Believe It Or Not
24 Capítulo XXIII
Notas iniciais
Depois de Ryan falar com Luke, eu talvez tenha mudado um pouco de opinião. Não sei dizer se ainda suspeito de Luke, mas acho que Ryan acabou me convencendo um pouco de que ele é inocente. Apesar disso, é sempre bom ter uma pé atrás.
Hoje, Ryan estava aqui em casa, ele disse que queria dormir aqui hoje. Ele não está aqui para falar de mortes, e sim como um amigo. E as vezes nem dá para acreditar que o (ex) namorado de Jennifer é meu amigo. Gosto de passar o tempo com ele, me distrai. E pensando nele agora, eu vejo que Jenn foi burra por trair Ryan, se eu tivesse um namorado como ele, eu seria muito feliz. Epa, mas eu tenho um namorado tão bom quanto!
Derek reclamaria se soubesse que Ryan está aqui, mas ele estava na casa de uma tia. Ultimamente, Derek tem ficado muito ciumento por causa de Ryan. Não vou dizer que ele não tem razão em ter um certo ciumes. As vezes me pego pensando em Ryan como algo mais. E isso está me fazendo cogitar terminar com Derek.
Ryan me olhou e sorriu, enquanto colocava algum CD no meu som (sim, eu tenho um sonzinho rosa daqueles antigos). Ele veio até mim, e eu estava quase deitada na cama. Ele se sentou ao meu lado, passando o braço pelo meu ombro, e eu coloquei a cabeça no peito dele. Estava tão confortável que até me deu um sono. Então Ryan cantarolou a musica, e ai percebi qual era o CD que tocava.
– Ai, não creio, você gosta de Paramore?
– Sim – Ele riu – Mas não conte para ninguém, se Luke souber vai me chamar de bicha para o resto da vida.
Revirei os olhos. Tinha que ser Luke. Ficamos em silencio por um tempo, bocejei e Ryan me olhou. Só que não foi só um "olhou", era diferente. A gente estava perto demais, e não desviei o olhar do dele. Mas ai ele desviou, olhou para minha boca, depois balançou a cabeça.
– Está tarde, vou para casa. – Ele parecia atordoado.
– Hã? Você disse que ia dormir aqui.
– É, eu disse? Disse. Me ajuda a encher o colchão de ar?
– Sim. – Eu ri dele, não entendendo muito bem.
Peguei a bomba de bicicleta, e ele foi pegar o colchão que ele havia trazido. Rapidamente enchemos. Até porque eu nem fiz nada, quem deve o trabalho de encher foi ele. Logo após isso, ele foi tomar um banho.
E de novo aquela sensação de estar sendo vigiada me perseguia. Tentei ignorar, de tarde eu também estava com essa sensação, mas ai Ryan chegou e me distraiu. A porta do quarto se abriu do nada e eu dei um pulo, o que fez Ryan gargalhar do meu susto.
– Tava fazendo o que para se assustar assim? – Ele perguntou curioso.
– Nada... Você vai dormir na sala?
– Sim ué.
– Dorme aqui no quarto... Por favor. – Pedi quase chorando, eu estava com medo de novo, quando acontece isso, geralmente vou dormir com Winny, mas hoje ela nem está em casa.
– Aconteceu alguma coisa?
– Não, só... Só estou com medo. – Olhei desconfiada para a janela. Antes eu estava sem coragem para olhar, mas agora Ryan estava aqui no quarto, ele podia ver que não sou louca por ter visto alguém na minha janela.
– O.K., vou pegar o colchão. – Ryan disse saindo do quarto.
Assim que ele voltou, e estava ajeitando o colchão, ouvi um barulho vindo da janela. Dei outro pulo. Era um barulho como se alguém tivesse correndo.
Ryan me olhou inseguro.
– Vou olhar o que tem lá fora.
– Não – Segurei o pulso dele. – Não mesmo.
– E se for o assassino? – Perguntou ansioso.
– Exato, e se for o assassino? Não vou deixar você ir sozinho.
Ele bufou, mas me obedeceu.
***
No outro dia, Derek me ligou perguntando se podia passar a tarde comigo, e eu respondi que estava cansada. Então ele se irritou e a gente brigou, novamente.
Contei para Winny, e ela tentou me animar.
– Vamos sair.
– Eu já disse que estou cansada, amiga!
– Não quero saber, eu te pago um Milk Shake. – Aquela tirana sabia meu ponto fraco.
– Opa, então vamos. – Eu respondi prontamente e ela gargalhou.
No caminho, Winny não parou de mexer no celular, o que me deixou irritada. Mas relevei, já que ela comprou meu Milk Shake assim que chegamos. Nós tomamos e então ela perguntou como quem não quer nada:
– Vamos na loja de CDs.
Achei que não seria nada demais, então fui. Mas quando cheguei lá, a loja estava tocando Nickelback e Derek estava bem na frente. Rapidamente, Winny desapareceu, me deixando lá sozinha com Derek. A filha da mãe deve estar querendo que a gente se acerte.
– Acho que precisamos conversar – Comecei.
– Precisamos? – Ele fez careta.
– Acho melhor voltarmos a ser como antes. – Falei rápido.
– Tipo, só amigos?
– É...
– Você está gostando de outra pessoa, né? – Ele perguntou (sempre me conhece perfeitamente), e eu abaixei a cabeça. – Ryan? – Ele riu amargo.
– Eu não sei, O.K.? Por isso acho melhor só sermos amigos.
– O.K. – Ele saiu de perto e me deixou lá, encarando o nada.
***
Depois daquilo, por incrível que pareça, as coisas ficaram normais, eu achei que seria estranho voltar a ser só amiga de Derek, mas estava tudo perfeito. Derek sumiu que havia ficado um pouco mal, porém levamos uma amizade normalmente, como antes.
Todo dia eu ia dormir com Winny, mas a sensação de estar sendo vigiada ainda continuava. Hoje, Winny não dormiria aqui, ela ia passar o final de semana na casa dos pais. Então chamei Ryan para dormir em um dia, e Derek no outro.
Ryan chegou bem cedo, porque ele queria começar a ver um serie comigo, então ia demorar. Vimos American Horror Story, quase a temporada toda. E era madrugada quando resolvemos ir dormir.
– Boa noite – Falei indo para o quarto, mas ele me puxou.
– Brad me contou que você terminou com Derek, e contou que ele está meio puto comigo.
– Ele está puto com você? – Perguntei surpresa.
– Ele acha que você gosta de mim. – Ryan falou me encarando, e confesso que fiquei com vergonha.
– Er... Ele acha?
– Ele tem razão? – Ele levantou uma sobrancelha.
– Provavelmente... A gente pode se falar depois, estou morrendo de sono.
– O.K. – Ryan sorriu com o meu nervosismo – Boa noite
Ele puxou-me para perto, colocando a mão em minha cintura, e selou nossos lábios, não aprofundando, meio que para ter certeza que era isso que eu queria. Então ele finalmente me beijou de verdade, eu mal sentia meus pés no chão. Porém foi bem rápido.
Sai meio abestalhada para o quarto, enquanto ele ia pegar o colchão.
Deitei-me e puxei o lençol, fingindo dormir, mais para fugir de encarar Ryan.
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