Believe It Or Not
25 Capítulo XXIV
Notas iniciais
No outro dia, sem nada para fazer (geralmente as ferias são assim, não é?), fiquei vendo serie até meu telefone tocar, me tirando no meu tédio.
Oba, alguém lembrou de mim. Olhei o visor. ''William''? Por essa eu não esperava.
– Alô – Perguntei confusa.
– Oi, Kate – A voz entediada de Will invadiu meu ouvido – Tá fazendo o quê?
– Nada! Tô quase virando uma estatua no sofá.
– Quer vir jogar vídeo game aqui em casa?
– Eu? – Estranhei. De todas as pessoas do mundo, sou eu que ele chama para jogar?
– Brad está com Winny, Derek saiu para a festa de casamento da tia dele e Ryan não atende o telefone.
– Então sou segunda opção? – Revirei os olhos.
– Na verdade, é a quarta opção. – Ele riu – Você chega de que horas?
– Vou tomar banho e vou. Te ligo quando estiver perto.
E assim eu fiz, nem me arrumei muito, sabe? Eu estava com tanto tédio que eu estava fazendo o minimo esforço possível. Vesti a primeira roupa que encontrei, prendi meu cabelo por preguiça de pentear. Eu estava com uma cara de sono extrema, porém não passei maquiagem nenhuma.
Sai de casa, fechando as janelas e trancando a porta, Winny não estava em casa. Andei uns cinco quarteirões, e logo cheguei, liguei para o Will, que abriu o portão para que eu entrasse. Cumprimentou-me com um abraço e um ''e ai?'', então seguimos para o quarto dele. O vídeo game estava pausado em algum jogo que não reconheci.
– Fiz pastel – William apontou para cima da cama, onde havia um prato com vários pasteis.
Deitei na cama, já comendo um, enquanto Will trocava de jogo. Provavelmente para me agradar, ele colocou Just Dance.
– Quer que musica? – Ele me olhou.
– Escolhe uma que você gosta.
– Assim você vai perder fácil.
Ri dele, levantando da cama e ficando ao seu lado. Logo começou uma musica de Maroon 5. Dançamos meio desengonçadamente, o que me fiz rir muito, Will já sabia a coreografia, mas fazia do jeito mais afeminado possível. Depois dançamos uma musica em dupla, e eu já estava começando a soar, devido ao calor do quarto também. Pedi para ele trocar de jogo, e ele fez isso, e resolveu puxar assunto.
– Derek me falou sobre vocês... – ele ficou serio de repente, nem parecia que era ele – Acho que você não deviam nem ter começado isso se fosse para acabar dessa forma, vocês são amigos, pô. – Ele fez uma pausa e depois retomou. – Ele gosta muito de você, e bom... Você também, né? Ele tem medo que você se afaste dele por isso.
– Eu não vou me afastar, quero que seja que nem antes, melhores amigos, sabe?
– Sei, mas não é tão fácil para ele, quanto é para você.
– É... Ele estava triste com isso? – Perguntei mordendo o lábio inferior em seguida. A coisa que eu menos quero é ferir os sentimentos de Derek.
– Por incrível que pareça, não. Ele está bem. Mas sei que ele ficaria mal se vocês parassem de se falar ou ficassem estranho como geralmente os exs namorados ficam.
– É, eu sei...
Continuamos nossa tarde de jogos tranquilamente, sem tocar nesse assunto novamente.
***
William foi me deixar em casa, já que tinha anoitecido. Chegando perto de casa, eu agradeci pela tarde, e disse tchau. Will somente falou um ''temos que fazer isso mais vezes'' e saiu.
Destranquei a porta, aparentemente Winny não havia chegado ainda. Antes de acender a luz, ouvi algo. Meu coração acelerou, o som vinha do corredor.
– Winny? – Minha voz saiu tremula.
Sem respostas. Outro barulho, só que dessa vez mais alto, e provavelmente vindo de um quarto. Acendi a luz, não havia ninguém na sala. Fui até a cozinha e peguei uma panela qualquer.
Caminhei lentamente até o corredor, minhas pernas estavam bambas e isso piorou quando vi que a porta do meu quarto estava aberta. Respirei fundo, unindo coragem para ir até lá. Andei tentando não fazer barulho. Chegando na porta do quarto, acendi a luz bruscamente. Nada. Não tinha nada. Meus músculos relaxaram, e senti um alivio. Percorri meus olhos envolta do quarto para ver se não tem nada suspeito e ai percebi algo. A janela estava aberta, e eu tenho certeza de que a fechei. É, alguém estava ou está aqui.
Procurei algo faltando no meu quarto, poderia ser um ladrão, né? Mas tudo parecia a mesma coisa, exceto pela porta do guarda-roupa estar aberta, deixando claro de que alguém mexeu ali.
Mexi nas gavetas, nada roubado. Não era um ladrão, e se não era um ladrão seria o quê? O assassino? O desespero tomou conta de mim, e, sem saber o que fazer, liguei para Derek.
– Vem para cá, por favor. – Falei antes que ele pudesse dizer ''alô''.
– O que foi? Aconteceu algo?
– Eu tenho certeza que alguém entrou aqui, não quero ficar sozinha. – Minha voz falhou, senti meus olhos arderem.
– Você tá chorando? – Derek quase gritou. – Estou indo para ai.
Em praticamente vinte minutos ele já estava na porta da minha casa, abri para ele, já com cara de choro. Percebi que ele estava de terno, provavelmente teria saído a pouco tempo do casamento da tia dele.
Eu estava com medo, e sem saber o que fazer. Não queria que ele me visse assim, pois eu parecia frágil.
– Relaxa, já passou. – Derek me abraçou, enquanto eu segurava as lagrimas que teimavam em sair contra minha vontade. Ele as limpou do meu rosto. Sorri fraco, por perceber que ele ainda está comigo para o que eu precisar. – Não tem ninguém aqui. Tem certeza que você ouviu algo?
– Mas tinha! Eu ouvi, e não deixei a janela aberta, eu tenho certeza.
Eu me sentia horrível por não estar segura na minha própria casa. Sentei no sofá, mais calma. Imaginei a sensação de Jennifer, era impossível não ter pena e tristeza, ela sempre tão forte, sendo assassinada. Apesar de ter certeza que ela detestaria que as pessoas tivessem pena dela, era isso que eu sentia.
Flashback On
– Você não vê o que faz com todos – Ryan gritou com Jenn, eles estavam no quarto dela, e eu estava tentando estudar, mas era impossível com eles falando alto. Mesmo que eu não quisesse me intrometer, eu acabava ouvindo as brigas, que ultimamente tem ficado constante.
– Eu não estou lindo para todos, e nem ligo para o que você acha. – Ela usou seu melhor tom arrogante.
– O.K., faz o que você quiser, e sinceramente? Não sinto mais o que eu sentia antes, agora, eu só tenho pena de você. – Ryan disse calmamente, porém alto.
Jennifer gargalhou.
– Pena? Ah, vai se fuder, vai. – A voz dela ficou estridente.
Ouvi uma porta batendo, provavelmente seria Ryan saindo, tentei voltar aos estudos e esquecer.
Flashback off
Mas lagrimas escorregam ao lembrar de Jenn. Derek percebeu isso e me puxou para perto, abraçando-me, sem segundas intenções, só para me consolar.
Winny abriu a porta de repente, rindo de algo que Brad havia falado, ele entrou logo após ela. Então ela me viu, seu sorriso murchou e ela fez cara de preocupação.
– Aconteceu algo? – Ela se ajoelhou ao meu lado.
– Alguém entrou aqui e vasculhou as coisas dela. – Derek respondeu por mim.
Winny quis saber tudo, mas eu estava cansada demais, fui dormir, deixando Derek explicar tudo.
***
Acordei de tarde. Fui direto para cozinha, morrendo de fome.
– Fiz almoço, florzinha – Winny apontou para o fogão – Ryan está lá na sala, bem preocupado com você. Brad comentou sobre ontem com ele.
– Oh... O.K. – Eu acordei a pouco tempo, então mal assimilei tudo o que ela falou.
Comi a macarronada, que tinha um molho incrível. Winny caprichou. Depois escovei os dentes e fui para sala, onde Ryan estava vendo TV.
– Esse filme é bem antigo, hein. – Eu disse quando percebi que estava passando Splash – Uma Sereia em Minha Vida na TV.
Ryan sorriu assim que me viu, se levantou e veio me abraçar.
– Tá tudo bem?
– Sim, agora está tudo O.K.
– Porra, não faz mais isso, você me deixou preocupado, atende o celular, o que aconteceu? Brad não me contou direito.
Expliquei tudo para ele, que ouvia com raiva, como se quisesse matar o infeliz que invadiu minha casa.
– Você poderia ter me chamado.
– William ligou para você de tarde e disse que você não atendia. Então achei que estivesse ocupado.
– É... – Ele parecia desconfortável. – Acho que eu atenderia você.
– O.K., eu quero ir na delegacia, informar o que aconteceu – Mudei de assunto.
– Claro, eu vou com você.
– Obrigada...
***
Chegando lá, contei tudo à Bruce, que logo se preocupou.
– Vou colocar uma viatura perto da sua casa – Ele coçava a barba pensativo.
Eu não achava necessário, porém Ryan concordou com isso e eu não tive escolha. Não que isso resolvesse, mas talvez eu ficaria mais segura, e tivesse menos medo. Também contei sobre minhas suspeitas, sobre Josh. Na verdade eu me sentia perdida por não suspeitar de uma pessoa em principal.
Depois de contar sobre tudo, soube que Bruce não havia avançado muito nas investigações, e isso me deixou desanimada. Fui para casa, mais leve e segura, ou pelo menos era isso que eu achava.
Ryan tinha insistido para que eu dormisse na casa dele, mas não concordei, então ele se ofereceu para dormir na minha casa. E eu estava esperando por ele, pois ele foi arrumar uma mochila para passar a noite aqui. Winny não quis sair, estava preocupada e cancelou seus planos com Brad. Eu detestei isso, e por mais que eu argumentasse que ela devia aproveitar em vez de ficar em casa comigo, ela não aceitou nenhum dos meus argumentos.
Tomei um banho, vesti um pijama longo pelo frio, junto com um casaco. E nada de Ryan chegar, ele estava demorando, mas O.K., fiquei na sala ouvindo musica, até que meu celular vibrou.
Uma mensagem de Derek. Dizia: ''Está melhor?'', respondi que sim. Passou uns dez minutos e o celular vibrou de novo, era ele de novo, ''Vamos fazer algo legal amanhã?''. Eu ia responder, mas meu celular começou a tocar, Ryan estava ligando. Atendi de imediato.
– Kate? – A voz dele estava abafada – Liga para ambulância e diz para vim para Rua 113b.
– O QUÊ? – Gritei – Onde você está? O que aconteceu?
– Um carro bateu no meu do nada, tá meio escuro aqui, acho que tô sangrando.
– Eu chego em cinco minutos.
– O.K.
Sai correndo que nem uma louca, sem nem dizer nada à Winny. Eu sabia onde era a rua, não ficava tão longe. Liguei para ambulância e consegui explicar qual era o endereço, mesmo enquanto corria. Em alguns minutos cheguei onde era. Alguns dos postes estavam apagados, deixando a sua escura. O carro de Ryan estava a direita, amassado na frente. Corri mais chegando até ele. A porta estava aberta e Ryan estava sentado no chão.
– Ryan? – Sentei ao seu lado, que abriu devagar os olhos.
Ele sorriu fraco, e percebi o sangue na lateral da sua cabeça. Tirei meu casaco, reparando que estava de pijama, mas que se lasque. Coloquei o casaco na cabeça dele, no local da origem do sangramento, para estancar. Ele me observava fazer isso, até que ele fechou os olhos lentamente.
– Ryan! – Sem resposta nenhuma. – Responde, por favor!
Ouvi a sirene da ambulância se aproximando.
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