foram de grande agitação, pois precisavam arrumar as malas para a hospedagem. Amy colocou alguns de seus vestidos na mala. Tails, que não usava roupas a não ser por algumas poucas para raras situações, colocou na mala objetos pessoais. Blaze não havia trazido tantas roupas, então Amy emprestou algumas só para disfarçar sua mala. Tudo estava pronto.
O hotel ficava um pouco longe. Era em uma cidade pequena, mas bem localizada chamada Westside. Subiram no N-Tornado e partiram em uma viagem curta de 45 minutos.
A primeira impressão foi boa. Naquela cidade habitava todo o tipo de espécies. Ouriços, Raposas, Pássaros, Esquilos, todos passeando pelas ruas bem construídas da cidade. Era considerada uma das cidades mais tranquilas do planeta, e perceberam logo muitas pessoas conversando tranquilamente pelos arredores. Os três não viram muitas dificuldades em se misturar, pelo menos não inicialmente.
Aproximaram-se do hotel quatro estrelas, que se chamava West Palace, e Tails rapidamente encontrou logo um estacionamento aéreo próximo a ele.
Entraram na hospedaria alguns poucos minutos depois. Não era exageradamente elegante, mas tinha pequenos toques de glamour: As paredes da recepção eram todas pintadas de branco e champagne, com detalhes que oscilavam entre diversos tons pastéis.
O raposo falou com a recepcionista e pediu três quartos. Levaram suas malas a seus aconchegos e se estabeleceram. Assim que a arrumação terminou, novamente se reuniram no quarto de Tails para o primeiro dia de rastreamento do Silver. O raposo retirou em uma das malas uma parte do seu equipamento de procura.
— Blaze disse que viu Silver se vingando de alguns vândalos que estavam atacando ele e depois se vingou. Não sei porque, mas na pior das hipóteses, isso pode ter virado notícia de jornal. Vou acessar a internet e vamos procurar por algumas coisas.
Aquele pensamento causou um nó na garganta de Blaze, mas não podia negar que concordava.
Tails começou a teclar, teclar. Durante praticamente uma hora, nada foi encontrado nas manchetes dos jornais on-line. Até uma notícia aparece em um dos tópicos do jornal de uma cidade vizinha à Westside:
GANGUE SOFRE ATAQUE MISTERIOSO EM LIGHTSIDE.
Tails logo clicou neste tópico. A notícia a vir era assustadora:
Uma gangue de morcegos conhecida por realizar arrastões e roubos nos arredores de Lightside foi atacada num beco próximo ao Cais 13. Cinco de seus integrantes foram mortos, cada um com vários ossos quebrados e um deles punhal fincado ao peito, que foi comprovado pertenciam a eles mesmos.
Somente um dos criminosos conseguiu sobreviver, mas, após recuperar-se de suas feridas, foi encaminhado ao Sanatório, e está passando por observações e tratamento, provavelmente por causa da pancada forte que recebeu na cabeça. Ele clama todas as noites para não o deixem sozinho temendo que a luz azul venha pega-lo.
A primeira hipótese trabalhada foi uma briga interna com consequências trágicas, ou traição, mas não há vestígios ou evidência dessa teoria no local do crime. Acredita-se que eles tenham sido vítimas de outra gangue, mas isso também não foi comprovado, e as investigações permanecem abertas.
Blaze estava muito chocada, mas não tinha dúvidas: Silver havia feito aquilo. Reconheceu, pelas fotos no jornal, alguns dos traços dos bandidos em sua visão. Mesmo assim, era difícil pensar ou acreditar que Silver tinha assassinado aquelas pessoas. O ouriço sempre fora bastante ingênuo e incapaz de machucar alguém, ainda mais a sangue frio. Nunca passou em sua cabeça que aqueles sintomas que beiravam a violência o fizesse ultrapassar os limites. — Mas não há tempo a perder.
...
Algumas horas depois, os amigos correram até a garagem e Tails rapidamente ligou o N-Tornado, dando partida logo em seguida. — Silver pode ser considerado uma ameaça pela cidade se for encontrado naquela condição. Devemos detê-lo, antes que machuque mais alguém. — Pensou ele.
A velocidade máxima foi ativada. Eram apenas oito minutos até Light Side, mas cada minuto daquele caminho era precioso. Blaze não parava de pensar na notícia que vira há poucos minutos. Mesmo que a matança tenha sido involuntariamente, a felina não podia evitar as dúvidas. Sua mente então trouxe à tona algumas memórias: lembrou dos sinais de depressão que o ouriço vinha demonstrando nos últimos dias e isso apertou seu coração intensamente.
— Estamos chegando a LightSide! – Tails anunciou, acordando Blaze de seu devaneio.
A cidade era maior que a última, com toda a certeza. E poderia ser mais difícil ainda localizar Silver. Ele até poderia não estar mais no tal Cais 13, mas essa era a única informação até então, e eles não podiam desperdiçá-la.
Tails já estava procurando no seu GPS a localização do cais quando Blaze falou:
— Vai para a esquerda, Tails! Rápido! – Disse a felina inesperadamente. O raposo não hesitou e logo obedeceu.
Blaze começou a sentir como se tudo estivesse vindo à sua mente. — Agora à direita. Esquerda por mais alguns metros. — Ela não sabia de certeza se Silva era de fato o dono da voz, estava sussurrada demais. Mas tinha certeza que era algo relacionado ao ouriço prateado. A gata continuou a orientar os amigos as direções, até que todos viram algo estranho: encontraram uma parte da floresta que tocava a parte norte da cidade, onde havia algumas árvores caídas em campo aberto. Tails, percebendo que não haviam mais instruções para continuar, não pensou duas vezes e desceu com o N-Tornado, aterrissando levemente.
Assim que saíram da nave todos ficaram observando o local. Era um enorme campo aberto, com algumas marcas antigas no chão, provavelmente onde seria construído um prédio amplo, que logo fora abandonado.
Ao redor, havia apenas alguns carvalhos e árvores altas. Os troncos caídos não parecia ter sido derrubados por máquinas. Pareciam ter sido arrancados à força bruta, como se fosse possível. O solo tinha aspecto meio verde e meio desértico.
— Onde estamos? — A ouriça arriscou a primeira pergunta. Mas ninguém a respondeu, e o silêncio a incomodou. Olhou para o amigo raposo. — Tails? O que foi? — Amy perguntou não entendendo o porquê dele parecer tão temeroso e perdido em seu próprio olhar.
— Ali... – Tails disse sussurrando em um tom de surpresa e temor. Apontou para uma das várias árvores. Uma figura acinzentada estava ali, de costas em um dos grandes galhos.
O vulto pulou e assim que seus pés tocaram ao chão, disse:
— Preparem-se para morrer.
Era Silver.
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